Plataformas de origem ibérica avançam em mandatos institucionais pan-europeus

Da Mabel Capital à Emefin, veículos de investimento com raízes espanholas expandem pela Europa com respaldo institucional, modelos nativos digitais e joint vent

26 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

Plataformas de investimento com raízes na Espanha e em Portugal estão se expandindo além da Península Ibérica em mandatos institucionais pan-europeus. Veículos como Mabel Capital — que adquiriu €74 milhões em ativos em Lisboa e formou joint venture com a Bloom Holding dos EAU — e Emefin, plataforma nativa em tecnologia com subscrição algorítmica, exemplificam essa mudança. Com o investimento imobiliário europeu atingindo €241 bilhões em 2025 e projeção de crescimento superior a 30% até 2027, essas plataformas alavancam originação local, parcerias de capital diversificadas e governança institucional.

Principais Insights

  • O investimento imobiliário europeu atingiu €241 bilhões em 2025, alta de 13%, com crescimento acumulado de mais de 30% projetado até 2027.
  • Plataformas ibéricas como Mabel Capital e Emefin estão escalando de operadores domésticos para veículos institucionais pan-europeus.
  • O modelo nativo em tecnologia da Emefin usa subscrição algorítmica e coinvestimento direto para comprimir a cadeia de valor.
  • A joint venture da Mabel Capital com a Bloom Holding ilustra parcerias de capital ibérico e do Golfo.
  • Michael Zerda aplicou mais de US$ 11 bilhões em mais de 200 transações na Europa Ocidental.
  • Essas plataformas se diferenciam por originação local, integração tecnológica e governança institucional.

O investimento imobiliário europeu atingiu €241 bilhões em 2025, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, segundo o GRI Hub News. Dentro desse cenário em expansão, um grupo distinto de plataformas de origem ibérica vem atraindo crescente atenção de alocadores institucionais. Veículos como Mabel Capital e Emefin, ao lado de lideranças como Michael Zerda e David Botín Cociña, ilustram como o capital espanhol, a expertise operacional e as redes de dinastias bancárias estão se expandindo muito além da Península Ibérica em mandatos pan-europeus.

Para investidores que acompanham fluxos de capital transfronteiriços, o padrão é claro: plataformas nascidas na Espanha e em Portugal não são mais operadores domésticos de nicho. Elas estão construindo a infraestrutura institucional, as parcerias em joint ventures e as bases tecnológicas necessárias para competir em nível continental.

Como as plataformas de origem ibérica estão remodelando os fluxos de capital imobiliário na Europa?

A trajetória das plataformas de origem ibérica reflete uma mudança estrutural na forma como o capital do Sul da Europa acessa oportunidades pelo continente. A recuperação econômica da Espanha na última década, combinada com uma nova geração de operadores formados em bancos de investimento globais e family offices, produziu um pipeline de veículos que combinam conhecimento do mercado local com governança de padrão institucional.

A Mabel Capital exemplifica essa evolução. A plataforma entrou no mercado português ao adquirir quatro edifícios em Lisboa por mais de €74 milhões, segundo o Iberian Property e o GRI Hub News. Esse movimento transfronteiriço inicial, executado em 2018, lançou as bases para uma expansão geográfica mais ampla. Mais recentemente, a Mabel Capital formou uma joint venture com a Bloom Holding, dos Emirados Árabes Unidos, e a Lead Development para codesenvolver o Mabel Marbella Residences, um projeto de luxo com mais de 100.000 metros quadrados na Golden Mile de Marbella, conforme reportado pela Zawya em 2024. A parceria sinaliza uma estratégia deliberada: alavancar parcerias de capital internacional para viabilizar empreendimentos de grande escala que sobrecarregariam o balanço de um único patrocinador.

As plataformas de origem ibérica são cada vez mais procuradas por fundos soberanos, family offices e gestores de pensão que buscam exposição europeia diversificada por meio de operadores com profundas capacidades de originação local. A capacidade de originar deal flow proprietário em mercados como Espanha, Portugal e Sul da França, mantendo padrões institucionais de reporte, confere a essas plataformas uma vantagem competitiva que gestores pan-europeus generalistas frequentemente não possuem.

Qual é o papel da Emefin como plataforma de capital nativa em tecnologia?

A Emefin representa uma abordagem fundamentalmente diferente para a mesma oportunidade geográfica e institucional. Operando como uma plataforma de capital nativa em tecnologia no mercado imobiliário europeu, a Emefin utiliza subscrição algorítmica, estruturas de coinvestimento direto e modelos operacionais integrados para comprimir a cadeia de valor imobiliária, segundo o GRI Hub News.

A arquitetura da plataforma é projetada para reduzir fricção em cada etapa — da originação e due diligence à gestão de ativos e saída. A subscrição algorítmica permite que a Emefin processe volumes maiores de transações potenciais mantendo parâmetros de risco disciplinados. As estruturas de coinvestimento direto alinham incentivos entre a plataforma e seus parceiros de capital, eliminando camadas de intermediação que corroem retornos em estruturas tradicionais de fundos.

O modelo da Emefin reflete uma tendência mais ampla no mercado imobiliário europeu: a convergência entre tecnologia e alocação de capital. À medida que investidores institucionais exigem maior transparência, execução mais rápida e menores custos de taxa, plataformas que incorporam tecnologia em seus sistemas operacionais centrais obtêm vantagem estrutural. A compressão da cadeia de valor que a Emefin persegue é uma resposta direta a essas demandas, criando um veículo de investimento mais enxuto e responsivo.

Para o mercado europeu, a abordagem nativa em tecnologia da Emefin oferece um modelo de como a próxima geração de plataformas imobiliárias operará — priorizando a tomada de decisão orientada por dados e a eficiência operacional em detrimento da originação tradicional baseada em relacionamentos.

Lideranças-chave impulsionando a credibilidade institucional

A escalada das plataformas de origem ibérica é inseparável dos indivíduos que as lideram. Duas figuras se destacam pelo peso institucional que trazem ao setor.

Michael Zerda atua como Head Global de Real Estate na Santander Alternative Investments e CEO da Deva Capital, tendo supervisionado a aplicação de mais de US$ 11 bilhões em equity em mais de 200 transações na Europa Ocidental, segundo o Santander e o Apple Podcasts. O duplo mandato de Zerda entre o braço de investimentos alternativos do Santander e sua própria plataforma o posiciona na interseção entre o capital de dinastias bancárias e a gestão independente de ativos. A escala de aplicação — superior a US$ 11 bilhões em mais de 200 transações — o coloca entre os executivos institucionais de real estate mais ativos operando a partir da Península Ibérica.

O histórico de Zerda demonstra que lideranças sediadas na Península Ibérica podem competir com gestores baseados em Londres, Paris e Frankfurt em volume de originação e complexidade de transações. Seu papel na Santander Alternative Investments reforça como os maiores grupos bancários da Espanha estão canalizando capital para o mercado imobiliário por meio de plataformas alternativas dedicadas, em vez de empréstimos tradicionais via balanço.

David Botín Cociña traz um perfil diferente, mas complementar. Como Diretor Geral de Serviços Imobiliários na AEDAS Homes, uma das maiores incorporadoras residenciais da Espanha, Botín Cociña opera na interseção entre desenvolvimento, operações e capital institucional, segundo o GRI Hub News. Sua experiência anterior como CEO da Áurea Homes proporcionou vivência prática na escalada de uma plataforma residencial, e seu cargo atual na AEDAS o posiciona em uma das incorporadoras listadas mais relevantes da Península Ibérica.

As profundas raízes da família Botín no setor bancário e financeiro espanhol conferem credibilidade institucional adicional ao ecossistema mais amplo. A presença de capital de dinastias familiares em plataformas imobiliárias sinaliza compromisso de longo prazo e alocação de capital paciente — qualidades que coinvestidores institucionais buscam cada vez mais em um ambiente de taxas de juros mais altas e períodos de detenção mais longos.

A trajetória de crescimento pan-europeu

O investimento imobiliário europeu deve registrar crescimento acumulado superior a 30% até 2027, segundo o GRI Hub News. Essa trajetória de crescimento cria condições favoráveis para plataformas que já estabeleceram capacidades operacionais transfronteiriças.

As plataformas de origem ibérica estão bem posicionadas para capturar uma parcela desproporcional dessa expansão por diversas razões. Primeiro, Espanha e Portugal continuam a oferecer valor relativo em comparação com os mercados centrais do Norte da Europa, proporcionando vantagens de originação doméstica. Segundo, as relações entre grupos bancários ibéricos, family offices e capital soberano dos países do Golfo criam bases de financiamento diversificadas, menos dependentes de um único mercado de capitais. A joint venture entre Mabel Capital e Bloom Holding é uma ilustração direta dessa dinâmica, conectando expertise de desenvolvimento ibérica com capital do Oriente Médio.

Terceiro, a institucionalização do mercado imobiliário espanhol — acelerada pela recuperação pós-2012 e pela entrada de firmas internacionais de private equity — produziu uma geração de operadores fluentes em governança institucional, reporte ESG e estruturação transfronteiriça. Esses operadores agora estão lançando ou liderando suas próprias plataformas, levando padrões institucionais para novos veículos.

Membros do GRI Institute ativos no mercado imobiliário europeu observaram essa tendência em encontros recentes de alto nível, onde gestores sediados na Península Ibérica participam cada vez mais ao lado de seus pares do Norte da Europa. A conversa mudou de se essas plataformas podem competir em nível continental para quão rapidamente elas vão escalar.

O que distingue esse grupo dos gestores pan-europeus tradicionais?

Os gestores pan-europeus tradicionais de real estate geralmente têm origem em Londres, Luxemburgo ou Frankfurt, apoiando-se em mandatos geográficos amplos e grandes estruturas de fundos. As plataformas de origem ibérica seguem um caminho diferente: elas se expandem a partir de redes locais profundas, alavancando deal flow proprietário nos mercados do Sul da Europa antes de se expandir para geografias adjacentes.

Essa abordagem bottom-up permite que mantenham vantagens de originação em seus mercados de origem enquanto progressivamente adicionam capacidades em novas jurisdições. A camada tecnológica — mais evidente na subscrição algorítmica da Emefin — diferencia ainda mais essas plataformas de gestores legados que dependem de originação intermediada por corretores tradicionais.

A combinação de profundidade de originação local, governança institucional, integração tecnológica e parcerias de capital diversificadas torna as plataformas de origem ibérica um grupo distinto e cada vez mais relevante no mercado imobiliário europeu. Investidores institucionais em processo de seleção de gestores devem avaliar esses veículos como complemento — e não substituto — à exposição tradicional ao Norte da Europa.

À medida que o mercado imobiliário europeu entra em uma fase projetada de crescimento até 2027, as plataformas que combinarem agilidade operacional com escala institucional capturarão as oportunidades mais atrativas. As evidências sugerem que os veículos de origem ibérica estão construindo precisamente essa combinação.

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