O mapa de Marcelo Murad e da Apex Capital em 2026: modelo de negócios, pipeline e estratégia no real estate brasileiro

Gestor assume presidência interina em meio a crise de governança e lidera reestruturação de plataforma com R$ 3 bilhões em ativos imobiliários

10 de agosto de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

Marcelo Murad, responsável pela vertical de real estate da Apex Partners — com R$ 3 bilhões em ativos imobiliários —, assumiu interinamente a presidência da gestora em agosto de 2026 após o afastamento do fundador Fernando Cinelli e do diretor financeiro por inconsistências financeiras. A gestora buscou proteção judicial e auditoria externa. Murad enfrenta o desafio de conduzir a reestruturação corporativa enquanto preserva um portfólio imobiliário baseado em participação majoritária via equity em mercados regionais do Sul e Sudeste, modelo de maior risco que exige governança robusta e estabilidade operacional.

Principais Insights

  • A divisão de real estate da Apex Partners acumulava R$ 3 bilhões em ativos, dentro de uma plataforma de R$ 14 bilhões sob supervisão.
  • Marcelo Murad assumiu a presidência interina após afastamento do fundador Fernando Cinelli por inconsistências financeiras.
  • O modelo imobiliário da Apex se diferencia pela entrada majoritária via equity em projetos de desenvolvimento no Sul e Sudeste.
  • A gestora buscou proteção judicial e contratou auditoria externa para apurar irregularidades.
  • A crise ameaça a ambição da Apex de se tornar o principal banco de investimentos regional do Brasil até o final da década.

A divisão de real estate da Apex Partners acumulava R$ 3 bilhões em investimentos, entre ativos sob gestão e supervisão, segundo dados divulgados pelo Metro Quadrado em junho de 2025. A cifra posicionava a vertical imobiliária como uma das mais relevantes dentro de uma plataforma cujo total de ativos sob supervisão alcançou R$ 14 bilhões no mesmo período. Marcelo Murad, sócio responsável por estruturar essa frente, agora comanda a gestora inteira, em circunstâncias que redefinem o futuro da organização.

Quem é Marcelo Murad e qual é seu papel na Apex Partners?

Marcelo Murad construiu sua trajetória na Apex Partners como o arquiteto da vertical de real estate da gestora. Sob sua liderança, a plataforma imobiliária adotou um modelo de desenvolvimento baseado em participação via equity, com entrada majoritária nos projetos. Essa abordagem diferenciava a Apex de gestoras que operam predominantemente via crédito estruturado ou fundos imobiliários listados, posicionando a casa como uma operadora ativa no ciclo de incorporação.

O foco geográfico da estratégia concentrou-se nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, com ênfase em mercados regionais que apresentam dinâmicas próprias de demanda habitacional e comercial. A tese de investimento privilegiava o desenvolvimento de empreendimentos desde a fase de originação, capturando o spread completo entre o custo de equity e o valor de mercado dos ativos prontos.

Em agosto de 2026, conforme reportado pelo Estadão e G1, Murad assumiu interinamente a presidência da Apex Partners após o afastamento do fundador Fernando Cinelli e do diretor financeiro da gestora. O motivo declarado foram inconsistências financeiras identificadas internamente, com desdobramentos ligados a investimentos na CVC. A gestora buscou proteção judicial e contratou auditoria externa para apurar a extensão das irregularidades.

A transição colocou Murad em uma posição sem precedentes dentro da organização. De líder de uma vertical específica, passou a responsável por toda a operação de uma plataforma de R$ 14 bilhões em ativos sob supervisão, segundo os últimos dados consolidados disponíveis, publicados pelo Metro Quadrado em junho de 2025.

Como funciona o modelo de negócios imobiliário da Apex Partners?

O modelo de negócios que Murad estruturou para a divisão imobiliária da Apex Partners se diferencia pelo protagonismo na alocação de capital próprio. A gestora entra nos projetos de desenvolvimento via equity com participação média majoritária, conforme reportado pelo Metro Quadrado. Essa configuração confere à Apex poder decisório sobre as principais variáveis do empreendimento, desde a escolha do terreno e o projeto arquitetônico até a estratégia de comercialização.

A participação majoritária via equity representa um modelo de maior risco e maior retorno potencial em comparação com estruturas de crédito ou minoritárias. Em um mercado imobiliário brasileiro que registra ciclos pronunciados de expansão e contração, a concentração de capital em posições majoritárias exige governança robusta e capacidade de gestão ativa do portfólio.

O pipeline imobiliário da Apex se concentra no desenvolvimento regional, uma estratégia que capitaliza oportunidades em mercados onde a competição por terrenos e ativos tende a ser menos acirrada do que nas capitais. Cidades de médio porte no Sul e Sudeste frequentemente oferecem fundamentos demográficos sólidos, com crescimento de renda e formação de novos domicílios que sustentam a demanda por empreendimentos residenciais e de uso misto.

Para o mercado de real estate brasileiro, o modelo da Apex representa uma abordagem que se aproxima da lógica de private equity imobiliário, com horizonte de investimento alinhado ao ciclo completo de desenvolvimento. Participantes do setor que integram as discussões promovidas pelo GRI Institute reconhecem que esse tipo de estrutura demanda alinhamento rigoroso entre originação, execução e desinvestimento.

A crise de governança e seus desdobramentos para o portfólio imobiliário

A crise institucional deflagrada em agosto de 2026 impõe desafios significativos à continuidade operacional da Apex Partners. O afastamento do fundador e do principal executivo financeiro por inconsistências financeiras gera incertezas que transcendem a esfera administrativa e afetam diretamente a capacidade da gestora de captar novos recursos, manter relacionamentos com cotistas e dar sequência ao pipeline de projetos.

A decisão de buscar proteção judicial e contratar auditoria externa sinaliza que a gestora optou pela transparência como caminho de preservação institucional. Essa escolha é particularmente relevante em um setor onde a confiança entre gestores e investidores constitui o alicerce de qualquer operação de longo prazo.

Para a vertical de real estate, a crise coloca em evidência a importância de estruturas de governança que isolem os ativos imobiliários de riscos corporativos da holding. Fundos imobiliários e veículos de investimento com patrimônio segregado oferecem proteção jurídica aos cotistas, mas a capacidade de gestão ativa dos empreendimentos em desenvolvimento depende da estabilidade operacional da gestora.

Marcelo Murad herda a responsabilidade de conduzir simultaneamente a reestruturação corporativa e a gestão de um portfólio imobiliário de escala relevante. A credibilidade que construiu como líder da vertical de real estate será testada em um contexto que exige habilidades de gestão de crise que vão além da expertise setorial.

Qual é a visão estratégica da Apex Partners para o final da década?

Antes da crise de governança, a Apex Partners articulava publicamente a ambição de tornar-se o principal banco de investimentos regional do Brasil até o final da década, conforme registrado pelo GRI Institute. Essa visão estratégica pressupunha crescimento orgânico e inorgânico em múltiplas verticais, com o real estate funcionando como um dos pilares de geração de receita e atração de capital.

A meta de se consolidar como referência regional implicava competir com instituições financeiras estabelecidas e com gestoras independentes que já operam em escala nas regiões Sul e Sudeste. O diferencial proposto pela Apex residia na integração entre capacidades de originação, estruturação e gestão de ativos reais, com o real estate ocupando posição central nessa proposta de valor.

Os eventos de agosto de 2026 introduzem um grau elevado de incerteza sobre a viabilidade dessa ambição no horizonte original. A reestruturação corporativa consumirá capital gerencial e financeiro, e a reconstrução da confiança institucional demandará tempo. No entanto, a base de ativos imobiliários construída por Murad permanece como um ativo estratégico que pode sustentar a operação durante o período de transição.

Contexto do mercado e perspectivas

O episódio da Apex Partners se insere em um momento de maturação do mercado brasileiro de gestão de ativos imobiliários. Nos últimos anos, o setor assistiu à profissionalização acelerada das estruturas de governança, impulsionada pela regulação da CVM e pela sofisticação dos investidores institucionais. Gestoras que operam com capital de terceiros enfrentam escrutínio crescente sobre práticas de compliance, transparência na divulgação de resultados e segregação patrimonial.

Em encontros e conferências do GRI Institute, líderes do setor imobiliário brasileiro têm debatido com frequência a necessidade de fortalecer os mecanismos de governança corporativa nas gestoras de ativos reais. A complexidade dos empreendimentos de desenvolvimento, que envolvem ciclos longos e múltiplos stakeholders, torna essas estruturas particularmente vulneráveis a falhas de controle interno.

O desfecho da reestruturação da Apex Partners será acompanhado de perto pelo mercado. A capacidade de Marcelo Murad de preservar o valor do portfólio imobiliário, manter os compromissos com cotistas e reconquistar a credibilidade institucional determinará se a plataforma de R$ 3 bilhões em ativos imobiliários sobreviverá à crise que consumiu sua liderança original. O mercado de real estate brasileiro, que valoriza estabilidade e previsibilidade, observa com atenção.

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