GRI InstituteFundos de logística terão papel fundamental na expansão da oferta premium
Escassez de galpões AAA e crescimento consistente da demanda indicam o caminho para os FIIs do setor
9 de julho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- A combinação de demanda alta e capital disponível, aliada à falta produto, reduz o risco do desenvolvimento praticamente a zero - especialmente em projetos sob medida. Com cap rates comprimidos em ativos estabilizados, o retorno sobre o investimento (yield on cost) da incorporação é significativamente maior.
- Parte do estoque existente não se adequa às novas exigências de inquilinos do e-commerce, operadores logísticos e farmacêuticas.
- Se o investidor pessoa física sustentou os FIIs até aqui, também é verdade que será necessário trazer investimentos institucionais estrangeiros para conferir ganho de escala à indústria. Para 23% dos respondentes, esse é o papel mais vital dos fundos imobiliários logísticos no cenário atual.
Uma das principais conclusões do GRI Industrial & Logística 2026 é que faltam ativos premium para atender a demanda. Grandes plataformas globais têm capital e interesse para investir no Brasil, mas precisam de escala para justificar desembolsos na casa das centenas de milhões de dólares.
Na abertura do evento, o GRI Institute perguntou aos mais de 130 executivos presentes qual seria o papel mais relevante dos fundos de investimento imobiliário visando a consolidação do mercado logístico no ciclo atual. A opção mais popular, com 36% dos votos, aponta para o desenvolvimento de projetos built-to-suit (BTS) para grandes ocupantes, como as gigantes globais do e-commerce.
A leitura dos respondentes vai ao encontro da escassez crônica de galpões Triple A nas principais frentes logísticas do país, como o raio 30km de São Paulo. A combinação de demanda alta e capital disponível, aliada à falta produto, reduz o risco do desenvolvimento praticamente a zero - especialmente em projetos sob medida.
Aprofunde a discussão sobre o mercado logístico brasileiro no Brazil GRI 2026.
Para as gestoras, a melhor avenida de crescimento e de rentabilidade alfa está no desenvolvimento greenfield. Além do lucro típico da incorporação, os ativos estabilizados estão com cap rates comprimidos, efeito da valorização dos imóveis que encontra respaldo, novamente, na alta demanda em descompasso com a nova oferta. Em resumo, o yield on cost da incorporação é significativamente maior.
"Se um fundo imobiliário emitir novas cotas para comprar um galpão premium cujo cap rate está baixo, o gestor corre o risco de diluir o rendimento dos cotistas atuais, visto que o imóvel vai gerar menos retorno proporcional do que a média do portfólio que o fundo já possui, não sendo, portanto, uma estratégia interessante", avalia o CEO Global do GRI Institute, Gustavo Favaron.
Um terceiro fator que favorece o desenvolvimento greenfield é a inadequação técnica de galpões antigos para atender as novas demandas do e-commerce, de operadores logísticos e da indústria farmacêutica. Dentre as principais características, estão pé-direito de 14 metros ou mais, piso resistente a pelo menos 6 toneladas por metro quadrado, infraestrutura robusta visando automação e robótica, além de certificações ESG.
Vale lembrar que a maturação da indústria de fundos imobiliários foi sustentada por investidores pessoa física. Neste sentido, o mercado parece reconhecer que, mesmo em ciclos de juros altos, os FIIs continuam sendo a ferramenta mais eficiente para canalizar a poupança do investidor comum diretamente para o mercado imobiliário do país, provendo liquidez contínua para o setor.
Essa captação é facilitada por se tratar de um setor de fácil entendimento, com contratos de longo prazo, vacância baixa, receita estável e inquilinos robustos.
"Grandes fundos soberanos e gestoras globais com as quais conversamos nos eventos do GRI mundo afora olham para o mercado de galpões do Brasil com muito interesse devido ao tamanho do nosso mercado consumidor, mas criar uma estrutura própria de operação local custa caro e é um processo complexo. Então, usar as estruturas de FIIs listados e administrados por grandes assets nacionais é a forma mais rápida e eficiente para o investidor estrangeiro", afirma Favaron.
Embora essas movimentações chamem a atenção na mídia financeira, o mercado avalia não se tratar da função primária - ou mais vital - no ciclo atual. Arrumar a casa e fundir portfólios existentes traz eficiência interna, mas não resolve o problema real do setor, que é a necessidade de mais galpões modernos para atender à demanda de expansão operacional dos inquilinos.
"O mercado quer e precisa que os fundos imobiliários atuem como bancos de desenvolvimento privados, assinando cheques para erguer novos condomínios logísticos sob medida (BTS) para os grandes inquilinos que não param de expandir suas operações no Brasil", encerra Favaron.
Na abertura do evento, o GRI Institute perguntou aos mais de 130 executivos presentes qual seria o papel mais relevante dos fundos de investimento imobiliário visando a consolidação do mercado logístico no ciclo atual. A opção mais popular, com 36% dos votos, aponta para o desenvolvimento de projetos built-to-suit (BTS) para grandes ocupantes, como as gigantes globais do e-commerce.
A leitura dos respondentes vai ao encontro da escassez crônica de galpões Triple A nas principais frentes logísticas do país, como o raio 30km de São Paulo. A combinação de demanda alta e capital disponível, aliada à falta produto, reduz o risco do desenvolvimento praticamente a zero - especialmente em projetos sob medida.
Aprofunde a discussão sobre o mercado logístico brasileiro no Brazil GRI 2026.
Para as gestoras, a melhor avenida de crescimento e de rentabilidade alfa está no desenvolvimento greenfield. Além do lucro típico da incorporação, os ativos estabilizados estão com cap rates comprimidos, efeito da valorização dos imóveis que encontra respaldo, novamente, na alta demanda em descompasso com a nova oferta. Em resumo, o yield on cost da incorporação é significativamente maior.
"Se um fundo imobiliário emitir novas cotas para comprar um galpão premium cujo cap rate está baixo, o gestor corre o risco de diluir o rendimento dos cotistas atuais, visto que o imóvel vai gerar menos retorno proporcional do que a média do portfólio que o fundo já possui, não sendo, portanto, uma estratégia interessante", avalia o CEO Global do GRI Institute, Gustavo Favaron.
Um terceiro fator que favorece o desenvolvimento greenfield é a inadequação técnica de galpões antigos para atender as novas demandas do e-commerce, de operadores logísticos e da indústria farmacêutica. Dentre as principais características, estão pé-direito de 14 metros ou mais, piso resistente a pelo menos 6 toneladas por metro quadrado, infraestrutura robusta visando automação e robótica, além de certificações ESG.
Captação via investidor de varejo segue relevante
Com 25% dos votos, a segunda opção mais escolhida é a ampliação do acesso ao investidor de varejo interessado no boom do segmento logístico.Vale lembrar que a maturação da indústria de fundos imobiliários foi sustentada por investidores pessoa física. Neste sentido, o mercado parece reconhecer que, mesmo em ciclos de juros altos, os FIIs continuam sendo a ferramenta mais eficiente para canalizar a poupança do investidor comum diretamente para o mercado imobiliário do país, provendo liquidez contínua para o setor.
Essa captação é facilitada por se tratar de um setor de fácil entendimento, com contratos de longo prazo, vacância baixa, receita estável e inquilinos robustos.
Trazer o capital estrangeiro
Se o investidor pessoa física sustentou os FIIs até aqui, também é verdade que será necessário trazer investimentos institucionais estrangeiros para conferir ganho de escala à indústria. Para 23% dos respondentes, esse é o papel mais vital dos fundos imobiliários logísticos no cenário atual."Grandes fundos soberanos e gestoras globais com as quais conversamos nos eventos do GRI mundo afora olham para o mercado de galpões do Brasil com muito interesse devido ao tamanho do nosso mercado consumidor, mas criar uma estrutura própria de operação local custa caro e é um processo complexo. Então, usar as estruturas de FIIs listados e administrados por grandes assets nacionais é a forma mais rápida e eficiente para o investidor estrangeiro", afirma Favaron.
M&As perderam a relevância?
A opção menos votada pelos executivos, com 16%, é a consolidação de portfólios via fusões e aquisições entre fundos imobiliários logísticos.Embora essas movimentações chamem a atenção na mídia financeira, o mercado avalia não se tratar da função primária - ou mais vital - no ciclo atual. Arrumar a casa e fundir portfólios existentes traz eficiência interna, mas não resolve o problema real do setor, que é a necessidade de mais galpões modernos para atender à demanda de expansão operacional dos inquilinos.
"O mercado quer e precisa que os fundos imobiliários atuem como bancos de desenvolvimento privados, assinando cheques para erguer novos condomínios logísticos sob medida (BTS) para os grandes inquilinos que não param de expandir suas operações no Brasil", encerra Favaron.