Jefferson Nogaroli e a geração de construtores de infraestrutura que redefinem grandes empreendimentos imobiliários no Brasil

Executivos com DNA de engenharia pesada conquistam protagonismo no real estate ao dominar a complexidade construtiva que incorporadoras tradicionais não alcançam

5 de julho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O mercado imobiliário brasileiro, avaliado em USD 128,6 bilhões em 2025, passa por uma transformação estrutural: executivos formados em obras de infraestrutura pesada — saneamento, barragens, dutos — conquistam protagonismo na viabilização de grandes empreendimentos. Jefferson Nogaroli, com o Eurogarden Maringá, exemplifica essa geração ao obter a maior pontuação LEED Platinum do mundo para comunidades, integrando redes subterrâneas, usinas solares e sistemas de reúso pluvial. Essa convergência redistribui poder na cadeia de valor: em cenário de Selic a 15%, a engenharia complexa deixa de ser custo e torna-se mecanismo de valorização. O setor de construção deve crescer 2% em 2026, e incorporadoras sem parcerias com construtoras de infraestrutura enfrentarão desvantagens crescentes em projetos de grande porte.

Principais Insights

  • Executivos com DNA de engenharia pesada estão assumindo protagonismo no real estate brasileiro ao dominar a complexidade construtiva que incorporadoras tradicionais não alcançam.
  • O Eurogarden Maringá, de Jefferson Nogaroli, obteve 95 de 110 pontos na certificação LEED Platinum 4.1 Comunidades, tornando-se o bairro mais sustentável do mundo.
  • Investimentos em infraestrutura de água e esgoto elevam aluguéis em até 30% e desbloqueiam novos land banks.
  • Com Selic a 15%, projetos com infraestrutura diferenciada tornam-se mais resilientes e competitivos.
  • O risco construtivo em grande escala está transferindo poder dos incorporadores para os engenheiros de execução.

A engenharia de infraestrutura como novo centro de gravidade do real estate brasileiro

O mercado imobiliário brasileiro, avaliado em USD 128,6 bilhões em 2025 segundo relatórios de análise do setor, atravessa uma transformação estrutural que vai além dos ciclos de crédito e das oscilações de demanda. Uma nova classe de executivos, forjada em obras de saneamento, barragens, dutos e rodovias, está assumindo posições centrais na viabilização de grandes empreendimentos imobiliários. Jefferson Nogaroli, à frente do Eurogarden Maringá, é o representante mais emblemático dessa geração que transfere para o desenvolvimento urbano a disciplina, a escala e a sofisticação técnica da infraestrutura pesada.

Essa convergência entre infraestrutura e real estate revela uma mudança profunda na governança dos grandes projetos. Em empreendimentos mixed-use e masterplanned communities, a complexidade da execução civil, que envolve redes subterrâneas, usinas de geração distribuída, sistemas de captação pluvial e certificações ambientais rigorosas, supera a capacidade operacional da maioria das incorporadoras tradicionais. O resultado é uma redistribuição de poder dentro da cadeia de valor: quem domina a engenharia de execução passa a influenciar cronogramas, custos e, consequentemente, o underwriting dos projetos.

Por que executivos de infraestrutura pesada estão ganhando protagonismo no mercado imobiliário?

A resposta está na crescente sofisticação técnica exigida pelos projetos de grande porte. Um bairro planejado com ambição de certificação ambiental de ponta exige competências que vão muito além da construção convencional de edifícios residenciais ou comerciais. Exige domínio de engenharia de redes, gestão de utilities, terraplanagem de alta complexidade e integração de sistemas que, historicamente, pertencem ao universo das grandes construtoras de infraestrutura.

O Eurogarden Maringá ilustra essa tese com precisão. Idealizado por Jefferson Nogaroli, o empreendimento obteve 95 de 110 pontos possíveis na certificação LEED Platinum (versão 4.1 Comunidades), concedida pelo Green Building Certification Institute (GBCI), tornando-se o bairro mais sustentável do mundo. Atingir esse patamar exigiu a implementação de infraestrutura de ponta, incluindo redes subterrâneas completas, usinas solares, sistemas de captação e reúso de água pluvial e soluções de mobilidade integrada, um escopo que pertence ao repertório da engenharia de infraestrutura, e que dificilmente seria entregue por uma incorporadora de perfil convencional.

Esse fenômeno ganha escala em um contexto macroeconômico desafiador. Com a taxa Selic a 15% ao ano no primeiro semestre de 2026, segundo dados da LARYA e CNN Brasil, o crédito imobiliário encareceu significativamente, pressionando os segmentos de médio e alto padrão. Nesse cenário, projetos que conseguem agregar valor fundiário real, por meio de infraestrutura diferenciada, tornam-se mais resilientes. A engenharia complexa deixa de ser um custo adicional e passa a ser o próprio mecanismo de geração de valor e diferenciação competitiva.

Dados publicados pelo GRI Hub News em junho de 2026 reforçam essa lógica: investimentos em infraestrutura de água e esgoto elevam aluguéis em até 30% e desbloqueiam novos land banks em municípios fora do eixo Rio-São Paulo. A infraestrutura, portanto, é precursora da valorização imobiliária, e os executivos que detêm esse know-how acumulam poder de barganha crescente sobre os deals.

Como a Conata Engenharia exemplifica a migração estratégica da obra pública para o real estate privado?

A trajetória da Conata Engenharia oferece um caso concreto dessa migração. Com histórico consolidado em obras de infraestrutura pesada, incluindo saneamento, dutos e barragens, a empresa passou a disputar grandes concessões com forte componente imobiliário. A participação em consórcios para a concessão da Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, aprovada pela Lei distrital nº 7.358, é um exemplo dessa movimentação. Trata-se de uma licitação que combina infraestrutura de transporte urbano e exploração imobiliária comercial, um formato que exige competências híbridas e que favorece empresas com DNA de engenharia pesada.

A Conata também disputou a concessão do Centro de Convenções de Pernambuco, outro projeto que integra infraestrutura e desenvolvimento imobiliário. Essa diversificação estratégica sinaliza uma tendência do setor: construtoras de infraestrutura identificam no real estate de grande porte uma fronteira de crescimento natural, onde suas competências técnicas constituem uma vantagem competitiva significativa.

Ao mesmo tempo, a trajetória da Conata revela os desafios dessa transição. A Resolução SEHAB nº 50, de 2 de junho de 2025, formalizou a rescisão contratual solicitada pela própria empresa no âmbito do Programa Casa Nova Sorocaba, motivada pela decisão de descontinuar operações no Estado de São Paulo para concentrar esforços em Minas Gerais. Essa movimentação indica que a migração da infraestrutura para o real estate exige seletividade geográfica e foco operacional. Executivos com experiência em grandes obras sabem que a dispersão geográfica pode comprometer margens e qualidade de execução, especialmente em um ambiente de juros elevados.

A decisão de recuo estratégico da Conata demonstra maturidade operacional e disciplina financeira, características típicas de lideranças formadas no universo da infraestrutura pesada, onde atrasos e estouros de orçamento têm consequências proporcionalmente maiores.

Qual o impacto dessa convergência para o futuro dos grandes empreendimentos no Brasil?

O setor de construção civil deve crescer 2% em 2026, superando a projeção de crescimento do PIB nacional de 1,6%, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Esse desempenho é impulsionado por obras de infraestrutura e programas habitacionais, os dois pilares que alimentam a convergência entre infraestrutura e real estate. O mercado imobiliário brasileiro, por sua vez, deve atingir USD 160,6 bilhões até 2034, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 2,50%, conforme relatórios de análise do setor.

Para que esse crescimento se materialize com qualidade, a capacidade de execução em projetos de alta complexidade será um diferencial estratégico decisivo. Masterplanned communities com certificações ambientais de ponta, empreendimentos mixed-use que integram mobilidade urbana e utilities, concessões que combinam infraestrutura e exploração imobiliária: todos esses formatos exigem lideranças com domínio de engenharia de grande porte.

O risco construtivo em projetos de grande escala está transferindo poder dos incorporadores para os engenheiros de execução. Essa é a dinâmica central que o mercado precisa compreender. Incorporadoras que não desenvolvam parcerias sólidas com construtoras de infraestrutura, ou que não internalizem essas competências, enfrentarão desvantagens crescentes na disputa por projetos de maior porte e complexidade.

Jefferson Nogaroli, com o Eurogarden Maringá, demonstrou que a engenharia de infraestrutura pode ser o principal vetor de criação de valor em um empreendimento imobiliário. A conquista da maior pontuação LEED Platinum do mundo para comunidades comprova que a sofisticação construtiva gera ativos diferenciados, com capacidade de atrair capital mesmo em cenários de juros elevados.

Uma nova dinâmica de governança nos grandes deals

A geração de construtores de infraestrutura que migra para o real estate está redesenhando a estrutura de poder nos grandes empreendimentos imobiliários brasileiros. Esses executivos trazem consigo a capacidade de operar em ambientes regulatórios complexos, de gerenciar cadeias de suprimentos extensas e de entregar obras com escopo técnico que ultrapassa a construção convencional.

Nas discussões promovidas pelo GRI Institute, que reúne líderes do setor imobiliário e de infraestrutura em encontros reservados ao longo do ano, essa convergência tem se consolidado como um dos temas estratégicos mais relevantes. A interseção entre engenharia de infraestrutura e desenvolvimento imobiliário cria oportunidades para novos formatos de parceria, joint ventures e estruturações de capital que reconheçam o valor da competência construtiva como ativo estratégico.

O mercado brasileiro de real estate está em um ponto de inflexão. Projetos que combinam escala, complexidade técnica e ambição ambiental se tornam cada vez mais frequentes. E os líderes que dominam a execução desses projetos, formados na disciplina rigorosa da infraestrutura pesada, estão se posicionando como peças indispensáveis na viabilização dos maiores empreendimentos do país. A engenharia de infraestrutura deixou de ser um serviço terceirizado para se tornar o eixo central de criação de valor no real estate de grande porte.

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