
Guilherme Paes e a nova geração de executivos que redesenham a originação de investimentos no real estate brasileiro
Dealmakers institucionais operam no epicentro de um mercado que bateu recordes de VGV mesmo sob juros restritivos, exigindo estruturas de capital cada vez mais sofisticadas.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O mercado imobiliário brasileiro atingiu VGV recorde em 2025, com alta de 3,5%, mesmo sob juros elevados e crédito restritivo.
- O CMN elevou o teto do SFH de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, ampliando o uso do FGTS para imóveis de médio-alto padrão.
- A liberação de compulsórios e novas regras da poupança devem injetar liquidez massiva no crédito imobiliário em 2026.
- Executivos como Guilherme Paes (BTG Pactual), André Kissajikian (AK Realty), Dan Chor e Alan Zelazo representam uma nova geração de dealmakers com repertório multidimensional.
- A convergência entre operadores de varejo/serviços e desenvolvedores imobiliários é tendência crescente.
A safra de executivos que define o próximo ciclo do capital imobiliário
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com um feito que poucos analistas projetavam no início daquele ano: um Valor Geral de Vendas (VGV) recorde, com alta de 3,5% em relação ao período anterior, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O volume de unidades residenciais vendidas cresceu 5,4%, e o programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por quase metade das vendas no último trimestre do ano, consolidando-se como principal vetor de absorção do mercado.
Esses números ganharam relevância adicional por terem sido alcançados sob um ambiente de crédito restritivo e juros elevados, conforme reportado pela Exame e ICL Notícias. A aparente contradição entre custo de capital alto e desempenho recorde revela uma camada de sofisticação na engenharia financeira do setor que merece análise detida. E é nessa camada que atua uma nova geração de executivos cujas decisões de originação, estruturação e alocação de capital redesenham as fronteiras do real estate brasileiro.
Entre esses profissionais, quatro nomes ilustram trajetórias complementares que, juntas, compõem um mosaico representativo do momento atual: Guilherme Paes, André Kissajikian, Dan Chor e Alan Zelazo. Cada um opera em um vértice distinto da cadeia de valor, do investment banking à incorporação, do capital de risco ao desenvolvimento de novos formatos imobiliários.
Quem é Guilherme Paes e por que sua atuação no BTG Pactual é relevante para o ciclo atual do real estate?
Guilherme Paes atua como Sócio e Head de Investment Banking no BTG Pactual, liderando a originação de operações estruturadas e mercado de capitais, conforme registros institucionais do banco e da LatinFinance. Sua posição o coloca no centro nevrálgico de um dos maiores bancos de investimento da América Latina, justamente no momento em que o setor imobiliário brasileiro demanda instrumentos financeiros de maior complexidade.
O contexto explica a centralidade dessa função. A liberação de depósitos compulsórios pelo Banco Central e as novas regras da poupança devem injetar um volume massivo de liquidez no crédito imobiliário ao longo de 2026, segundo projeções compiladas pelo Banco Central e reportadas pelo ImobiBrasil e GRI Hub News. Somam-se a isso as mudanças regulatórias aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional, que elevaram o teto de avaliação dos imóveis elegíveis ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. A medida permite que compradores utilizem o saldo do FGTS para entrada ou amortização de imóveis de médio-alto padrão, com taxas de juros limitadas a 12% ao ano.
Esse novo patamar de liquidez induzida e de alcance regulatório ampliado cria um ambiente propício para operações de mercado de capitais mais robustas, incluindo emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), estruturação de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e operações de M&A. A originação dessas operações exige profissionais capazes de conectar o apetite de investidores institucionais à realidade operacional das incorporadoras e desenvolvedoras. Guilherme Paes, pela natureza de sua posição no BTG Pactual, opera exatamente nessa interseção.
A relevância de executivos como Paes transcende a execução técnica de deals individuais. Eles funcionam como arquitetos de mercado, moldando os instrumentos que definem como o capital flui para o setor imobiliário. Em um ambiente onde a Selic permanece elevada, a capacidade de estruturar operações que ofereçam retorno ajustado ao risco torna-se um diferencial competitivo para toda a cadeia produtiva.
Como executivos de diferentes vértices da cadeia estão redefinindo a originação no real estate?
A originação de investimentos no real estate brasileiro deixou de ser uma atividade linear, limitada ao binômio crédito bancário e capital próprio. O ciclo atual exige uma abordagem multidimensional, e os executivos que se destacam são aqueles capazes de operar em mais de um eixo simultaneamente.
André Kissajikian, Presidente da AK Realty, exemplifica o perfil do incorporador que combina visão de produto com sofisticação financeira. A AK Realty mantém forte presença nos segmentos corporativo AAA, residencial e comercial, segundo dados do GRI Institute. Em um mercado onde o custo de capital pressiona margens, a capacidade de desenvolver ativos de alto padrão que atraiam capital institucional, seja via FIIs, seja via parcerias com fundos de investimento, torna-se um diferencial estratégico. A elevação do teto do SFH para R$ 2,25 milhões amplia o universo de compradores elegíveis para produtos de médio-alto padrão, segmento onde a AK Realty possui expertise consolidada.
Dan Chor representa um perfil distinto, mas igualmente relevante para o ecossistema imobiliário. Executivo com experiência em real estate e cofundador da BodyTech, Chor liderou o grupo de investidores que assinou o acordo de master franquia para trazer a rede Gold's Gym ao Brasil, conforme reportado pela PR Newswire e Athletech News em agosto de 2025. O plano prevê a abertura de 60 unidades no país ao longo dos próximos dez anos, começando com uma flagship em 2026. A operação possui um forte componente de desenvolvimento imobiliário, pois cada unidade demanda localização estratégica, adequação de planta e, frequentemente, parcerias com incorporadoras e proprietários de ativos comerciais.
Esse modelo de expansão baseado em franquia com lastro imobiliário ilustra uma tendência crescente no mercado brasileiro: a convergência entre operadores de varejo e serviços, de um lado, e desenvolvedores e investidores imobiliários, de outro. A originação de investimentos nesse contexto exige competências que vão além da análise financeira tradicional, incluindo entendimento de fluxos operacionais, dinâmicas de localização e estruturação de contratos de longo prazo.
Alan Zelazo completa esse quadro de executivos que atuam em diferentes frentes da originação de capital para o setor. Sua trajetória no mercado imobiliário e de capitais o posiciona entre os profissionais que operam na fronteira entre investimento institucional e desenvolvimento de ativos, um território que ganha complexidade à medida que novos instrumentos regulatórios e financeiros entram em operação.
Por que o mercado brasileiro exige uma nova arquitetura de originação de investimentos?
A pergunta central para os próximos trimestres é se a estrutura de originação de capital do mercado imobiliário brasileiro está preparada para absorver o volume de liquidez projetado para 2026 com a sofisticação que o momento exige.
Os dados de 2025 demonstram que o setor possui capacidade de absorção mesmo em condições adversas. Um mercado que atinge VGV recorde sob juros restritivos sinaliza resiliência estrutural, não apenas conjuntural. A demanda habitacional brasileira permanece robusta, sustentada por fatores demográficos e pelo déficit histórico de moradias.
O desafio, portanto, reside na qualidade da intermediação financeira e na capacidade dos dealmakers de conectar oferta de capital a projetos viáveis. A nova resolução do CMN sobre o SFH amplia o espectro de operações possíveis, mas também aumenta a responsabilidade dos originadores em avaliar risco e estruturar produtos adequados.
Executivos como Guilherme Paes, no âmbito do investment banking, André Kissajikian, na ponta do desenvolvimento, Dan Chor, na convergência entre operação e real estate, e Alan Zelazo, na interface entre capital institucional e ativos, representam os diferentes nós de uma rede cada vez mais interconectada. O desempenho do setor nos próximos anos dependerá, em grande medida, da capacidade desses profissionais de operar com agilidade e rigor técnico em um ambiente de liquidez crescente.
O GRI Institute acompanha de perto essa dinâmica por meio de suas atividades de pesquisa e de seus encontros setoriais, que reúnem os principais tomadores de decisão do real estate e da infraestrutura no Brasil e no mundo. A comunidade de membros do instituto constitui um espaço privilegiado para a troca de inteligência estratégica sobre originação de investimentos, estruturação de capital e tendências regulatórias.
O fator humano como variável de mercado
Mercados de capitais são, em última análise, mercados de confiança. A sofisticação dos instrumentos financeiros disponíveis para o real estate brasileiro cria oportunidades, mas também eleva o grau de exigência sobre os profissionais que operam esses instrumentos. A capacidade de um executivo de identificar uma oportunidade, estruturar uma tese de investimento e executar uma operação com disciplina determina, muitas vezes, a diferença entre um projeto bem-sucedido e um ativo estressado.
A nova geração de dealmakers do real estate brasileiro opera com um repertório mais amplo do que seus antecessores. Domina mercado de capitais, entende regulação, navega entre classes de ativos e conecta investidores domésticos e internacionais. Nomes como Guilherme Paes, André Kissajikian, Dan Chor e Alan Zelazo são representantes desse perfil, e sua relevância tende a crescer à medida que o mercado absorve novos fluxos de liquidez e demanda estruturas de capital mais complexas.
O ciclo que se abre em 2026 testará a capacidade desses executivos de transformar condições favoráveis em resultados concretos. O mercado já provou que sabe crescer sob adversidade. A próxima etapa é demonstrar que sabe crescer com sofisticação.