GRI InstituteIA: Incorporadoras precisam avançar em governança e treinar equipes para sair da inércia
Levantamento do GRI Institute revela que falta de governança e processos claros, além de letramento das equipes, são os principais obstáculos
21 de agosto de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- Falta de estruturação e organização de dados, ausência de governança e processos claros, e baixo letramento das equipes são os maiores obstáculos ao avanço da inteligência artificial nas incorporadoras, segundo os líderes das empresas.
- Estudos globais da consultoria McKinsey & Company revelam que os investimentos em PD&I no setor de engenharia e construção civil representam historicamente menos de 1% da receita bruta total das empresas.
- Entre 1995 e 2024, a produtividade do trabalho na construção civil - medida pelo valor adicionado por hora trabalhada - apresentou uma variação média negativa de -0,4% ao ano.
No GRI Residencial Brasil 2026, um painel focado em inovação no setor perguntou aos executivos presentes quais os principais obstáculos para a inteligência artificial avançar nas incorporadoras. O fator mais indicado é a falta de estruturação e organização de dados e de sistemas de CRM, opção escolhida por 50% dos respondentes.
Na sequência, aparecem a falta de letramento da força de trabalho (44%), falta de governança e processos claros a respeito da implementação da IA (39%) - o levantamento permitia a escolha de mais de uma opção. Juntas, a incapacitação das equipes e a ausência de clareza em relação a como, onde e por que implementar inteligência artificial somam 83% dos votos, evidenciando que o desafio das lideranças agora não é comprar ferramentas de IA, mas achar formas de definir objetivos e treinar os times.
O debate sobre inovação no mercado imobiliário será aprofundado no Brazil GRI 2026.
A pesquisa desmistifica a ideia de que a IA não avança por falta de verba ou dificuldade de provar retorno financeiro - apenas 6% apontaram budget e 17% a dificuldade em medir o ROI. O entrave real, além do baixo letramento e da cultura organizacional, é qualidade de dados e processos. Sem dados limpos e estruturados, qualquer aplicação de IA generativa ou preditiva tende a gerar alucinação, sem resultados positivos na ponta.
Estudos globais da consultoria McKinsey & Company revelam que os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no setor de engenharia e construção civil representam historicamente menos de 1% da receita bruta total das empresas. Em termos comparativos, a indústria automotiva e o setor aeroespacial destinam habitualmente entre 3,5% e 4,5% do seu faturamento a atividades formais de PD&I.
Esse padrão de subinvestimento estende-se aos aportes em Tecnologia da Informação (TI), nos quais o setor da construção aloca igualmente menos de 1% das suas receitas líquidas globais, evidenciando uma resistência histórica à digitalização de processos.
A boa notícia do levantamento é que 94% das incorporadoras presentes já utilizam inteligência artificial em algum nível: 47% de forma pontual ou em estágio inicial, 29% em testes sem política estruturada e 18% em múltiplas áreas com ROI medido - mais avançadas, portanto.
Leia também: Estrutura do funding divide opiniões e FIIs de desenvolvimento residencial ganham espaço
No entanto, a atividade fim da indústria - a engenharia e o canteiro de obras - continua praticamente intocada pela automação inteligente, revelando um enorme oceano azul de produtividade a ser explorado - apenas 5% afirmam que a IA já entregou resultados concretos nessa frente.
Levantamentos conduzidos pelo FGV IBRE a partir das Contas Nacionais e das pesquisas domiciliares e estruturais do IBGE revelam uma trajetória desfavorável para a produtividade da construção civil brasileira nas últimas três décadas. Entre 1995 e 2024, a produtividade do trabalho na construção civil - medida pelo valor adicionado por hora trabalhada - apresentou uma variação média negativa de -0,4% ao ano.
Um aspecto central para a compreensão dos baixos números agregados é a dualidade estrutural entre a produção empresarial formal e a autoconstrução informal. Também segundo o FGV IBRE, a produção realizada diretamente pelas famílias (obras informais e reformas) representa 29% do valor adicionado total do setor e 42% do consumo intermediário.
A produtividade do trabalho na produção informal das famílias alcança apenas 20% da produtividade registrada pelas empresas formais do setor, contaminando para baixo o indicador consolidado da economia. Todavia, mesmo a produção realizada por construtoras formais apresenta patamar insatisfatório quando comparada a outros setores, equivalendo a apenas 79% da produtividade média da indústria de transformação nacional.
Nos momentos de desaceleração da demanda, o descarte de mão de obra qualificada interrompe a curva de aprendizado, enquanto nos momentos de expansão rápida a contratação massiva de trabalhadores pouco qualificados reduz temporariamente a eficiência média por operário. Em outras palavras, a IA pode desempenhar um papel fundamental no avanço da produtividade do setor.
Na sequência, aparecem a falta de letramento da força de trabalho (44%), falta de governança e processos claros a respeito da implementação da IA (39%) - o levantamento permitia a escolha de mais de uma opção. Juntas, a incapacitação das equipes e a ausência de clareza em relação a como, onde e por que implementar inteligência artificial somam 83% dos votos, evidenciando que o desafio das lideranças agora não é comprar ferramentas de IA, mas achar formas de definir objetivos e treinar os times.
O debate sobre inovação no mercado imobiliário será aprofundado no Brazil GRI 2026.
A pesquisa desmistifica a ideia de que a IA não avança por falta de verba ou dificuldade de provar retorno financeiro - apenas 6% apontaram budget e 17% a dificuldade em medir o ROI. O entrave real, além do baixo letramento e da cultura organizacional, é qualidade de dados e processos. Sem dados limpos e estruturados, qualquer aplicação de IA generativa ou preditiva tende a gerar alucinação, sem resultados positivos na ponta.
Estudos globais da consultoria McKinsey & Company revelam que os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) no setor de engenharia e construção civil representam historicamente menos de 1% da receita bruta total das empresas. Em termos comparativos, a indústria automotiva e o setor aeroespacial destinam habitualmente entre 3,5% e 4,5% do seu faturamento a atividades formais de PD&I.
Esse padrão de subinvestimento estende-se aos aportes em Tecnologia da Informação (TI), nos quais o setor da construção aloca igualmente menos de 1% das suas receitas líquidas globais, evidenciando uma resistência histórica à digitalização de processos.
A boa notícia do levantamento é que 94% das incorporadoras presentes já utilizam inteligência artificial em algum nível: 47% de forma pontual ou em estágio inicial, 29% em testes sem política estruturada e 18% em múltiplas áreas com ROI medido - mais avançadas, portanto.
Leia também: Estrutura do funding divide opiniões e FIIs de desenvolvimento residencial ganham espaço
Onde a inteligência artificial está sendo utilizada?
Segundo os executivos, as incorporadoras estão concentrando o uso de IA onde a barreira de entrada é mais baixa e o ciclo de feedback é rápido: atração de clientes, anúncios e nutrição de leads (65%), além de gestão de contratos e questões jurídicas (50%).No entanto, a atividade fim da indústria - a engenharia e o canteiro de obras - continua praticamente intocada pela automação inteligente, revelando um enorme oceano azul de produtividade a ser explorado - apenas 5% afirmam que a IA já entregou resultados concretos nessa frente.
Levantamentos conduzidos pelo FGV IBRE a partir das Contas Nacionais e das pesquisas domiciliares e estruturais do IBGE revelam uma trajetória desfavorável para a produtividade da construção civil brasileira nas últimas três décadas. Entre 1995 e 2024, a produtividade do trabalho na construção civil - medida pelo valor adicionado por hora trabalhada - apresentou uma variação média negativa de -0,4% ao ano.
Um aspecto central para a compreensão dos baixos números agregados é a dualidade estrutural entre a produção empresarial formal e a autoconstrução informal. Também segundo o FGV IBRE, a produção realizada diretamente pelas famílias (obras informais e reformas) representa 29% do valor adicionado total do setor e 42% do consumo intermediário.
A produtividade do trabalho na produção informal das famílias alcança apenas 20% da produtividade registrada pelas empresas formais do setor, contaminando para baixo o indicador consolidado da economia. Todavia, mesmo a produção realizada por construtoras formais apresenta patamar insatisfatório quando comparada a outros setores, equivalendo a apenas 79% da produtividade média da indústria de transformação nacional.
Nos momentos de desaceleração da demanda, o descarte de mão de obra qualificada interrompe a curva de aprendizado, enquanto nos momentos de expansão rápida a contratação massiva de trabalhadores pouco qualificados reduz temporariamente a eficiência média por operário. Em outras palavras, a IA pode desempenhar um papel fundamental no avanço da produtividade do setor.