GRI InstituteShoppings vivem era de consolidação em meio a juros altos e cap rates comprimidos
Movimentações recentes indicam tendência de criação de grandes plataformas visando ganho de escala
26 de junho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- Se, por um lado, a taxa de juros no patamar atual praticamente inviabiliza novos desenvolvimentos devido ao elevado custo do capital, essa escassez de oferta resulta na valorização dos ativos existentes, fazendo com que os investidores aceitem cap rates comprimidos.
- A perspectiva para os FIIs de shopping centers é positiva, pois a valorização das cotas ainda não atingiu um pico de reprecificação e os fundamentos setoriais permanecem sólidos.
- O principal gatilho para destravar valor no preço das cotas é a queda dos juros; neste sentido, os sinais recentes pioraram - o último relatório Focus já indica uma Selic a 14% a.a. no final de 2026, apenas 0,25% abaixo do patamar atual.
O mercado de shopping centers navega em maré agitada: enquanto os indicadores operacionais seguem melhorando desde a pandemia, alguns ativos - especialmente imóveis listados em fundos imobiliários do segmento - seguem apresentando múltiplos atrativos, e uma onda de consolidação via fusões e aquisições de grande porte está em andamento.
Apesar dos juros altos, observa-se uma compressão do cap rate em shoppings premium. Levantamento realizado pelo GRI Institute indica que, desde 2025, o cap rate médio das transações imobiliárias ficou na casa de 9,5%. Nos shoppings, algumas transações resultaram em um cap rate na casa dos 7%, como a aquisição de 10% do Shopping Pátio Higienópolis realizada pelo fundo XP Malls - cap rate de entrada de 7,7%.
Se, por um lado, a taxa de juros no patamar atual praticamente inviabiliza novos desenvolvimentos devido ao elevado custo do capital, essa escassez de oferta resulta na valorização dos ativos existentes, fazendo com que os investidores aceitem pagar mais.
A fusão da Aliansce Sonae com a brMalls, em 2022, deu origem à Allos, uma gigante que detém 55 shoppings no portfólio nas cinco regiões do país. Outro movimento relevante foi a compra de participações da Brookfield nos shoppings Pátio Paulista e Pátio Higienópolis, liderada pelo Iguatemi em um consórcio com fundos da BB Asset, Capitânia, XP e BTG.
Na indústria de fundos imobiliários, o Patria ampliou significativamente sua exposição ao segmento de shopping centers nos últimos anos, adquirindo o portfólio de fundos da Genial Investimentos - que incluiu o MALL11 - e o fundo RBR Malls, da RBR Asset, que agora compõem o Patria Malls (PMLL11), com R$ 1,6 bilhão em patrimônio líquido.
Essa dinâmica de M&As indica uma janela de oportunidade para capturar ativos estratégicos a múltiplos ainda descontados, mesmo com a recuperação operacional pós-pandemia. Em um mercado em consolidação, ativos de qualidade que podem estar subavaliados em fundos menores ou gestoras com menor escala devem se tornar alvos de aquisição por fundos maiores e mais capitalizados.
Para as gestoras, o desafio é identificar ativos que combinem potencial de valorização com geração de renda consistente, mesmo que o cap rate inicial possa parecer comprimido em relação aos juros.
A perspectiva para os FIIs de shopping centers é positiva, pois a valorização das cotas ainda não atingiu um pico de reprecificação e os fundamentos setoriais permanecem sólidos, com vacância abaixo de 5% e inadimplência em 4,3%, a menor da história, segundo dados da Abrasce.
O principal gatilho para destravar valor no preço das cotas é a queda dos juros; neste sentido, os sinais recentes pioraram - o último relatório Focus já indica uma Selic a 14% a.a. no final de 2026, apenas 0,25% abaixo do patamar atual.
Em um cenário de cap rates comprimidos, a aquisição de ativos premium exige uma análise rigorosa do potencial de valorização a longo prazo e da capacidade de geração de fluxo de caixa.
O GRI Shopping & Retail 2026, em novembro, terá um painel dedicado aos fundos imobiliários, M&As e o apetite dos investidores institucionais pelo setor. Saiba mais.
Apesar dos juros altos, observa-se uma compressão do cap rate em shoppings premium. Levantamento realizado pelo GRI Institute indica que, desde 2025, o cap rate médio das transações imobiliárias ficou na casa de 9,5%. Nos shoppings, algumas transações resultaram em um cap rate na casa dos 7%, como a aquisição de 10% do Shopping Pátio Higienópolis realizada pelo fundo XP Malls - cap rate de entrada de 7,7%.
Se, por um lado, a taxa de juros no patamar atual praticamente inviabiliza novos desenvolvimentos devido ao elevado custo do capital, essa escassez de oferta resulta na valorização dos ativos existentes, fazendo com que os investidores aceitem pagar mais.
Apetite institucional e M&As
A onda de fusões e aquisições (M&As) reflete uma consolidação em curso no setor, dando origem a grandes plataformas.A fusão da Aliansce Sonae com a brMalls, em 2022, deu origem à Allos, uma gigante que detém 55 shoppings no portfólio nas cinco regiões do país. Outro movimento relevante foi a compra de participações da Brookfield nos shoppings Pátio Paulista e Pátio Higienópolis, liderada pelo Iguatemi em um consórcio com fundos da BB Asset, Capitânia, XP e BTG.
Na indústria de fundos imobiliários, o Patria ampliou significativamente sua exposição ao segmento de shopping centers nos últimos anos, adquirindo o portfólio de fundos da Genial Investimentos - que incluiu o MALL11 - e o fundo RBR Malls, da RBR Asset, que agora compõem o Patria Malls (PMLL11), com R$ 1,6 bilhão em patrimônio líquido.
Essa dinâmica de M&As indica uma janela de oportunidade para capturar ativos estratégicos a múltiplos ainda descontados, mesmo com a recuperação operacional pós-pandemia. Em um mercado em consolidação, ativos de qualidade que podem estar subavaliados em fundos menores ou gestoras com menor escala devem se tornar alvos de aquisição por fundos maiores e mais capitalizados.
Para as gestoras, o desafio é identificar ativos que combinem potencial de valorização com geração de renda consistente, mesmo que o cap rate inicial possa parecer comprimido em relação aos juros.
A perspectiva para os FIIs de shopping centers é positiva, pois a valorização das cotas ainda não atingiu um pico de reprecificação e os fundamentos setoriais permanecem sólidos, com vacância abaixo de 5% e inadimplência em 4,3%, a menor da história, segundo dados da Abrasce.
O principal gatilho para destravar valor no preço das cotas é a queda dos juros; neste sentido, os sinais recentes pioraram - o último relatório Focus já indica uma Selic a 14% a.a. no final de 2026, apenas 0,25% abaixo do patamar atual.
Olhando para frente
A sustentabilidade dos rendimentos é o pilar central: é fundamental que a origem dos dividendos sejam aluguéis recorrentes de imóveis bem localizados, com contratos saudáveis e inquilinos sólidos, em lugar de rendimentos provenientes de eventos pontuais, como reciclagem de portfólio ou garantias de renda mínima (RMG) com prazo para acabar.Em um cenário de cap rates comprimidos, a aquisição de ativos premium exige uma análise rigorosa do potencial de valorização a longo prazo e da capacidade de geração de fluxo de caixa.
O GRI Shopping & Retail 2026, em novembro, terá um painel dedicado aos fundos imobiliários, M&As e o apetite dos investidores institucionais pelo setor. Saiba mais.