GRI InstituteRadar de Mercado: Retorno ao regime presencial reduz vacância dos escritórios ao menor nível em 14 anos
Na construção civil, impactos do conflito entre EUA e Irã se intensificam, e Banco Central indica continuidade da política monetária restritiva
8 de maio de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- A taxa de vacância dos escritórios de alto padrão em São Paulo caiu para 13,4% no primeiro trimestre de 2026, a menor em 14 anos, devido ao retorno de muitas empresas ao regime de trabalho 100% presencial.
- O INCC acelerou para 1,04% em abril, ante 0,36% em março, impactado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. O grupo "Materiais e Equipamentos" subiu 1,28%, pesando para a alta do índice. O cenário acende um alerta nas construtoras e incorporadoras.
- O Copom sinalizou que a política de juros no Brasil precisa permanecer restritiva em razão de fatores inflacionários exógenos - especialmente a guerra entre EUA e Irã - e endógenos, como a demanda do consumo aquecida.
Os escritórios de alto padrão em São Paulo apresentaram ocupação média superior a 86% ao final do primeiro trimestre, o que significa a menor taxa de vacância dos últimos 14 anos, segundo levantamento da JLL. Por um lado, a nova oferta controlada ajudou a reduzir a vacância, mas o principal indutor foi o retorno de boa parte das empresas ao regime totalmente presencial - algumas delas, em 100% das equipes.
Uma pesquisa da WeWork afirma que 63% dos colaboradores retornaram ao regime presencial - nos moldes pré-pandemia -, enquanto somente 12% continuam em trabalho totalmente remoto. As jornadas híbridas são a realidade para 20% dos funcionários, dos quais 12% vão três dias por semana ao escritório.
O levantamento tem abrangência nacional e indica, também, um contraste entre as políticas empresariais e as preferências dos colaboradores: apenas 19% afirmam preferir o modelo presencial total, enquanto o regime híbrido lidera com 60% das respostas; 21% preferem trabalhar de forma totalmente remota.
A categoria "Materiais e Equipamentos" acelerou para 1,28% no mês passado - maior avanço mensal desde junho de 2022. Associações da construção civil alertam para os impactos nas margens das empresas, já que este não era um cenário projetado no início do ano. A CBIC reduziu a expectativa de crescimento do setor em 2026 de 2% para 1,2%.
O Itaú BBA pregou "maior cautela" em relatório publicado no dia 27 de abril, mas agora entende que os descontos observados nos últimos dias - com algumas ações de incorporadoras atuantes no MCMV caindo até 25%, enquanto o Ibovespa recuou 7% - podem estar criando boas oportunidades de entrada para o investidor. Na prática, o banco entende que o mercado está projetando uma inflação de custos similar à ocorrida na pandemia, mas que a realidade não será tão severa.
O primeiro trimestre foi bastante positivo para incorporadoras do segmento econômico: a Tenda superou as projeções e entregou lucro líquido de R$ 183,4 milhões no período - mais do que o dobro do resultado do primeiro tri em 2025. Empresas com maior foco no médio e alto padrão, como a Moura Dubeux, querem acelerar a participação no MCMV. Ao Metro Quadrado, o CEO da incorporadora pernambucana, Diego Villar, afirma que o alvo é alcançar R$ 2 bilhões por ano em VGV no âmbito do programa.
O Índice FipeZap referente ao mês de abril mostra que os preços de venda dos imóveis residenciais ganharam fôlego: a valorização média nas cidades monitoradas foi de 0,51%, ante 0,20% em janeiro e o maior resultado no ano até aqui. Mesmo assim, a variação anual (1,53%) ainda não acompanha a inflação oficial (IPCA), que entre janeiro e abril acumulou 2,83%; na prática, ocorre uma desvalorização real dos ativos.
2. O resultado do Iguatemi, que dobrou o lucro no primeiro trimestre, alcançando R$ 239,5 milhões, com crescimento das vendas e dos aluguéis. Mesmo assim, a empresa ainda não enxerga uma janela para novos projetos greenfield em 2026 e 2027 - tanto Iguatemi quanto outras do setor tem investido em expansões dos ativos em lugar de novos projetos.
3. A venda de galpões logísticos da Log Commercial Properties por R$ 1 bilhão - a maior de sua história - para o fundo Itaú Log CP, da Itaú Asset. A negociação envolve 11 ativos e terá 20% do pagamento efetuado via troca de cotas cedidas para a Log CP. O acordo libera espaço no caixa para a companhia desenvolver novos ativos - a meta é entregar 2 milhões de metros quadrados até 2028, preenchendo o gap de oferta qualificada no setor.
Uma pesquisa da WeWork afirma que 63% dos colaboradores retornaram ao regime presencial - nos moldes pré-pandemia -, enquanto somente 12% continuam em trabalho totalmente remoto. As jornadas híbridas são a realidade para 20% dos funcionários, dos quais 12% vão três dias por semana ao escritório.
O levantamento tem abrangência nacional e indica, também, um contraste entre as políticas empresariais e as preferências dos colaboradores: apenas 19% afirmam preferir o modelo presencial total, enquanto o regime híbrido lidera com 60% das respostas; 21% preferem trabalhar de forma totalmente remota.
Inflação da construção civil acelera
O Índice Nacional do Custo de Construção (INCC), calculado pela FGV, subiu 1,04% em abril, ante 0,36% em março, refletindo o encarecimento de insumos do setor, especialmente derivados diretos do petróleo, como materiais em PVC e coque usado nas cimenteiras, mas se estendendo para praticamente toda a cadeia de suprimentos devido ao custo mais elevado do transporte.A categoria "Materiais e Equipamentos" acelerou para 1,28% no mês passado - maior avanço mensal desde junho de 2022. Associações da construção civil alertam para os impactos nas margens das empresas, já que este não era um cenário projetado no início do ano. A CBIC reduziu a expectativa de crescimento do setor em 2026 de 2% para 1,2%.
Quais os sinais?
O Citi moderou a recomendação de ações de incorporadoras com maior exposição ao segmento econômico por entender que elas estão mais expostas aos efeitos da inflação setorial - no Minha Casa, Minha Vida, as empresas não podem ajustar o valor das unidades vendidas, além de existirem tetos para o preço das unidades em cada faixa de renda.O Itaú BBA pregou "maior cautela" em relatório publicado no dia 27 de abril, mas agora entende que os descontos observados nos últimos dias - com algumas ações de incorporadoras atuantes no MCMV caindo até 25%, enquanto o Ibovespa recuou 7% - podem estar criando boas oportunidades de entrada para o investidor. Na prática, o banco entende que o mercado está projetando uma inflação de custos similar à ocorrida na pandemia, mas que a realidade não será tão severa.
O primeiro trimestre foi bastante positivo para incorporadoras do segmento econômico: a Tenda superou as projeções e entregou lucro líquido de R$ 183,4 milhões no período - mais do que o dobro do resultado do primeiro tri em 2025. Empresas com maior foco no médio e alto padrão, como a Moura Dubeux, querem acelerar a participação no MCMV. Ao Metro Quadrado, o CEO da incorporadora pernambucana, Diego Villar, afirma que o alvo é alcançar R$ 2 bilhões por ano em VGV no âmbito do programa.
O Índice FipeZap referente ao mês de abril mostra que os preços de venda dos imóveis residenciais ganharam fôlego: a valorização média nas cidades monitoradas foi de 0,51%, ante 0,20% em janeiro e o maior resultado no ano até aqui. Mesmo assim, a variação anual (1,53%) ainda não acompanha a inflação oficial (IPCA), que entre janeiro e abril acumulou 2,83%; na prática, ocorre uma desvalorização real dos ativos.
Também movimentaram o mercado…
1. A ata do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), divulgada na terça-feira (5), indicando que a política de juros no Brasil precisa permanecer restritiva em razão de fatores inflacionários exógenos - especialmente a guerra entre EUA e Irã - e endógenos, como a demanda do consumo aquecida. Não está claro, na ata, se a Selic sofrerá novas reduções, mas o consenso no mercado financeiro é de que os cortes devem ser menores e durar por um período mais curto.2. O resultado do Iguatemi, que dobrou o lucro no primeiro trimestre, alcançando R$ 239,5 milhões, com crescimento das vendas e dos aluguéis. Mesmo assim, a empresa ainda não enxerga uma janela para novos projetos greenfield em 2026 e 2027 - tanto Iguatemi quanto outras do setor tem investido em expansões dos ativos em lugar de novos projetos.
3. A venda de galpões logísticos da Log Commercial Properties por R$ 1 bilhão - a maior de sua história - para o fundo Itaú Log CP, da Itaú Asset. A negociação envolve 11 ativos e terá 20% do pagamento efetuado via troca de cotas cedidas para a Log CP. O acordo libera espaço no caixa para a companhia desenvolver novos ativos - a meta é entregar 2 milhões de metros quadrados até 2028, preenchendo o gap de oferta qualificada no setor.