Radar de Mercado: 2026 será o ano de retomada para o mercado imobiliário?

Especialistas indicam projeções otimistas, sustentadas por queda nas taxas de juros, expansão do crédito e forte demanda da classe média

16 de janeiro de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo

Principais Insights

  • O mercado imobiliário brasileiro projeta um 2026 de recuperação, impulsionado pela redução das taxas de juros e novas regras de crédito.
  • A valorização dos preços de imóveis e aluguéis em 2025, com aumentos de 6,5% e 10%, reflete uma demanda robusta, especialmente em áreas centrais e imóveis de alto padrão.
  • O IFIX teve uma alta de 21% em 2025, refletindo a recuperação do mercado e consolidando os fundos imobiliários como principais motores de transação, com forte liquidez e altos dividendos.
  • Mudanças fiscais e regulatórias, como a reforma tributária e ajustes nos títulos isentos de impostos, podem afetar a dinâmica do mercado e as estratégias de financiamento para 2026.

O mercado imobiliário brasileiro projeta um 2026 de recuperação e resiliência, impulsionado pela expectativa de redução nas taxas de juros e novas normas de crédito. 

O segmento de classe média, especialmente, deve vivenciar um novo ciclo de crescimento, com condições mais favoráveis para financiamento e aquisição de imóveis - fortemente apoiadas pelos programas de incentivo governamentais. 

Os mercados de multifamily e de imóveis de médio e alto padrão deverão ser os principais beneficiados nesse cenário. 

Contudo, especialistas destacam que o setor ainda enfrentará um cenário de volatilidade econômica, com incertezas fiscais e possíveis impactos da inflação sobre os preços dos imóveis.

Superando inflação, preços de imóveis sobem 6,5% e aluguéis aumentam 10%

O ano de 2025 registrou forte dinâmica de preços e aluguéis, com impactos que devem influenciar as projeções para 2026. 

Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), os preços dos imóveis cresceram 6,5% em 2025, superando a inflação do período e indicando que a valorização patrimonial segue robusta mesmo em um contexto econômico desafiador. 

Essa alta reflete fatores como escassez de oferta qualificada em áreas centrais e demanda consistente, com destaque para bairros como o Leblon no Rio de Janeiro, que continua a registrar o metro quadrado mais caro do Brasil.

O mercado de aluguéis também apresentou desempenho expressivo: com variação média que alcançou o maior patamar em seis anos, os aluguéis subiram quase 10% em 2025, também superando a inflação pelo quarto ano consecutivo. 

Esse crescimento reflete a maior demanda por locação frente à dificuldade de acesso ao crédito e prioridade crescente por mobilidade residencial, ao mesmo tempo em que impulsiona investidores a considerarem ativos de renda no portfólio imobiliário.

Com o segmento de construção civil aquecido - impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida, que segue sendo a aposta do governo brasileiro para manter o ritmo de obras - o setor projeta continuidade da valorização dos imóveis e maior atratividade para investidores e incorporadoras.

Com alta de 21% no IFIX, FIIs movimentam R$ 3 bilhões em 2025 

O índice IFIX registrou uma alta de cerca de 21% ao longo de 2025, após recuo em 2024, refletindo a recuperação e o fortalecimento do setor. 

Apesar da Selic ainda em patamares elevados ao longo de 2025, o segmento de fundos imobiliários mostrou forte liquidez, com operações que movimentaram cerca de R$ 3 bilhões no ano, consolidando os FIIs como um dos principais motores de transação do mercado. 

Os fundos atuantes concentraram-se em segmentos como varejo, logística e escritórios, priorizando imóveis estabilizados com contratos longos e inquilinos de perfil sólido, o que ajudou a sustentar um alto dividend yield - em média superior a 11% ao ano.

Mudanças fiscais podem alterar a dinâmica do mercado

O ambiente regulatório e fiscal no Brasil está passando por transformações que podem impactar diretamente o mercado imobiliário e as estratégias de financiamento para 2026. 

Em recente atualização sobre a reforma tributária, o presidente Lula sancionou o projeto de lei, mas vetou dez dispositivos-chave, incluindo o que tratava do fato gerador do ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis). 

Como resultado, os municípios continuam com autonomia para definir a cobrança do imposto, o que mantém certa flexibilidade nas transações imobiliárias e pode influenciar o comportamento de incorporadoras e investidores no setor.

Paralelamente, o governo federal está avaliando mudanças nas regras de títulos isentos de impostos - como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários), entre outros - com foco na regulação desses ativos financeiros a partir de 2026. 

O objetivo é ajustar a emissão desses instrumentos, que atualmente atraem investimentos devido à isenção fiscal, para evitar distorções na curva de juros e proteger o custo de financiamento tanto do Tesouro quanto das empresas.

Tais mudanças podem alterar o apetite por esses ativos, impactando diretamente a captação de recursos para o mercado imobiliário e exigindo uma adaptação das estratégias de investimento.
 
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