GRI InstituteIA faz disparar demanda por data centers; qual o cenário e as tendências para o Brasil?
Tema foi debatido pelo GRI Institute em Nova York reunindo as opiniões e experiências de grandes investidores, operadores e inquilinos
27 de maio de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- A IA já opera em escala industrial em diversas frentes no mercado imobiliário, como otimização de portfólios, precificação dinâmica de ativos, automação de due diligence, gestão preditiva de manutenção e redesenho de plantas arquitetônicas com base em padrões de uso.
- O Brasil detém apenas 1,5% da capacidade global de data centers, com cerca de 700-800 megawatts instalados, ficando abaixo da média global na relação MW por milhão de habitantes. O principal gargalo é de ordem tributária.
- Executivos afastam a tese de possível bolha no mercado de data centers. Nos Estados Unidos, a vacância é inferior a 1% e 92% dos novos projetos já estão pré-locados.
O mercado imobiliário global está sendo reconfigurado pela inteligência artificial. Este é o insight central do debate sobre IA e real estate realizado pelo GRI Institute em Nova York, com as presenças de nomes de peso no assunto, como Robert Lee, CTO da Blue Owl Capital, e Zach Aarons, General Partner da MetaProp.
A convergência entre IA, infraestrutura digital e realocação massiva de capital inaugura um ciclo no qual a forma de construir, operar, financiar e investir em ativos imobiliários muda de maneira estrutural. Neste sentido, a inteligência artificial já cruzou o abismo da adoção, deixando de ser ferramenta usada por early adopters para se tornar popular. Seus efeitos sobre o mercado de trabalho, a demanda por escritórios e a alocação de capital, contudo, permanecem longe de serem plenamente compreendidos.
Há uma tendência recorrente no setor imobiliário de tratar a inteligência artificial como uma promessa futura. Os debates em Nova York deixaram claro que essa leitura está defasada. A IA já opera em escala industrial em diversas frentes, como otimização de portfólios, precificação dinâmica de ativos, automação de due diligence, gestão preditiva de manutenção e redesenho de plantas arquitetônicas com base em padrões de uso.
Participe do GRI Data Center 2026, 15 de setembro, em São Paulo.
O que separa as empresas que capturam valor daquelas que observam à distância é a capacidade de redesenhar processos internos, estruturas de governança e modelos de tomada de decisão para incorporar a IA como camada estratégica. Trata-se de uma mudança de mentalidade que exige participação ativa da liderança, e não apenas delegação a departamentos de inovação ou tecnologia.
Um aspecto particularmente relevante discutido entre os executivos foi o impacto da IA sobre a demanda por escritórios. A automação de tarefas cognitivas de rotina - análise de contratos, relatórios financeiros e modelagem de cenários - pode reduzir a necessidade de espaço físico para determinadas funções. O efeito líquido sobre a absorção de escritórios ainda é incerto, mas a reconfiguração qualitativa do espaço já está em curso.
Os Estados Unidos concentram aproximadamente 40% da capacidade global de data centers. A expectativa de construção de 20 gigawatts adicionais entre 2026 e 2030 equivale a erguer vinte cidades do porte de São Francisco em demanda energética. Trata-se de um ciclo de investimento em infraestrutura física que rivaliza com os grandes programas de construção do século XX, mas orientado por uma lógica completamente diferente.
Essa concentração nos EUA reflete a proximidade com os principais hyperscalers, a robustez do mercado de capitais americano, a previsibilidade regulatória e a disponibilidade de energia em escala. Cada um desses fatores funciona como multiplicador dos demais, criando um ecossistema que se retroalimenta e eleva barreiras de entrada para competidores.
Para os investidores imobiliários, os data centers deixaram de ser um nicho de infraestrutura tecnológica para se tornar uma classe de ativos com características próprias: contratos longos, inquilinos com grau de investimento, fluxos de caixa previsíveis e demanda estruturalmente crescente.
Para o Brasil em particular, os fundamentos existem. O país gera energia hidrelétrica abundante, barata e renovável, um diferencial competitivo decisivo em um setor onde o custo energético representa entre 40-60% do custo operacional total. Além disso, a conectividade submarina com Europa, África e Estados Unidos oferece redundância e baixa latência. Os principais hyperscalers globais já operam no país, validando a viabilidade técnica e comercial do mercado.
Contudo, as fricções regulatórias e tributárias são um freio estrutural. Impostos que podem chegar a 80% em equipamentos de computação evidenciam como a política fiscal pode neutralizar vantagens competitivas naturais. Quando um servidor que custa US$ 100 mil nos Estados Unidos chega ao Brasil por US$ 180 mil, o impacto sobre o custo total de implantação de um data center de grande escala é medido em centenas de milhões de dólares. Esse diferencial resulta na realocação do capital para jurisdições concorrentes - desde o Chile, na América Latina, até Índia e Indonésia, por exemplo.
A falta de previsibilidade contratual no fornecimento de energia agrava o quadro. Data centers exigem contratos de longo prazo com garantia de fornecimento e preços estáveis. Em um ambiente onde as regras do mercado livre de energia ainda estão em maturação, o risco regulatório se converte em prêmio de risco financeiro, encarecendo o capital e reduzindo a competitividade brasileira.
Os concorrentes não estão parados. Malásia, Índia, Emirados Árabes Unidos e países da Europa Oriental estão se posicionando para capturar investimentos em data centers, oferecendo incentivos fiscais, zonas econômicas especiais e marcos regulatórios desenhados para atrair hyperscalers. Aqui, o Redata segue paralisado em âmbito federal após não ser votado no prazo necessário pelo Senado. Em NY, executivos mencionaram a iniciativa como um divisor de águas para o investimento em data centers no Brasil.
Essa concentração criou um vácuo que, paradoxalmente, pode ser preenchido de maneira mais eficiente do que em mercados maduros. Empresas brasileiras do segmento comercial e de construção carregam menor dívida tecnológica, isto é, menos sistemas legados que precisam ser migrados, menos integrações complexas que precisam ser desfeitas, menos resistência organizacional a mudanças de plataforma. Isso abre espaço para um efeito chamado leapfrogging: a adoção direta de plataformas nativas de inteligência artificial, sem a etapa intermediária de digitalização convencional.
O mercado global de Proptech, avaliado entre US$ 50-60 bilhões, projeta alcançar US$ 120 bilhões nos próximos cinco anos. O Brasil, com um mercado estimado em até US$ 1,2 bilhão, representa uma fração modesta desse total, mas com taxa de crescimento potencialmente superior à média global, pela combinação de baixa penetração e condições favoráveis de adoção.
Em outras palavras, o momento de investir em infraestrutura tecnológica para ativos comerciais e operações de construção é agora, antes que o mercado se consolide em torno de plataformas estrangeiras.
A vacância nos mercados-núcleo dos Estados Unidos está abaixo de 1%. Esse número, por si só, já desafia a narrativa de sobreoferta. Mais relevante ainda: 92% da capacidade em construção já está pré-locada por empresas com grau de investimento, segundo executivos atuantes no setor. Ou seja: não se trata de construção especulativa alimentada por expectativas de demanda futura; os contratos firmados são de longo prazo, com fluxos de caixa previsíveis e inquilinos cujos balanços figuram entre os mais robustos do mundo corporativo.
A comparação com a bolha das pontocom de 2000, frequentemente invocada, não resiste a uma análise estrutural. Na virada do milênio, a construção de infraestrutura de telecomunicações foi financiada com base em projeções de demanda que não se materializaram, por empresas sem receita comprovada e com estruturas de capital frágeis.
Ainda assim, os executivos presentes no evento do GRI Institute alertam para dois riscos que merecem monitoramento constante:
1. Análise mercado a mercado: a vacância abaixo de 1% é uma média que mascara variações significativas entre mercados primários e secundários. Mercados emergentes de data centers podem apresentar dinâmicas de oferta e demanda distintas das observadas em Northern Virginia ou Dallas, por exemplo.
2. Investimentos circulares entre hyperscalers: quando um hyperscaler investe em uma startup de IA, que por sua vez contrata capacidade de computação do mesmo hyperscaler, os ganhos reportados contêm um componente não monetário que infla a percepção de crescimento orgânico. Esse mecanismo exige atenção redobrada dos investidores na análise dos fundamentos.
Modelos de avaliação que tratam data centers como galpões logísticos com ar-condicionado subestimam a complexidade operacional e o valor estratégico desses ativos. Modelos que tratam Proptech como venture capital convencional ignoram as dinâmicas específicas do mercado imobiliário, onde os ciclos são longos, a regulação é intensa e a adoção tecnológica é historicamente lenta.
O que emerge dos debates conduzidos pelo GRI Institute é a necessidade de uma abordagem integrada, que reconheça as interdependências entre infraestrutura física, camada tecnológica e dinâmicas do mercado imobiliário. Investidores que conseguirem navegar essa complexidade com sofisticação analítica e visão de longo prazo estarão posicionados para capturar valor em um ciclo que, pelos fundamentos apresentados, tem potencial para se estender por pelo menos uma década.
Para o Brasil, a equação é particularmente urgente. Os fundamentos naturais são excepcionais, as barreiras são conhecidas e, em sua maioria, superáveis, mas episódios como o Redata tendem a cobrar um preço alto.
A convergência entre IA, infraestrutura digital e realocação massiva de capital inaugura um ciclo no qual a forma de construir, operar, financiar e investir em ativos imobiliários muda de maneira estrutural. Neste sentido, a inteligência artificial já cruzou o abismo da adoção, deixando de ser ferramenta usada por early adopters para se tornar popular. Seus efeitos sobre o mercado de trabalho, a demanda por escritórios e a alocação de capital, contudo, permanecem longe de serem plenamente compreendidos.
Há uma tendência recorrente no setor imobiliário de tratar a inteligência artificial como uma promessa futura. Os debates em Nova York deixaram claro que essa leitura está defasada. A IA já opera em escala industrial em diversas frentes, como otimização de portfólios, precificação dinâmica de ativos, automação de due diligence, gestão preditiva de manutenção e redesenho de plantas arquitetônicas com base em padrões de uso.
Participe do GRI Data Center 2026, 15 de setembro, em São Paulo.
Robert Lee, CTO da Blue Owl Capital, no GRI Brazil Investment Summit (Foto: GRI Institute)
O que separa as empresas que capturam valor daquelas que observam à distância é a capacidade de redesenhar processos internos, estruturas de governança e modelos de tomada de decisão para incorporar a IA como camada estratégica. Trata-se de uma mudança de mentalidade que exige participação ativa da liderança, e não apenas delegação a departamentos de inovação ou tecnologia.
Um aspecto particularmente relevante discutido entre os executivos foi o impacto da IA sobre a demanda por escritórios. A automação de tarefas cognitivas de rotina - análise de contratos, relatórios financeiros e modelagem de cenários - pode reduzir a necessidade de espaço físico para determinadas funções. O efeito líquido sobre a absorção de escritórios ainda é incerto, mas a reconfiguração qualitativa do espaço já está em curso.
Demanda por data centers
Se a inteligência artificial é o software que redefine o setor, os data centers são o hardware que sustenta essa transformação, e os números revelam uma assimetria que redesenha o mapa do capital imobiliário.Os Estados Unidos concentram aproximadamente 40% da capacidade global de data centers. A expectativa de construção de 20 gigawatts adicionais entre 2026 e 2030 equivale a erguer vinte cidades do porte de São Francisco em demanda energética. Trata-se de um ciclo de investimento em infraestrutura física que rivaliza com os grandes programas de construção do século XX, mas orientado por uma lógica completamente diferente.
Essa concentração nos EUA reflete a proximidade com os principais hyperscalers, a robustez do mercado de capitais americano, a previsibilidade regulatória e a disponibilidade de energia em escala. Cada um desses fatores funciona como multiplicador dos demais, criando um ecossistema que se retroalimenta e eleva barreiras de entrada para competidores.
Para os investidores imobiliários, os data centers deixaram de ser um nicho de infraestrutura tecnológica para se tornar uma classe de ativos com características próprias: contratos longos, inquilinos com grau de investimento, fluxos de caixa previsíveis e demanda estruturalmente crescente.
Jeff Ferry, Partner & Head of Digital Infrastructure da Safanad, também participou do evento (Foto: GRI Institute)
Onde está o Brasil nessa equação?
O posicionamento do Brasil é simultaneamente promissor e frustrante. O país detém apenas 1,5% da capacidade global de data centers, com algo entre 700-800 megawatts instalados para uma população de 210 milhões de habitantes. Essa relação de cerca de 3,8 megawatts por milhão de habitantes fica um pouco abaixo da média global (4 megawatts por milhão), um déficit que representa uma oportunidade de crescimento. Ainda assim, o Brasil responde por quase metade da capacidade instalada na América Latina, o que evidencia o gap do continente no tema.Para o Brasil em particular, os fundamentos existem. O país gera energia hidrelétrica abundante, barata e renovável, um diferencial competitivo decisivo em um setor onde o custo energético representa entre 40-60% do custo operacional total. Além disso, a conectividade submarina com Europa, África e Estados Unidos oferece redundância e baixa latência. Os principais hyperscalers globais já operam no país, validando a viabilidade técnica e comercial do mercado.
Contudo, as fricções regulatórias e tributárias são um freio estrutural. Impostos que podem chegar a 80% em equipamentos de computação evidenciam como a política fiscal pode neutralizar vantagens competitivas naturais. Quando um servidor que custa US$ 100 mil nos Estados Unidos chega ao Brasil por US$ 180 mil, o impacto sobre o custo total de implantação de um data center de grande escala é medido em centenas de milhões de dólares. Esse diferencial resulta na realocação do capital para jurisdições concorrentes - desde o Chile, na América Latina, até Índia e Indonésia, por exemplo.
A falta de previsibilidade contratual no fornecimento de energia agrava o quadro. Data centers exigem contratos de longo prazo com garantia de fornecimento e preços estáveis. Em um ambiente onde as regras do mercado livre de energia ainda estão em maturação, o risco regulatório se converte em prêmio de risco financeiro, encarecendo o capital e reduzindo a competitividade brasileira.
Os concorrentes não estão parados. Malásia, Índia, Emirados Árabes Unidos e países da Europa Oriental estão se posicionando para capturar investimentos em data centers, oferecendo incentivos fiscais, zonas econômicas especiais e marcos regulatórios desenhados para atrair hyperscalers. Aqui, o Redata segue paralisado em âmbito federal após não ser votado no prazo necessário pelo Senado. Em NY, executivos mencionaram a iniciativa como um divisor de águas para o investimento em data centers no Brasil.
Proptechs
O mercado brasileiro de tecnologia imobiliária apresenta uma particularidade que pode se converter em vantagem competitiva estrutural. Nos últimos dez anos, aproximadamente 80% do investimento em Proptech no país foi direcionado a plataformas residenciais voltadas ao consumidor final, como portais de busca, plataformas de financiamento e soluções de gestão condominial. Assim, o segmento comercial, a construção civil e a arquitetura permanecem relativamente carentes de soluções digitais sofisticadas.Essa concentração criou um vácuo que, paradoxalmente, pode ser preenchido de maneira mais eficiente do que em mercados maduros. Empresas brasileiras do segmento comercial e de construção carregam menor dívida tecnológica, isto é, menos sistemas legados que precisam ser migrados, menos integrações complexas que precisam ser desfeitas, menos resistência organizacional a mudanças de plataforma. Isso abre espaço para um efeito chamado leapfrogging: a adoção direta de plataformas nativas de inteligência artificial, sem a etapa intermediária de digitalização convencional.
Zach Aarons, Co-founder & General Partner da MetaProp (Foto: GRI Institute)
O mercado global de Proptech, avaliado entre US$ 50-60 bilhões, projeta alcançar US$ 120 bilhões nos próximos cinco anos. O Brasil, com um mercado estimado em até US$ 1,2 bilhão, representa uma fração modesta desse total, mas com taxa de crescimento potencialmente superior à média global, pela combinação de baixa penetração e condições favoráveis de adoção.
Em outras palavras, o momento de investir em infraestrutura tecnológica para ativos comerciais e operações de construção é agora, antes que o mercado se consolide em torno de plataformas estrangeiras.
Há risco de bolha nos data centers?
Toda classe de ativos que experimenta crescimento acelerado atrai, inevitavelmente, a pergunta sobre bolha. No caso dos data centers, essa discussão é embasada em dados concretos.A vacância nos mercados-núcleo dos Estados Unidos está abaixo de 1%. Esse número, por si só, já desafia a narrativa de sobreoferta. Mais relevante ainda: 92% da capacidade em construção já está pré-locada por empresas com grau de investimento, segundo executivos atuantes no setor. Ou seja: não se trata de construção especulativa alimentada por expectativas de demanda futura; os contratos firmados são de longo prazo, com fluxos de caixa previsíveis e inquilinos cujos balanços figuram entre os mais robustos do mundo corporativo.
A comparação com a bolha das pontocom de 2000, frequentemente invocada, não resiste a uma análise estrutural. Na virada do milênio, a construção de infraestrutura de telecomunicações foi financiada com base em projeções de demanda que não se materializaram, por empresas sem receita comprovada e com estruturas de capital frágeis.
Ainda assim, os executivos presentes no evento do GRI Institute alertam para dois riscos que merecem monitoramento constante:
1. Análise mercado a mercado: a vacância abaixo de 1% é uma média que mascara variações significativas entre mercados primários e secundários. Mercados emergentes de data centers podem apresentar dinâmicas de oferta e demanda distintas das observadas em Northern Virginia ou Dallas, por exemplo.
2. Investimentos circulares entre hyperscalers: quando um hyperscaler investe em uma startup de IA, que por sua vez contrata capacidade de computação do mesmo hyperscaler, os ganhos reportados contêm um componente não monetário que infla a percepção de crescimento orgânico. Esse mecanismo exige atenção redobrada dos investidores na análise dos fundamentos.
Mix entre IA, data centers e mercado imobiliário
A convergência entre IA, data centers e real estate está criando um novo paradigma de alocação de capital que desafia as categorias tradicionais. Data centers são simultaneamente infraestrutura, tecnologia e imobiliário. As proptechs dissolvem a fronteira entre operação imobiliária e empresa de software. A demanda por energia renovável para alimentar data centers conecta o setor imobiliário ao mercado de energia de maneira inédita.Modelos de avaliação que tratam data centers como galpões logísticos com ar-condicionado subestimam a complexidade operacional e o valor estratégico desses ativos. Modelos que tratam Proptech como venture capital convencional ignoram as dinâmicas específicas do mercado imobiliário, onde os ciclos são longos, a regulação é intensa e a adoção tecnológica é historicamente lenta.
O que emerge dos debates conduzidos pelo GRI Institute é a necessidade de uma abordagem integrada, que reconheça as interdependências entre infraestrutura física, camada tecnológica e dinâmicas do mercado imobiliário. Investidores que conseguirem navegar essa complexidade com sofisticação analítica e visão de longo prazo estarão posicionados para capturar valor em um ciclo que, pelos fundamentos apresentados, tem potencial para se estender por pelo menos uma década.
Para o Brasil, a equação é particularmente urgente. Os fundamentos naturais são excepcionais, as barreiras são conhecidas e, em sua maioria, superáveis, mas episódios como o Redata tendem a cobrar um preço alto.