Desenvolvedores argentinos captam capital regional após estabilização macro: o mapa de atores em 2026

GNV Group, Independencia AGF e a estruturação jurídica transfronteiriça definem o novo ciclo imobiliário argentino com investimentos acima de US$ 2 bilhões na r

21 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

A Argentina atravessa um ponto de inflexão imobiliário impulsionado pela estabilização macroeconômica, a queda projetada da inflação para 17%-25% até o final de 2026 e a desregulamentação do mercado de aluguéis. O projeto Udaondo de Alejandro Ginevra (US$ 370 milhões) com capital europeu exemplifica esse novo ciclo. Atores regionais como Independencia AGF (mais de US$ 2 bilhões em ativos) e especialistas em estruturação jurídica transfronteiriça configuram um ecossistema que posiciona a Argentina como a nova fronteira do real estate latino-americano, com CAGR projetado de 4,9% até 2032.

Principais Insights

  • O projeto Udaondo do GNV Group (US$ 370 milhões) atrai investidores suíços e alemães, sinalizando o reposicionamento argentino após o fim do cepo cambial.
  • O mercado imobiliário argentino crescerá a um CAGR de 4,9% entre 2026 e 2032, com tamanho projetado de US$ 50,8 bilhões até 2034.
  • A oferta de aluguéis aumentou mais de 150% após a desregulamentação do DNU 70/2023.
  • Buenos Aires oferece preços competitivos (US$ 2.450-2.600/m²) frente a outras capitais latino-americanas.
  • A convergência de atores locais, capital regional e infraestrutura jurídica transfronteiriça define o novo ciclo.

US$ 370 milhões em um único projeto: a aposta de Alejandro Ginevra marca o ritmo do ciclo argentino

O projeto Udaondo, no bairro portenho de Núñez, concentra um investimento de US$ 370 milhões liderado pelo GNV Group sob a direção de Alejandro Ginevra. Segundo reportagem do Clarín em março de 2026, o empreendimento registra crescente interesse de investidores estrangeiros provenientes da Suíça e da Alemanha, um sinal concreto de que o capital internacional começa a se posicionar em ativos argentinos após anos de cautela.

O dado não é anedótico. A Argentina atravessa um ponto de inflexão macroeconômico que transforma as condições para o investimento imobiliário. A eliminação do cepo cambial e as políticas de ajuste fiscal reduziram a incerteza que durante anos dissuadiu o capital estrangeiro. Nesse contexto, perfis como o de Ginevra funcionam como indicadores antecipados de um ciclo que está apenas se configurando.

O mercado imobiliário argentino crescerá a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 4,9% entre 2026 e 2032, impulsionado pela demanda residencial e pela atividade de infraestrutura, segundo projeções da 6Wresearch. O IMARC Group estima que o tamanho total do mercado alcançará US$ 50,811 bilhões até 2034. Os números projetam uma expansão sustentada que posiciona a Argentina como a nova fronteira do real estate na América Latina.

Quais condições macroeconômicas viabilizam o novo ciclo imobiliário na Argentina?

Três fatores estruturais convergem para gerar um ambiente favorável ao capital imobiliário em 2026.

O primeiro é a trajetória descendente da inflação. Segundo o TheLatinvestor, a inflação na Argentina deve cair para uma faixa de 17% a 25% até o final de 2026, um patamar que, embora elevado em termos internacionais, representa uma transformação radical em relação aos registros de três dígitos dos anos anteriores. Essa moderação influenciará positivamente a demanda por imóveis e a expansão do crédito hipotecário, um instrumento praticamente inexistente na última década.

O segundo fator é a desregulamentação do mercado de aluguéis. O DNU 70/2023 revogou a lei de aluguéis vigente, eliminando restrições de prazos e mecanismos de reajuste que haviam retraído a oferta. O resultado foi contundente: no início de 2026, a oferta de imóveis para locação aumentou mais de 150%, segundo dados do TheLatinvestor. A normalização do mercado locatício restaurou incentivos fundamentais para o investidor que destina capital à renda.

O terceiro elemento é o nível de preços. O preço médio do metro quadrado na Cidade de Buenos Aires no início de 2026 situa-se entre US$ 2.450 e US$ 2.600, com imóveis sendo vendidos em média 4% abaixo do preço de lista, de acordo com o TheLatinvestor. Para investidores regionais e internacionais acostumados aos valores de Santiago, Cidade do México ou Bogotá, Buenos Aires oferece um diferencial de entrada significativo em uma cidade com infraestrutura urbana consolidada.

A convergência de inflação decrescente, desregulamentação efetiva e preços competitivos configura uma janela de oportunidade que os desenvolvedores mais ativos já estão aproveitando.

Alejandro Ginevra e GNV Group: o desenvolvedor que atrai capital europeu para Buenos Aires

Alejandro Ginevra lidera o GNV Group, um dos desenvolvedores com maior trajetória no mercado argentino. O projeto Udaondo em Núñez, com seus US$ 370 milhões de investimento, constitui uma das operações de maior escala no ciclo atual. A presença de investidores suíços e alemães no projeto, reportada pelo Clarín em março de 2026, evidencia uma mudança qualitativa: o capital europeu, tradicionalmente conservador em relação a mercados emergentes com histórico de volatilidade cambial, agora avalia posições na Argentina.

Ginevra apontou que a eliminação do cepo cambial e as políticas de ajuste macroeconômico posicionaram a Argentina como um destino atrativo para o capital estrangeiro em 2025-2026, reduzindo a incerteza prévia. Sua leitura do mercado reflete a percepção de um segmento crescente de operadores que identificam na estabilização argentina uma oportunidade comparável àquela que outros mercados latino-americanos ofereceram em ciclos anteriores de abertura.

O perfil de Ginevra ilustra o desenvolvedor local que funciona como ponte entre o capital internacional e o mercado doméstico, uma função crítica em economias que transitam processos de normalização.

Quem são os atores regionais que olham para a Argentina em 2026?

O interesse no mercado argentino não provém exclusivamente da Europa. Operadores latino-americanos com experiência em investimento transfronteiriço avaliam oportunidades em um mercado que, até pouco tempo atrás, permanecia fora de seus radares.

Fernando Sánchez Chaigneau, fundador da Independencia AGF, administra direta e indiretamente mais de US$ 2 bilhões em ativos imobiliários no Chile, Estados Unidos e Uruguai, segundo dados do GRI Institute de março de 2026. Seu perfil representa o modelo de capital autônomo transfronteiriço que caracteriza os gestores de ativos mais sofisticados da região. A Independencia AGF construiu capacidade de execução em múltiplas jurisdições, um atributo determinante ao avaliar o ingresso em mercados em transição.

No âmbito da estruturação jurídica, Marcelo Mor é destacado nos relatórios do GRI Institute por seu trabalho na blindagem do capital privado em infraestrutura e real estate no México. Sua expertise reflete uma dimensão frequentemente subestimada na expansão cross-border: a segurança jurídica transfronteiriça. Para o capital regional que agora olha para a Argentina, a capacidade de estruturar veículos legais que protejam o investimento em diferentes jurisdições constitui um requisito operacional, não um complemento.

Esses perfis configuram um ecossistema onde desenvolvedores locais como Ginevra geram os ativos, gestores regionais como Sánchez Chaigneau aportam o capital institucional e especialistas como Mor fornecem a arquitetura jurídica que viabiliza as transações.

O mercado de aluguéis como termômetro da recuperação

A desregulamentação impulsionada pelo DNU 70/2023 gerou efeitos mensuráveis no mercado locatício argentino. O aumento de mais de 150% na oferta de imóveis para locação no início de 2026, documentado pelo TheLatinvestor, representa uma das correções de oferta mais aceleradas em mercados latino-americanos recentes.

O aumento massivo da oferta reconfigurou a equação para o investidor orientado à renda. Imóveis que durante anos permaneceram fora do mercado formal retornaram à oferta disponível, ampliando as opções tanto para inquilinos quanto para investidores institucionais que buscam fluxos previsíveis.

A normalização do mercado de aluguéis é um indicador antecipado da maturação do ciclo imobiliário argentino. Um mercado locatício funcional atrai capital de perfil conservador que prioriza o yield recorrente sobre a valorização especulativa.

Argentina no contexto do real estate latino-americano

A estabilização argentina ocorre em um momento de reconfiguração do mapa de investimento imobiliário regional. O México concentra fluxos associados ao nearshoring, a Colômbia avança na formalização de seu mercado de capitais imobiliários, o Chile consolida sua posição como praça financeira para veículos de investimento e o Peru mantém dinamismo no segmento residencial.

A Argentina ingressa nesse tabuleiro com atributos diferenciados: preços de entrada competitivos, uma base de infraestrutura urbana desenvolvida e um mercado de profissionais com experiência em ciclos de alta complexidade. O CAGR projetado de 4,9% entre 2026 e 2032, segundo a 6Wresearch, a posiciona como um dos mercados com maior potencial de crescimento relativo na região.

No contexto do Latin America GRI Real Estate 2026, o evento regional mais relevante para líderes do setor, a presença de operadores argentinos junto a gestores de capital chilenos, mexicanos e colombianos reflete a integração progressiva da Argentina ao circuito de investimento cross-border latino-americano. O GRI Institute documentou essa convergência por meio de seus relatórios e encontros, onde perfis como os de Ginevra, Sánchez Chaigneau e Mor articulam as distintas dimensões do capital imobiliário regional.

Perspectivas para o ciclo 2026-2032

O mercado imobiliário argentino enfrenta um horizonte de expansão condicionado pela sustentabilidade da estabilização macroeconômica. Se a inflação efetivamente convergir para a faixa projetada de 17% a 25% até o final de 2026, o crédito hipotecário poderá se reativar como motor de demanda residencial, um fator ausente por mais de uma década.

Os desenvolvedores que se posicionarem cedo neste ciclo, com acesso a capital regional e estruturas jurídicas robustas, capturarão as maiores oportunidades de valorização. O diferencial de preços atual em Buenos Aires, com o metro quadrado entre US$ 2.450 e US$ 2.600, oferece uma margem de valorização significativa em um cenário de normalização sustentada.

A Argentina deixa de ser uma anomalia no mapa imobiliário latino-americano para se tornar sua nova fronteira de crescimento.

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