Maxime Barkatz e a geração de executivos estrangeiros que redesenham a originação de capital europeu no real estate brasileiro

Com R$ 750 milhões em ativos e 145 mil m² requalificados, a Ilion Partners exemplifica o novo modelo de alocação europeia em regeneração urbana no Brasil

7 de agosto de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa como executivos europeus radicados no Brasil — Maxime Barkatz (Ilion Partners), Darius Alamouti (Kactus Capital) e Alan Zelazo — estão substituindo o modelo tradicional de intermediação bancária por uma arquitetura de originação baseada em relacionamento direto, governança local e teses de investimento consolidadas em mercados maduros, como o retrofit urbano. O Brasil recebeu US$ 77 bilhões em IED em 2025 e seu mercado imobiliário, avaliado em US$ 128,6 bilhões, projeta crescimento até US$ 160,6 bilhões em 2034. O desconto cambial, o marco regulatório modernizado e a ausência de restrições a imóveis urbanos criam um corredor atrativo para capital europeu cross-border.

Principais Insights

  • Uma nova geração de executivos europeus, como Maxime Barkatz (Ilion Partners), Darius Alamouti (Kactus Capital) e Alan Zelazo, redesenha a originação de capital europeu no real estate brasileiro com teses proprietárias e operação local permanente.
  • A Ilion Partners acumula R$ 750 milhões em GAV e 145 mil m² requalificados em retrofit urbano em São Paulo.
  • O desconto cambial de 30% a 50% frente a mercados como Miami e Lisboa torna ativos brasileiros altamente atrativos para capital em euro ou libra.
  • O Marco Legal do Câmbio simplificou repatriação de capital e remessa de lucros, favorecendo o investidor estrangeiro em ativos urbanos.
  • O mercado imobiliário brasileiro deve alcançar US$ 160,6 bilhões até 2034.

O mercado imobiliário brasileiro atravessa um ciclo de maturação que transcende a lógica tradicional de captação de capital estrangeiro. Executivos como Maxime Barkatz, fundador da Ilion Partners, Darius Alamouti, presente na governança da Kactus Capital, e Alan Zelazo, referência em infraestrutura e energia, compõem uma geração de dealmakers cross-border que opera na interseção entre capital europeu e oportunidades estruturais no Brasil. Essa geração traz consigo uma abordagem distinta: em vez de alocar capital de forma oportunista em ciclos curtos, constrói operações permanentes no país, com teses de investimento próprias e governança local.

O contexto macroeconômico sustenta essa movimentação. O Brasil recebeu US$ 77 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2025, consolidando-se como o terceiro principal destino global de IED, segundo dados do Banco Central do Brasil e da OCDE. Apenas no mês de junho de 2026, o fluxo de IED registrou aumento de US$ 9,07 bilhões, conforme o Banco Central e o Trading Economics. O mercado imobiliário brasileiro, avaliado em US$ 128,6 bilhões em 2025 pelo IMARC Group, projeta alcançar US$ 160,6 bilhões até 2034, com taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 2,50% no período 2026-2034.

Esses números traduzem uma realidade que investidores europeus identificaram com precisão: o desconto cambial efetivo de 30% a 50% frente a mercados como Miami e Lisboa torna ativos brasileiros particularmente atrativos para capital denominado em euro ou libra esterlina. A questão central, porém, deixou de ser "por que investir no Brasil" para se tornar "como estruturar a alocação com governança adequada e tese proprietária".

Quem é Maxime Barkatz e qual o modelo da Ilion Partners no retrofit urbano em São Paulo?

Maxime Barkatz construiu sua trajetória no cruzamento entre finanças internacionais e desenvolvimento urbano. Sua gestora, a Ilion Partners, concentra-se em retrofit e regeneração urbana em São Paulo, com um portfólio que soma R$ 750 milhões em Gross Asset Value (GAV) e 145.000 m² requalificados, segundo dados da própria gestora. O modelo de atuação da Ilion se diferencia de incorporadoras tradicionais ao focar na requalificação de edifícios existentes, inserindo-os em novas dinâmicas de uso e valorização.

Essa abordagem dialoga diretamente com tendências globais de investimento urbano sustentável. Regeneração urbana é uma tese consolidada em capitais europeias como Londres, Paris e Berlim, onde o estoque de edifícios antigos representa oportunidade de geração de valor com impacto ambiental reduzido frente a novas construções. Barkatz transpõe essa lógica para São Paulo, cidade com estoque significativo de edifícios subutilizados em regiões centrais e com infraestrutura urbana já instalada.

O posicionamento da Ilion Partners revela uma sofisticação na originação de capital que merece atenção. A gestora atua como ponte entre investidores europeus familiarizados com teses de regeneração e um mercado brasileiro que oferece spreads superiores aos encontrados na Europa. Trata-se de um modelo de alocação temática, em que o capital estrangeiro encontra no Brasil uma versão mais rentável de estratégias que já conhece em seus mercados de origem.

A projeção de valorização de apartamentos compactos e estúdios entre 8% e 10% até o final de 2026, conforme a Quadragon Incorporadora, reforça a atratividade de produtos imobiliários urbanos compactos, segmento com forte intersecção com projetos de retrofit que convertem edifícios antigos em unidades residenciais ou de uso misto.

Como executivos como Darius Alamouti e Alan Zelazo complementam o ecossistema de capital cross-border?

A presença de Maxime Barkatz no mercado brasileiro ganha densidade quando analisada ao lado de outros executivos estrangeiros que operam na mesma fronteira. Darius Alamouti, investidor britânico presente na governança da Kactus Capital, lidera uma plataforma com mais de R$ 900 milhões sob gestão, segundo dados da própria gestora. O foco da Kactus na internacionalização de projetos brasileiros representa o vetor complementar à atuação de Barkatz: enquanto a Ilion Partners importa capital europeu para ativos brasileiros, a Kactus estrutura a projeção internacional de oportunidades originadas localmente.

Alan Zelazo, por sua vez, atua como referência na conexão entre capital europeu e os setores de energia e infraestrutura no Brasil. Juntos, esses executivos formam uma rede informal de originação que opera fora dos canais tradicionais de grandes bancos de investimento e consultorias internacionais. Essa rede conecta diretamente family offices, gestoras especializadas e investidores institucionais europeus a oportunidades que exigem conhecimento granular do mercado brasileiro.

A atuação desses dealmakers responde a uma demanda estrutural do mercado. Investidores europeus que desejam exposição ao real estate brasileiro enfrentam barreiras de informação, governança e estruturação que não se resolvem com relatórios macroeconômicos genéricos. A presença de executivos com dupla fluência, tanto no ecossistema financeiro europeu quanto na operação imobiliária brasileira, reduz significativamente o custo de transação e o risco percebido da alocação.

O ambiente regulatório favorece ou restringe o capital europeu no real estate brasileiro?

A segurança jurídica para investidores estrangeiros ganhou contornos mais definidos em 2026. Em abril, o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade, no julgamento da ADPF 342 e da ACO 2.463, manter as restrições da Lei nº 5.709/1971 à aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. Essa decisão, embora limite o acesso a ativos rurais, consolida um ambiente de previsibilidade jurídica que o mercado avalia positivamente.

Para executivos como Barkatz, Alamouti e Zelazo, cujas operações se concentram em ativos urbanos e comerciais, a decisão do STF tem efeito prático delimitado, já que imóveis urbanos não estão sujeitos às mesmas restrições. O foco do capital europeu em segmentos como retrofit, logística urbana, escritórios e residencial compacto encontra um marco regulatório funcional.

O Marco Legal do Câmbio, instituído pela Lei nº 14.286/2021 e regulamentado pela Resolução BCB nº 278/2022, modernizou o registro de Investimento Estrangeiro Direto (RDE-IED) no Banco Central. Essa legislação simplifica procedimentos de repatriação de capital e remessa de lucros, dois pontos historicamente sensíveis para investidores europeus no setor imobiliário brasileiro. A combinação entre câmbio favorável, marco cambial modernizado e restrições limitadas ao segmento urbano cria um corredor regulatório atrativo para a alocação cross-border.

Uma nova arquitetura de originação

A geração representada por Maxime Barkatz, Darius Alamouti e Alan Zelazo redesenha a forma como capital europeu encontra destino no real estate brasileiro. Essa geração substitui o modelo clássico de intermediação bancária por uma arquitetura de originação baseada em relacionamento direto, tese proprietária e operação local permanente.

O volume de IED projetado para o Brasil em 2026, estimado em US$ 70 bilhões pela Cushman & Wakefield, sinaliza que o fluxo de capital estrangeiro permanece robusto. A parcela destinada ao setor imobiliário depende, em grande medida, da capacidade de executivos-ponte como Barkatz de traduzir oportunidades brasileiras em linguagem que ressoe com mandatos europeus.

Esses executivos representam um ativo estratégico para o ecossistema imobiliário brasileiro. Sua presença no país atrai capital qualificado, eleva padrões de governança e introduz teses de investimento testadas em mercados maduros. O GRI Institute acompanha de perto essa dinâmica por meio de sua comunidade global de líderes em real estate e infraestrutura. Eventos como o Brazil GRI 2026, agendado para 28 e 29 de outubro em São Paulo, funcionam como plataforma de conexão entre esses dealmakers cross-border e o ecossistema de decisores do mercado brasileiro, incluindo desenvolvedores, investidores institucionais e gestoras de FIIs.

A pergunta que se impõe ao mercado é direta: o Brasil está preparado para absorver, de forma estruturada e recorrente, o capital que essa nova geração de executivos europeus é capaz de originar? A resposta dependerá da capacidade do ecossistema local de oferecer pipeline, governança e escala compatíveis com a sofisticação do capital que bate à porta.

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