
O mapa da Starboard Partners em 2026: modelo de negócios, pipeline e a estratégia de alocação em real estate no Brasil
Gestora com histórico de R$ 100 bilhões em reestruturações expande atuação para o setor imobiliário em um mercado que cresceu 23% no primeiro semestre
Resumo Executivo
Principais Insights
- A Starboard Partners acumula R$ 100 bilhões em reestruturações de capital em mais de 32 operações e agora expande para o setor imobiliário.
- O crédito imobiliário no Brasil cresceu 23% no 1º semestre de 2026, atingindo R$ 180,9 bilhões.
- A expertise em special situations permite à firma identificar valor em ativos estressados com garantias imobiliárias.
- A Reforma Tributária e o novo Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) exigem recalibragem das teses de investimento.
- Capital estrangeiro, como a Kactus Capital (R$ 900 mi sob gestão), reforça a atratividade do real estate brasileiro.
A Starboard Partners acumula um histórico de readequação de cerca de R$ 100 bilhões em estrutura de capital, distribuídos em mais de 32 casos de reestruturação e situações especiais, segundo dados compilados pelo GRI Institute. Essa escala posiciona a firma entre as boutiques financeiras de maior relevância no ecossistema brasileiro de investimentos alternativos, e sua movimentação recente em direção ao mercado imobiliário adiciona uma camada estratégica que merece análise detalhada.
O contexto é favorável. O crédito imobiliário no Brasil atingiu R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 23% em relação ao mesmo período de 2025, quando o volume havia sido de R$ 147,1 bilhões, conforme dados da Abecip publicados pela Folha de S.Paulo em 28 de julho de 2026. A própria Abecip projetava um crescimento de 16% para o ano cheio, mas já sinalizou que revisará a estimativa para cima diante do desempenho registrado nos primeiros seis meses.
Qual é o modelo de negócios da Starboard Partners?
A Starboard Partners opera como gestora de recursos e assessoria financeira com especialização em reestruturações complexas e special situations. Diferentemente de gestoras tradicionais de private equity imobiliário, a firma construiu sua reputação em operações que envolvem empresas em dificuldade financeira, disputas societárias e renegociações de dívida de grande porte. O volume de R$ 100 bilhões em estrutura de capital readequada ao longo de mais de 32 operações reflete a complexidade e a escala dos mandatos que a firma assume.
Esse perfil de atuação confere à Starboard Partners uma vantagem competitiva específica: a capacidade de identificar valor em ativos estressados ou em situações nas quais a estrutura de capital precisa ser reorganizada antes que o potencial do ativo se materialize. No mercado imobiliário, essa competência se traduz na habilidade de estruturar operações em segmentos onde a dívida corporativa se cruza com garantias imobiliárias, como incorporadoras em recuperação judicial, carteiras de crédito imobiliário inadimplente e portfólios de ativos que precisam de reestruturação patrimonial.
A Starboard Partners é uma das poucas boutiques brasileiras que combina capacidade de gestão de recursos com assessoria em reestruturações de grande escala, o que lhe permite atuar tanto no lado comprador quanto no lado vendedor de transações complexas envolvendo ativos reais.
Como a expansão para real estate se encaixa na tese de investimento?
A prática de Real Estate da Starboard Partners está sendo construída com foco em oportunidades de investimento em special situations dentro do setor imobiliário. Essa expansão representa uma extensão natural da expertise da firma em reestruturações para uma classe de ativo que oferece garantias tangíveis e fluxos de caixa previsíveis.
O momento do mercado brasileiro favorece essa estratégia. Com o crédito imobiliário crescendo 23% no primeiro semestre de 2026, impulsionado por recursos do FGTS e do SBPE, o setor demonstra resiliência mesmo em um ambiente de taxa Selic restritiva. Essa dinâmica cria, simultaneamente, oportunidades para capital paciente e pressões sobre incorporadoras e proprietários de ativos que operam com estruturas de capital mais alavancadas.
A tese de special situations em real estate ganha tração em momentos como o atual, nos quais o custo de capital elevado força a reestruturação de passivos de empresas imobiliárias, ao mesmo tempo em que o crescimento do crédito sustenta a demanda por ativos de qualidade.
A Starboard Partners tem participado ativamente de fóruns de alto nível do setor, incluindo eventos do GRI Institute Brasil, onde líderes do mercado imobiliário e de infraestrutura discutem alocação de capital, teses de investimento e oportunidades de transação. Essa presença institucional reforça o posicionamento da firma como interlocutora relevante para investidores e dealmakers que buscam exposição ao real estate brasileiro por meio de veículos diferenciados.
O apetite de capital estrangeiro e o papel dos dealmakers cross-border
A movimentação da Starboard Partners ocorre em paralelo ao crescente interesse de capital estrangeiro pelo mercado imobiliário brasileiro. Darius Alamouti, investidor britânico que atua na Kactus Capital, exemplifica esse apetite. A Kactus Capital possui mais de R$ 900 milhões sob gestão, com foco nos setores imobiliário e de construção civil no Brasil, conforme registrado pelo GRI Institute em 2025.
A presença de dealmakers cross-border como Alamouti sinaliza que o mercado brasileiro continua a atrair capital internacional, especialmente em segmentos onde a assimetria de informação e a complexidade regulatória criam barreiras de entrada que favorecem operadores locais com rede de relacionamentos estabelecida. Para uma boutique como a Starboard Partners, a capacidade de fazer a ponte entre capital internacional e oportunidades locais de special situations representa um diferencial competitivo relevante.
O volume de capital estrangeiro direcionado ao real estate brasileiro reforça a atratividade de estratégias que combinam conhecimento local em reestruturações com acesso a redes internacionais de investidores institucionais.
O impacto da Reforma Tributária sobre as estratégias de alocação
A fase de testes da Reforma Tributária, iniciada em 1º de janeiro de 2026, introduz variáveis que afetam diretamente a estruturação de investimentos imobiliários. O novo IVA dual, composto pelo IBS e pela CBS, opera com alíquota de 1% para o mercado imobiliário durante essa fase de transição. Além disso, a Resolução CGIBS nº 6/2026 implementou o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), apelidado de "CPF dos Imóveis", que centraliza informações patrimoniais e altera a tributação sobre locações e ganho de capital.
Para gestoras como a Starboard Partners, a nova arquitetura tributária exige revisão das estruturas fiscais utilizadas em operações de reestruturação e aquisição de ativos imobiliários. A centralização de informações patrimoniais no CIB aumenta a transparência do mercado, o que tende a beneficiar operadores sofisticados que já operam com padrões elevados de due diligence, ao mesmo tempo em que dificulta a atuação de players menos formalizados.
A implementação do CIB e a transição para o novo regime tributário representam uma mudança estrutural que exigirá das gestoras imobiliárias uma recalibragem de suas teses de investimento, especialmente em operações que envolvem ganho de capital e locações de grande porte.
Posicionamento competitivo e perspectivas
A Starboard Partners se diferencia no mercado brasileiro por ocupar um espaço que poucas boutiques conseguem preencher: a intersecção entre reestruturações de grande porte e o setor imobiliário. Enquanto gestoras tradicionais de real estate focam em desenvolvimento, renda ou crédito estruturado, a firma traz uma lente de special situations que permite acessar oportunidades fora do radar dos concorrentes convencionais.
O mercado brasileiro oferece condições estruturais para essa tese prosperar. O crescimento de 23% no crédito imobiliário no primeiro semestre de 2026, segundo a Abecip, demonstra a robustez da demanda. A Reforma Tributária, com suas novas exigências de estruturação fiscal, cria camadas adicionais de complexidade que favorecem operadores com expertise jurídica e financeira sofisticada. O interesse de capital estrangeiro, evidenciado por operadores como a Kactus Capital com seus R$ 900 milhões sob gestão, amplia o universo de potenciais parceiros e co-investidores.
Não foram divulgados publicamente dados sobre o pipeline específico de ativos imobiliários em negociação pela Starboard Partners em 2026, nem sobre o volume de capital alocado exclusivamente para a tese de real estate. Essa discrição é característica de boutiques que operam em special situations, onde a confidencialidade das transações é elemento central da proposta de valor.
O GRI Institute continuará acompanhando a evolução da Starboard Partners e de outras boutiques que ampliam sua atuação no mercado imobiliário brasileiro, especialmente nos encontros do Brazil GRI, onde as principais teses de investimento do setor são debatidas entre líderes do mercado.