Nicholas Cappell - UnsplashCombinação de fatores eleva atratividade do investimento em fundos imobiliários
Desconto no valor das cotas, bom desempenho dos segmentos e perspectivas de queda dos juros alimentam captações
7 de maio de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- A relação entre preço e valor patrimonial (P/VP) dos fundos imobiliários está, na média, na casa de 0,81% atualmente. Isso significa que há boas oportunidades de entrada em fundos descontados visando ganho de capital.
- Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que os fundos imobiliários captaram R$ 20 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que significa 146,6% a mais do que nos três primeiros meses do ano passado.
- Os segmentos mais populares na indústria de fundos imobiliários vivem bom momento: menor vacância em 14 anos nos escritórios de alto padrão em São Paulo; recordes de ocupação em ativos logísticos; maior volume de vendas da história nos shopping centers e demanda em alta em prédios residenciais para locação.
Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) provam, a cada ano, que estão trilhando um caminho de crescimento sem volta. Mesmo diante de cenários desafiadores, especialmente períodos de elevação da taxa básica de juros, essa indústria segue atraindo novos investidores e, mais recentemente, conseguiu injetar maior volume de capital estrangeiro no mercado imobiliário nacional.
Segundo relatório do Santander, investidores internacionais representaram 24% do volume negociado nos fundos imobiliários em fevereiro, maior participação desde a criação dos FIIs. Para efeito de comparação, essa parcela era de 7,4% há cinco anos, em 2021. Mais recursos injetados significam maior liquidez para os fundos, o que beneficia todos os atores envolvidos - das gestoras aos investidores "de varejo", pessoa física.
Participe do GRI Fundos Imobiliários 2026, que terá transmissão ao vivo e gratuita
Segundo rankings elaborados por Clube FII e Funds Explorer, analisados pela área de Conteúdo do GRI Institute, a relação entre preço e valor patrimonial (P/VP) está, na média, na casa de 0,81% atualmente.
No contexto mais recente, as incertezas trazidas pela pandemia e a onda vendedora que afetou todo o mercado de renda variável impactou os fundos imobiliários, que também sofreram com a saída de uma parcela dos investidores - os menos experientes, pessoa física, que sustentam a indústria, mesmo com a redução dos juros a 2% ao ano, menor patamar da história brasileira.
Quando o pânico causado pela pandemia arrefeceu e os segmentos mais afetados começaram a se recuperar, como escritórios e shoppings centers, a inflação ganhou força e obrigou o Banco Central a subir agressivamente a taxa de juros, que chegou a 15% ao ano - um novo obstáculo para a valorização das cotas, já que a competição com produtos de renda fixa ficou mais acirrada.
O fato, contudo, é que o desconto médio dos fundos imobiliários já foi maior, especialmente em fundos de tijolo (mais afetados por juros altos), e a tendência - em se confirmando uma redução gradual na taxa Selic - é que essa janela se feche no médio prazo. Ainda deverá haver bons fundos negociando abaixo do valor patrimonial, mas as oportunidades de entrada visando ganho de capital serão mais restritas.
Vale pontuar que, nos últimos anos, a janela para novas ofertas praticamente se fechou, já que as gestoras, por um lado, evitaram diluir o patrimônio dos atuais cotistas e, por outro, havia menos apetite dos investidores. O resultado do primeiro trimestre indica uma mudança de tendência, mesmo que muitos follow-ons ainda tenham ocorrido via emissão primária de cotas - mas com menos força do que em 2025 (no ano passado, mais da metade do volume "emitido" se deu via troca de cotas, segundo levantamento do Clube FII).
Recentemente, grandes gestoras, como BTG e Zagros, anunciaram grandes ofertas visando dinheiro novo: o BTG Pactual lançou a 16ª emissão do BTLG11 com alvo de R$ 1,6 bilhão, enquanto a Zagros Capital almeja até R$ 1,5 bilhão na 11ª emissão do GGRC11.
A vacância nos escritórios de alto padrão em São Paulo caiu para 13,4% no final de março, o menor nível dos últimos 14 anos, segundo a JLL. Já os ativos logísticos operam com a maior taxa de ocupação da história, com vacância média de um dígito e inferior a 5% no raio 15 de São Paulo, segundo dados divulgados no GRI Industrial & Logística 2026.
Outro segmento que começa a ganhar tamanho é o multifamily, que consiste em prédios inteiros desenvolvidos para locação, administrados por empresas especializadas. Embora não haja amplo histórico de dados e projetos em operação, o déficit habitacional sistêmico e o crescimento na quantidade de empresas atuando no modelo indicam que essa é uma boa opção para investimentos via fundos imobiliários.
Por fim, os shopping centers registraram o maior resultado de vendas da história em 2025, segundo a Abrasce, totalizando R$ 200,9 bilhões, mesmo com a queda no volume de visitantes.
Em um país que constantemente se vê pressionado pela inflação, investir em imóveis via FIIs significa proteger o poder de compra, já que os aluguéis são corrigidos principalmente por IPCA (índice oficial de inflação) e IGP-M.
Com 3 milhões de cotistas e uma curva de crescimento sem precedentes, os fundos de investimento imobiliário se consolidam como opção de investimento - tendo pela frente, ainda, muito espaço para avançar, se comparados com os fundos imobiliários americanos (REITs) e globais.
Segundo relatório do Santander, investidores internacionais representaram 24% do volume negociado nos fundos imobiliários em fevereiro, maior participação desde a criação dos FIIs. Para efeito de comparação, essa parcela era de 7,4% há cinco anos, em 2021. Mais recursos injetados significam maior liquidez para os fundos, o que beneficia todos os atores envolvidos - das gestoras aos investidores "de varejo", pessoa física.
Participe do GRI Fundos Imobiliários 2026, que terá transmissão ao vivo e gratuita
Desconto no preço de tela ainda existe - a tendência é essa janela se fechar
Desde a pandemia de covid-19, a grande maioria dos fundos imobiliários opera com desconto no preço de tela frente ao valor patrimonial, isto é, os preços das cotas negociam abaixo do valor real dos ativos que compõem o portófio do fundo. Isso significa uma oportunidade de ganho de capital em razão da correção dos preços, uma estratégia que já vem sendo utilizada e rendeu frutos a quem comprou cotas de bons fundos descontados. É o famoso "comprar na baixa".Segundo rankings elaborados por Clube FII e Funds Explorer, analisados pela área de Conteúdo do GRI Institute, a relação entre preço e valor patrimonial (P/VP) está, na média, na casa de 0,81% atualmente.
No contexto mais recente, as incertezas trazidas pela pandemia e a onda vendedora que afetou todo o mercado de renda variável impactou os fundos imobiliários, que também sofreram com a saída de uma parcela dos investidores - os menos experientes, pessoa física, que sustentam a indústria, mesmo com a redução dos juros a 2% ao ano, menor patamar da história brasileira.
Quando o pânico causado pela pandemia arrefeceu e os segmentos mais afetados começaram a se recuperar, como escritórios e shoppings centers, a inflação ganhou força e obrigou o Banco Central a subir agressivamente a taxa de juros, que chegou a 15% ao ano - um novo obstáculo para a valorização das cotas, já que a competição com produtos de renda fixa ficou mais acirrada.
O fato, contudo, é que o desconto médio dos fundos imobiliários já foi maior, especialmente em fundos de tijolo (mais afetados por juros altos), e a tendência - em se confirmando uma redução gradual na taxa Selic - é que essa janela se feche no médio prazo. Ainda deverá haver bons fundos negociando abaixo do valor patrimonial, mas as oportunidades de entrada visando ganho de capital serão mais restritas.
Captações crescem 146% no primeiro trimestre
Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que os fundos imobiliários captaram R$ 20 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que significa 146,6% a mais do que nos três primeiros meses do ano passado. O período também marcou o maior volume de ofertas da série histórica, iniciada em 2012.Vale pontuar que, nos últimos anos, a janela para novas ofertas praticamente se fechou, já que as gestoras, por um lado, evitaram diluir o patrimônio dos atuais cotistas e, por outro, havia menos apetite dos investidores. O resultado do primeiro trimestre indica uma mudança de tendência, mesmo que muitos follow-ons ainda tenham ocorrido via emissão primária de cotas - mas com menos força do que em 2025 (no ano passado, mais da metade do volume "emitido" se deu via troca de cotas, segundo levantamento do Clube FII).
Recentemente, grandes gestoras, como BTG e Zagros, anunciaram grandes ofertas visando dinheiro novo: o BTG Pactual lançou a 16ª emissão do BTLG11 com alvo de R$ 1,6 bilhão, enquanto a Zagros Capital almeja até R$ 1,5 bilhão na 11ª emissão do GGRC11.
Fundamentos permanecem sólidos
O que sustenta o crescimento da indústria de fundos imobiliários, essencialmente, é o desempenho dos ativos investidos - e os dados indicam que os principais segmentos investidos pelos FIIs vivem um bom momento.A vacância nos escritórios de alto padrão em São Paulo caiu para 13,4% no final de março, o menor nível dos últimos 14 anos, segundo a JLL. Já os ativos logísticos operam com a maior taxa de ocupação da história, com vacância média de um dígito e inferior a 5% no raio 15 de São Paulo, segundo dados divulgados no GRI Industrial & Logística 2026.
Outro segmento que começa a ganhar tamanho é o multifamily, que consiste em prédios inteiros desenvolvidos para locação, administrados por empresas especializadas. Embora não haja amplo histórico de dados e projetos em operação, o déficit habitacional sistêmico e o crescimento na quantidade de empresas atuando no modelo indicam que essa é uma boa opção para investimentos via fundos imobiliários.
Por fim, os shopping centers registraram o maior resultado de vendas da história em 2025, segundo a Abrasce, totalizando R$ 200,9 bilhões, mesmo com a queda no volume de visitantes.
Outras vantagens ao investir em FIIs
Além do ganho de capital mencionado, o investimento em fundos imobiliários é vantajoso porque os rendimentos (dividendos pagos em períodos determinados pela gestora) são isentos de imposto de renda para pessoas físicas.Em um país que constantemente se vê pressionado pela inflação, investir em imóveis via FIIs significa proteger o poder de compra, já que os aluguéis são corrigidos principalmente por IPCA (índice oficial de inflação) e IGP-M.
Com 3 milhões de cotistas e uma curva de crescimento sem precedentes, os fundos de investimento imobiliário se consolidam como opção de investimento - tendo pela frente, ainda, muito espaço para avançar, se comparados com os fundos imobiliários americanos (REITs) e globais.