Índice imobiliário dispara após resultados do 1º turno das eleições

IMOB avança 12,9%, com as ações de algumas incorporadoras subindo mais de 20%

5 de outubro de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman

Principais Insights

  • Os resultados do 1º turno das eleições para o Executivo e o Legislativo impulsionaram os preços de ações no Brasil, com algumas incorporadoras listadas subindo acima de 20% por volta das 15h da segunda-feira (5). 
  • Além da vantagem de 2,2 milhões de votos do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, os mercados reagiram positivamente à guinada do Legislativo à direita, especialmente no Senado Federal.
  • A expectativa é que uma política fiscal mais austera, cortando gastos, consiga afrouxar a carga tributária e destravar a economia brasileira, com redução da taxa Selic, maior acesso ao crédito e menor custo da dívida. 

A guinada do Congresso à direita - especialmente no Senado - e um desempenho bem superior ao indicado pelas pesquisas de intenção de voto para o candidato a presidente Flávio Bolsonaro estão turbinando a valorização das ações brasileiras nesta segunda-feira, o dia seguinte ao primeiro turno das eleições para os poderes Executivo e Legislativo federais e estaduais. 

Contrariando as pesquisas, que indicavam o atual presidente Lula com uma pequena vantagem ou um cenário de empate no turno inicial, Flávio Bolsonaro finalizou a votação com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos. Ainda durante a apuração, mercados de apostas - como Kalshi e Polymarket - tinham mais de 80% das apostas na vitória de Bolsonaro. 

Como os mercados estão reagindo

O principal índice de ações do Brasil - o Ibovespa - sobe 8,7% por volta das 15h, rompendo a barreira dos 200 mil pontos (208,8 mil pontos), o que significa o recorde histórico do índice. O dólar recuou para R$ 4,98 pela manhã e no momento opera exatamente em R$ 5,00, uma queda de aproximadamente 4%. 

O Índice Imobiliário da B3, que mede o desempenho médio das ações das principais empresas do setor de construção civil e real estate na bolsa brasileira, sobe 12,9%, próximo dos 1,6 mil pontos. Entre as incorporadoras listadas, algumas sobem mais de 20%, casos da Plano&Plano (21,7%) e Cyrela (21,4%). Todas estão com suas ações em alta. 

A MRV está subindo 15,8%; Eztec, Even, Moura Dubeux, Direcional e Tenda sobem 17,1%, 17%, 16,3%, 11,4% e 7,7%, respectivamente. O JP Morgan alterou sua recomendação de neutro para compra em incorporadoras menos dependentes do Minha Casa, Minha Vida, como Cyrela e Eztec, enquanto rebaixou a recomendação de compra para neutro em incorporadoras como Direcional e Tenda. 

O BTG Pactual coloca Flávio Bolsonaro como grande favorito a vencer no 2º turno e afirma que, em se confirmando a previsão, o novo presidente tende a favorever setores mais sensíveis à atividade econômica e à percepção de risco dos investidores, beneficiando especialmente as incorporadoras de médio e alto padrão, mais sensíveis aos juros. 

Em maio, em evento do GRI Institute em Nova York, executivos brasileiros, norte-americanos e de outros países da América Latina avaliaram a política fiscal brasileira vigente como "negativa" e colocaram a falta de disciplina fiscal como o principal fator de dissuasão para novos investimentos no Brasil. Mesmo assim, mantinham o país no radar. 

A expectativa é que uma política fiscal mais austera - cortando gastos - consiga afrouxar a carga tributária e destravar a economia brasileira, com redução da taxa Selic, maior acesso ao crédito e menor custo da dívida. 

O IFIX, principal índice dos fundos de investimento imobiliário, sobe 1,1% nesta segunda-feira, aos 3,8 mil pontos. 

Além da corrida presidencial, o resultado da eleição Legislativa para o Congresso Nacional também gera otimismo nos investidores, especialmente por uma composição do Senado mais alinhada à direita e a expectativa de equilibrar os excessos do Judiciário na figura do Supremo Tribunal Federal. 

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu 19 senadores e terá 28 cadeiras no Senado a partir de 2027. Na outra ponta, o PT, de Lula, elegeu 6 senadores e terá 10 cadeiras a partir do ano que vem.

O que vem por aí

Quatro dias após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro, o GRI Institute realiza o painel "Brazil pós-eleições - O que o novo cenário político significa para economia, investimentos e negócios?", na programação do Brazil GRI 2026. O debate será conduzido por Lucas de Aragão, cientista político e sócio-diretor da Arko Advice. 

Alguns dos tópicos em discussão incluem como o novo cenário político pode redefinir prioridades econômicas e regulatórias, afetando o ambiente de negócios e investimentos no Brasil; quais movimentos na relação entre Executivo, Congresso e agentes econômicos serão determinantes para a confiança e a tomada de decisão dos investidores; e o que empresários e investidores devem acompanhar nos próximos meses para antecipar riscos, mudanças de direção e oportunidades no novo ciclo político.

Saiba mais e registre-se no website do Brazil GRI 2026.
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