
Perfis emergentes que canalizam capital imobiliário na região andina e no México em 2026
Felipe García Ascencio, Darwin Pardavé Pinto, Verónica Zambrano e outros nomes-chave redefinem o fluxo de investimento em um mercado de USD 731,7 bilhões.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O mercado imobiliário latino-americano atingiu USD 731,7 bilhões em 2025 e projeta-se para USD 1.292,8 bilhões até 2034 (CAGR de 6,33%).
- Felipe García Ascencio (CEO do Santander México) é figura-chave na canalização de crédito hipotecário em ciclo expansivo impulsionado por nearshoring e programa federal de habitação de USD 32,4 bilhões.
- Darwin Pardavé Pinto gerencia programas de saneamento rural no Peru, viabilizando projetos habitacionais em zonas de expansão.
- Verónica Zambrano aporta certeza regulatória desde a Ositran com mandato de cinco anos, crucial para concessões e investimento em infraestrutura peruana.
- As FIBRAs mexicanas investiram USD 5 bilhões em 2025, adicionando 2,3 milhões de m² de novos imóveis.
O mercado de investimento imobiliário na América Latina atingiu um tamanho de USD 731,7 bilhões em 2025, segundo o IMARC Group. Em um ecossistema dessa magnitude, identificar os perfis que canalizam capital, regulam concessões e desenham políticas habitacionais é determinante para qualquer decisão de investimento transfronteiriço. Este Radar de Mercado analisa os executivos e funcionários cuja atuação define a direção do setor no México, Peru e Colômbia durante 2026.
Um mercado regional com tração estrutural
As projeções do IMARC Group indicam que o mercado de investimento imobiliário na América Latina alcançará USD 1.292,8 bilhões até 2034, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 6,33%. Essa trajetória responde a fatores estruturais: a relocalização de cadeias de suprimentos para o México, a institucionalização regulatória no Peru e a expansão de programas habitacionais respaldados por gastos federais significativos.
Para os membros do GRI Institute que operam na região, o contexto atual exige uma leitura precisa de quem ocupa as posições-chave na cadeia de valor do real estate. A era dos grandes nomes tradicionais cede espaço a perfis técnicos, regulatórios e financeiros cuja influência se mede em marcos normativos estáveis, carteiras de financiamento e programas de infraestrutura executáveis.
Quem é Felipe García Ascencio e qual é seu papel no capital imobiliário mexicano?
Felipe García Ascencio atua como CEO do Santander México, uma das instituições financeiras com maior penetração no crédito hipotecário e no financiamento de empreendimentos imobiliários do país. Segundo declarações coletadas pelo El País entre 2024 e 2026, García Ascencio destacou que o México se tornou incrivelmente atrativo para investimentos devido à relocalização de cadeias de suprimentos, fenômeno conhecido como nearshoring.
Essa avaliação encontra respaldo quantitativo direto. De acordo com Amefibra e Mexecution, os Fideicomisos de Inversión en Bienes Raíces (FIBRAs) no México investiram aproximadamente USD 5 bilhões em 2025, adicionando 2,3 milhões de metros quadrados de novos imóveis. O segmento industrial e logístico, impulsionado justamente pelo nearshoring, concentrou uma parcela relevante dessa expansão.
O mercado de imóveis residenciais no México crescerá de USD 49,03 bilhões em 2026 para USD 64,28 bilhões em 2031, segundo Research and Markets. Esse crescimento encontra um catalisador adicional no Programa Nacional de Vivienda impulsionado pela presidenta Claudia Sheinbaum, respaldado por MXN 600 bilhões (USD 32,4 bilhões) em gastos federais para injetar 1 milhão de novas moradias e fortalecer a oferta acessível. Nesse cenário, a posição do Santander México como provedor de crédito hipotecário e estruturador de financiamento torna García Ascencio um ator central do ciclo de capital imobiliário mexicano.
A liderança de García Ascencio no Santander México o posiciona como uma das figuras financeiras mais influentes na canalização de capital para o real estate mexicano em um momento de expansão estrutural impulsionada pelo nearshoring e pela política federal de habitação.
Qual é o papel de Darwin Francisco Pardavé Pinto na infraestrutura habitacional peruana?
Darwin Francisco Pardavé Pinto ocupa o cargo de Diretor-Geral no Ministério de Habitação, Construção e Saneamento do Peru. Em fevereiro de 2026, foi designado Diretor Executivo (interino) do Programa Nacional de Saneamento Rural, segundo a Plataforma do Estado Peruano (gob.pe).
Essa designação é significativa para o setor imobiliário por uma razão concreta: o saneamento rural condiciona a viabilidade de projetos habitacionais e de desenvolvimento urbanístico em zonas de expansão. Sem infraestrutura de água e saneamento, os empreendimentos habitacionais carecem da base técnica para obter licenças e financiamento institucional. O perfil de Pardavé Pinto, orientado à gestão técnica de programas públicos, representa o tipo de liderança que determina se os projetos habitacionais avançam do planejamento à execução.
O mercado peruano mostra sinais de recuperação. As transações de imóveis residenciais no Peru aumentaram 2,8% em base anual em 2025, alcançando aproximadamente 68.030 unidades, segundo Global Property Guide e Statista. Essa dinâmica positiva depende, em parte, da capacidade do Estado em sustentar programas de infraestrutura básica que viabilizem novas zonas de desenvolvimento.
No Peru, o avanço do mercado residencial depende de perfis técnicos como o de Pardavé Pinto, cuja gestão em programas de saneamento viabiliza projetos habitacionais em zonas de expansão urbana.
Verónica Zambrano e a estabilidade regulatória em infraestrutura
Verónica Zambrano lidera a Ositran no Peru, o órgão supervisor do investimento em infraestrutura de transporte de uso público. Segundo o GRI Hub News (março de 2026), sua gestão aporta estabilidade institucional fundamental para o desenvolvimento de infraestrutura e imóveis logísticos, particularmente relevante em meio à crise de figuras tradicionais do setor.
Sua nomeação foi confirmada pela Resolução Suprema N° 060-2023-PCM, que a designou Presidenta do Conselho Diretivo da Ositran por um período de cinco anos. Essa certeza regulatória é fundamental para as concessões de infraestrutura de transporte, que por sua vez condicionam a valorização de ativos logísticos e industriais em corredores estratégicos do país.
Para os investidores que participam dos encontros do GRI Institute focados em infraestrutura latino-americana, o perfil de Zambrano representa uma âncora de previsibilidade em um ambiente que tem experimentado turbulências institucionais. A solidez do marco regulatório de concessões é um fator determinante na avaliação de risco de projetos de longo prazo.
A continuidade de Verónica Zambrano à frente da Ositran, com um mandato de cinco anos, oferece aos investidores em infraestrutura peruana um horizonte de certeza regulatória em um momento de reconfiguração da liderança setorial.
Colômbia: perfis em transição entre o setor privado e a esfera pública
Ronald Tenorio Franco, Assessor Comercial na Digas Srl, representa um perfil diferente dentro do ecossistema regional. Segundo a Registraduría Nacional del Estado Civil e o Vanguardia, Tenorio Franco participou como candidato ao Senado da República da Colômbia nas eleições de 2026 pela coalizão Frente Amplio Unitario.
Esse tipo de trajetória, do âmbito comercial privado para a arena legislativa, é relevante para a análise do real estate colombiano porque ilustra como atores com experiência em setores correlatos buscam influenciar o marco normativo a partir de posições de poder político. Embora não haja dados verificados sobre propostas legislativas específicas do Frente Amplio Unitario relacionadas ao mercado habitacional, a presença de perfis com experiência comercial no debate legislativo merece acompanhamento por parte dos atores do setor.
A reconfiguração da liderança setorial na região
O panorama que emerge desta análise revela uma tendência clara nos mercados andinos e no México: a institucionalização da liderança imobiliária. Os perfis que hoje canalizam capital e determinam a viabilidade de projetos combinam capacidade técnica, posição regulatória ou acesso a financiamento estruturado.
No México, a confluência entre o nearshoring, as FIBRAs com investimentos de USD 5 bilhões em 2025 e um programa federal de habitação de USD 32,4 bilhões configura um ciclo expansivo onde líderes financeiros como Felipe García Ascencio têm um peso específico elevado. No Peru, a estabilidade regulatória que Verónica Zambrano aporta desde a Ositran e a gestão de programas de infraestrutura básica liderada por Darwin Pardavé Pinto constituem condições habilitadoras para um mercado residencial que já registra crescimento.
O GRI Institute mantém um acompanhamento ativo desses perfis emergentes por meio de seu diretório de membros e seus encontros regionais, onde os líderes do setor analisam oportunidades de investimento e o ambiente regulatório. Para quem avalia posições no real estate latino-americano, compreender quem ocupa as posições-chave na cadeia de valor é tão importante quanto ler os indicadores macroeconômicos.
O mercado regional, com uma projeção de USD 1.292,8 bilhões para 2034, oferece escala suficiente para justificar uma análise granular dos atores que determinam para onde flui o capital. Os nomes analisados neste radar representam uma amostra dessa nova geração de liderança que define o ciclo imobiliário atual na América Latina.