
O mapa de José Carlos Cassaniga e dos executivos que redesenham a construção civil de grande porte no Brasil
Líderes operacionais como o CEO do Grupo EPR e gestores de construtoras como Conata Engenharia redefinem governança para atrair capital institucional em um cenário de margens pressionadas.
Resumo Executivo
Principais Insights
- José Carlos Cassaniga, CEO do Grupo EPR, representa a nova geração de executivos que traduzem engenharia pesada em padrões de governança exigidos pelo capital institucional.
- A Conata Engenharia diversifica atuação entre saneamento, concessões e mercado residencial (joint venture Mais Lar), diluindo riscos cíclicos.
- A CBIC revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB da construção civil em 2026, com INCC-M e custos de mão de obra pressionando margens.
- Sofisticação financeira e governança robusta tornaram-se condições de acesso ao capital, não mais diferenciais competitivos.
- Construtoras que combinam diversificação setorial e disciplina operacional estão melhor posicionadas no ciclo atual.
O setor de construção civil brasileiro registrou crescimento no primeiro trimestre de 2026 em relação ao último trimestre de 2025, revertendo uma queda anterior, segundo dados do IBGE e da CBIC. A retomada, porém, convive com pressão persistente de custos e uma revisão para baixo na projeção de crescimento do PIB setorial. É nesse cenário de expansão cautelosa que um grupo de executivos operacionais, ainda fora do radar dos grandes rankings corporativos, ganha relevância estratégica. Nomes como José Carlos Cassaniga, à frente do Grupo EPR, e lideranças de construtoras de médio porte como a Conata Engenharia representam um movimento de profissionalização que altera a dinâmica competitiva da construção pesada e da infraestrutura no país.
Quem é José Carlos Cassaniga e qual o seu papel no Grupo EPR?
José Carlos Cassaniga atua à frente do Grupo EPR no segmento de concessões rodoviárias, destacando-se na tradução da engenharia pesada para padrões de governança exigidos pelo capital institucional, conforme reportado pelo GRI Hub News em julho de 2026. Sua atuação posiciona o Grupo EPR como uma referência na ponte entre a capacidade técnica de execução e as exigências de compliance, transparência e prestação de contas que fundos de investimento, FIIs e emissores de CRIs demandam antes de alocar recursos.
A trajetória de Cassaniga ilustra uma tendência mais ampla no ecossistema brasileiro de infraestrutura. A sofisticação financeira deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser condição de acesso ao capital. Construtoras e operadoras de concessão que não conseguem dialogar com a linguagem do mercado de capitais ficam limitadas a fontes de financiamento tradicionais, em um momento em que os juros elevados tornam essa dependência particularmente onerosa.
O perfil de Cassaniga representa o que participantes de encontros promovidos pelo GRI Institute têm descrito como a nova geração de dealmakers da infraestrutura brasileira: executivos que combinam experiência operacional de canteiro de obras com fluência em estruturação financeira. Essa combinação é cada vez mais valorizada por investidores institucionais que buscam exposição ao setor de infraestrutura sem abrir mão de padrões rigorosos de governança corporativa.
Como a Conata Engenharia se posiciona no ciclo atual?
A Conata Engenharia, fundada em 1996 e sediada em Belo Horizonte, possui um backlog de projetos expressivo e atua simultaneamente em saneamento, concessões e construção civil, segundo dados do GRI Institute. Essa diversificação setorial confere à empresa uma resiliência operacional relevante em um ano marcado por incertezas macroeconômicas.
Um dos movimentos mais significativos da Conata é sua atuação no segmento residencial por meio da joint venture Mais Lar. A estratégia ganha contornos especialmente relevantes à luz das alterações regulatórias implementadas em 2026. As mudanças nos limites de financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que elevaram o valor máximo do imóvel financiável para R$ 2,25 milhões, e a expansão do orçamento do FGTS para habitação popular no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida impactam diretamente a tese de crescimento da Mais Lar.
A convergência entre infraestrutura pesada e mercado imobiliário dentro de uma mesma estrutura empresarial é um modelo que ganha tração no Brasil em 2026. Para construtoras de médio porte como a Conata, essa diversificação permite diluir riscos cíclicos e acessar diferentes fontes de receita, mitigando a volatilidade que afeta cada segmento individualmente.
O cenário macroeconômico e a pressão sobre margens
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB da construção civil para 2026, citando a pressão nos custos de insumos, juros altos e incertezas inflacionárias. O Índice Nacional de Custo da Construção, Mercado (INCC-M) registrou alta acumulada em 12 meses até meados de 2026, refletindo a pressão contínua de custos no setor, conforme dados da FGV.
O custo da mão de obra na construção civil encerrou 2025 com forte alta, comprimindo as margens das construtoras, segundo dados do IBGE reportados pelo GRI Hub News. Essa dinâmica cria um filtro natural de competitividade: empresas com gestão de custos mais eficiente e capacidade de repassar preços conseguem preservar rentabilidade, enquanto operadores menos estruturados enfrentam erosão acelerada de margens.
Os investimentos no setor de infraestrutura no Brasil, que impulsionam a construção pesada, somaram centenas de bilhões em 2025, segundo dados da Abdib e da CBIC. Esse volume de investimento sustenta a demanda por execução de obras de grande porte, mas a captura desses contratos exige cada vez mais sofisticação financeira e governança robusta, exatamente o perfil que executivos como José Carlos Cassaniga buscam consolidar.
A equação que define os vencedores do ciclo atual é clara: crescimento operacional disciplinado combinado com acesso diversificado a fontes de capital.
A nova geração de executivos operacionais e a atração de capital institucional
O movimento de profissionalização da governança em construtoras de médio e grande porte responde a uma demanda concreta do mercado de capitais. Emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e veículos de Private Equity direcionados à infraestrutura exigem padrões de disclosure, controle e rastreabilidade que historicamente não faziam parte da cultura operacional do setor.
Executivos que conseguem fazer essa tradução, convertendo métricas de canteiro em linguagem de mercado, tornam-se peças-chave na cadeia de valor. O papel de José Carlos Cassaniga no Grupo EPR exemplifica essa função de ponte. Da mesma forma, a estruturação da Conata Engenharia em múltiplos segmentos, incluindo a joint venture Mais Lar no residencial, reflete uma estratégia de diversificação que facilita o diálogo com diferentes perfis de investidor.
A capacidade de atrair capital institucional define, em larga medida, a escala que uma construtora pode alcançar no ciclo de 2026 em diante.
Em encontros e conferências organizados pelo GRI Institute, essa pauta tem ocupado espaço crescente nas agendas de discussão entre líderes do setor. A convergência entre operação de engenharia pesada, concessões de infraestrutura e mercado imobiliário residencial cria oportunidades de cross-selling e de estruturação de veículos financeiros integrados, um território que construtoras tradicionais raramente exploram.
Quais são os riscos e os fatores de atenção para o segundo semestre de 2026?
A revisão para baixo das projeções de crescimento pela CBIC sinaliza que o segundo semestre de 2026 demandará gestão de caixa rigorosa e seletividade na tomada de novos projetos. A alta acumulada do INCC-M, conforme aferida pela FGV, indica que os custos de construção continuarão pressionando margens operacionais ao longo do ano.
Para executivos como José Carlos Cassaniga e para empresas como a Conata Engenharia, o cenário reforça a necessidade de manter disciplina financeira enquanto se busca crescimento. A tentação de expandir o backlog a qualquer custo pode se revelar contraproducente em um ambiente de juros elevados e custos ascendentes.
Os fatores de atenção incluem a evolução dos custos de mão de obra, que já encerraram 2025 em forte alta, a trajetória do INCC-M no acumulado do ano e a capacidade das construtoras de repassar custos aos contratantes sem perder competitividade em licitações e concorrências.
Empresas que combinam diversificação setorial, governança alinhada ao capital institucional e disciplina operacional estão melhor posicionadas para atravessar o ciclo com rentabilidade preservada.
O papel do GRI Institute no mapeamento desses executivos
O GRI Institute acompanha a trajetória de líderes como José Carlos Cassaniga e de empresas como a Conata Engenharia por meio de seus encontros, publicações e mapeamentos setoriais. A identificação de executivos operacionais que promovem transformação em governança e estrutura de capital faz parte do trabalho contínuo de inteligência de mercado que o instituto oferece aos seus membros.
Para investidores, gestores de fundos e desenvolvedores que buscam due diligence qualificada sobre parceiros potenciais em construção pesada e infraestrutura, o acompanhamento desses perfis executivos representa uma camada adicional de informação estratégica, complementar à análise puramente financeira.
O mapeamento de executivos que fazem a ponte entre engenharia pesada e mercado de capitais é uma ferramenta essencial para quem busca identificar parceiros e oportunidades no setor de infraestrutura brasileiro.