
Murilo Marchesini e a nova geração de originadores que redefinem o acesso a capital no mercado imobiliário brasileiro
Executivos como Marchesini e Pedro Suplicy operam fora do circuito tradicional, conectando landbank, pipeline e capital institucional em um cenário de 3 milhões de investidores em FIIs e reforma tributária em curso.
Resumo Executivo
Principais Insights
- Uma nova geração de originadores, como Murilo Marchesini e Pedro Suplicy, atua na interseção entre desenvolvimento imobiliário, mercado de capitais e gestão de risco.
- O mercado de FIIs atingiu 3,076 milhões de investidores e R$ 200 bilhões em estoque, exigindo pipelines estruturados e originação sofisticada.
- A reforma tributária (LC 214/2025) cria um período de dupla convivência fiscal até 2033, premiando quem domina modelagem financeira complexa.
- Plataformas como o GRI Institute funcionam como infraestrutura de relacionamento institucional, substituindo o modelo transacional clássico pela originação baseada em recorrência.
O mercado imobiliário brasileiro atravessa um ciclo de maturação acelerada. Com um recorde histórico de 453.005 unidades residenciais lançadas em 2025, alta de 10,6% sobre o ano anterior, e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões, segundo dados da CBIC, o setor opera em escala que exige sofisticação proporcional na originação e estruturação de ativos. Nesse contexto, uma nova geração de executivos vem ocupando posições estratégicas na cadeia de valor, atuando como conectores entre desenvolvimento imobiliário, mercado de capitais e gestão de risco.
Dois nomes ilustram essa tendência com clareza. Murilo Marchesini, CEO da Verticale Desenvolvimento Imobiliário e fundador da Finamob, construiu uma plataforma especializada em acessar o mercado de capitais para financiamento de construtoras. Pedro Suplicy, sócio e head de infraestrutura, construção e real estate na Gallagher Brasil, atua na estruturação de riscos e seguros para operações de grande porte. Ambos representam um perfil de dealmaker que opera na interseção entre disciplinas antes tratadas como silos, e que encontra no ecossistema do GRI Institute um ponto de convergência natural para articular negócios.
Quem são os originadores de nova geração e por que eles importam agora?
A originação de ativos imobiliários no Brasil foi, durante décadas, uma atividade concentrada em poucos núcleos: grandes incorporadoras com acesso direto a bancos comerciais, gestoras de fundos imobiliários com mandatos definidos e family offices com apetite por participações diretas. Esse modelo funcionou enquanto o mercado operava em volumes menores e com instrumentos financeiros menos diversificados.
O cenário de 2026 é fundamentalmente diferente. O mercado de Fundos de Investimento Imobiliário na B3 atingiu 3,076 milhões de investidores e um estoque de R$ 200 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados da B3. Essa base ampliada de capital institucional e varejo qualificado demanda pipelines estruturados, diligência robusta e, sobretudo, profissionais capazes de traduzir oportunidades de desenvolvimento em teses de investimento que o mercado de capitais consiga precificar.
A sofisticação do capital disponível exige sofisticação equivalente na ponta da originação. Executivos como Murilo Marchesini ocupam exatamente esse espaço. A Finamob, negócio por ele fundado, nasceu da percepção de que construtoras de médio porte enfrentam uma barreira estrutural de acesso ao mercado de capitais. O modelo tradicional de financiamento bancário, embora funcional, limita a velocidade de crescimento e a diversificação de fontes de funding. A Finamob atua como ponte, estruturando operações que permitem a essas empresas captar recursos via instrumentos de dívida e equity no mercado de capitais.
Na outra ponta da cadeia, Pedro Suplicy representa a crescente importância da gestão de risco como componente intrínseco da originação. A atuação da Gallagher Brasil em infraestrutura, construção e real estate reflete uma tendência global: projetos de maior complexidade e escala exigem que a engenharia de seguros e a mitigação de riscos façam parte da tese de investimento desde o primeiro dia, e não como camada adicionada a posteriori.
A nova geração de originadores se distingue pela capacidade de operar simultaneamente em múltiplas linguagens: a do desenvolvedor, a do investidor institucional e a do gestor de risco.
Como a reforma tributária altera a lógica de estruturação de ativos imobiliários?
A Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta a reforma tributária para o setor imobiliário, introduz mudanças que afetam diretamente a forma como ativos são originados, estruturados e precificados. A criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), em substituição progressiva a PIS, COFINS, ICMS e ISS, altera a carga tributária efetiva de operações de incorporação, locação e cessão de direitos imobiliários.
A transição será progressiva, com a substituição integral dos tributos atuais prevista para conclusão em 2033, segundo análises do Imobi Report. Esse horizonte de sete anos cria um período de dupla convivência tributária que exige modelagem financeira mais sofisticada para cada novo projeto. Originadores que dominam essa complexidade possuem vantagem competitiva relevante.
Outro elemento introduzido pela LC 214/2025 é o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), identificador único obrigatório para operações imobiliárias. O CIB representa um avanço significativo na formalização e rastreabilidade do mercado. Para originadores de ativos, a padronização cadastral facilita a diligência e reduz custos de transação, especialmente em operações que envolvem múltiplos imóveis ou portfólios.
O novo regime tributário premia a sofisticação na estruturação e penaliza abordagens simplificadas que não incorporem a transição fiscal à modelagem de retorno dos projetos.
Nesse ambiente, profissionais como Marchesini, cuja atuação já se situa na fronteira entre desenvolvimento e mercado de capitais, estão posicionados para capturar oportunidades que originadores tradicionais podem não conseguir precificar com a mesma agilidade. A capacidade de modelar cenários tributários distintos ao longo do ciclo de vida de um empreendimento se torna um diferencial competitivo tangível.
Qual o papel das plataformas de relacionamento institucional na formação de deals?
A originação de ativos imobiliários de alta complexidade depende, em grande medida, de confiança interpessoal e acesso qualificado a contrapartes. Em mercados maduros, esse acesso é intermediado por plataformas institucionais que reúnem tomadores de decisão em ambientes de discussão estratégica.
O GRI Institute cumpre essa função no mercado imobiliário e de infraestrutura. Com membros globais que somam cerca de US$ 10 trilhões em ativos sob gestão, a instituição funciona como espaço onde capital global encontra oportunidades locais, e onde originadores brasileiros podem apresentar pipelines a investidores institucionais com mandatos ativos para a América Latina.
A presença recorrente de executivos como Marchesini e Suplicy nos encontros promovidos pelo GRI Institute evidencia um padrão: a nova geração de dealmakers utiliza essas plataformas como infraestrutura de relacionamento, complementando redes pessoais com acesso institucionalizado a capital e a oportunidades de co-investimento.
Esse modelo de originação baseado em comunidade difere substancialmente do modelo transacional clássico. Enquanto o intermediário tradicional busca o fee de uma transação específica, o originador de nova geração cultiva relacionamentos de longo prazo que geram múltiplos deals ao longo do tempo. A recorrência substitui a transacionalidade como motor de geração de valor.
O horizonte de 2026 e além
O mercado imobiliário brasileiro entra em 2026 com fundamentos robustos, mas com complexidade crescente. A base ampliada de investidores em FIIs, o novo regime tributário em fase de transição e a demanda por pipelines estruturados de alta qualidade criam condições favoráveis para originadores que combinam conhecimento técnico, acesso a capital e capacidade de navegar ambientes regulatórios em transformação.
Executivos como Murilo Marchesini e Pedro Suplicy representam a vanguarda de um movimento que tende a se intensificar nos próximos anos. A profissionalização da originação de ativos, antes concentrada em departamentos internos de grandes incorporadoras e gestoras, migra progressivamente para plataformas especializadas e para profissionais que operam na interseção entre disciplinas.
Para o ecossistema do GRI Institute, essa tendência reforça a relevância de espaços de discussão que vão além do networking convencional. A pesquisa proprietária, os encontros setoriais e a inteligência de mercado produzida pela instituição fornecem o substrato informacional que esses originadores utilizam para calibrar suas teses e acessar contrapartes qualificadas.
O ciclo atual do mercado imobiliário brasileiro favorece quem combina visão estratégica, domínio técnico e capital relacional. A nova geração de originadores compreendeu essa equação e já opera segundo seus termos.