Radar de Mercado: Brasil e México lideram o apetite por imóveis na América Latina

Enquanto isso, mercado de luxo bate recordes com volume de R$ 52,2 bilhões em vendas e financiamento imobiliário com recursos da poupança caem 8,2%

6 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo
De acordo com a Pesquisa de Sentimento de Investimento na América Latina, publicada pela consultoria CBRE, Brasil e México continuam a liderar o apetite por imóveis na região, com quase um terço dos investidores latino-americanos planejando aumentar seus investimentos em ativos imobiliários ao longo de 2026. 

Este movimento é impulsionado pela relativa normalização do ambiente macroeconômico, refletindo uma postura construtiva, embora cautelosa, por parte dos investidores.

O sentimento é otimista, mas moderado, com uma execução mais seletiva de capital, com foco em setores como logística e industrial, que se consolidam como os principais destinos de investimento devido ao nearshoring e à reconfiguração das cadeias globais de suprimentos.

No Brasil, os investidores continuam a priorizar os setores industrial e logístico, mas há uma crescente relevância de ativos em escritórios e hotéis, especialmente em São Paulo e em sua área metropolitana. 

As expectativas de compra e venda sugerem um equilíbrio no mercado, com uma abordagem seletiva, refletindo o comportamento cauteloso dos investidores diante de um cenário de recuperação econômica. 

A CBRE destaca que, no Brasil, a atividade de compra pode aumentar, com uma abordagem mais seletiva nas decisões de investimento.

Mercado de luxo bate recordes, mas enfrenta desafios com estoque elevado

O mercado imobiliário de luxo no Brasil alcançou um desempenho histórico em 2025, com a venda de 10.607 unidades acima de R$ 2 milhões, gerando um volume de R$ 52,2 bilhões nas capitais, o que representa um impressionante aumento de 35% em relação ao ano anterior. 

Esse segmento, embora represente apenas 3,75% das unidades comercializadas no mercado residencial, foi responsável por 29,4% do valor total negociado no setor. 

O crescimento se reflete não só na alta nas vendas, mas também no lançamento de 11.696 novas unidades, com um potencial de vendas de R$ 58 bilhões, um aumento de 36% em relação a 2024.

No entanto, o mercado de imóveis de alto padrão enfrentou desafios no segmento de São Paulo, onde o estoque de imóveis com preço a partir de R$ 2,1 milhões ou 180 metros quadrados, atingiu 20 meses de vendas - uma marca preocupante quando comparado aos 15 meses de estoque registrados dois anos antes, como notou o BTG Pactual, após analisar dados do Secovi-SP.

A decisão das incorporadoras de focar em lançamentos mais caros, como estratégia para escapar da pressão das altas taxas de juros no mercado de média renda, resultou em um aumento do estoque e uma desaceleração no ritmo de vendas. 

Esse fenômeno se acentuou à medida que os imóveis de luxo se tornaram mais difíceis de vender devido à resistência dos compradores de alta renda, que hesitaram em retirar recursos de investimentos financeiros para adquirir esses imóveis.

As incorporadoras que antes se concentravam no segmento de alta renda agora estão voltando a apostar no mercado de média renda, uma vez que a expectativa de queda da Selic em 2026 pode reequilibrar os estoques e estimular o setor.

Financiamentos com recursos da poupança caem 8,2%, Caixa responde com nova regra

O início de 2026 mostra um contexto desafiador para o financiamento imobiliário com recursos da poupança (SBPE), com os dados mais recentes da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O levantamento indica que o total de financiamentos imobiliários via poupança caiu 8,2% em janeiro, somando R$ 12,1 bilhões, e o número de imóveis financiados recuou 28% em relação a dezembro, refletindo retração tanto mensal quanto anual. 

Essa queda no uso da poupança como fonte de crédito imobiliário ocorre em um cenário em que a captação líquida da caderneta de poupança foi negativa (‑R$ 18,8 bilhões) em janeiro, pressionada por fatores sazonais e pela concorrência com outras aplicações financeiras.

Em resposta a esse cenário, há movimentos relevantes por parte do sistema financeiro: a Caixa Econômica Federal anunciou a retomada do financiamento imobiliário para imóveis de maior valor (acima de R$ 2,25 milhões) utilizando recursos da poupança, retomando uma linha que estava suspensa desde 2024. 

Isso foi possível graças às mudanças nas regras de depósito compulsório promovidas pelo Banco Central em 2025, que ampliaram a disponibilidade de recursos das cadernetas, permitindo maior oferta de crédito para habitação com valor mais alto e fortalecendo o relacionamento com clientes de alta renda.

Transações relevantes marcam primeira semana do mês

KNCR11 faz captação recorde de R$ 3,18 bilhões

O fundo imobiliário KNCR11, focado em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), concluiu sua 12ª emissão de cotas com captação de cerca de R$ 3,18 bilhões - a maior já realizada por um FII no Brasil, elevando seu patrimônio para aproximadamente R$ 11 bilhões e consolidando-o como um dos maiores fundos imobiliários listados na B3. 

A gestora Kinea utilizará os recursos para reforçar sua carteira de ativos de renda fixa imobiliária, incluindo escritórios, shopping centers, logística e residencial, aproveitando o atual cenário de juros e oportunidades de mercado.

Incorporadora adquire prédio inteiro nos Jardins para projeto de R$ 1,3 bilhão

A incorporadora Liv Inc–Kopstein comprou um edifício inteiro no bairro dos Jardins, em São Paulo, negociando individualmente 28 apartamentos por cerca de R$ 90 milhões, para ampliar o terreno de seu projeto residencial de alto padrão - que agora tem VGV de R$ 1,3 bilhão. 

A operação estratégica dobrou a área disponível, permitindo a expansão do empreendimento em uma região com alguns dos metros quadrados mais valorizados do país, alinhada à estratégia da empresa de focar em projetos de alto valor agregado em bairros premium.

BTG Pactual cria fundo de hotéis premium com potencial de R$ 1,04 bilhão

O BTG Pactual lançou o fundo imobiliário Prime Hospitalidade, com foco em ativos hoteleiros de alto padrão e captação potencial de até R$ 1,04 bilhão. 

O portfólio em avaliação inclui hotéis de prestígio como Fasano Itaim (São Paulo), Fairmont Copacabana (Rio de Janeiro) e Pullman Guarulhos, refletindo a estratégia do banco de consolidar ativos de luxo no segmento hoteleiro e atrair investidores institucionais para um nicho tradicionalmente menos explorado no mercado de FIIs brasileiro.

Loft acelera crédito imobiliário e home equity cresce mais de 100%

A Loft registrou um forte crescimento em 2025, com cerca de 1,2 milhão de transações imobiliárias, um avanço de 35% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pela expansão do crédito com garantia de imóvel (home equity). 

A empresa viu o número de contratos de home equity crescer 104% e o volume contratado subir 121% em relação ao semestre anterior, apoiada por um modelo que conecta clientes a instituições financeiras, oferecendo condições competitivas de crédito e ampliando sua atuação como plataforma de serviços financeiros no mercado imobiliário.
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