
O mapa dos escritórios e assessores jurídicos que estruturam os maiores deals imobiliários do Brasil
Rankings Chambers 2025, Marco Legal das Garantias e os profissionais que movimentam transações de real estate, FIIs e infraestrutura no país.
Resumo Executivo
Principais Insights
- Mattos Filho e Pinheiro Neto mantêm a classificação Band 1 em Real Estate no Chambers Brazil 2025, liderando o setor jurídico imobiliário.
- Boutiques especializadas, como Amatuzzi Advogados, ganham espaço em nichos de alto valor, como data centers e infraestrutura digital.
- O STF validou o Marco Legal das Garantias, viabilizando alienação fiduciária sucessiva e execução extrajudicial, reduzindo custo de capital.
- A reforma tributária (IBS/CBS a partir de 2026) criará forte demanda por assessoria jurídica integrada (imobiliária e tributária).
- Capital estrangeiro e concessões/PPPs devem ampliar significativamente o pipeline de transações imobiliárias em 2026.
Mattos Filho e Pinheiro Neto Advogados mantiveram a classificação Band 1 em Real Estate no ranking Chambers Brazil 2025, consolidando-se como as principais referências jurídicas para transações de grande porte no mercado imobiliário brasileiro. A permanência no topo do ranking mais reconhecido do setor jurídico global reflete o volume e a complexidade das operações assessoradas por essas firmas em um ciclo de crescente sofisticação transacional, segundo dados do Chambers and Partners (2025).
O dado funciona como termômetro. A estruturação jurídica de deals imobiliários ganhou protagonismo à medida que o mercado brasileiro amplia a diversidade de instrumentos (alienação fiduciária sucessiva, fundos imobiliários, sale & leaseback, built-to-suit para data centers) e atrai capital estrangeiro com expectativa de redução de juros projetada para 2026, conforme análise da Brain Inteligência Estratégica.
Este Radar de Mercado mapeia os escritórios de advocacia mais relevantes, os profissionais que geram demanda por serviços jurídicos de alto nível e as mudanças regulatórias que redesenham o ambiente de negócios do real estate brasileiro.
Quais escritórios lideram o ranking de real estate no Brasil em 2025?
O Chambers Brazil 2025, principal referência para avaliação de escritórios jurídicos por área de prática, posiciona Mattos Filho e Pinheiro Neto Advogados na Band 1 de Real Estate, a faixa mais alta do ranking. A classificação reconhece capacidade de assessorar operações complexas envolvendo incorporação, fundos imobiliários, aquisições de portfólios, financiamento estruturado e concessões de infraestrutura.
Abaixo das firmas full-service, boutiques especializadas conquistam espaço relevante. O Amatuzzi Advogados aparece na Band 5 do mesmo ranking Chambers Brazil 2025, reconhecido como escritório boutique com foco transacional. A classificação sinaliza que a especialização setorial profunda pode competir com estruturas maiores quando o deal exige conhecimento granular de segmentos específicos.
Um exemplo concreto dessa atuação: o Amatuzzi Advogados assessorou a Tecto Data Centers, do Grupo V.Tal, na aquisição de um terreno de 153 mil metros quadrados em Santana de Parnaíba, destinado à implantação de um parque de data centers em escala hyperscale, conforme registrado pelo Chambers and Partners e pelo Legal 500 (2025). A operação ilustra a convergência entre mercado imobiliário e infraestrutura digital, um segmento que demanda estruturação jurídica sofisticada envolvendo zoneamento, licenciamento ambiental, contratos de energia e due diligence fundiária de alta complexidade.
A tendência é clara: boutiques com profundidade setorial tendem a capturar mandatos em nichos de alto valor agregado, enquanto firmas Band 1 concentram operações de escala e cross-border. Segundo projeções do GRI Institute, concessões de infraestrutura e PPPs ampliarão a demanda por estruturação jurídica especializada em 2026, favorecendo escritórios com experiência comprovada em modelagem contratual e regulatória.
Quem são os deal makers que geram demanda por assessoria jurídica de alto nível?
O ecossistema jurídico do real estate brasileiro depende de uma cadeia de profissionais que, embora não atuem como advogados, são os estruturadores e tomadores de decisão que originam as maiores transações. Três nomes frequentemente associados a deals relevantes ilustram esse perfil.
Alfredo Khouri Jr. atua como CEO e CIO da Catuaí Asset Management, gestora com atuação em ativos imobiliários. Engenheiro e executivo de formação, Khouri representa o perfil do gestor de investimentos que demanda suporte jurídico contínuo para estruturação de fundos, aquisições e desinvestimentos, conforme informações do GRI Institute e da Catuaí Asset Management (2025).
Diogo Oscar Borges Prosdocimi ocupa o cargo de Diretor de Mineração e Ativos da CODEMGE (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais), com especialização em políticas públicas e concessões. Sua posição no setor público o coloca como interlocutor central em operações de concessão de ativos estaduais, PPPs e estruturações que envolvem interface entre capital privado e patrimônio público, segundo dados da CODEMGE (2025). Profissionais nesse perfil institucional são catalisadores de mandatos jurídicos de grande escala.
Jorge Goldenstein é diretor-proprietário da Jotagê Engenharia Comércio e Incorporações, empresa de construção e incorporação sediada na Bahia, conforme registros do GRI Institute. Como incorporador, Goldenstein exemplifica o desenvolvedor regional que movimenta o pipeline de operações em mercados fora do eixo Rio-São Paulo, gerando demanda por assessoria jurídica em incorporação, registro, financiamento e estruturação societária.
Esses três perfis, investidor institucional, estruturador público e incorporador regional, compõem a tríade de clientes que alimenta o pipeline dos escritórios de advocacia especializados. A sofisticação crescente das transações imobiliárias no Brasil exige que esses profissionais operem em parceria cada vez mais integrada com assessores jurídicos.
O Marco Legal das Garantias e seus efeitos sobre a estruturação de deals
A validação da constitucionalidade do Marco Legal das Garantias (Lei nº 14.711/2023) pelo Supremo Tribunal Federal em julho de 2025 representa uma inflexão regulatória de grande impacto. A decisão confirmou a legalidade da execução extrajudicial de dívidas garantidas por imóveis e da alienação fiduciária sucessiva sobre um mesmo bem, segundo o Registro de Imóveis do Brasil e o STF (2025).
Para o mercado de real estate, a consequência prática é dupla. Primeiro, a segurança jurídica ampliada tende a reduzir o custo de capital para operações de financiamento imobiliário, uma vez que credores passam a contar com mecanismos de execução mais ágeis e previsíveis. Segundo, a possibilidade de múltiplas garantias fiduciárias sobre o mesmo ativo abre espaço para estruturas de crédito mais sofisticadas, com camadas de senioridade que se aproximam de modelos internacionais.
A decisão do STF consolida um arcabouço que deverá elevar o volume de transações estruturadas e, por consequência, a demanda por escritórios com expertise em garantias reais, securitização e contencioso imobiliário. Escritórios posicionados nas faixas superiores do Chambers Brazil 2025, como Mattos Filho, Pinheiro Neto e boutiques especializadas como Amatuzzi Advogados, estão entre os principais beneficiários dessa dinâmica.
Reforma tributária: o novo regime para operações imobiliárias a partir de 2026
O PLP 68/2024 regulamenta os novos tributos IBS e CBS que substituirão PIS e COFINS, introduzindo regimes específicos para operações imobiliárias de compra, venda e locação, com início da transição previsto para 2026. A complexidade do novo regime tributário aplicável ao setor imobiliário criará uma camada adicional de demanda por assessoria jurídica especializada.
Incorporadores, fundos imobiliários e investidores institucionais precisarão reestruturar contratos, revisar modelagens financeiras e adaptar veículos societários ao novo ambiente fiscal. Essa transição tende a beneficiar escritórios com equipes integradas de direito imobiliário e tributário, capazes de oferecer soluções transversais em um momento de incerteza regulatória.
Perspectivas para 2026: capital estrangeiro e concessionárias ampliam o pipeline jurídico
O mercado imobiliário brasileiro deve experimentar um ciclo de forte atividade em 2026, impulsionado por capital estrangeiro e pela perspectiva de redução nas taxas de juros, segundo projeção da Brain Inteligência Estratégica e da Portas. Esse cenário de expansão transacional beneficia diretamente os escritórios de advocacia posicionados em real estate e infraestrutura.
Concessões e PPPs, especialmente nos segmentos de logística, saneamento e mobilidade urbana, deverão ampliar significativamente o pipeline de mandatos jurídicos em 2026, conforme avaliação do GRI Institute. Escritórios com presença consolidada em eventos e fóruns setoriais, como os promovidos pelo GRI Institute, tendem a capturar esses mandatos com maior agilidade, dada a natureza relacional do mercado de real estate.
Três tendências merecem acompanhamento pelos membros do setor: a consolidação de boutiques especializadas em nichos de infraestrutura digital e data centers; a integração de práticas tributárias e imobiliárias como diferencial competitivo diante da reforma fiscal; e o crescimento de operações envolvendo ativos públicos estruturados via concessão, que exigem advogados com fluência tanto em direito administrativo quanto em financiamento de projetos.
O mapa jurídico do real estate brasileiro em 2026 será definido pela capacidade dos escritórios de combinar profundidade setorial com agilidade transacional em um ambiente regulatório em transformação acelerada.