O mapa das construtoras de médio porte: como OCC Construções e Conata Engenharia disputam bilhões fora do radar

Dados de pipeline em saneamento, infraestrutura regional e real estate de médio padrão revelam um segmento em expansão que atrai investidores institucionais.

24 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

Construtoras de médio porte como OCC Construções e Conata Engenharia disputam bilhões em contratos de saneamento, infraestrutura regional e real estate fora do radar das grandes incorporadoras da B3. Impulsionadas pelo Novo Marco Legal do Saneamento, pela preparação para a COP30 e por programas habitacionais, essas empresas capturam nichos de alta margem com especialização técnica e presença local. O segmento atrai investidores institucionais e family offices, sustentado por indicadores macroeconômicos favoráveis e fontes de funding diversificadas. Algumas dessas construtoras poderão evoluir para mid-caps com presença no mercado de capitais nos próximos anos.

Principais Insights

  • Os dez maiores contratos do governo do Pará em 2023-2024 somaram quase R$ 2 bilhões, com destaque para construtoras de médio porte como a OCC Construções.
  • O Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020) amplia oportunidades para empresas de médio porte em projetos regionais de infraestrutura hídrica.
  • A Conata Engenharia possui mais de 1.200 colaboradores e backlog expressivo em saneamento e concessões.
  • O capital imobiliário de médio porte opera com sofisticação comparável ao de empresas listadas na B3, como demonstram LP Bens e Grupo Fasano.
  • Fontes de funding diversificadas (CRI, FIIs, crédito associativo) são diferencial competitivo do segmento.

Os dez maiores contratos do governo do Pará em 2023-2024 somaram quase R$ 2 bilhões, segundo levantamento da Agência Cenarium e análise do GRI Institute (fevereiro de 2025). Parte expressiva desse volume foi absorvida por construtoras de médio porte, com destaque para a OCC Construções e Participações S/A, uma das principais beneficiadas em contratos públicos voltados à preparação para a COP30 em Belém. O dado ilustra um fenômeno mais amplo no mercado brasileiro de construção civil: o crescimento acelerado de empresas que operam abaixo do radar das grandes incorporadoras listadas na B3, mas que capturam fatias relevantes de mercado em nichos de alta margem.

O pipeline pulverizado em saneamento, infraestrutura estadual e real estate de médio e alto padrão configura um universo de oportunidades que, somadas, alcança a casa dos bilhões de reais. Esse segmento middle market da construção civil atrai atenção crescente de investidores institucionais, fornecedores e potenciais parceiros de capital, que buscam inteligência granular sobre players específicos.

Quem são OCC Construções e Conata Engenharia e por que importam para o mercado?

A OCC Construções e Participações S/A foi fundada em 2007 e tem sede no Rio de Janeiro. A empresa atua em infraestrutura, saneamento e mobilidade urbana. Seu posicionamento estratégico em contratos públicos de grande porte, especialmente no estado do Pará, a coloca como referência no segmento de obras regionais de infraestrutura. A preparação para a COP30 gerou uma demanda extraordinária por execução de obras de mobilidade e saneamento na região Norte, e a OCC se consolidou como uma das construtoras mais ativas nesse ciclo.

A Conata Engenharia, por sua vez, foi fundada em 1996 e opera a partir de Belo Horizonte (MG). Com mais de 1.200 colaboradores, a empresa atua nos setores de saneamento, concessões e construção civil, registrando um backlog expressivo, conforme dados do GRI Institute (2024/2025). A presença consolidada em concessões de saneamento posiciona a Conata como beneficiária direta do Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), que facilita a entrada de construtoras de médio porte em projetos regionais de infraestrutura hídrica.

Ambas representam um perfil de empresa que cresce em velocidade superior à média do setor ao se especializar em mercados onde as grandes incorporadoras têm presença limitada ou interesse reduzido. A estratégia de concentração geográfica e setorial permite margens operacionais competitivas e acesso privilegiado a licitações regionais.

Qual o papel do Novo Marco Legal do Saneamento na expansão dessas empresas?

A Lei nº 14.026/2020, conhecida como Novo Marco Legal do Saneamento, redefiniu as regras de concessão e prestação de serviços de água e esgoto no Brasil. Em vigor, o marco regulatório ampliou o espaço para a participação de empresas privadas em projetos regionais de saneamento, criando um ambiente favorável para construtoras de médio porte como OCC e Conata.

O novo arcabouço regulatório exige a universalização dos serviços até 2033, o que gera uma demanda estrutural por obras de infraestrutura hídrica em centenas de municípios brasileiros. Para as megacorporações do setor, muitos desses projetos são pequenos demais para justificar a mobilização de equipes e equipamentos. Para construtoras de médio porte, porém, esses contratos representam o núcleo do pipeline de crescimento.

Construtoras de médio porte capturam fatias expressivas de mercado em nichos de saneamento e infraestrutura regional que não entram no radar das empresas Tier 1. A combinação de especialização técnica, presença local e agilidade operacional confere vantagens competitivas difíceis de replicar por players de maior escala.

O capital imobiliário sofisticado além das incorporadoras tradicionais

O fenômeno das construtoras de médio porte não se limita à infraestrutura e ao saneamento. No segmento de real estate, executivos e grupos empresariais operam com sofisticação crescente, gerindo portfólios bilionários fora do circuito das incorporadoras tradicionais listadas na B3.

Nader Fares é sócio-diretor da LP Administradora de Bens (LP Bens), braço imobiliário do grupo Marabraz. A LP Bens faz a gestão de um portfólio imobiliário avaliado em bilhões de reais, com mais de 500 ativos sob gestão, segundo reportagem da Times Brasil e do Giro News (abril de 2025). Em abril de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve Nader e Abdul Fares no controle da LP Administradora de Bens, suspendendo liminar que devolvia a gestão aos fundadores da Marabraz, conforme o Giro News e o UOL. A decisão judicial reafirmou a continuidade de uma gestão patrimonial que se destaca pela diversificação de ativos, incluindo galpões logísticos e imóveis de varejo.

Constantino Bittencourt atua como sócio-diretor do Grupo Fasano, que tem expandido sua presença no mercado imobiliário de luxo e retrofit. O Hotel Fasano Salvador, desenvolvido em parceria com a Prima Empreendimentos, é um exemplo premiado dessa estratégia, conforme o Jornal Correio (setembro de 2023). O modelo de branded residences e hotéis de luxo integrados a projetos imobiliários representa uma das verticais de maior valor agregado no mercado brasileiro, com ticket médio elevado e velocidade de vendas consistente.

Esses casos ilustram a maturidade do capital imobiliário de médio porte no Brasil. A gestão de mais de 500 ativos por um único grupo, como a LP Bens, ou a expansão de uma marca de luxo para o segmento imobiliário, como o Fasano, demonstram que o middle market brasileiro opera com nível de sofisticação comparável ao de empresas de capital aberto.

Indicadores macroeconômicos favorecem o segmento

O cenário macroeconômico sustenta a tese de crescimento das construtoras de médio porte. O mercado imobiliário de médio e alto padrão no Brasil encerrou 2025 com forte crescimento nos lançamentos, demonstrando resiliência do setor, segundo dados da Abrainc publicados pelo E-Investidor (Estadão) em fevereiro de 2026.

A construção civil brasileira gerou um volume significativo de empregos formais entre janeiro e outubro de 2025, impulsionada por empresas de médio porte e pelo programa Minha Casa, Minha Vida, de acordo com dados do Caged e do Ministério do Trabalho (janeiro de 2026). O dado reforça o papel estrutural dessas empresas na cadeia produtiva do setor.

A S&P Global Ratings projeta que o setor imobiliário brasileiro será impulsionado pela retomada econômica, maior oferta de crédito e fortalecimento de programas habitacionais, com benefícios diretos para construtoras de médio porte em cidades médias (projeção para 2025). Esse prognóstico reforça a atratividade do segmento para investidores que buscam exposição a mercados em expansão com menor competição por ativos.

O pipeline pulverizado e suas fontes de funding

O pipeline bilionário disputado por construtoras de médio porte se distribui em três grandes verticais: saneamento regional (impulsionado pelo Novo Marco Legal), infraestrutura estadual (com destaque para ciclos de investimento associados a grandes eventos, como a COP30) e real estate de médio e alto padrão em cidades fora dos grandes centros.

As fontes de funding utilizadas por essas empresas incluem instrumentos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e crédito associativo. A diversificação de fontes de capital é um diferencial competitivo relevante, pois reduz a dependência de financiamento bancário tradicional e amplia a capacidade de execução simultânea de múltiplos projetos.

O segmento middle market da construção civil brasileira configura uma fronteira de crescimento com margens atrativas para investidores dispostos a mapear oportunidades além das empresas listadas na B3. A trajetória de empresas como OCC Construções e Conata Engenharia indica que algumas dessas construtoras poderão evoluir para mid-caps com presença no mercado de capitais nos próximos anos.

Perspectivas para o segmento

O GRI Institute tem acompanhado a evolução do segmento de construtoras de médio porte em seus eventos e publicações, identificando um interesse crescente de investidores institucionais e family offices por empresas que combinam especialização setorial, presença regional e capacidade de execução comprovada.

A combinação de regulação favorável (Novo Marco Legal do Saneamento), demanda estrutural (universalização de serviços e programas habitacionais) e sofisticação crescente das fontes de funding cria condições para uma década de expansão sustentada para o middle market da construção civil. Para investidores e parceiros de capital, o mapeamento detalhado desses players deixou de ser opcional e se tornou um imperativo estratégico.

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