Adobe StockValorização imobiliária e crescimento das vendas atraem investimentos para o interior de São Paulo
Programa Minha Casa, Minha Vida continua sendo um pilar de sustentação do setor, atingindo até 86,5% de participação nos lançamentos
6 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo
Principais Insights
- O mercado imobiliário no interior paulista segue aquecido, com aumentos significativos em lançamentos e vendas, especialmente no Vale do Paraíba, São José do Rio Preto, Campinas e Jundiaí.
- Grandes investimentos estão sendo feitos em áreas como Ribeirão Preto, com aportes de até R$ 85 milhões, devido à base econômica resiliente da região.
- O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) continua sendo um pilar de sustentação, com alta participação nos lançamentos e vendas em cidades como Piracicaba e Bauru.
O mercado imobiliário do interior de São Paulo tem se destacado como uma das regiões mais promissoras para investimentos, atraindo tanto grandes incorporadoras quanto fundos de investimento.
O estudo aponta um crescimento acelerado em polos como o Vale do Paraíba e São José do Rio Preto, com aumentos de 87,1% e 70,9% nos lançamentos de 2025, respectivamente. Outras cidades como Sorocaba (33,5%) e Jundiaí (22,5%) também mantêm crescimento positivo.
No campo das vendas, Araçatuba se destaca com um aumento de 167,6% em relação a 2024, seguida por São José do Rio Preto (65,6%) e Sorocaba (31,7%). A liquidez é maior em Ribeirão Preto (estoque escoado em 3 meses) e em Sorocaba (6 meses).
Os valores de comercialização variam entre as cidades, com Jundiaí liderando o ticket médio, alcançando R$ 861.253, seguido por Franca (R$ 794.530) e Araçatuba (R$ 713.606). Em Campinas e Ribeirão Preto, o ticket médio vertical foi de R$ 566.836 e R$ 553.649, respectivamente.
Em termos de valor por metro quadrado (R$/m²), Jundiaí e Campinas apresentam as maiores valorizações, com R$ 10.261 e R$ 9.569, enquanto Bauru (R$ 7.357) e Piracicaba (R$ 7.411) têm valores mais acessíveis no segmento vertical.
Para Tiago Baggio, Sócio Fundador da gestora, o investimento no interior de São Paulo é guiado por fundamentos estruturais e proximidade com a região, devido à origem da companhia.
"Nossa presença no interior nos permite uma leitura mais precisa das microdinâmicas de cada cidade, o que fortalece nossa capacidade de diligência, aprovação e acompanhamento dos projetos, tornando nossa atuação mais eficiente e com melhor gestão de risco," explica o executivo.
Tiago também destaca que o interior paulista apresenta uma base econômica resiliente, com demanda habitacional recorrente e boa previsibilidade de absorção. "O custo de terreno no interior, especialmente em áreas próximas à infraestrutura e com boa qualidade de vida, tende a ser muito mais competitivo, permitindo maior eficiência econômica".
Ele comenta ainda que, enquanto os terrenos nos grandes centros urbanos, especialmente para projetos de habitação popular, estão frequentemente em áreas periféricas, no interior é possível desenvolver projetos em regiões mais bem integradas, o que favorece a velocidade de vendas.
No entanto, ele reforça que, devido ao cenário econômico atual, especialmente com a Selic elevada, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se destaca como uma das principais oportunidades no mercado imobiliário regional.
"Na cidade de São Paulo, as mudanças legislativas ampliaram os incentivos ao MCMV, aumentando cinco vezes o volume das vendas e trazendo o cliente para as regiões mais centrais. No interior de SP, ainda há um dever de casa para ajustar essas legislações e fomentar o mercado," afirma o executivo.
A PMI reforça essa visão, apontando que o MCMV continua sendo o pilar de sustentação em diversas cidades. Em Piracicaba, o programa representa 86,5% dos lançamentos e 82,3% das vendas de 2025, seguido por Bauru (78%) e São José do Rio Preto (64,1%).
"O risco no mercado do interior paulista é muito baixo, e vejo muitas oportunidades, especialmente com a possibilidade de as prefeituras realizarem ajustes legislativos para impulsionar a produção de habitação de interesse social (HIS)," ressaltou Fábio.
A sustentabilidade, por exemplo, deixou de ser um nicho e se tornou um gerador de valor direto, com certificações como LEED e BREEAM elevando os preços de venda e aluguel entre 9% e 12%.
A biofilia surge como um vetor de valorização, ligada ao bem-estar e status ecológico, enquanto o conceito de "quiet luxury" ganha força entre compradores de alta renda.
Este novo luxo privilegia a conexão com a natureza, o uso de materiais atemporais e a eficiência tecnológica - como painéis solares e baterias inteligentes -, refletindo a busca por conforto discreto e execução impecável.
Aumento nas vendas e lançamentos impulsionam o mercado
A Pesquisa do Mercado Imobiliário (PMI) do 4º trimestre de 2025, realizada pelo Secovi-SP e Brain Inteligência Estratégica em 41 cidades do interior paulista, Baixada Santista e Região Metropolitana de São Paulo, revela um cenário de otimismo moderado, com 50% dos entrevistados planejando comprar imóveis nos próximos 24 meses.O estudo aponta um crescimento acelerado em polos como o Vale do Paraíba e São José do Rio Preto, com aumentos de 87,1% e 70,9% nos lançamentos de 2025, respectivamente. Outras cidades como Sorocaba (33,5%) e Jundiaí (22,5%) também mantêm crescimento positivo.
No campo das vendas, Araçatuba se destaca com um aumento de 167,6% em relação a 2024, seguida por São José do Rio Preto (65,6%) e Sorocaba (31,7%). A liquidez é maior em Ribeirão Preto (estoque escoado em 3 meses) e em Sorocaba (6 meses).
Os valores de comercialização variam entre as cidades, com Jundiaí liderando o ticket médio, alcançando R$ 861.253, seguido por Franca (R$ 794.530) e Araçatuba (R$ 713.606). Em Campinas e Ribeirão Preto, o ticket médio vertical foi de R$ 566.836 e R$ 553.649, respectivamente.
Em termos de valor por metro quadrado (R$/m²), Jundiaí e Campinas apresentam as maiores valorizações, com R$ 10.261 e R$ 9.569, enquanto Bauru (R$ 7.357) e Piracicaba (R$ 7.411) têm valores mais acessíveis no segmento vertical.
Região atrai grandes investimentos
Esse vigor da demanda tem atraído investimentos significativos, como o aporte de R$ 85 milhões da gestora de fundos Patagônia Capital na aquisição de 768 mil m² de terrenos em Ribeirão Preto, Sertãozinho, Bady Bassitt e Bebedouro.Para Tiago Baggio, Sócio Fundador da gestora, o investimento no interior de São Paulo é guiado por fundamentos estruturais e proximidade com a região, devido à origem da companhia.
"Nossa presença no interior nos permite uma leitura mais precisa das microdinâmicas de cada cidade, o que fortalece nossa capacidade de diligência, aprovação e acompanhamento dos projetos, tornando nossa atuação mais eficiente e com melhor gestão de risco," explica o executivo.
Tiago também destaca que o interior paulista apresenta uma base econômica resiliente, com demanda habitacional recorrente e boa previsibilidade de absorção. "O custo de terreno no interior, especialmente em áreas próximas à infraestrutura e com boa qualidade de vida, tende a ser muito mais competitivo, permitindo maior eficiência econômica".
Ele comenta ainda que, enquanto os terrenos nos grandes centros urbanos, especialmente para projetos de habitação popular, estão frequentemente em áreas periféricas, no interior é possível desenvolver projetos em regiões mais bem integradas, o que favorece a velocidade de vendas.
Oportunidades para HIS e parcerias municipais
De acordo com Fábio Scandar Teixeira, Diretor de Desenvolvimento Imobiliário da MRV, o interior de São Paulo possui uma forte demanda por moradia, abrangendo todas as faixas de renda.No entanto, ele reforça que, devido ao cenário econômico atual, especialmente com a Selic elevada, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) se destaca como uma das principais oportunidades no mercado imobiliário regional.
"Na cidade de São Paulo, as mudanças legislativas ampliaram os incentivos ao MCMV, aumentando cinco vezes o volume das vendas e trazendo o cliente para as regiões mais centrais. No interior de SP, ainda há um dever de casa para ajustar essas legislações e fomentar o mercado," afirma o executivo.
A PMI reforça essa visão, apontando que o MCMV continua sendo o pilar de sustentação em diversas cidades. Em Piracicaba, o programa representa 86,5% dos lançamentos e 82,3% das vendas de 2025, seguido por Bauru (78%) e São José do Rio Preto (64,1%).
"O risco no mercado do interior paulista é muito baixo, e vejo muitas oportunidades, especialmente com a possibilidade de as prefeituras realizarem ajustes legislativos para impulsionar a produção de habitação de interesse social (HIS)," ressaltou Fábio.
Megatendências alcançam o interior
De acordo com a PMI, o mercado imobiliário do interior paulista está sendo moldado por megatendências que redefinem o valor dos ativos.A sustentabilidade, por exemplo, deixou de ser um nicho e se tornou um gerador de valor direto, com certificações como LEED e BREEAM elevando os preços de venda e aluguel entre 9% e 12%.
A biofilia surge como um vetor de valorização, ligada ao bem-estar e status ecológico, enquanto o conceito de "quiet luxury" ganha força entre compradores de alta renda.
Este novo luxo privilegia a conexão com a natureza, o uso de materiais atemporais e a eficiência tecnológica - como painéis solares e baterias inteligentes -, refletindo a busca por conforto discreto e execução impecável.