A fronteira do rendimento: Investidores brasileiros consolidam presença no mercado imobiliário da América Latina

Custos reduzidos, regimes tributários favoráveis e oportunidades de alta rentabilidade são principais atrativos de países como Chile, Paraguai e México

23 de janeiro de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo

Principais Insights

  • A internacionalização do mercado imobiliário brasileiro passou de uma resposta defensiva às incertezas políticas para uma estratégia voltada à maximização de rentabilidade e eficiência tributária, com a América Latina se tornando o motor de crescimento.
  • O Chile e o Paraguai são exemplos claros dessa expansão, com investidores brasileiros se destacando pela confiança na segurança jurídica e nas oportunidades de rentabilidade, impulsionadas por custos de construção reduzidos e altos retornos em comparação ao Brasil.
  • O México, com sua demanda crescente por logística, se apresenta como uma oportunidade estratégica para diversificação de carteiras, permitindo que investidores brasileiros se beneficiem de uma infraestrutura em constante crescimento e reduzam a exposição a riscos econômicos específicos de cada país.

Nos últimos anos, as incorporadoras e investidores brasileiros têm consolidado uma mudança estrutural significativa em sua estratégia de atuação no mercado global. 

Se, em um passado recente, a internacionalização era vista como uma resposta defensiva às incertezas políticas internas, hoje ela é uma estratégia voltada para a maximização de rentabilidade e eficiência tributária.

A América Latina, anteriormente considerada um "plano B", transformou-se no motor de crescimento de grandes grupos imobiliários brasileiros. 

Muitos desses investidores, após anos de amadurecimento no mercado doméstico e enfrentando custos de construção elevados e margens de lucro reduzidas, perceberam que a região oferece oportunidades ágeis e rentáveis.

Conquistando o mercado do Chile

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa transformação ocorre no Chile, onde o Grupo Plaenge tem se destacado com investimentos superiores a R$ 1 bilhão em cidades como Temuco e na região metropolitana de Santiago. 

A confiança dos investidores brasileiros no país é resultado de um entendimento profundo da segurança jurídica e da alta demanda por um padrão de construção que as empresas brasileiras dominam com excelência.

Operar no Chile, contudo, exige superar desafios significativos, como as rigorosas normas antissísmicas que regem o setor.

O sucesso neste cenário é um reflexo claro do “know-how” do mercado imobiliário brasileiro, que alcançou uma posição de destaque no cenário global, capaz de lidar com essas complexidades e oferecer soluções de alta qualidade.

Escala e rentabilidade no Paraguai

O Paraguai se tornou o principal destino para incorporadoras do Sul e Centro-Oeste do Brasil, atraídas por um regime tributário favorável, conhecido como "10-10-10" - 10% de IVA, 10% de imposto de renda empresarial e 10% pessoal. 

Esse ambiente de baixo custo e alta rentabilidade tem atraído investimentos substanciais, como o da Antonini Engineering, que após consolidar sua experiência no Brasil, começou sua expansão no Paraguai com foco em lotes residenciais e casas populares, principalmente em Pedro Juan Caballero e Assunção.

O diferencial competitivo do Paraguai para os investidores brasileiros é claro: enquanto um investidor na região Sul celebra retornos de aluguel de 7% ao ano, em Assunção, os projetos estruturados por brasileiros têm entregado rentabilidades líquidas entre 9% e 11%, impulsionadas por um custo de construção até 30% inferior ao praticado no Brasil. 

O cap rate mais elevado e o custo reduzido tornam o Paraguai uma opção atraente para investidores em busca de rentabilidade superior e agilidade.

Além disso, a introdução do Sistema Unificado de Abertura e Fechamento de Empresas (SUACE) facilitou ainda mais o desembarque de capital brasileiro no país, tornando o processo menos burocrático e permitindo que os investimentos cresçam rapidamente à medida que as obras avançam. 

Demanda logística no México

O México, embora geograficamente mais distante, tem atraído cada vez mais fundos imobiliários brasileiros, especialmente aqueles focados em logística. 

A proximidade com os Estados Unidos e a explosão de demanda por galpões industriais ao longo da fronteira têm gerado uma oportunidade única para investidores que buscam diversificar suas carteiras e se beneficiar de uma infraestrutura em constante crescimento.

Esse movimento de diversificação geográfica não só fortalece as estratégias de investimento dos brasileiros, mas também permite que eles reduzam a exposição a riscos econômicos específicos de cada país. 

A regionalização das carteiras de investimento tem se mostrado uma estratégia eficaz, onde o Brasil não é mais apenas um exportador de capital, mas também uma referência de inovação e execução para o restante do continente.

Expansão de oportunidades na LATAM

O panorama imobiliário brasileiro na América Latina é mais dinâmico e promissor do que nunca. 

As oportunidades de crescimento não se limitam mais ao mercado doméstico, mas se expandem para outros países da região, oferecendo aos investidores uma gama de novas possibilidades. 

O mercado reflete um entendimento amadurecido de que, ao diversificar e se posicionar estrategicamente, o investidor brasileiro pode não apenas reduzir riscos, mas também colher benefícios substanciais de rentabilidade, eficiência e inovação. 
 
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