Radar de Mercado: Novo salto imobiliário deve acontecer em 2026

Geração Z e programas habitacionais impulsionam a compra de imóveis, enquanto o "efeito riqueza" estimula investimentos no setor

20 de fevereiro de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo

Principais Insights

  •  A intenção de compra de imóveis está em níveis históricos, com a Geração Z liderando e o "efeito riqueza" do Ibovespa recorde estimulando investimentos imobiliários.
  • Minha Casa Minha Vida registrou aumento de 8,6% nas vendas e 34,6% nos lançamentos, com expectativas de manter crescimento em 2026.
  • Apesar do aumento de 29% nos lançamentos de imóveis de médio e alto padrão, as vendas cresceram apenas 1%, resultando em um estoque crescente e um desafio para incorporadoras.
  • Gestores de FIIs consideram a redução da taxa de juros como o cenário mais provável, com o Copom sinalizando um possível corte da Selic já em março de 2026.
  • Com a aprovação de incentivos fiscais como o Redata, o Brasil pode receber US$ 92 bilhões em investimentos no setor de data centers entre 2025 e 2031.

Especialistas projetam um novo salto imobiliário no Brasil, impulsionado por fatores econômicos e demográficos, que sustentam a confiança de compradores e investidores, mesmo com juros elevados.

Segundo a pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, a intenção de compra de imóveis atingiu níveis históricos, com destaque para a Geração Z (21 a 28 anos), que lidera com 56% de intenção de aquisição. 

O "efeito riqueza", decorrente de um Ibovespa recorde, também estimula a compra de imóveis como investimento, que representou 26% das aquisições no 4º trimestre de 2025, contra 20% no mesmo período de 2024.

No setor de habitação popular, o crescimento continua robusto e é sustentado tanto por políticas habitacionais locais quanto pela expansão de programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV). 

De janeiro a outubro de 2025, o MCMV registrou um aumento de 8,6% nas vendas e de 34,6% nas unidades lançadas em comparação ao mesmo período de 2024. 

A expectativa para 2026 é de manutenção desse crescimento, impulsionado pela correção do teto de financiamento nas faixas 1 e 2, ampliando o acesso ao crédito e consolidando a tendência de aumento da procura por imóveis populares.

No entanto, o panorama é diferente no mercado de média e alta renda - apesar de um avanço de 29% nos lançamentos, o ritmo de vendas cresceu apenas 1%, resultando em um aumento de 32% nos estoques do segmento, gerando uma preocupação crescente entre incorporadoras e investidores. 

De acordo com levantamento do BTG, o estoque de imóveis residenciais de média e alta renda no final de 2025 foi de 36,4 mil unidades, o equivalente a 16,6 meses de vendas - o maior volume desde 2022. 

Embora a maior parte desse estoque ainda esteja em construção, 9,9 mil unidades já estão prontas para entrega - representando desafio adicional, pois exige um maior capital de entrada e limita a capacidade de compra.

Queda da Selic é vista como cenário-base para FIIs

Um levantamento recente, realizado pelo Portal FIIs com base nos relatórios gerenciais de janeiro de 17 dos principais fundos imobiliários listados na B3, revela que gestores de fundos de diversos segmentos passaram a considerar a flexibilização da taxa de juros como o cenário mais provável, conforme já sinalizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Com a Selic atual em 15%, a expectativa de corte começa a se concretizar, com menções explícitas nos relatórios indicando que a redução pode ter início já em março de 2026, caso a inflação e as expectativas evoluam conforme o esperado.

Uma das principais movimentações recentes envolve uma significativa operação de sale and leaseback: o grupo Carrefour confirmou a venda de 22 imóveis que abrigam unidades da rede Atacadão para fundos imobiliários por cerca de R$ 975 milhões, mantendo-se como locatário sob contratos de 15 anos.

No segmento logístico, o Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11) consolidou um movimento operacional relevante ao locar integralmente seu ativo em Contagem (MG) para a Shopee, eliminando a vacância do imóvel, reduzindo o índice de vacância do portfólio para aproximadamente 3,3% e fazendo suas cotas dispararem até 12% em um único pregão.

A escassez de galpões Triple A no Sul do Brasil impulsionou o TRXF11, maior fundo imobiliário da TRX Investimentos, a financiar a construção de um built-to-suit de 33 mil m² de ABL para a Shopee em Londrina (PR), por R$ 135,5 milhões.

Em paralelo, fundos imobiliários estão estruturando projetos de desenvolvimento para diversificar e expandir suas frentes de atuação, como o fundo Mérito Desenvolvimento I (MFII11), que mira um projeto residencial de até R$ 58 milhões em São Paulo, ligado ao programa Minha Casa, Minha Vida.

Do ponto de vista de financiamento e captação, o TJKB11 (TJK Renda Imobiliária) aprovou sua 4ª emissão de cotas, com potencial de captação de até R$ 380,8 milhões, sinalizando maior apetite do mercado por expansão de capital para investimentos em ativos imobiliários listados.

Data centers podem atrair US$ 92 bi em investimentos no Brasil

Empresas do setor de data centers no Brasil estão projetando um aumento significativo nos investimentos, condicionados à aprovação de três frentes fiscais essenciais: o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), a redução do ICMS na compra de equipamentos e a revisão das tarifas de importação. 

O governo e o mercado esperam que o PL 278, que institui o Redata, seja aprovado até a próxima semana, pois a validade da medida provisória que criou o programa expira em 25 de fevereiro.

Simultaneamente, o setor busca a redução de 90% do ICMS sobre equipamentos, com a proposta já apresentada ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), cuja reunião final está marcada para 27 de março. 

Além disso, as empresas tentam mitigar os efeitos da recente elevação do imposto de importação sobre bens de informática, de 3,6% para 20%, determinada pelo Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex).

A Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) projeta que o Brasil receberá US$ 92 bilhões em investimentos em data centers entre 2025 e 2031, sendo US$ 69 bilhões para equipamentos e US$ 23 bilhões em infraestrutura. 

Contudo, 2025 registrou uma queda drástica nos aportes, com uma redução de 90% nos investimentos em comparação aos anos anteriores, reflexo da pausa causada pela expectativa em torno da aprovação do Redata.

Enquanto o Brasil aguarda a definição do projeto, a Índia já implementou um regime fiscal similar e tem atraído grandes investimentos de empresas como Anthropic e Adani, que anunciou US$ 100 bilhões para centros de dados até 2035. 

No contexto regional, o Brasil tem perdido participação. Enquanto o México responde por 50% dos centros de dados da América Latina, o Brasil ficou com 32%, segundo levantamento da JLL.

Multinacionais de serviços de nuvem também seguraram seus investimentos no país à espera de um posicionamento sobre o Redata, dado o impacto fiscal significativo nos custos.
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