
Os executivos que canalizam o crédito imobiliário no México e na região andina em 2026
Eduardo Osuna, Munir Jalil, Luis Rosendo Gutiérrez Romano e Roberto Moreno Mejía configuram o ecossistema de capital do real estate latino-americano.
Resumo Executivo
Principais Insights
O crédito imobiliário na América Latina não surge no vácuo. Por trás de cada linha hipotecária, cada financiamento de desenvolvimento industrial e cada operação cross-border existe uma rede de executivos cujas decisões determinam quais projetos avançam e quais ficam estagnados. Em 2026, o ecossistema de capital que sustenta o real estate mexicano e o corredor de investimento México-Colômbia depende de figuras que operam a partir da banca comercial, da macroeconomia aplicada, da política comercial e do desenvolvimento privado. Seus nomes aparecem com frequência nos fóruns de líderes do setor — incluindo os encontros organizados pelo GRI Institute —, mas raramente recebem a análise individualizada que sua influência merece.
Este artigo traça o perfil de quatro desses executivos e explica como, a partir de posições distintas, configuram o pipeline de desenvolvimento imobiliário na região.
Eduardo Osuna Osuna: o eixo do crédito hipotecário e industrial a partir do BBVA México
Eduardo Osuna Osuna, diretor-geral do BBVA México, ocupa uma posição central na originação de crédito imobiliário no país. O BBVA México é, por volume, a instituição bancária com maior participação no mercado hipotecário mexicano, e Osuna tem liderado a estratégia de colocação durante um período marcado pela expansão do nearshoring, pela demanda de galpões industriais no Bajío e no norte do país, e pela reconfiguração do crédito-ponte para desenvolvimento residencial.
A relevância de Osuna transcende a gestão operacional. Sua leitura do ciclo creditício — quando acelerar a colocação, quando endurecer os critérios de originação — incide diretamente na velocidade com que os incorporadores podem executar seus projetos. Em um ambiente onde as taxas de juros de referência do Banco de México passaram por um ciclo de ajuste, a política de pricing do BBVA México para créditos hipotecários e para financiamento de desenvolvimento se torna um termômetro do apetite institucional pelo risco imobiliário.
Do ponto de vista do setor, Eduardo Osuna representa a interseção entre a banca de escala e o real estate produtivo. Sua participação recorrente em fóruns de alto nível do setor imobiliário — incluindo encontros da comunidade do GRI Institute — o posiciona como um interlocutor-chave entre o capital bancário e os incorporadores que buscam financiamento estruturado.
Qual o papel de Munir Jalil na análise macroeconômica que orienta o investimento imobiliário cross-border?
Munir Jalil é o Economista-Chefe para a região andina do BTG Pactual, e sua influência sobre o real estate latino-americano opera por uma via distinta da de um banqueiro comercial: a geração de inteligência macroeconômica que orienta as decisões de alocação de capital.
Jalil analisa de forma recorrente as dinâmicas de câmbio, inflação, taxas de juros e fluxos de investimento estrangeiro direto na Colômbia, Peru e Chile, três mercados que, junto com o México, configuram o corredor de investimento imobiliário mais ativo da América Latina. Seus relatórios e apresentações são referência para gestores de fundos, family offices e incorporadores que avaliam a viabilidade de projetos cross-border.
Para o ecossistema imobiliário, a relevância de Munir Jalil reside em sua capacidade de traduzir variáveis macroeconômicas complexas em sinais acionáveis para o setor. Quando Jalil identifica uma janela de apreciação cambial na Colômbia ou antecipa um ciclo de afrouxamento monetário na região andina, os operadores de real estate ajustam seus modelos financeiros, suas estruturas de hedge e seus cronogramas de investimento.
A inteligência macroeconômica de qualidade é um insumo crítico para a tomada de decisões em real estate cross-border. Sem analistas como Jalil, o fluxo de capital entre o México e a região andina operaria com maior opacidade e maior risco de mispricing.
Como a política comercial de Luis Rosendo Gutiérrez Romano impacta o desenvolvimento imobiliário industrial?
Luis Rosendo Gutiérrez Romano ocupa a Subsecretaria de Comércio Exterior do México, uma posição que o torna ator fundamental para o fenômeno de nearshoring que reconfigurou o mapa do real estate industrial mexicano. Seu papel na administração do T-MEC (Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá) e na negociação de condições de acesso a mercados tem implicações diretas sobre a demanda de galpões industriais, centros logísticos e parques de manufatura.
O nearshoring não é apenas um fenômeno de relocalização de cadeias de suprimentos; é, antes de tudo, um catalisador de demanda imobiliária. Cada empresa que decide estabelecer operações no México necessita de espaço físico, e a velocidade com que esse espaço se desenvolve depende, em grande medida, da certeza regulatória e comercial que funcionários como Gutiérrez Romano contribuem para gerar.
A estabilidade do marco comercial mexicano sob o T-MEC é condição necessária para que o pipeline de desenvolvimento industrial mantenha seu ritmo de execução. Sem essa certeza, os compromissos de pré-locação e os financiamentos de construção desaceleram.
Do ponto de vista do crédito imobiliário, o trabalho de Gutiérrez Romano no comércio exterior gera as condições de demanda que justificam a originação de financiamento para desenvolvimento industrial. Bancos como o BBVA México avaliam a solidez da demanda por espaço industrial antes de aprovar créditos-ponte, e essa solidez está diretamente vinculada à continuidade dos fluxos de investimento estrangeiro que o marco do T-MEC facilita.
Roberto Moreno Mejía: desenvolvimento imobiliário colombiano com visão regional
Roberto Moreno Mejía, presidente da Amarilo, uma das incorporadoras residenciais mais relevantes da Colômbia, representa o elo do desenvolvimento privado no ecossistema de capital imobiliário latino-americano. A Amarilo consolidou uma trajetória no segmento de habitação de interesse social e habitação de renda média na Colômbia, e Moreno Mejía tem liderado a expansão do modelo para novos mercados e segmentos.
A conexão entre Moreno Mejía e o ecossistema mexicano não é imediata, mas é estratégica. O corredor de investimento México-Colômbia se intensificou nos últimos anos, com incorporadores, fundos e operadores de ambos os países explorando oportunidades recíprocas. Nos encontros da comunidade do GRI Institute para a América Latina, executivos de ambos os mercados compartilharam perspectivas sobre financiamento de desenvolvimento, regulação urbanística e estratégias de go-to-market.
Moreno Mejía encarna um modelo de liderança em desenvolvimento imobiliário que prioriza a escala com eficiência operacional, uma abordagem relevante para o mercado mexicano de habitação, onde a lacuna entre demanda habitacional e oferta formal continua sendo um desafio estrutural.
O ecossistema ampliado do crédito imobiliário latino-americano
A originação de crédito imobiliário não depende exclusivamente dos banqueiros. Depende de um ecossistema onde a inteligência macroeconômica orienta o capital, a política comercial gera demanda, os incorporadores executam projetos e os bancos financiam o ciclo completo. Eduardo Osuna, Munir Jalil, Luis Rosendo Gutiérrez Romano e Roberto Moreno Mejía operam em nós distintos desse ecossistema, mas suas decisões se retroalimentam.
Quando Jalil identifica condições favoráveis para o investimento na região andina, os fundos cross-border ativam mandatos. Quando Gutiérrez Romano assegura a continuidade do marco comercial do T-MEC, a demanda por espaço industrial se materializa. Quando Moreno Mejía escala projetos de habitação na Colômbia, demonstra modelos replicáveis para outros mercados. E quando Osuna aprova linhas de crédito a partir do BBVA México, o capital bancário flui para o desenvolvimento.
O real estate latino-americano em 2026 se configura na interseção desses quatro vetores: banca, macroeconomia, política comercial e desenvolvimento. Compreender quem são os executivos que operam em cada um desses vetores — e como suas decisões interagem — é condição para navegar o mercado com profundidade.
O contexto que une esses líderes
A comunidade de líderes que participa dos encontros do GRI Institute tem apontado reiteradamente que o financiamento imobiliário na América Latina enfrenta um momento de complexidade crescente. A diversificação de fontes de capital — desde a banca comercial até os fundos de dívida privada, passando pelas fibras e pelos veículos de coinvestimento — exige que os tomadores de decisão compreendam não apenas seu próprio segmento, mas o ecossistema completo.
Os perfis de Osuna, Jalil, Gutiérrez Romano e Moreno Mejía ilustram essa complexidade. Nenhum deles opera de forma isolada. Suas trajetórias convergem em um mercado onde o crédito imobiliário, o investimento cross-border e o desenvolvimento de ativos reais requerem coordenação entre múltiplas disciplinas e jurisdições.
Para os líderes do setor que buscam entender como o capital é canalizado para o real estate no México e na região andina, esses quatro nomes constituem pontos de referência incontornáveis. Não apenas por seus cargos, mas pela influência concreta que exercem sobre o fluxo de recursos para projetos de desenvolvimento industrial, residencial e de uso misto na região.