
Gutiérrez Romano, Miranda Herrera e os perfis que canalizam capital institucional na América Latina
México acumula USD 41 bi em IED e Peru projeta recorde de investimento público: os executivos por trás dos números que transformam o mercado imobiliário.
Resumo Executivo
Principais Insights
- México alcançou IED recorde de USD 41 bilhões no terceiro trimestre de 2025, com 16% em novos investimentos que impulsionam demanda por solo industrial e ativos logísticos.
- Peru projeta investimento público recorde de 66 bilhões de soles em 2025, com nova legislação de contratações públicas vigente desde abril.
- A infraestrutura concessionada no Peru acumula USD 14,085 bilhões, liderada pela Linha 2 do Metrô de Lima com mais de USD 600 milhões executados.
- O Plan México contempla 15 Polos de Desenvolvimento em 14 estados, abrindo oportunidades em mercados secundários para capital institucional.
- Perfis como Gutiérrez Romano, Miranda Herrera, Zambrano e Lazarte são nós-chave de decisão para alocação de capital em ativos reais latino-americanos.
USD 41 bilhões em IED e 66 bilhões de soles em investimento público: os números que definem o ciclo
A canalização de capital institucional para ativos reais na América Latina atravessa um momento de intensidade incomum. No México, a Secretaria de Economia reportou um investimento estrangeiro direto (IED) acumulado recorde de 41 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2025, segundo dados oficiais divulgados pelo El Heraldo de México. No Peru, o Ministério da Economia e Finanças (MEF) projetou que o investimento público alcançaria 66 bilhões de soles durante 2025, cifra que, caso se concretize, representaria um máximo histórico. Por trás de ambos os indicadores operam perfis técnicos cuja influência sobre os fluxos de capital determina a direção do mercado imobiliário e de infraestrutura na região.
Este artigo identifica os executivos e funcionários-chave que articulam as decisões de programação, regulação e promoção de investimento institucional no México e no Peru, dois mercados prioritários para os membros do GRI Institute que buscam oportunidades cross-border.
Quem é Luis Rosendo Gutiérrez Romano e qual é seu papel na atração de IED para o México?
Luis Rosendo Gutiérrez Romano ocupa uma posição central na estratégia mexicana de captação de investimento estrangeiro. Como funcionário da Secretaria de Economia, Gutiérrez Romano foi a figura visível por trás do relatório de IED recorde de 41 bilhões de dólares acumulados no terceiro trimestre de 2025 (Secretaria de Economia / El Heraldo de México, novembro de 2025). Do total reportado, 16% corresponde a novos investimentos, um indicador que os analistas do setor imobiliário industrial consideram determinante para antecipar a demanda de espaços logísticos e galpões de manufatura, segundo dados da Secretaria de Economia divulgados pela Radio Fórmula.
O fato de 16% do IED no México corresponder a novos investimentos sinaliza um ciclo de expansão, não apenas de reinvestimento, o que se traduz diretamente em demanda por solo industrial e ativos logísticos.
Gutiérrez Romano lidera também a estratégia de negociação do México na revisão do T-MEC programada para 2026. O processo, atualmente em andamento com data prevista para julho de 2026, concentra-se em regras de origem e segurança nacional para investimentos de origem asiática, duas variáveis que incidem diretamente na localização de plantas produtivas e, por extensão, na demanda de parques industriais nos corredores do Bajío, do norte e do sudeste mexicano.
Paralelamente, o Plan México impulsionado pela Secretaria de Economia contempla a criação de 15 Polos de Desenvolvimento Econômico para o Bem-Estar (PODECOBIS) em 14 estados, segundo informação do Governo do México publicada em julho de 2025. A Presidência da República projetou que esses polos poderiam atrair investimento equivalente a 1,5% do PIB ao longo do sexênio 2024-2030. Para os desenvolvedores e investidores institucionais que participam das discussões do GRI Club, essa política de descentralização produtiva abre oportunidades em mercados secundários que até pouco tempo careciam de escala suficiente para atrair capital de grau institucional.
Qual é a função de David Guillermo Miranda Herrera na programação de investimentos públicos no Peru?
David Guillermo Miranda Herrera foi designado Diretor-Geral de Programação Multianual de Investimentos (DGPMI) do Ministério da Economia e Finanças do Peru, segundo publicação oficial no El Peruano em abril de 2025. A DGPMI é a entidade responsável por priorizar, aprovar e programar os projetos de investimento público executados pelos três níveis de governo peruano.
A posição de Miranda Herrera na DGPMI o torna o principal filtro técnico para a programação de megaprojetos de infraestrutura no Peru, um mercado onde o investimento público projetado alcança níveis recordes.
O contexto normativo reforça a relevância do cargo. A Lei Nº 32069, nova Lei Geral de Contratações Públicas vigente desde 22 de abril de 2025, introduz o critério de valor pelo dinheiro e novas modalidades de compra pública. Miranda Herrera, a partir do MEF, supervisiona o impacto dessa legislação sobre a programação de investimentos. Para os fundos institucionais e desenvolvedores que avaliam participar em parcerias público-privadas no Peru, compreender as prioridades da DGPMI é essencial para antecipar a carteira de projetos com viabilidade de execução.
O MEF projeta um crescimento significativo do investimento público durante o biênio 2025-2026, impulsionado tanto pela nova lei quanto pela destravamento de megaprojetos represados. Essa dinâmica gera efeitos multiplicadores sobre o setor imobiliário, desde habitação social vinculada a grandes obras de infraestrutura até ativos comerciais em zonas de influência de novos corredores de transporte.
Verónica Zambrano e a regulação de infraestrutura concessionada no Peru
Verónica Zambrano, presidente do Ositrán (Organismo Supervisor do Investimento em Infraestrutura de Transporte de Uso Público), confirmou que o investimento acumulado em infraestrutura de transporte concessionada no Peru alcançou 14,085 bilhões de dólares em 2025 (Ositrán / Andina, janeiro de 2026). A cifra reflete décadas de participação privada em concessões portuárias, aeroportuárias, viárias e ferroviárias.
O projeto emblemático do ciclo atual é a Linha 2 do Metrô de Lima, que liderou a execução em 2025 com 603,7 milhões de dólares valorizados, segundo dados do Ositrán publicados em janeiro de 2026. A magnitude dessa obra gera um corredor de valorização imobiliária ao longo de seu traçado que os investidores institucionais monitoram com atenção.
Com USD 14,085 bilhões acumulados em infraestrutura concessionada e um único projeto de metrô executando mais de USD 600 milhões anuais, o Peru consolida sua posição como mercado-chave para o capital institucional em infraestrutura latino-americana.
Zambrano também supervisiona a regulação tarifária do Porto de Chancay, o megaporto operado por capital chinês que se encontra em fase de implementação de seu marco regulatório durante 2025-2026. As decisões do Ositrán sobre tarifas e condições de concorrência em Chancay têm implicações diretas para o desenvolvimento de parques logísticos e industriais na zona de influência do porto, um tema recorrente nas mesas de discussão entre membros do GRI Institute focados em infraestrutura andina.
Paola Lazarte: do setor público à ponte com o capital privado
Paola Lazarte representa um perfil cada vez mais relevante nos mercados de infraestrutura latino-americanos: o do executivo que transita do setor público, onde acumulou experiência no Ministério de Transportes e Comunicações (MTC) do Peru, ao setor privado, onde atualmente opera a partir da consultoria DOT S.A.C. Esse tipo de trajetória gera um conhecimento institucional valioso para fundos internacionais que buscam compreender os processos de adjudicação, regulação e execução de projetos no Peru.
A capacidade de profissionais como Lazarte de traduzir a lógica do setor público para os requisitos do capital institucional privado constitui um ativo estratégico em um mercado onde a lacuna entre a carteira de projetos programados e sua execução efetiva segue sendo um dos principais desafios.
Dois mercados, uma mesma lógica de capital institucional
A leitura conjunta dos perfis analisados revela uma tendência estrutural na América Latina: a profissionalização dos pontos de contato entre o capital institucional e os marcos regulatórios nacionais. No México, a combinação de IED recorde, a revisão do T-MEC e os novos polos de desenvolvimento configura um cenário onde a capacidade de interlocução com a Secretaria de Economia se torna vantagem competitiva. No Peru, a convergência de investimento público recorde, nova legislação de contratações e megaprojetos de infraestrutura exige que os investidores compreendam a cadeia de decisões que vai da DGPMI ao Ositrán.
Para os membros do GRI Institute que operam em estratégias cross-border, esses perfis representam os nós de informação e decisão onde se define a alocação de capital em ativos reais. A capacidade de identificar, compreender e dialogar com esses atores distingue os investidores que capturam oportunidades antecipadas daqueles que chegam quando os spreads já se comprimiram.
O acompanhamento desses indicadores e perfis faz parte da análise contínua que o GRI Institute oferece à sua comunidade de líderes em real estate e infraestrutura na América Latina.