UnsplashInvestidor estrangeiro desaprova política fiscal, mas mantém Brasil no radar
Mais de 80% dos executivos consultados afirmam que a ausência de disciplina fiscal é um grande obstáculo para novos investimentos
7 de agosto de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- Embora o Brasil mantenha reservas internacionais sólidas, as trajetórias da dívida pública e o déficit fiscal acendem um alerta que tende a postergar decisões de investimentos no país.
- A dívida bruta do Brasil alcançou R$ 10,8 trilhões no final de junho, segundo o Banco Central, o equivalente a 81,9% do PIB. Trata-se da pior relação dívida/PIB dos últimos cinco anos.
- A maioria dos executivos (57%) entende que o Brasil continua no radar, porém sem ganho de competitividade em relação aos concorrentes.
Em evento realizado em Nova York, o GRI Institute perguntou a executivos que lideram empresas do mercado imobiliário e da infraestrutura qual leitura eles fazem da política fiscal brasileira vigente e das finanças públicas: 83% têm uma visão negativa, afirmando que a ausência de disciplina fiscal é atualmente o maior obstáculo para novos investimentos no país. Os outros 17% adotam posição neutra, o que significa que, dentre os respondentes, não houve um executivo sequer com uma visão positiva.
Embora o Brasil mantenha reservas internacionais sólidas, acima dos US$ 360 bilhões no final de julho, segundo o Banco Central, as trajetórias da dívida pública e o déficit fiscal acendem um alerta que tende a postergar decisões de investimentos no país.
Em 2025, o setor público apresentou déficit primário equivalente a R$ 55 bilhões, puxado para baixo pelos resultados do governo federal e das estatais. A situação piorou bastante em 2026, encerrando os primeiros seis meses do ano com déficit primário de R$ 91,2 bilhões, impactado por despesas da Previdência Social e pelo pagamento antecipado de precatórios.
A dívida bruta do Brasil alcançou R$ 10,8 trilhões no final de junho, também de acordo com o Banco Central, o equivalente a 81,9% do PIB. Trata-se da pior relação dívida/PIB dos últimos cinco anos - ela foi maior durante a pandemia de covid-19, quando atingiu 86,9% devido aos gastos extraordinários de enfrentamento à crise sanitária e econômica. Desde então, o melhor resultado foi alcançado no final de 2022, quando caiu para 71,7%.
Para a maioria dos executivos consultados (69%), a economia brasileira tem um desempenho estável, mostrando resiliência frente a gargalos estruturais para o crescimento, como inflação persistente - acima do teto da meta - e taxas de juros restritivas. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic novamente em 0,25%, nesta quarta-feira (5), para o patamar de 14% - mas novos cortes não são esperados até o final do ano.
Olhando para frente, a maior prioridade do próximo governo - cujo mandato inicia em 2027 - visando atrair capital internacional de longo prazo deve ser disciplina fiscal rigorosa e previsibilidade nos gastos públicos, opção escolhida por 38% dos respondentes. A segunda opção mais votada é a estabilidade institucional, o respeito aos contratos e a previsibilidade regulatória (25%). Também teve boa quantidade de votos a visão de longo prazo com políticas de Estado, e não de um governo apenas (19%).
Ciente do interesse do capital global pelo Brasil, ao mesmo tempo em que há desafios importantes a serem superados, o GRI Institute traz grandes empresas internacionais para o debate no Brazil GRI 2026. Estão confirmados líderes de companhias como Accor, Brookfield Asset Management, GIC, Goodman Group, Greystar, GTIS Partners, Hines, Maraey e Tishman Speyer, dentre outras.
A abertura do evento terá a presença de Axel Christensen, estrategista-chefe para a América Latina da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo. Saiba mais.
Embora o Brasil mantenha reservas internacionais sólidas, acima dos US$ 360 bilhões no final de julho, segundo o Banco Central, as trajetórias da dívida pública e o déficit fiscal acendem um alerta que tende a postergar decisões de investimentos no país.
Em 2025, o setor público apresentou déficit primário equivalente a R$ 55 bilhões, puxado para baixo pelos resultados do governo federal e das estatais. A situação piorou bastante em 2026, encerrando os primeiros seis meses do ano com déficit primário de R$ 91,2 bilhões, impactado por despesas da Previdência Social e pelo pagamento antecipado de precatórios.
A dívida bruta do Brasil alcançou R$ 10,8 trilhões no final de junho, também de acordo com o Banco Central, o equivalente a 81,9% do PIB. Trata-se da pior relação dívida/PIB dos últimos cinco anos - ela foi maior durante a pandemia de covid-19, quando atingiu 86,9% devido aos gastos extraordinários de enfrentamento à crise sanitária e econômica. Desde então, o melhor resultado foi alcançado no final de 2022, quando caiu para 71,7%.
Para a maioria dos executivos consultados (69%), a economia brasileira tem um desempenho estável, mostrando resiliência frente a gargalos estruturais para o crescimento, como inflação persistente - acima do teto da meta - e taxas de juros restritivas. O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic novamente em 0,25%, nesta quarta-feira (5), para o patamar de 14% - mas novos cortes não são esperados até o final do ano.
Ainda estamos no radar
Mesmo com uma visão negativa para a condução do país, a avaliação da atratividade do Brasil comparado a outros mercados emergentes indica que o país mantém posição relevante nas discussões de investimentos. A maioria dos executivos (57%) entende que o Brasil continua no radar, porém sem ganho de competitividade em relação aos concorrentes. Para 34%, é o principal destino de alocação de capital na América Latina e está bem posicionado em relação aos emergentes de outras regiões do planeta.Olhando para frente, a maior prioridade do próximo governo - cujo mandato inicia em 2027 - visando atrair capital internacional de longo prazo deve ser disciplina fiscal rigorosa e previsibilidade nos gastos públicos, opção escolhida por 38% dos respondentes. A segunda opção mais votada é a estabilidade institucional, o respeito aos contratos e a previsibilidade regulatória (25%). Também teve boa quantidade de votos a visão de longo prazo com políticas de Estado, e não de um governo apenas (19%).
Ciente do interesse do capital global pelo Brasil, ao mesmo tempo em que há desafios importantes a serem superados, o GRI Institute traz grandes empresas internacionais para o debate no Brazil GRI 2026. Estão confirmados líderes de companhias como Accor, Brookfield Asset Management, GIC, Goodman Group, Greystar, GTIS Partners, Hines, Maraey e Tishman Speyer, dentre outras.
A abertura do evento terá a presença de Axel Christensen, estrategista-chefe para a América Latina da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo. Saiba mais.