Perfis que canalizam o capital imobiliário na Colômbia 2026: Munir Jalil, Tomás Elejalde e Grupo Ortiz

Um radar dos executivos e atores institucionais que definem o ciclo de investimento imobiliário e de infraestrutura na Colômbia este ano.

1 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo mapeia os perfis que canalizam o capital imobiliário e de infraestrutura na Colômbia em 2026, em contexto de crescimento moderado (PIB 2,1%) e restrição fiscal. Destaca Munir Jalil (BTG Pactual) como referência macroeconômica, Tomás Elejalde (Metrô de Medellín) pela estratégia de desenvolvimento imobiliário associado ao transporte com 40 projetos previstos, e o Grupo Ortiz por suas concessões logísticas e rodoviárias. A análise conclui que a infraestrutura é o principal catalisador do valor imobiliário na Colômbia e que a solidez institucional das contrapartes é determinante para mitigar riscos.

Principais Insights

  • A Colômbia projeta crescimento do PIB de apenas 2,1% em 2026, exigindo alocação de capital mais seletiva e focada em projetos já estruturados.
  • Munir Jalil (BTG Pactual) é referência-chave para o capital institucional por sua análise das tensões fiscais e do impacto da possível transferência de fundos de pensão privados ao sistema público.
  • O Metrô de Medellín planeja desenvolver um centro comercial e 40 projetos imobiliários até 2050, aplicando o modelo de desenvolvimento orientado ao transporte (TOD).
  • O Grupo Ortiz consolida concessões ferroviárias e rodoviárias 5G que viabilizam o desenvolvimento imobiliário logístico e industrial em corredores estratégicos.
  • O caso Rawlins evidencia os riscos de concentrar decisões de investimento em perfis sem respaldo institucional robusto.

A Colômbia projeta um crescimento do PIB de 2,1% para 2026, segundo dados compilados pelo GRI Hub News, um ambiente macroeconômico restritivo que limita a margem fiscal para novas Parcerias Público-Privadas (PPPs) e obriga o mercado a priorizar a execução de obras de infraestrutura já comprometidas. Nesse contexto, identificar as pessoas e organizações que efetivamente tomam decisões de capital torna-se um exercício estratégico para qualquer investidor com exposição à região andina.

Este radar de mercado, elaborado pelo GRI Institute, mapeia os perfis que concentram influência sobre o fluxo de capital imobiliário e de infraestrutura na Colômbia durante 2026. A análise abrange desde a leitura macroeconômica que orienta os grandes fundos até a execução de megaprojetos logísticos e o desenvolvimento imobiliário associado ao transporte de massa.

Quem são os atores que definem o ciclo de investimento imobiliário na Colômbia em 2026?

O mercado colombiano atravessa uma fase em que as decisões de alocação de capital dependem de um número reduzido de atores com capacidade de estruturação e execução. Três perfis se destacam por sua posição em segmentos distintos, porém convergentes, do ciclo de investimento: a leitura macroeconômica institucional, a infraestrutura de transporte com vocação imobiliária e o capital europeu executando concessões de grande escala.

Munir Jalil: a bússola macro para o capital institucional

Munir Jalil atua como Economista-Chefe para a região andina no BTG Pactual, uma das plataformas de banco de investimento mais relevantes da América Latina. A partir dessa posição, Jalil analisa as tensões fiscais da Colômbia e a busca de liquidez do governo por meio de fundos de pensão, segundo reportagens da Bloomberg Línea e do Banco de Occidente publicadas em fevereiro de 2026.

Sua leitura é particularmente relevante em um momento em que o governo colombiano prepara um Projeto de Decreto de transferência de fundos de pensão, normativa desenhada para transferir poupanças de pensões privadas ao sistema público de aposentadoria com o objetivo de aliviar pressões de liquidez no curto prazo. Cabe destacar que a reforma previdenciária geral foi suspensa pela Corte Constitucional, o que mantém o decreto em fase de preparação e gera incerteza regulatória.

A análise de Munir Jalil sobre as tensões fiscais colombianas e o papel dos fundos de pensão constitui uma referência obrigatória para os gestores de capital institucional que avaliam exposição ao mercado andino em 2026. A eventual materialização de transferências de poupança privada ao sistema público poderia alterar a base de capital disponível para investimentos imobiliários de longo prazo, um fator que os participantes do mercado acompanham com atenção em fóruns setoriais como os organizados pelo GRI Institute para a região.

Tomás Elejalde: infraestrutura de transporte como plataforma imobiliária

Tomás Elejalde, gerente do Metrô de Medellín, lidera um modelo de integração entre infraestrutura de transporte e desenvolvimento imobiliário que posiciona a entidade como um ator direto do mercado de real estate na segunda cidade da Colômbia. Segundo informações divulgadas pela Cosmovision e pelo próprio Metrô de Medellín em fevereiro de 2026, Elejalde estrutura planos de expansão de longo prazo que transcendem a operação do sistema de transporte.

O Metrô de Medellín planeja desenvolver um centro comercial e 40 projetos imobiliários associados à sua infraestrutura de transporte até o ano de 2050, um pipeline de desenvolvimento que transforma a entidade em um dos maiores geradores de oportunidades de investimento imobiliário no país nas próximas décadas.

Este modelo de desenvolvimento orientado ao transporte (transit-oriented development, ou TOD) replica estratégias que geraram valor significativo em cidades asiáticas e europeias. No caso de Medellín, a convergência entre expansão do sistema de metrô e desenvolvimento imobiliário abre janelas para capital privado em segmentos como varejo, habitação e usos mistos em corredores de alta conectividade. A escala do programa, com 40 projetos previstos, sugere que as oportunidades de coinvestimento e estruturação público-privada serão um tema recorrente nas discussões do setor nos próximos anos.

Qual papel o capital europeu desempenha na infraestrutura colombiana?

Grupo Ortiz: concessões logísticas que viabilizam o desenvolvimento imobiliário

O Grupo Ortiz, empresa espanhola com operações em múltiplos países da América Latina, consolidou sua presença na infraestrutura logística colombiana por meio de contratos de grande porte. Segundo o elEconomista.es, em abril de 2025 o Grupo Ortiz conquistou o contrato para melhorar e operar a ferrovia de carga La Dorada–Chiriguaná na Colômbia, um corredor estratégico para a competitividade logística do país.

A presença do Grupo Ortiz na Colômbia se estende ao segmento de concessões rodoviárias de quinta geração (5G). De acordo com informações do BID Invest, publicadas em abril de 2024, a instituição multilateral forneceu financiamento para as concessões das rodovias 5G Autopista Magdalena Medio e Autopista del Río Grande, de propriedade da KMA Construcciones e do Grupo Ortiz.

A combinação de concessões ferroviárias e rodoviárias posiciona o Grupo Ortiz como um habilitador-chave do desenvolvimento imobiliário logístico e industrial em corredores estratégicos do interior colombiano. A melhoria da conectividade entre centros de produção e portos gera externalidades positivas diretas sobre o valor do solo e a demanda por parques industriais, galpões e centros de distribuição — segmentos que concentram interesse crescente entre investidores institucionais que participam de encontros do GRI Institute dedicados a infraestrutura e logística na América Latina.

O respaldo do BID Invest a essas concessões agrega uma camada adicional de validação creditícia que facilita a atração de capital privado complementar, tanto para a infraestrutura rodoviária quanto para os empreendimentos imobiliários adjacentes.

O caso José Miguel Rawlins: risco reputacional e lições para o mercado andino

José Miguel Rawlins, vinculado à Bicentenario Capital e com histórico em investimentos imobiliários no Chile, Colômbia e Peru, enfrenta um processo de liquidação forçada por inadimplência de dívidas, segundo informaram o GRI Hub News e o La Tercera em fevereiro de 2026. O procedimento tramita sob a Lei N° 20.720 do Chile, a Lei de Reorganização e Liquidação de Empresas e Pessoas, atualmente vigente.

O caso Rawlins ilustra os riscos associados à concentração de decisões de investimento em perfis individuais sem respaldo institucional robusto. Embora historicamente associado ao fluxo de capital andino, sua situação legal atual limita de maneira significativa sua capacidade de canalizar investimentos na região. Para os participantes do mercado imobiliário colombiano, o episódio ressalta a importância dos processos de due diligence sobre contrapartes e a preferência crescente por veículos de investimento institucionalizados.

Implicações para o ciclo de investimento colombiano

O panorama que emerge deste radar reflete um mercado colombiano onde a restrição fiscal e o crescimento moderado obrigam a uma alocação de capital mais seletiva. A Colômbia prioriza a execução de obras de infraestrutura existentes diante de um ambiente macroeconômico restritivo, o que concentra as oportunidades em ativos já estruturados e na captura de valor derivada de projetos de infraestrutura em andamento.

Os perfis mapeados nesta análise operam em segmentos complementares. A leitura macro de Munir Jalil no BTG Pactual orienta as decisões dos grandes alocadores de capital. A estratégia de Tomás Elejalde no Metrô de Medellín gera um pipeline de desenvolvimento imobiliário de longo prazo respaldado por infraestrutura pública. E o Grupo Ortiz executa as concessões logísticas que transformam a conectividade e, com ela, o valor dos ativos imobiliários industriais.

Para os membros do GRI Institute com interesse na Colômbia, a convergência desses fatores define um mapa de oportunidades onde a infraestrutura é o principal catalisador do valor imobiliário. A capacidade de identificar os atores corretos, e de avaliar sua solidez institucional, faz a diferença entre capturar valor e assumir riscos desnecessários em um mercado que exige precisão estratégica.

O GRI Institute reúne os principais líderes do setor imobiliário e de infraestrutura da América Latina em encontros exclusivos onde são discutidas as estratégias de investimento que definem o futuro da região.

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