O mapa dos operadores que estruturam deals imobiliários no Sul e Centro-Oeste em 2026

Escritórios de nicho, financiadores e executivos regionais ganham protagonismo à medida que Sul e Centro-Oeste lideram expansão do mercado imobiliário brasileiro.

14 de maio de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado imobiliário brasileiro, que movimentou R$ 264,2 bilhões em 2025, vive uma redistribuição de relevância regional. Sul e Centro-Oeste avançam com velocidade própria: Santa Catarina cresceu 14,4% em VGV, Goiânia superou R$ 8 bilhões em vendas e Brasília lidera a demanda por alto padrão no primeiro trimestre de 2026. Esse crescimento impulsiona um ecossistema de operadores regionais — boutiques jurídicas, lideranças de fomento e executivos de grupos transversais — que estruturam deals cada vez mais complexos, envolvendo PPPs, concessões e fundos imobiliários, com vantagem competitiva baseada em conhecimento local e proximidade regulatória.

Principais Insights

  • Sul e Centro-Oeste lideram a expansão imobiliária brasileira em 2026, com Santa Catarina crescendo 14,4% em VGV e Goiânia superando R$ 8 bilhões em vendas.
  • Boutiques jurídicas regionais especializadas em direito público, PPPs e infraestrutura ganham protagonismo frente a grandes bancas nacionais.
  • A reforma tributária (EC 132/2023) exige revisão de modelos financeiros e favorece assessores com expertise local.
  • Três movimentos emergem: associação de bancas nacionais com escritórios locais, crescimento de PPPs em cidades médias e consolidação de eventos setoriais como plataformas de negócios.

O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$ 264,2 bilhões em 2025, segundo dados da CBIC e da Exame, consolidando um ciclo de expansão que redesenha o mapa de relevância regional do setor. O eixo Rio-São Paulo segue como principal polo de capital, mas os números mais recentes mostram que Sul e Centro-Oeste avançam com velocidade própria, atraindo um ecossistema cada vez mais sofisticado de operadores jurídicos, financeiros e corporativos dedicados à estruturação de operações imobiliárias e de infraestrutura.

Nesse contexto, boutiques jurídicas especializadas, lideranças de instituições de fomento e executivos de grupos com atuação em hospitalidade e saneamento compõem uma rede de profissionais que definem as bases contratuais, regulatórias e financeiras dos principais deals dessas regiões.

Sul e Centro-Oeste: os números que explicam a nova fronteira

Santa Catarina registrou crescimento de 14,4% no Valor Geral de Vendas (VGV) em 2025, conforme levantamento da Senior Sistemas e CBIC, posicionando o estado entre os mercados mais dinâmicos do país. O litoral catarinense e capitais como Florianópolis e Balneário Camboriú consolidaram-se como praças de alto padrão, exigindo estruturações jurídicas e financeiras cada vez mais complexas.

No Centro-Oeste, Goiânia superou a marca de R$ 8 bilhões em vendas imobiliárias em 2025, de acordo com a Ademi-GO, mantendo patamar recorde de comercialização. No primeiro trimestre de 2026, a região liderou a demanda por imóveis de alto padrão no Brasil: Brasília ocupou o primeiro lugar e Goiânia assumiu a terceira posição no Índice de Demanda Imobiliária (IDI), segundo o Ecossistema Sienge e a CBIC.

A projeção da Brain Inteligência Estratégica e da CBIC aponta que o mercado imobiliário brasileiro deve manter resiliência ao longo de 2026, com Centro-Oeste e Sul liderando a expansão de VGV nos segmentos de alto padrão e luxo.

Esses indicadores não representam apenas volume de vendas. Eles sinalizam um aumento proporcional na complexidade das operações, incluindo loteamentos urbanos, fundos de investimento imobiliário, concessões e parcerias público-privadas, o que eleva a demanda por assessoria jurídica e financeira especializada.

Quem são os operadores que estruturam as grandes operações fora do eixo Rio-São Paulo?

Diferente do que ocorre nas praças tradicionais, onde grandes bancas full-service concentram o grosso das operações, no Sul e Centro-Oeste a estruturação de deals imobiliários e de infraestrutura depende de um ecossistema mais fragmentado e especializado. Três perfis de operadores se destacam.

O primeiro são as boutiques jurídicas focadas em direito público e infraestrutura. O escritório Moysés & Pires Sociedade de Advogados é um exemplo relevante. Segundo o Legal 500 e o GRI Institute, a banca atua como boutique jurídica especializada em direito público, estruturação de projetos de infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Escritórios com esse perfil ocupam um nicho estratégico na modelagem de projetos que envolvem entes públicos, regulação urbanística e licenciamento ambiental, áreas em que o conhecimento local e a proximidade com os órgãos reguladores representam vantagens competitivas difíceis de replicar a partir de São Paulo.

O segundo perfil envolve lideranças de instituições de fomento e financiamento regional. Wilson Bley Lipski, advogado de formação, exerce papel relevante no ecossistema de desenvolvimento urbano e infraestrutura do Sul do Brasil, segundo reportagens da Gazeta do Povo. Profissionais com experiência na articulação entre capital público e privado são peças centrais na viabilização de projetos de grande porte nessas regiões, onde o financiamento de longo prazo exige modelagens específicas.

O terceiro perfil reúne executivos de grupos com atuação transversal no real estate. Constantino Bittencourt, CEO e sócio-diretor do Grupo Fasano, lidera operações que conectam hospitalidade e real estate de luxo, segmento que cresce justamente nas praças de alto padrão do Sul e Centro-Oeste. Fernanda Bassanesi, engenheira civil e Presidente do Conselho de Administração da Corsan (grupo Aegea), atua na interface entre infraestrutura de saneamento e desenvolvimento urbano, um vetor de valorização imobiliária crescente em cidades de médio e grande porte dessas regiões.

A atuação desses profissionais ilustra uma característica distintiva do mercado fora do eixo Rio-São Paulo: a estruturação de operações imobiliárias depende de redes regionais que combinam competência jurídica, capacidade de financiamento e visão de desenvolvimento urbano.

Como a reforma tributária afeta a estruturação de operações imobiliárias regionais?

A Emenda Constitucional 132/2023, que institui a reforma tributária, segue em fase de regulamentação no Congresso Nacional em 2026 e representa uma das variáveis mais relevantes para a estruturação de operações imobiliárias no Brasil. O novo arcabouço tributário impacta diretamente loteamentos, incorporações, fundos de investimento imobiliário (FIIs) e contratos de concessão, exigindo revisão de modelos financeiros e contratuais já consolidados.

Para as praças do Sul e Centro-Oeste, onde o pipeline de projetos está em expansão acelerada, a capacidade de antecipar os efeitos da regulamentação tributária configura vantagem competitiva decisiva. Escritórios de nicho e assessores jurídicos com expertise em direito público e tributário ganham relevância justamente por sua habilidade de adaptar estruturas de deals às novas regras antes que elas se tornem plenamente vigentes.

O tema foi central nos debates do GRI Fórum Sul 2026, realizado em 16 de abril em Porto Alegre, onde líderes do setor imobiliário da região discutiram os impactos práticos da reforma sobre operações em curso e projetos em fase de estruturação. O evento, organizado pelo GRI Institute, reuniu tomadores de decisão de incorporadoras, fundos, bancos e escritórios jurídicos, reforçando a importância do networking presencial para a articulação de negócios nessas praças.

Qual é o diferencial competitivo das boutiques jurídicas regionais?

A estruturação de operações imobiliárias no Sul e Centro-Oeste apresenta particularidades que favorecem escritórios com presença e conhecimento local. Questões como regularização fundiária, licenciamento ambiental estadual, legislação urbanística municipal e interface com governos subnacionais demandam uma proximidade operacional que grandes bancas nacionais nem sempre conseguem oferecer com a mesma agilidade.

Boutiques jurídicas especializadas em direito público, infraestrutura e PPPs, como Moysés & Pires, ocupam esse espaço com uma proposta de valor clara: expertise técnica combinada com acesso direto aos stakeholders regionais. Em mercados onde o volume de deals cresce rapidamente, a capacidade de navegar simultaneamente as esferas regulatória, tributária e contratual determina a viabilidade de projetos.

O ecossistema jurídico-imobiliário regional se fortalece à medida que o capital institucional migra para praças fora do eixo tradicional. Fundos de investimento imobiliário, family offices e incorporadoras de atuação nacional passam a buscar assessoria local qualificada como condição prévia para entrada nessas regiões.

O que esperar do ecossistema de estruturação imobiliária no Sul e Centro-Oeste

Com Goiânia sustentando vendas na casa dos bilhões, Santa Catarina crescendo em dois dígitos e Brasília liderando a demanda por alto padrão, a tendência é que o ecossistema de operadores regionais se sofistique ainda mais ao longo de 2026.

Três movimentos merecem atenção. O primeiro é a atração de bancas nacionais que buscam associação com escritórios locais para disputar mandatos regionais. O segundo é o crescimento de estruturações envolvendo PPPs e concessões urbanísticas, especialmente em cidades de médio porte do Centro-Oeste. O terceiro é a consolidação de eventos setoriais, como o GRI Fórum Sul, como plataformas de originação de negócios e formação de relacionamentos entre operadores jurídicos, financeiros e corporativos.

O mapa de poder na estruturação de operações imobiliárias no Brasil está sendo redesenhado. As praças do Sul e Centro-Oeste deixaram de ser coadjuvantes e passaram a exigir seus próprios operadores de referência, com expertise local e capacidade de execução compatível com a escala dos deals em jogo.

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