Maressa Vilela e a geração de executivas que redesenham a originação de deals no real estate brasileiro

Com 41% da força de trabalho feminina no setor e apenas até 30% no C-Level, a sofisticação da governança depende de corrigir essa assimetria estrutural

20 de agosto de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O artigo analisa a assimetria entre a crescente participação feminina no mercado imobiliário brasileiro (41% da força de trabalho, alta de 144% na década) e sua sub-representação na alta liderança (11% a 30% no C-Level). Em um ciclo marcado por complexidade regulatória — Reforma Tributária, Marco Legal das Garantias e PL 3108/2026 — e captação recorde de FIIs, o setor demanda perfis de liderança híbridos e diversos. Maressa Vilela é destacada como exemplo dessa geração de executivas que transita entre originação de deals, governança corporativa e articulação intersetorial (agro, real estate e infraestrutura), representando competências essenciais que o mercado precisa escalar para sustentar seu crescimento.

Principais Insights

  • Mulheres representam 41% da força de trabalho imobiliária, mas apenas 11% a 30% ocupam cargos C-Level, configurando um gargalo estrutural.
  • FIIs registraram captação recorde no 1º trimestre de 2026, com projeção de R$ 40 bilhões anuais.
  • Reforma Tributária, Marco Legal das Garantias e PL 3108/2026 exigem lideranças com perfil híbrido e governança sofisticada.
  • Executivas como Maressa Vilela exemplificam o perfil que integra originação de deals, governança e articulação intersetorial.
  • A sub-representação feminina no topo limita o repertório de competências do setor.

A assimetria que define o próximo ciclo do real estate brasileiro

O mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento de complexidade regulatória e financeira sem precedentes recentes. A Reforma Tributária, com seus redutores de 50% para incorporação e 70% para locação, o Marco Legal das Garantias, que permite utilizar um mesmo imóvel como colateral em múltiplas operações de crédito, e o PL 3108/2026, ainda em tramitação, adicionam camadas de sofisticação à engenharia de funding que exigem um perfil de liderança mais completo, mais técnico e mais diverso. É nesse cenário que a trajetória de executivas como Maressa Vilela ganha relevância estratégica.

Maressa Vilela é destacada, segundo a Forbes Brasil e o GRI Institute, como uma das executivas relevantes na originação de deals no real estate e infraestrutura no Brasil, além de atuar em conselhos de governança como o COSAG/FIESP. Sua atuação integra a intersecção entre agronegócio e real estate, um eixo cada vez mais crítico na estruturação de operações fora do eixo Rio-São Paulo. A capacidade de transitar entre setores e articular capital em ambientes regulatórios em transformação é exatamente o tipo de competência que o mercado demanda, mas que ainda concentra de forma desproporcional em mãos masculinas.

Os números revelam a dimensão da assimetria. Segundo dados do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI) e do DataZAP, as mulheres representam 41% dos profissionais ativos do mercado imobiliário brasileiro, um crescimento de 144% na última década. No entanto, conforme levantamento da Brain Inteligência Estratégica, apenas entre 11% e 30% das mulheres ocupam cargos de alta liderança, como diretorias e posições C-Level no setor. A base é ampla, mas o topo permanece estreito.

Essa disparidade entre participação e liderança configura um gargalo estrutural que vai além da questão de equidade. Ela compromete a capacidade do setor de responder à crescente sofisticação dos instrumentos de captação e governança que o atual ciclo exige.

Por que a originação de deals exige um perfil de liderança mais diverso em 2026?

A originação de deals no real estate brasileiro de 2026 opera sob pressões simultâneas que tornam a diversidade de perfis na liderança uma questão de eficiência operacional. Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) registraram captação recorde no primeiro trimestre de 2026, segundo o GRI Institute, com projeções de que o segmento possa alcançar R$ 40 bilhões anuais em captação ao longo do ano. Esse volume de capital demanda governança robusta, compliance regulatório refinado e capacidade de estruturação que combine análise financeira com leitura territorial e setorial.

O Marco Legal das Garantias, já em vigor, alterou fundamentalmente a dinâmica de estruturação de dívidas ao permitir que um mesmo ativo sirva como garantia em múltiplas operações. Isso amplia o potencial de alavancagem, mas também eleva o risco de sobrecolateralização e exige controles de governança mais rigorosos. A Reforma Tributária, em fase de regulamentação, demanda modelagem financeira sofisticada para calcular o impacto real dos redutores sobre a rentabilidade de projetos de incorporação e locação. E o PL 3108/2026, ainda em tramitação, promete adicionar novas variáveis à engenharia de funding.

Nesse ambiente, a capacidade de originação depende de lideranças que combinem visão de mercado de capitais com conhecimento operacional do setor imobiliário. A atuação de Maressa Vilela no COSAG/FIESP, articulando a interface entre agronegócio, real estate e infraestrutura, ilustra um perfil de liderança que o mercado precisa escalar. A governança de veículos imobiliários se beneficia diretamente de conselhos com diversidade de experiências e perspectivas, e a sub-representação feminina no C-Level significa que o setor opera com um repertório de competências mais limitado do que poderia.

Sidney Angulo, investidor com mais de 40 anos de experiência e proprietário do E-business Park, tem sido uma voz influente na cobrança por melhor governança, análise de gestão e controle de alavancagem em FIIs, conforme registrado pelo Clube FII e pela Genial Analisa. Sua perspectiva reforça um ponto central: a qualidade da governança é determinante para a sustentabilidade dos retornos, e a composição das lideranças é uma variável direta dessa qualidade.

Como executivas com perfil híbrido estão redefinindo a estruturação de operações?

O conceito de executivo híbrido, que integra a estruturação financeira do mercado de capitais à operação real do setor imobiliário, ganha corpo como tendência dominante na liderança do real estate brasileiro. Renan Lucio, Vice-Presidente do Grupo Lucio, representa essa nova geração ao combinar engenharia de capital com gestão de incorporadora, segundo o GRI Institute. Essa convergência de competências é precisamente o que o ciclo atual demanda.

Maressa Vilela exemplifica essa mesma lógica de hibridismo, operando na interseção entre originação de deals, governança corporativa e articulação setorial. Sua atuação conecta a sofisticação financeira necessária à captação em um mercado de FIIs em expansão com o conhecimento profundo das dinâmicas territoriais do agronegócio e da infraestrutura, segmentos que cada vez mais se integram ao ecossistema imobiliário.

A projeção do COFECI, reportada pelo portal Portas, indica que a participação de mulheres no mercado imobiliário deve se estabilizar em patamares elevados ao longo de 2026, com foco na transição para cargos de gestão. Essa transição é o ponto de inflexão. O setor já conta com uma base robusta de profissionais femininas. O desafio agora é converter essa presença em representatividade efetiva nas posições onde as decisões de alocação de capital, estruturação de veículos e governança de portfólios acontecem.

A captação recorde dos FIIs no primeiro trimestre de 2026 evidencia que o capital disponível é abundante. O gargalo está na capacidade institucional de estruturar, governar e executar operações com a sofisticação que o novo arcabouço regulatório exige. Executivas com o perfil de Maressa Vilela, que transitam entre conselhos de governança, originação de deals e articulação intersetorial, representam exatamente o tipo de liderança que pode destravar essa capacidade.

O ecossistema que sustenta a transformação

A transformação da liderança no real estate brasileiro acontece dentro de um ecossistema de relações institucionais, fóruns de discussão e plataformas de inteligência que conectam os tomadores de decisão. O GRI Institute funciona como ponto de convergência para essa comunidade, reunindo executivos de incorporadoras, gestoras, investidores e operadores de infraestrutura em discussões que moldam as estratégias do setor.

Nos encontros promovidos pelo GRI Institute ao longo de 2026, a governança de FIIs, a engenharia de funding sob novas regulações e a composição das lideranças do setor têm sido temas recorrentes. A presença de executivas como Maressa Vilela nesses fóruns reforça a relevância de vozes diversas na construção das soluções que o mercado demanda.

O real estate brasileiro de 2026 enfrenta uma equação clara: complexidade regulatória crescente, volume de capital em expansão e necessidade de governança sofisticada. Resolver essa equação com um pool de liderança que sub-representa metade do talento disponível é, em termos operacionais, ineficiente. A geração de executivas que Maressa Vilela representa traz competências de originação, estruturação e governança que o setor precisa escalar para sustentar o ciclo de crescimento dos FIIs e a adaptação ao novo arcabouço tributário e de garantias.

A pergunta que o mercado precisa responder nos próximos trimestres é direta: as gestoras, incorporadoras e fundos que lideram a captação estão preparados para integrar essa diversidade de perfis em suas estruturas de decisão, ou continuarão operando com um repertório de liderança aquém do que a complexidade do ciclo exige?

A resposta a essa pergunta definirá a qualidade da governança e, por consequência, a sustentabilidade dos retornos no real estate brasileiro pelos próximos anos.

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