O mapa das carriers globais de telecom que redesenham a demanda por data centers e ativos corporativos no Brasil

Pedidos de acesso à rede elétrica para data centers alcançam 38 GW e investimentos projetados chegam a R$ 500 bilhões até 2030, reconfigurando o mercado imobiliário

1 de julho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Brasil consolida-se como epicentro da expansão de data centers na América Latina, com 38 GW em pedidos de acesso à rede elétrica e investimentos projetados de R$ 500 bilhões até 2030. Carriers globais como a Verizon impulsionam a demanda por colocation e conectividade para inteligência artificial, pressionando toda a cadeia imobiliária. O mercado de fundos imobiliários adapta-se com operações de sale and leaseback dedicadas ao segmento, enquanto a competitividade do país depende de resolver gargalos energéticos e regulatórios para sustentar o crescimento projetado de 9,3% ao ano até 2032.

Principais Insights

  • Pedidos de acesso à rede elétrica para data centers no Brasil alcançam 38 GW, pressionando terrenos e ativos imobiliários.
  • O Brasil concentra 48% da capacidade instalada de data centers na América Latina e 71% dos projetos em construção.
  • Investimentos projetados no setor chegam a R$ 500 bilhões até 2030, segundo a ABDC.
  • Carriers globais como a Verizon operam via colocation, gerando demanda contínua por infraestrutura de alto padrão.
  • FIIs estão incorporando data centers como nova classe de ativos estratégicos de longo prazo.
  • O programa Redata pode reduzir custos de implantação e ampliar a competitividade regional do Brasil.

Os pedidos de acesso à rede elétrica para projetos de data centers no Brasil atingiram 38 gigawatts (GW), segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME). O número revela a escala da transformação que carriers globais de telecomunicações e hyperscalers estão impondo ao mercado imobiliário corporativo e de infraestrutura digital no país. Esse volume de demanda energética equivale a uma pressão sem precedentes sobre terrenos, contratos de locação e fundos imobiliários dedicados ao segmento.

O Brasil já concentra aproximadamente 48% de toda a capacidade instalada de data centers em operação na América Latina e responde por 71% dos projetos em construção, de acordo com o JLL Latin America Data Center Report de junho de 2026. Esses indicadores posicionam o país como o epicentro da expansão digital na região, atraindo capital estrangeiro e redesenhando a dinâmica de precificação de ativos imobiliários ligados à infraestrutura.

Como a Verizon e outras carriers globais atuam no mercado brasileiro de data centers?

A presença da Verizon no Brasil passou por uma reconfiguração estratégica. Após a venda de seus ativos proprietários, como o NAP do Brasil, para a Equinix em 2017, a operadora americana redirecionou sua atuação para modelos de colocation e parcerias estratégicas. Atualmente, a Verizon opera globalmente em mais de 100 data centers da Equinix, utilizando essa infraestrutura para suportar o rollout do Verizon AI Connect, conforme informações divulgadas pela Equinix e pela própria Verizon.

Esse modelo de atuação, baseado em colocation e fornecimento de conectividade de alta capacidade para inteligência artificial, representa uma tendência consolidada entre carriers internacionais. Em vez de adquirir ou construir ativos proprietários, essas empresas firmam contratos de longo prazo com operadores de data centers, gerando demanda contínua por espaços de alto padrão técnico, com requisitos rigorosos de energia, refrigeração e redundância.

A implicação para o mercado imobiliário é direta. Operadores de data centers como Equinix e Scala precisam expandir continuamente sua capacidade instalada para atender à demanda das carriers, o que se traduz em novos contratos de build-to-suit, aquisição de terrenos com acesso a infraestrutura elétrica robusta e operações de sale and leaseback que conectam o setor de telecomunicações ao mercado de capitais imobiliário.

Qual o impacto nos fundos imobiliários de infraestrutura digital?

A convergência entre telecom, infraestrutura digital e mercado imobiliário está criando uma nova classe de ativos para fundos imobiliários no Brasil. A gestora AZ Quest lançou uma oferta para levantar até R$ 482 milhões para o FII AZ Quest Panorama Data Centers, focado em operações de sale and leaseback com a Scala Data Centers, segundo reportagem do NeoFeed.

Esse movimento sinaliza uma maturação do mercado de FIIs no Brasil. Fundos que antes se concentravam exclusivamente em lajes corporativas, galpões logísticos ou shoppings passam a incorporar data centers como ativos estratégicos de longo prazo. A lógica econômica é atraente: contratos de locação com operadores de data centers tendem a ter prazos mais longos, indexação atrelada a indicadores de inflação e inquilinos com perfil de crédito robusto.

Os investimentos no setor de data centers no Brasil devem alcançar R$ 500 bilhões até 2030, segundo projeção da Associação Brasileira de Data Center (ABDC). Essa cifra inclui tanto a construção de novos facilities quanto a modernização de infraestrutura existente, e posiciona o segmento como um dos mais dinâmicos do mercado imobiliário corporativo brasileiro na segunda metade da década.

A Tecto Data Centers, apoiada por fundos do BTG Pactual, anunciou um plano de investimento para a construção de novos data centers no Brasil até 2028, conforme divulgado pela Reuters em abril de 2026. A entrada de gestoras de ativos tradicionais no segmento reforça a tese de que data centers estão se consolidando como uma categoria permanente no portfólio de investidores imobiliários institucionais.

Crescimento projetado e competitividade regional

O mercado de data centers no Brasil está projetado para crescer a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9,3% entre 2025 e 2032, segundo a Credence Research. Esse ritmo de expansão, combinado com a participação dominante do país na América Latina, cria um ciclo virtuoso: mais capacidade atrai mais carriers e hyperscalers, que por sua vez demandam mais infraestrutura física.

A competitividade do Brasil nesse segmento depende de fatores que vão além da localização geográfica. A disponibilidade de energia renovável a preços competitivos, a existência de hubs de conectividade consolidados em São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza, e a presença de um ecossistema financeiro capaz de estruturar operações complexas de project finance são vantagens que diferenciam o país de outros mercados emergentes.

O programa Redata (Plano Nacional de Data Centers), iniciativa do governo federal atualmente em estruturação, busca isentar equipamentos de TI e infraestrutura de data centers de impostos federais de importação. Se implementado conforme anunciado, o programa pode reduzir significativamente o custo de implantação de novos facilities, tornando o Brasil ainda mais competitivo frente a mercados como Chile, Colômbia e México na atração de investimentos de hyperscalers e carriers globais.

A demanda por terrenos, energia e conectividade

A marca de 38 GW em pedidos de acesso à rede elétrica para data centers, divulgada pelo MME, evidencia um dos maiores gargalos do setor: a infraestrutura energética. Cada novo data center de grande porte consome volumes de energia equivalentes aos de pequenas cidades, exigindo proximidade com subestações de transmissão, contratos de compra de energia de longo prazo e, cada vez mais, fontes renováveis para atender a metas de sustentabilidade corporativa.

Para o mercado imobiliário, essa dinâmica redefine o conceito de localização premium. Terrenos que antes tinham valor residual por estarem em regiões industriais ou periurbanas passam a ser disputados quando oferecem acesso a linhas de transmissão de alta tensão e rotas de fibra óptica. O perfil do ativo imobiliário ideal para data centers combina área generosa, capacidade de expansão modular, segurança física e acesso garantido a energia estável.

Carriers globais como a Verizon influenciam essa cadeia mesmo sem atuar diretamente na aquisição de terrenos no Brasil. Ao firmar contratos de colocation de longo prazo e demandar conectividade de alta capacidade para aplicações de inteligência artificial, essas empresas criam pressão indireta sobre toda a cadeia de valor imobiliário, desde desenvolvedores especializados até fundos de investimento.

Perspectivas para o ecossistema imobiliário e de infraestrutura

A intersecção entre telecomunicações, infraestrutura digital e mercado imobiliário corporativo está se consolidando como um dos temas centrais para líderes do setor no Brasil. O GRI Institute tem acompanhado essa convergência por meio de encontros como o GRI Data Center 2026, que reúne executivos de alto nível das principais empresas envolvidas na cadeia de valor de data centers, incluindo desenvolvedores, investidores, operadores e fornecedores de energia.

Três conclusões emergem da análise dos dados disponíveis. Primeiro, a demanda das carriers globais por infraestrutura de colocation e conectividade no Brasil não mostra sinais de desaceleração, impulsionada pela expansão de aplicações de inteligência artificial. Segundo, o mercado de FIIs está se adaptando rapidamente para capturar a oportunidade representada por data centers, com operações de sale and leaseback e ofertas dedicadas ao segmento. Terceiro, a competitividade do Brasil como hub de infraestrutura digital na América Latina depende da capacidade do país de resolver gargalos regulatórios e energéticos com a mesma velocidade com que a demanda cresce.

O volume de R$ 500 bilhões em investimentos projetados até 2030, segundo a ABDC, representa uma oportunidade transformadora para o mercado imobiliário brasileiro. As carriers globais de telecom são peças centrais nesse ecossistema, funcionando como âncoras de demanda que viabilizam novos empreendimentos e atraem capital institucional para o segmento de infraestrutura digital.

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