Radar de Mercado: Banco Central reduz Selic para 14,75%, com corte de 0,25 p.p.

Copom destaca necessidade de serenidade e cautela, classificando a medida como “início da calibração da política monetária”

20 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo

Principais Insights

  • O Banco Central anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, levando-a para 14,75%, com uma postura cautelosa devido às tensões geopolíticas.
  • Com a queda da Selic, espera-se que 400 mil novos investidores ingressem em fundos imobiliários em 2026, contribuindo para a previsão de crescimento do IFIX.
  • Os aluguéis de galpões logísticos no Raio 30 de São Paulo subiram 20,8%, enquanto escassez de oferta leva operadores a buscar alternativas no Raio 60.

O Banco Central (BC) anunciou, nesta quarta-feira, 18, uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que agora se encontra em 14,75% ao ano.

Embora o mercado esperasse inicialmente um corte de 0,50 ponto percentual, a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio - particularmente devido ao impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre os preços do petróleo - levou o Comitê de Política Monetária (Copom) a adotar uma postura mais cautelosa. 

A decisão foi unânime, com a autoridade destacando a necessidade de “serenidade e cautela” na condução da política monetária, uma vez que os riscos inflacionários aumentaram consideravelmente devido aos conflitos recentes. 

Por essa razão, o Copom classificou a medida como um “início da calibração da política monetária” em vez de uma flexibilização.

No mercado imobiliário, o corte é visto como um sinal positivo, mas ainda insuficiente para promover uma recuperação rápida e robusta das atividades. Analistas de grandes corretoras observam que o impacto será gradual. 

A XP acredita que, embora o crédito se torne mais acessível e a demanda por imóveis aumente, a recuperação será mais lenta do que o previsto, devido à incerteza global.

Por outro lado, a Cy Capital, gestora de fundos imobiliários da Cyrela, observa que a redução da taxa favorece diretamente a atividade imobiliária, estimulando tanto o financiamento quanto o desenvolvimento de novos projetos - além de renovar o interesse por fundos imobiliários, cujas cotas já mostram sinais de recuperação. 

Danny Gampel, head de crédito da Cy Capital, alerta que muitos desses ativos ainda estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial, criando uma oportunidade de entrada para investidores, especialmente com os juros ainda elevados.

Fabrício Schveitzer, economista do Sienge, acredita que o corte pode ajudar no escoamento de estoques e estimular a retomada de projetos paralisados, além de incentivar a migração de investimentos da renda fixa para a economia real. 

A incerteza sobre a continuidade dos cortes ainda persiste, já que o BC não forneceu uma previsão clara sobre os próximos passos, mencionando a necessidade de monitorar os impactos dos conflitos internacionais e suas implicações para a inflação.

Nesse contexto, analistas do Pantheon Macroeconomics, Warren Investimentos e Santander compartilham a visão de que o BC deve continuar com cortes graduais, com a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 28 e 29 de abril, podendo resultar em uma nova redução de 0,25 ponto percentual. 

Porém, a expectativa de um corte mais agressivo de 0,50 ponto parece distante - enquanto o conflito persistir, o Copom deve manter um ritmo cauteloso de 0,25 ponto, com a possibilidade de acelerar o corte se o cenário externo melhorar significativamente.

Fundos imobiliários devem atrair 400 mil novos investidores

Em 2025, o IFIX (Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários) acumulou um crescimento significativo de 21,15%, sinalizando uma recuperação gradual da confiança dos investidores, após um período de descontos consideráveis. 

Com a queda da taxa de juros e a retomada do apetite por renda passiva, os FIIs devem entrar em uma nova fase de expansão - segundo o Santander, cerca de 400 mil novos investidores devem ingressar nesse mercado em 2026, o que faria o número de cotistas alcançar cerca de 3,5 milhões. 

Embora um corte na Selic tenha sido abaixo da expectativa das gestoras de FIIs, uma análise de ciclos anteriores revela que o impacto nos fundos tende a ser positivo. 

Um estudo da RB Asset dos últimos 15 anos, desde a criação do IFIX em 2011, revela que o impacto no desempenho dos fundos imobiliários depende mais da magnitude total do ciclo de redução de juros do que do tamanho do primeiro corte. 

“Na média, o IFIX sobe 11,3% após 6 meses do primeiro corte, sem grande discrepância se o primeiro corte foi de 0,25 ou 0,50 ponto percentual,” disse Rafael Ohmachi, sócio da gestora, para a InfoMoney.

O comportamento dos FIIs também é influenciado pelos diferentes segmentos de ativos. No ciclo de redução, fundos de tijolo, como os de shopping centers, tendem a se beneficiar mais, já que o aumento no consumo e nas vendas no varejo impulsiona o aluguel variável, proporcionando um impacto positivo nos dividendos distribuídos aos investidores. 

Além disso, a isenção fiscal para rendimentos de até R$ 5 mil mensais, que aumenta a renda disponível dos trabalhadores, é um fator adicional que deve contribuir para a recuperação do varejo e, consequentemente, para o bom desempenho dos fundos.

Aluguéis de galpões logísticos sobem 20,8% no Raio 30 de São Paulo

Uma pesquisa do Secovi-SP, em parceria com a CBRE, revelou que os aluguéis de galpões logísticos de alto padrão no Raio 30 de São Paulo subiram 20,8% em 2025, impulsionados pela crescente demanda do e-commerce e pela redução da oferta - que fez a taxa de vacância cair para 7,8%, o menor nível desde 2012.

A alta dos aluguéis também reflete a maior disposição dos proprietários em revisar contratos em andamento, com ajustes de até 30% em 2025, algo inédito no mercado logístico brasileiro.

Segundo o levantamento, a oferta de novos galpões em São Paulo deve crescer 1,7 milhão de m² em 2026, superando os 1,2 milhão de m² de 2025 - mas a escassez de terrenos persiste, com as locações já atingindo 1 milhão de m² no primeiro trimestre de 2026.

Este cenário tem levado operadores a buscar alternativas no Raio 60, onde terrenos maiores e mais baratos oferecem uma oportunidade estratégica para otimizar operações logísticas com preços de aluguel semelhantes.

Esta movimentação ocorre em um momento de crescente demanda por galpões logísticos, especialmente no setor de e-commerce, que continua a expandir e a descentralizar suas operações para atender à demanda crescente do mercado.

Um exemplo dessa tendência é o acordo entre o fundo CPLG11 e o Mercado Livre para uma locação de 134 mil m² em um galpão built-to-suit em Jacareí, com entrega prevista para abril de 2027. 

O projeto, que é feito sob medida para atender às necessidades específicas do e-commerce, tem um yield on cost previsto de 10,9% e uma Taxa Interna de Retorno (TIR) de 35%, com um investimento de R$ 449 milhões no desenvolvimento do galpão. 

A estimativa é que o ativo possa ser vendido por R$ 591 milhões após a entrega, destacando a viabilidade econômica e a valorização da região.

Principais movimentações no mercado imobiliário

O QuintoAndar lançou uma integração em parceria com o ChatGPT da OpenAI, permitindo que usuários busquem imóveis diretamente na plataforma, com resultados em tempo real e redirecionamento para agendamento de visitas. 

O bairro planejado Ilha Pura, no Rio de Janeiro, lançou o Pura por Artefacto, empreendimento de branded residences de R$ 845 milhões, desenvolvido pelo BTG Pactual em parceria com a marca de mobiliário de alto padrão Artefacto

A Benx, em parceria com a RBR Asset e a Brick Capital, iniciou a construção do Pátio São Paulo, um prédio corporativo de 26 mil metros quadrados na Rebouças, com investimento de R$ 650 milhões, previsto para ser concluído em 2029 - sinalizando a retomada do interesse por novos empreendimentos corporativos na cidade.

O TRXF11, fundo imobiliário da TRX, adquiriu 49% de uma torre recém-construída da Brookfield, no valor de R$ 219,4 milhões, para converter nove lajes originalmente projetadas para escritórios em espaços hospitalares, com o Sírio-Libanês como inquilino.

A Melnick, líder no mercado de médio/alto padrão em Porto Alegre, está agora redirecionando seu foco para o Minha Casa Minha Vida (MCMV), com lançamentos da sua vertical Open voltados para as faixas 3 e 4 do programa, prevendo um VGV de R$ 350 milhões em 2026, quase 80% a mais do que em 2025.
 
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