Em bom momento, hotéis e resorts atraem deals bilionários

Movimentação mais recente é a entrada do fundo de pensão canadense CPPIB no segmento

10 de julho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman

Principais Insights

  • O CPPIB está estreando na hotelaria brasileira após acertar junto à HSI a compra de 50% do Hilton Copacabana e 50% do Hilton Morumbi. A HSI é uma das maiores proprietárias de hotéis do Brasil.
  • Em 2024, o BTG Pactual comprou 18 hotéis da Accor por um total de R$ 1,7 bilhão, adicionando ao portfólio de sua asset nomes como Fairmont Copacabana e Pullman Vila Olímpia. 
  • O interesse de grandes players nacionais e estrangeiros é justificado pelos bons indicadores operacionais da hotelaria: no ano passado, houve alta na ocupação, diária média e RevPar em 15 capitais monitoradas pelo FOHB. 
  • O Nordeste se destaca pelos investimentos em resorts de luxo, como o Anantara Preá Ceará Resort e a Rota Due Caribe Brasileiro. 

Um dos segmentos mais impactados pela pandemia de covid-19, a hotelaria brasileira vive um momento positivo, com indicadores melhorando ano após ano - e o reflexo disso é o volume de novos investimentos no setor. 

O caso mais recente é a entrada do CPPIB (Canada Pension Plan Investment Board) - um dos maiores fundos de pensão do mundo, com mais de USD 700  bilhões em ativos sob gestão. Conforme reportou o Metro Quadrado, o fundo canadense acertou a compra de 50% de dois hotéis da Hemisfério Sul Investimentos (HSI) operados pela bandeira Hilton, no Morumbi (SP) e em Copacabana (RJ).

A HSI, que agora aparece na ponta vendedora, foi um dos players mais ativos na compra de empreendimentos nos últimos anos. O Hilton Copacabana foi comprado no início de 2024 por R$ 550 milhões junto à Blackstone. No ano passado, a gestora também adquiriu o InterContinental São Paulo, a uma quadra da Avenida Paulista, por R$ 150 milhões (já considerando o custo com reformas), e o JW Marriot, também em São Paulo, por R$ 300 milhões junto ao ADIA, fundo soberano de Abu Dhabi. 

Outro player bastante ativo no segmento é o BTG Pactual. Em outubro de 2024, a asset do banco de investimentos anunciou a aquisição de 18 hotéis da gigante francesa Accor no Brasil, incluindo o Fairmont Copacabana e o Pullman Vila Olímpia, por uma soma total de R$ 1,7 bilhão, tornando-se um dos maiores proprietários de hotéis do país. 

Max Lima, fundador e CEO da HSI, Marcos Haertel, Managing Director & Head of Real Estate Brazil do CPPIB, e Michel Wurman, sócio e Head of Real Estate do BTG Pactual, estão confirmados no GRI Hotéis 2026. Saiba mais. 

Ocupação, diária média e RevPar em alta

O interesse de investidores institucionais nacionais e estrangeiros encontra respaldo nos indicadores operacionais do setor. Segundo o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, o ano de 2025 encerrou com ocupação média de 61,6%, alta de 2,4% em relação a 2024; a diária média atingiu R$ 461, alta de 5,3%; e o RevPar subiu 7,8%, alcançando R$ 284, nas 15 capitais pesquisadas.

O Rio de Janeiro apresentou os melhores indicadores, com alta de 10,1% na ocupação, que ficou acima dos 72% durante o ano. A diária média subiu 10,7% (R$ 610) e o RevPar avançou quase 22%. 

A maior variação dentre as capitais monitoradas ocorreu em Belém, devido à COP-30, em novembro. Sem um evento de tamanha magnitude, as capitais do Nordeste apresentaram avanços importantes, especialmente Maceió (AL), onde os hotéis tiveram ocupação média de 72,7% - alta de 7,4% YoY - e o RevPar cresceu 19%. 

No segmento de luxo, dados da CBRE indicam que o RevPar subiu 50% entre 2022 e o final do ano passado.

Resorts assinam cheques bilionários

Levantamento realizado pelo Radar Resorts Brasil afirma que há pelo menos 20 novos resorts com inauguração prevista em 2027, adicionando 7,2 mil quartos à oferta nacional. Metade dos projetos já estaria afiliada a redes hoteleiras. O Nordeste concentra a maior parte dos lançamentos. 

Um dos que mais têm chamado atenção é o Anantara Preá Ceará Resort, situado no município de Cruz, a 20 minutos do aeroporto de Jericoacoara. As obras já foram iniciadas e a inauguração é prevista para o segundo semestre de 2028. O empreendimento de luxo terá 70 suítes inseridas na natureza da praia do Preá, com investimento revelado de R$ 150 milhões e operação da marca tailandesa Anantara. O kitesurfe é o grande atrativo esportivo do projeto, beneficiado pelas condições de vento do local. 

O resort em Cruz, vale dizer, é o investimento pioneiro e parte de um projeto bem maior liderado por Julio Capua - fundador do Grupo Carnaúba, ex-sócio e cofundador da XP Investimentos - que pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo reportagem da Bloomberg. No horizonte de 15 a 20 anos, o VGV do complexo - que será desenvolvido em uma área de 12 milhões de metros quadrados adquiridos por Capua - pode chegar a R$ 30 bilhões.

Outro empreendimento grandioso é a Rota Due Caribe Brasileiro, que tem o astro Neymar Jr. como um dos investidores e garoto-propaganda. O projeto prevê 28 resorts distribuídos em Porto de Galinhas e Carneiros, em Pernambuco, e Maragogi, Antunes e Japaratinga, em Alagoas, com obras previstas até 2037 e um faturamento estimado de R$ 7 bilhões. 
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