GRI InstituteRadar de Mercado: BC corta juros, mas movimento pode acabar mais cedo
Bancos centrais nos Estados Unidos, Canadá e Japão, além de Europa e Inglaterra, mantêm juros inalterados com alertas para a inflação
30 de abril de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- Banco Central reduz taxa Selic para 14,5% ao ano em decisão unânima, mas sobe o alerta para as incertezas decorrentes dos conflitos no Oriente Médio; outros bancos centrais de economias importantes mantiveram juros inalterados com viés de alta.
- O crédito imobiliário via SBPE cresceu expressivamente em março, puxado pela Caixa, mas analistas indicam cenário mais desafiador para as incorporadoras em razão da subida nos custos de construção.
- O mercado imobiliário logístico apresenta grave escassez de oferta, acirrando a disputa por ativos prontos ou em construção.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic - taxa básica de juros da economia - em 0,25% ponto percentual, para 14,5% ao ano, em reunião encerrada na quarta-feira (29). Foi a segunda redução consecutiva de igual teor. A decisão foi unânime e alinhada às expectativas do mercado, embora as projeções para o tamanho e a duração dos cortes estejam se deteriorando desde o início da guerra no Irã.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom salienta que o ambiente externo é incerto e destaca a "indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio", concluindo que é necessário maior cautela para os países emergentes, como é o caso do Brasil. Mesmo assim, defendeu o novo corte por entender que a Selic alta por período prolongado já mostra efeitos na economia.
Os bancos centrais dos EUA e do Japão apresentaram votos divergentes entre os membros de seus comitês; no Japão, três dos nove membros votaram pelo aumento da taxa de juros; já nos EUA, três presidentes locais - Cleveland, Minneapolis, Dallas - se opuseram à inclusão, no comunicado, de um viés para afrouxamento. Na Inglaterra, um dentre os nove membros votou por aumentar imediatamente a taxa de juros.
Europa: 2% (depósito) a 2,40% (empréstimo)
Japão: 0,75%
Inglaterra: 3,75%
Canadá: 2,25%
A Caixa liderou os empréstimos com recursos da poupança, desembolsando R$ 21,4 bilhões no período, alta de 68,5% na comparação anual. Dentre os bancos privados, o único que aumentou o volume contratado foi o Santander, em 15%, totalizando R$ 3 bilhões no mês. Já Bradesco e Itaú apresentaram retrações de 20,2% e 5,5%, respectivamente.
Relatório assinado por analistas do Itaú BBA alertam para os desafios às incorporadoras do segmento econômico, mesmo com os incentivos fiscais do MCMV. O principal fator de risco é o aumento no custo de construção, considerando a menor margem de reajustes devido às limitações do programa habitacional. É justamente esse segmento que tem puxado o mercado, abarcando parte da classe média com a criação e ampliação da Faixa 4.
Segundo o Secovi/SP, entre 2016 e 2025, os lançamentos de unidades no âmbito do MCMV passaram de 18% para 81% do total no mercado paulista de habitação.
Embora a demanda justifique novos desenvolvimentos, o mercado não consegue acompanhar o ritmo de crescimento, especialmente devido ao elevado custo para construir novos ativos. Como consequência, grandes ocupantes estão comprando galpões prontos para sustentar suas operações. É o caso do Mercado Livre, que acaba de adquirir os ativos da Loggi situados em São João de Meriti (RJ) e Cajamar (SP).
Outra transação relevante no setor é a pré-locação dos três galpões desenvolvidos pela Brookfield no Parque Logístico Guarulhos II, próximo ao aeroporto, pela Shopee, segundo apuração realizada pelo Metro Quadrado.
Já o BTG Pactual lançou uma nova oferta para o BTLG11 com alvo mínimo de R$ 1,6 bilhão, podendo chegar a R$ 2 bilhões se o lote adicional for acionado. A ideia do banco é levantar dinheiro novo para adquirir imóveis a preços descontados, considerando que a maioria das transações recentes tem envolvido a troca de ativos por cotas, dada a dificuldade para captar recursos.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom salienta que o ambiente externo é incerto e destaca a "indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio", concluindo que é necessário maior cautela para os países emergentes, como é o caso do Brasil. Mesmo assim, defendeu o novo corte por entender que a Selic alta por período prolongado já mostra efeitos na economia.
Projeções de inflação e Selic
O Banco Central recalibrou a projeção para o IPCA em 2026, elevando-a para 4,6% - ante 3,9% na última reunião, há 45 dias. Já as expectativas do mercado consolidadas no boletim Focus apontam para uma Selic maior do que a projetada há 60 dias, quando eclodiram os primeiros ataques dos Estados Unidos no Irã; agora, a estimativa é que o ano se encerre com uma taxa básica de juros em 13% ao ano (era 12% a.a. no fim de fevereiro).Bancos centrais mundo afora mantêm nível de juros; viés é de alta
Além do BC brasileiro, a semana teve reuniões dos bancos centrais dos Estados Unidos, Canadá, Japão, Inglaterra e Europa. Todos eles decidiram manter suas respectivas taxas de juros inalteradas - e todos destacaram que há riscos de inflação e desaceleração da atividade econômica em razão dos conflitos no Oriente Médio.Os bancos centrais dos EUA e do Japão apresentaram votos divergentes entre os membros de seus comitês; no Japão, três dos nove membros votaram pelo aumento da taxa de juros; já nos EUA, três presidentes locais - Cleveland, Minneapolis, Dallas - se opuseram à inclusão, no comunicado, de um viés para afrouxamento. Na Inglaterra, um dentre os nove membros votou por aumentar imediatamente a taxa de juros.
Como ficam os juros nas principais economias do mundo
Estados Unidos: 3,5% a 3,75%Europa: 2% (depósito) a 2,40% (empréstimo)
Japão: 0,75%
Inglaterra: 3,75%
Canadá: 2,25%
Crédito imobiliário sobe em março puxado pela Caixa; analistas pregam cautela
Segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os financiamentos somaram R$ 18,5 bilhões em março, alta de 56,9% em relação a fevereiro e 53,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O desempenho foi o quarto melhor resultado mensal na série histórica.A Caixa liderou os empréstimos com recursos da poupança, desembolsando R$ 21,4 bilhões no período, alta de 68,5% na comparação anual. Dentre os bancos privados, o único que aumentou o volume contratado foi o Santander, em 15%, totalizando R$ 3 bilhões no mês. Já Bradesco e Itaú apresentaram retrações de 20,2% e 5,5%, respectivamente.
Relatório assinado por analistas do Itaú BBA alertam para os desafios às incorporadoras do segmento econômico, mesmo com os incentivos fiscais do MCMV. O principal fator de risco é o aumento no custo de construção, considerando a menor margem de reajustes devido às limitações do programa habitacional. É justamente esse segmento que tem puxado o mercado, abarcando parte da classe média com a criação e ampliação da Faixa 4.
Segundo o Secovi/SP, entre 2016 e 2025, os lançamentos de unidades no âmbito do MCMV passaram de 18% para 81% do total no mercado paulista de habitação.
Escassez de galpões logísticos acirra disputa e eleva preços
De acordo com a CBRE, 58% do estoque em desenvolvimento previsto para ser entregue ao longo do ano está pré-locado, indicando uma grave escassez de oferta. No primeiro trimestre, a absorção líquida - novas locações menos devoluções no período - cresceu 358% na comparação com o mesmo período em 2025.Embora a demanda justifique novos desenvolvimentos, o mercado não consegue acompanhar o ritmo de crescimento, especialmente devido ao elevado custo para construir novos ativos. Como consequência, grandes ocupantes estão comprando galpões prontos para sustentar suas operações. É o caso do Mercado Livre, que acaba de adquirir os ativos da Loggi situados em São João de Meriti (RJ) e Cajamar (SP).
Outra transação relevante no setor é a pré-locação dos três galpões desenvolvidos pela Brookfield no Parque Logístico Guarulhos II, próximo ao aeroporto, pela Shopee, segundo apuração realizada pelo Metro Quadrado.
Já o BTG Pactual lançou uma nova oferta para o BTLG11 com alvo mínimo de R$ 1,6 bilhão, podendo chegar a R$ 2 bilhões se o lote adicional for acionado. A ideia do banco é levantar dinheiro novo para adquirir imóveis a preços descontados, considerando que a maioria das transações recentes tem envolvido a troca de ativos por cotas, dada a dificuldade para captar recursos.