Peru 2026: mapa de investimento imobiliário, pipeline de US$ 15,8 bilhões e os atores que definem o ciclo

Lima encerrou 2025 com 24.713 moradias vendidas e crescimento de 19%. Arequipa e Piura emergem como novos polos de desenvolvimento regional.

5 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado imobiliário peruano encerrou 2025 em ciclo de alta liderado por Lima, que registrou 24.713 moradias vendidas (+19%) e vendas superiores a S/ 11.000 milhões. Arequipa e Piura se consolidam como novos corredores de investimento regional com déficit habitacional significativo. O pipeline de infraestrutura supera US$ 15,8 bilhões, institucionalizado pela ANIN e pela adoção de padrões contratuais internacionais. A entrada de operadores como Grupo Ortiz e marcas hoteleiras como Meliá reforçam o posicionamento do Peru como destino de investimento independente na América Latina.

Principais Insights

  • Lima vendeu 24.713 moradias em 2025, crescimento de 19%, com preços estáveis (+3%), sinalizando absorção sem pressão inflacionária.
  • O pipeline de infraestrutura supera US$ 15,8 bilhões, respaldado por PPPs e pela nova Autoridad Nacional de Infraestructura (ANIN).
  • Arequipa e Piura emergem como polos regionais com demanda potencial de 300.000 e 370.000 domicílios respectivamente.
  • A adoção de contratos internacionais (NEC/FIDIC) reduz incerteza jurídica para operadores estrangeiros.
  • Escritórios Classe A em Lima registram vacância de 11,9% sem nova oferta, gerando oportunidade de entrada.
  • Meliá abrirá hotel premium no Centro Histórico de Lima em julho de 2026.

Lima registrou 24.713 moradias vendidas em 2025 e consolida o ciclo de alta peruano

O mercado imobiliário de Lima encerrou 2025 com vendas de 24.713 moradias, um crescimento de 19% em relação a 2024, segundo dados da Confederación de Desarrolladores Inmobiliarios del Perú (CODIP) publicados pelo Gestión em janeiro de 2026. O valor de vendas imobiliárias na capital superou S/ 11.000 milhões no mesmo período, com preços que se mantiveram estáveis, registrando aumento de apenas 3%. Esses números posicionam o Peru como um dos mercados com maior dinamismo residencial da América Latina em um ano marcado pela cautela investidora em outras economias da região.

O dado é relevante porque evidencia que a demanda habitacional em Lima deixou de ser um fenômeno conjuntural para se tornar um motor estrutural do ciclo imobiliário peruano. A combinação de preços contidos e volume crescente sugere que o mercado absorve estoque sem pressões inflacionárias significativas, uma condição favorável para o ingresso de capital institucional e o desenvolvimento de novos projetos.

Quais são as classes de ativos prioritárias para investimento no Peru em 2026?

Residencial: Lima Top e a expansão para províncias

O segmento residencial lidera a atividade transacional. A incorporadora Lateral projeta um investimento de US$ 70 milhões em cinco projetos no corredor Lima Top para 2026, conforme reportou o Gestión. Essa aposta confirma a confiança dos desenvolvedores locais no segmento de maior valor agregado da capital.

Fora de Lima, o potencial é considerável. Arequipa e Piura lideram a demanda imobiliária nas províncias, com um mercado potencial de 300.000 e 370.000 domicílios respectivamente, de acordo com dados da CODIP coletados pela Forbes Perú. Esses corredores regionais representam uma fronteira de crescimento para desenvolvedores que buscam diversificar sua exposição geográfica além da capital. O Peru tem em suas cidades intermediárias uma reserva de demanda habitacional que poucos mercados latino-americanos oferecem com níveis similares de formalização institucional.

Escritórios: estabilização sem nova oferta

O mercado de escritórios Classe A em Lima registrou vacância de 11,9% no fechamento de 2025, sem novas entregas durante o período, segundo o relatório MarketBeat Lima Oficinas T4 2025 da Cushman & Wakefield. A ausência de nova oferta permite uma compressão gradual da vacância, o que poderia gerar condições para que os proprietários recuperem poder de negociação em aluguéis durante 2026. Para investidores institucionais, o segmento de escritórios prime em Lima apresenta uma janela de entrada antes que o ciclo de absorção impulsione novos empreendimentos.

Hospitalidade: novas marcas internacionais

O pipeline hoteleiro peruano incorpora um projeto emblemático: a abertura do The Meliá Collection Lima no Centro Histórico, programada para julho de 2026, conforme confirmaram o Gestión e a Meliá Hotels International. A chegada de uma marca internacional dessa categoria ao centro histórico de Lima sinaliza uma aposta no turismo cultural e de negócios de alto valor, e reforça a tese de que a hospitalidade peruana tem espaço para segmentos premium que complementem a oferta existente.

Pipeline de infraestrutura: US$ 15,8 bilhões em carteira

A carteira de projetos de infraestrutura para 2025-2026 supera os US$ 15,8 bilhões, com ênfase em parcerias público-privadas (PPPs) e Projetos em Ativos, segundo dados da Revista Constructivo e ProInversión. Esse volume torna o pipeline peruano um dos mais robustos da região andina e gera oportunidades diretas para operadores, construtoras e fundos de infraestrutura com apetite por mercados emergentes.

O marco institucional que sustenta essa carteira passou por uma transformação significativa. A Lei N° 31841 criou a Autoridad Nacional de Infraestructura (ANIN), entidade projetada para executar projetos emblemáticos e de prevenção de desastres, substituindo o esquema anterior de Reconstrucción con Cambios. A ANIN, atualmente liderada por Hernán Yaipén Aréstegui conforme Resolución Suprema N° 028-2024-PCM, centraliza a tomada de decisões em infraestrutura pública e opera como interlocutor principal para o setor privado.

Complementarmente, o Decreto Supremo Nº 096-2024-EF estabelece procedimentos especiais para a aplicação de contratos padronizados de engenharia e construção de uso internacional, como NEC e FIDIC, em projetos da ANIN. Essa normalização contratual reduz a incerteza jurídica para operadores estrangeiros e facilita a participação de firmas internacionais em licitações peruanas. A adoção de padrões contratuais internacionais no pipeline público peruano constitui um sinal claro de que o país busca competir por capital global de infraestrutura com regras homologadas.

Quais atores internacionais estão se posicionando no mercado peruano?

O Grupo Ortiz, de origem espanhola, conquistou a operação e manutenção do Hospital de Emergências Villa El Salvador em julho de 2025, conforme informaram Swissinfo e EFE. Essa adjudicação posiciona o grupo entre os operadores internacionais com presença ativa em concessões de infraestrutura social no Peru, um segmento que a ANIN busca expandir dentro de sua carteira de projetos.

A GIA+A, firma mexicana com trajetória em concessões hospitalares e de infraestrutura na região andina, mantém interesse estratégico nos mercados do Chile e Peru, embora não haja adjudicações específicas confirmadas em território peruano para o período 2025-2026. Seu posicionamento regional sugere que as oportunidades do pipeline peruano poderiam atrair participação de construtoras e operadores latino-americanos nos próximos ciclos de licitação.

O ingresso de operadores internacionais no segmento de infraestrutura social e hospitalar reflete uma tendência visível em toda a América Latina: a migração de capital de ativos puramente comerciais para setores com fluxos respaldados por contratos públicos de longo prazo.

Os perfis que definem o ciclo: liderança institucional e setorial

Duas figuras concentram relevância na configuração do ciclo peruano. Hernán Yaipén Aréstegui, como chefe da ANIN, administra a execução da carteira pública de infraestrutura mais ambiciosa que o Peru articulou na última década. Sua gestão determinará o ritmo de adjudicações e a capacidade do Estado de cumprir os cronogramas de um pipeline de US$ 15,8 bilhões.

Paola Lazarte, ex-ministra de Transportes e Comunicações durante 2022-2023, desponta como voz especialista em infraestrutura peruana, conforme registraram veículos como Impacta e La República. Seu conhecimento do aparato regulatório e dos mecanismos de promoção do investimento privado a torna uma referência para a análise das políticas públicas que impactam o setor.

Essas lideranças, tanto públicas quanto setoriais, são decisivas em um mercado onde a coordenação entre o pipeline estatal e o capital privado define a velocidade do ciclo.

Peru como destino de investimento independente

Durante anos, as análises de mercado trataram o Peru como um componente menor dentro do bloco andino, subordinado à Colômbia ou ao Chile no imaginário investidor. Os dados de 2025 contradizem essa narrativa. Um mercado residencial que cresce 19% em volume, uma carteira de infraestrutura que supera US$ 15,8 bilhões e a entrada de operadores internacionais em concessões hospitalares configuram um ecossistema que merece análise e cobertura dedicadas.

O Peru oferece em 2026 uma combinação pouco frequente na América Latina: demanda residencial profunda, pipeline público institucionalizado, normalização contratual internacional e corredores regionais com déficit habitacional quantificado. Para os líderes de investimento imobiliário e infraestrutura que participam dos encontros do GRI Institute, o mercado peruano apresenta uma oportunidade de posicionamento antecipado em um ciclo que apenas começa a desdobrar sua escala completa.

O Perú GRI Real Estate 2026 reunirá os principais decisores do ecossistema imobiliário peruano, incluindo desenvolvedores, fundos de investimento, operadores de infraestrutura e reguladores, em um formato de discussão exclusivo projetado para facilitar a tomada de decisões de investimento baseada em inteligência de mercado verificada.

O GRI Institute produz análises de mercado independentes para sua comunidade global de líderes em real estate e infraestrutura.

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