O mapa das boutiques jurídicas que disputam a estruturação de operações imobiliárias no Brasil em 2026

Moysés e Pires, Amatuzzi Advogados e outras firmas de nova geração ampliam presença em um mercado que movimentou R$ 264,2 bilhões em VGV no último ano.

15 de maio de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado imobiliário brasileiro, que movimentou R$ 264,2 bilhões em VGV em 2025, vive uma crescente demanda por assessoria jurídica especializada em estruturação de operações. Boutiques de nova geração, como Moysés e Pires e Amatuzzi Advogados, consolidam posições estratégicas ao oferecer especialização vertical em nichos como PPPs, FIIs e operações transacionais, competindo com grandes bancas generalistas. A regulamentação da Reforma Tributária, a expansão da base de FIIs para até 3,5 milhões de cotistas e a descentralização geográfica do desenvolvimento imobiliário para além do eixo Rio-São Paulo sustentam o crescimento dessas firmas no segundo semestre de 2026.

Principais Insights

  • O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$ 264,2 bilhões em VGV em 2025, impulsionando a demanda por assessoria jurídica especializada.
  • Boutiques jurídicas de nova geração, como Moysés e Pires e Amatuzzi Advogados, ganham espaço frente a grandes bancas full-service pela especialização vertical.
  • A regulamentação da Reforma Tributária (EC 132/2023) exige revisão profunda de estruturas em loteamentos, incorporações e FIIs.
  • A base de cotistas de FIIs deve alcançar 3,5 milhões de investidores, ampliando a demanda por estruturação jurídica.
  • A descentralização geográfica do deal flow para Sul e Centro-Oeste favorece escritórios com atuação regional.

O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$ 264,2 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em 2025, segundo dados da CBIC e da Exame (via GRI Hub). Esse volume recorde ampliou a complexidade das operações e, com ela, a demanda por assessoria jurídica especializada em estruturação. É nesse ambiente que boutiques jurídicas de nova geração, como Moysés e Pires e Amatuzzi Advogados, consolidam posições estratégicas frente às grandes bancas full-service.

A dinâmica do setor em 2026 favorece escritórios com especialização vertical. O estoque de imóveis novos no Brasil recuou 4,1% em 12 meses, totalizando cerca de 290 mil unidades, o equivalente a 8,2 meses de vendas no ritmo atual, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Essa contração do estoque pressiona incorporadores a lançar novos projetos e, consequentemente, a buscar assessoria jurídica capaz de estruturar operações em prazos mais curtos e com maior sofisticação regulatória.

Quem são as boutiques jurídicas de nova geração no setor imobiliário?

O conceito de boutique jurídica de nova geração designa escritórios que operam fora do modelo tradicional das grandes bancas, com foco em nichos setoriais de alta complexidade. Em vez de oferecer cobertura ampla, essas firmas concentram suas equipes em segmentos específicos da cadeia de valor imobiliária, como parcerias público-privadas (PPPs), concessões, fundos de investimento imobiliário (FIIs) e operações de loteamento urbano.

Moysés e Pires se posiciona como uma dessas firmas com forte atuação em infraestrutura e PPPs, áreas que ganharam protagonismo com a descentralização do desenvolvimento imobiliário para regiões como Sul e Centro-Oeste. A firma atua na interseção entre capital público e privado, estruturando operações que envolvem múltiplos stakeholders e exigem domínio regulatório aprofundado.

Amatuzzi Advogados, por sua vez, concentra sua atuação no setor transacional, logístico e residencial. O perfil complementar das duas firmas ilustra a segmentação crescente do mercado de assessoria jurídica imobiliária. Enquanto as grandes bancas competem por mandatos de fusões e aquisições de grande porte, as boutiques capturam operações de middle market que exigem proximidade com o tomador de decisão e conhecimento setorial granular.

A tendência é clara: o mercado de estruturação jurídica imobiliária se fragmenta em direção à especialização. Escritórios que dominam a regulação de FIIs, a modelagem de concessões ou a tributação de incorporações oferecem vantagem competitiva que grandes bancas generalistas encontram dificuldade para replicar.

Por que a Reforma Tributária redefine a atuação dessas firmas?

A Emenda Constitucional 132/2023, que reformou o Sistema Tributário Nacional, encontra-se em fase de regulamentação no Congresso Nacional em 2026. Seu impacto sobre o setor imobiliário é estrutural. Loteamentos, incorporações, FIIs e contratos de concessão precisam de revisão profunda em seus modelos financeiros para se adequar às novas regras.

Essa exigência regulatória representa uma oportunidade significativa para boutiques jurídicas especializadas. A revisão de estruturas tributárias em operações imobiliárias requer conhecimento técnico que combina direito tributário, direito imobiliário e engenharia financeira. Firmas como Moysés e Pires e Amatuzzi Advogados, que já operam na fronteira entre assessoria jurídica e estruturação financeira, estão posicionadas para capturar essa demanda.

A regulamentação da Reforma Tributária constitui o maior vetor de transformação para a assessoria jurídica imobiliária no Brasil desde a criação do marco legal dos FIIs. Cada operação estruturada antes da nova regulamentação precisará ser reavaliada, e cada novo projeto demandará modelagem sob parâmetros tributários ainda em definição.

Para os líderes do setor que participam dos encontros do GRI Institute, a adaptação às novas regras tributárias figura entre os temas prioritários de discussão em 2026. A complexidade regulatória amplia a relevância de assessores jurídicos que combinam profundidade técnica com agilidade operacional.

O ecossistema de deal flow e seus protagonistas

A estruturação de operações imobiliárias no Brasil envolve uma cadeia de decisores que vai além dos escritórios de advocacia. Executivos que articulam capital, ativos e regulação são peças centrais do ecossistema que alimenta o deal flow dessas boutiques.

Constantino Bittencourt, sócio-diretor do Grupo Fasano/JHSF, atua na intersecção entre hospitalidade e real estate de luxo, um segmento que demanda estruturação jurídica sofisticada em função da complexidade dos ativos, dos contratos de gestão e dos veículos de investimento envolvidos. Operações nesse nicho frequentemente combinam elementos de incorporação, hotelaria e fundos imobiliários, exigindo assessoria multidisciplinar.

O setor imobiliário brasileiro deve crescer cerca de 2% em 2026, superando a estimativa de crescimento do PIB nacional, projetado entre 1,6% e 1,8%, conforme a CBIC. Esse diferencial de crescimento sustenta o fluxo de novas operações e reforça a tese de que o deal flow imobiliário continuará a se expandir, beneficiando diretamente os escritórios especializados em estruturação.

A expansão dos FIIs como motor de demanda jurídica

A base de investidores em Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) no Brasil deve crescer com a entrada de mais de 400 mil novos cotistas, alcançando entre 3,4 e 3,5 milhões de investidores, segundo projeção do Santander Brasil de março de 2026. Esse crescimento da base de cotistas impulsiona a emissão de novas cotas, a criação de novos fundos e a estruturação de operações de aquisição de ativos por FIIs existentes.

Cada nova emissão de cotas ou aquisição de ativo por um FII demanda trabalho jurídico especializado que abrange due diligence imobiliária, análise de compliance regulatório junto à CVM, estruturação tributária e redação de documentos de oferta. A multiplicação dos FIIs como veículo de investimento representa, portanto, um dos principais motores de demanda por boutiques jurídicas especializadas no setor imobiliário.

O crescimento da base de cotistas de FIIs configura uma transformação estrutural no mercado de capitais imobiliário brasileiro. A escala de 3,5 milhões de investidores exige um ecossistema jurídico capaz de sustentar emissões mais frequentes, estruturas mais complexas e padrões de governança mais elevados.

Boutiques como Moysés e Pires e Amatuzzi Advogados atuam justamente nesse segmento, onde a especialização setorial permite oferecer tempos de resposta mais curtos e maior alinhamento com as necessidades específicas de gestoras de FIIs e incorporadoras.

Descentralização geográfica e novas fronteiras de atuação

O mercado imobiliário de 2026 apresenta uma forte descentralização. Sul e Centro-Oeste ganham protagonismo na estruturação de operações complexas, incluindo PPPs, concessões e FIIs regionais. Essa dispersão geográfica do deal flow favorece escritórios com presença ou capacidade de atuação fora do eixo Rio-São Paulo.

A descentralização do desenvolvimento urbano brasileiro abre espaço para boutiques jurídicas que conhecem as particularidades regulatórias e os stakeholders de cada região. PPPs municipais, concessões de serviços urbanos e projetos de loteamento em cidades médias exigem assessoria com enraizamento local, uma vantagem competitiva natural para firmas de menor porte com foco regional.

Para os membros do GRI Institute que atuam em desenvolvimento urbano e infraestrutura, essa descentralização representa tanto oportunidade quanto desafio. A necessidade de assessoria jurídica adaptada a diferentes marcos regulatórios estaduais e municipais reforça a relevância de escritórios especializados que entendem as nuances de cada mercado.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

O cenário para as boutiques jurídicas de nova geração no setor imobiliário brasileiro permanece favorável. A combinação de crescimento setorial acima do PIB, expansão da base de FIIs, regulamentação da Reforma Tributária e descentralização geográfica do deal flow sustenta a demanda por assessoria jurídica especializada.

O desafio para firmas como Moysés e Pires e Amatuzzi Advogados será escalar suas operações sem perder a profundidade técnica que as diferencia. Em um mercado de R$ 264,2 bilhões em VGV, o espaço para escritórios que combinam especialização setorial com capacidade de execução ágil tende a se expandir nos próximos trimestres.

O GRI Institute continuará acompanhando a evolução desse ecossistema, conectando líderes do setor imobiliário e de infraestrutura em discussões sobre as transformações regulatórias e de mercado que definem o ambiente de negócios em 2026.

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