
O mapa da Verizon e das carriers globais no Brasil em 2026: demanda corporativa e impacto no pipeline imobiliário
Capacidade instalada de TI em data centers atinge 1 GW no país, e grandes carriers internacionais redesenham a cadeia de valor de ativos de infraestrutura digital
Resumo Executivo
Principais Insights
- A capacidade instalada de TI em data centers no Brasil atingiu ~1 GW, consolidando o país como maior mercado da América Latina no segmento.
- A Verizon atua como grande locatária corporativa sem ativos próprios, exemplificando como carriers globais geram demanda imobiliária previsível.
- 23 projetos estratégicos de data centers devem ser concluídos até o fim de 2026, configurando o maior ciclo de investimento em infraestrutura digital do país.
- A demanda projetada por energia de data centers pode alcançar 13,7 GW até 2035.
- Novo marco regulatório condiciona incentivos fiscais a energia limpa e eficiência hídrica.
Mercado brasileiro de data centers atinge 1 GW de capacidade instalada e atrai demanda crescente de carriers globais
A capacidade instalada de TI em data centers no Brasil atingiu a marca de aproximadamente 1 GW, segundo dados da Associação Brasileira de Data Center (ABDC) e da Industrial Info, referentes a 2025. O número consolida o país como o maior mercado da América Latina em novos investimentos no segmento, conforme levantamento da Data Centre Magazine e CleanBridge. É nesse ecossistema em expansão acelerada que carriers globais de telecomunicações, como a Verizon, exercem um papel cada vez mais relevante na formação de demanda por ativos imobiliários de infraestrutura digital.
O mercado de data centers no Brasil deve crescer de US$ 2,95 bilhões em 2025 para US$ 3,38 bilhões em 2026, de acordo com a Mordor Intelligence. O modelo de colocation responde pela grande maioria da capacidade instalada, impulsionado justamente pela demanda de provedores de nuvem e carriers de telecom, segundo a mesma consultoria.
Como a Verizon atua no Brasil e por que isso importa para o mercado imobiliário?
A Verizon não opera data centers próprios no Brasil desde 2017, quando vendeu seus ativos físicos, incluindo o NAP do Brasil em São Paulo, para a Equinix. Desde então, a empresa atua exclusivamente por meio da Verizon Business, como grande locatária corporativa de infraestrutura de terceiros. A operação brasileira concentra-se em serviços de rede gerenciada, SD-WAN e segurança cibernética para multinacionais, consumindo espaço de colocation (POPs) e infraestrutura de fibra carrier-neutral oferecida por operadores como Equinix, Scala e Ascenty.
Essa dinâmica transforma a Verizon em um caso de estudo representativo de como carriers internacionais geram impacto direto no pipeline de ativos imobiliários sem possuir um único metro quadrado de instalação própria. A demanda sustentada por contratos de colocation de longo prazo, firmados por empresas desse perfil, oferece previsibilidade de receita para operadores de data centers e, por consequência, atrai capital para o setor imobiliário de infraestrutura digital.
Carriers globais funcionam como âncoras de demanda previsível para operadores de colocation, reduzindo o risco percebido e viabilizando novos ciclos de investimento em ativos de infraestrutura digital.
Qual o impacto das carriers na precificação de terrenos e ativos adjacentes?
A presença consolidada de grandes carriers como locatárias de longo prazo altera a equação de precificação de terrenos, galpões e ativos corporativos em mercados específicos. Regiões que concentram instalações de colocation com alta densidade de POPs de carriers internacionais passam a atrair investimentos complementares em subestações de energia, redes de fibra óptica e até empreendimentos corporativos para equipes técnicas.
A expectativa de conclusão de 23 projetos estratégicos de data centers no Brasil até o quarto trimestre de 2026, conforme dados da Industrial Info, reforça a tese de que a infraestrutura digital se tornou uma classe de ativos imobiliários com dinâmica própria de valorização. Cada novo projeto de colocation representa demanda por terrenos com características específicas, como proximidade de subestações de energia, conectividade de fibra e zoneamento industrial compatível.
A demanda projetada de capacidade solicitada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) por data centers pode chegar a 13,7 GW até 2035, segundo a ABDC. Esse dado revela a escala do investimento necessário em infraestrutura de energia e redefine a atratividade de regiões que hoje são periféricas no mapa imobiliário tradicional, mas que dispõem de superávit de geração elétrica.
O pipeline de 23 projetos estratégicos previstos para conclusão até o fim de 2026 configura o maior ciclo de investimento em infraestrutura digital já registrado no mercado imobiliário brasileiro.
Marco regulatório em formação redesenha condições de investimento
O ambiente regulatório brasileiro para data centers passou por transformações significativas em 2025 e 2026, com impacto direto sobre decisões de investimento imobiliário.
A Resolução nº 780/2025 da Anatel, em vigor desde agosto de 2025, estabelece novos padrões de conformidade para data centers conectados a redes de telecomunicações. A norma exige requisitos de segurança cibernética, eficiência energética e sustentabilidade, com prazo de adequação de 36 meses para instalações existentes. Para novos projetos, o compliance desde a fase de projeto arquitetônico é mandatório, o que impacta diretamente o custo de construção e o perfil dos ativos.
No Congresso Nacional, o PL 1.680/2025 criou a Política Nacional de Data Centers, prevendo acesso prioritário à rede de transmissão de energia para projetos em regiões com superávit de geração. A proposta também estabelece o regime de "Embaixada de Dados", conceito que atribui proteção jurídica especial a instalações que armazenam dados soberanos. O projeto foi aprovado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados em junho de 2026.
Outras iniciativas legislativas em tramitação incluem o PL 3.018/2024, que propõe um marco regulatório específico para data centers de inteligência artificial, com foco em segurança, privacidade, eficiência energética e transparência, e o PL 278/2026 (REDATA), que discute a criação do Regime Especial de Tributação para Data Centers, condicionando benefícios fiscais ao uso de energia limpa e metas rigorosas de eficiência hídrica, com WUE igual ou inferior a 0,05 L/kWh.
A convergência entre exigências regulatórias de sustentabilidade e incentivos fiscais condicionados ao uso de energia limpa cria um novo paradigma de viabilidade para projetos de data centers no Brasil.
O modelo carrier-neutral como vetor de valorização
A estratégia da Verizon Business no Brasil ilustra uma tendência mais ampla entre carriers globais: operar sem ativos físicos próprios, concentrando investimentos em camadas de serviço (software, gestão de rede, segurança) e terceirizando a infraestrutura física para operadores especializados de colocation.
Para o mercado imobiliário, esse modelo tem consequências relevantes. Operadores de data centers carrier-neutral, que hospedam múltiplas carriers em uma mesma instalação, oferecem maior atratividade para investidores por diversificarem a base de locatários e reduzirem a exposição a um único contrato. Instalações que concentram POPs de diversas carriers tendem a apresentar taxas de ocupação mais elevadas e maior resiliência em ciclos de desaceleração.
A venda dos data centers da Verizon para a Equinix em 2017, conforme registrado em filings junto à SEC, antecipou uma reorganização do mercado que agora se consolida. Os operadores de colocation que adquiriram ativos de carriers passaram a se posicionar como plataformas de infraestrutura, e a escala de sua operação atrai novos ciclos de investimento imobiliário.
Perspectivas para o pipeline de ativos em 2026 e além
O Brasil consolida-se como destino prioritário para investimentos em infraestrutura digital na América Latina. A combinação de demanda corporativa crescente, marco regulatório em formação e pipeline robusto de novos projetos cria condições favoráveis para a expansão do mercado de ativos imobiliários vinculados a data centers.
A demanda de carriers globais por colocation de longo prazo representa um dos vetores mais previsíveis de crescimento para operadores de data centers e, por extensão, para investidores imobiliários posicionados nessa classe de ativos. A Verizon Business, como uma das maiores carriers presentes no mercado brasileiro, exemplifica o perfil de locatária que sustenta a atratividade financeira desses empreendimentos.
O GRI Data Center 2026, evento confirmado para São Paulo pelo GRI Institute, reunirá líderes de infraestrutura e real estate para debater as dinâmicas que estão redesenhando esse mercado. A programação reflete a centralidade que a infraestrutura digital conquistou na agenda de investimentos do setor imobiliário brasileiro, com discussões que abrangem desde a estruturação de capital até os desafios de energia e sustentabilidade que definem a viabilidade de novos projetos.
Para investidores, desenvolvedores e operadores, o mapa das carriers globais no Brasil em 2026 oferece uma leitura clara: a demanda corporativa por infraestrutura digital é estrutural, e os ativos imobiliários que a sustentam configuram uma classe com fundamentos sólidos de longo prazo.