GRI InstituteData center é o principal segmento do próximo ciclo de investimentos no Brasil
Segmento lidera preferências em levantamento do Santander, mas enfrenta obstáculos tributários; Redata tramita no Senado
3 de julho de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Henrique Cisman
Principais Insights
- O Brasil opera com aproximadamente 3,8 MW por milhão de habitantes em capacidade de data centers, abaixo da média global de 4 MW por milhão, mas responde por quase metade da capacidade instalada na América Latina, evidenciando tanto o potencial de crescimento quanto a defasagem do continente.
- A carga tributária sobre equipamentos de computação pode alcançar 80%, elevando o custo de um servidor de US$ 100 mil nos EUA para US$ 180 mil no Brasil; a aprovação do Redata pelo Senado poderia viabilizar um salto para 3 GW de capacidade instalada até 2032, com capex estimado em R$ 100 bilhões anuais.
- Pesquisa do Santander com mais de 200 executivos do setor financeiro e de infraestrutura aponta que 23% consideram data centers o principal segmento do próximo ciclo de investimentos no Brasil.
O Brasil detém apenas 1,5% da capacidade global de data centers - entre 800 megawatts e 1 GW instalados -, mas reúne um conjunto de vantagens competitivas que o posiciona como um dos destinos mais promissores para a próxima onda de investimentos em infraestrutura digital. A tendência, porém, esbarra em entraves tributários que elevam o custo de implantação em até 35% em relação aos Estados Unidos, travando a materialização de projetos bilionários, enquanto concorrentes internacionais avançam com incentivos fiscais agressivos.
A aprovação do Regime Especial de Tributação para Data Centers (Redata) - que expirou como medida provisória, mas consta no Projeto de Lei 278/2026, aguardando apreciação pelo Senado - emerge como o divisor de águas capaz de destravar um ciclo de investimentos sem precedentes no país.
O futuro da IA e a demanda por data centers serão debatidos no Brazil GRI 2026. Acompanhe para saber mais
O Nordeste, em particular o Ceará, terá aproximadamente um terço dos 8,3 GW de capacidade prevista em 30 projetos na região, com R$ 200 bilhões em investimentos aprovados até 2033. A matriz renovável e o consumo hídrico próximo de zero - medido pelo indicador WUE (Water Usage Effectiveness) - reforçam o posicionamento do país como destino prioritário para investimentos sustentáveis em inteligência artificial, num momento em que as despesas de capital globais destinadas à IA podem alcançar US$ 5,5 trilhões até 2030, segundo projeções do JPMorgan.
Os fundamentos naturais são excepcionais, as barreiras são conhecidas e superáveis, mas a janela de oportunidade não permanecerá aberta indefinidamente, segundo executivos que debateram as oportunidades em data centers no Brasil reunidos em Nova York em evento do GRI Institute.
O Redata foi concebido para suspender a cobrança de tributos federais na importação de máquinas e equipamentos destinados ao setor. Instituído pela Medida Provisória 1.318/2025 em setembro de 2025, o regime não foi votado pelo Congresso dentro do prazo constitucional, e a MP expirou em 25 de fevereiro de 2026. O texto foi reenviado como Projeto de Lei 278/2026, aprovado pela Câmara dos Deputados em 24 de fevereiro, e agora aguarda votação no Senado.
Mas essa demora cobra um preço alto. Chile, Malásia, Índia e Emirados Árabes Unidos já oferecem incentivos fiscais e zonas econômicas especiais para atrair hyperscalers, cujos gastos devem atingir US$ 650 bilhões em 2026 e superar US$ 1,1 trilhão em 2027. Cada mês de indefinição regulatória representa capital que migra para destinos com maior previsibilidade.
Com a aprovação do Redata, estimativas de players do setor apontam que a capacidade local poderia saltar dos atuais 750 MW para 3 GW até 2032, representando cerca de R$ 100 bilhões em CAPEX por ano.
Esse dado é particularmente significativo quando se considera que rodovias e saneamento são setores com décadas de maturidade regulatória e histórico consolidado de concessões no país. A ascensão dos data centers ao topo das prioridades de alocação de capital reflete não apenas a demanda global por infraestrutura digital, mas a confiança dos investidores nos fundamentos brasileiros - desde que as barreiras regulatórias sejam equacionadas.
Nos Estados Unidos, a vacância em data centers está abaixo de 1%, e 92% dos novos projetos já estão pré-locados, conforme revela Jeff Ferry, sócio e head de Infraestrutura Digital da Safanad, em entrevista ao GRI Institute. Os números afastam a tese de bolha no curto prazo, sinalizando que a demanda global por capacidade computacional permanece estruturalmente superior à oferta.
A aprovação do Redata pelo Senado não é apenas uma medida de política tributária, e sim o sinal que o mercado internacional aguarda para confirmar o Brasil como destino prioritário de um ciclo de investimentos que pode ultrapassar R$ 100 bilhões anuais.
A cada trimestre sem definição regulatória, decisões de alocação de capital de longo prazo são direcionadas para países concorrentes. Os fundamentos estão dados.
A aprovação do Regime Especial de Tributação para Data Centers (Redata) - que expirou como medida provisória, mas consta no Projeto de Lei 278/2026, aguardando apreciação pelo Senado - emerge como o divisor de águas capaz de destravar um ciclo de investimentos sem precedentes no país.
O futuro da IA e a demanda por data centers serão debatidos no Brazil GRI 2026. Acompanhe para saber mais
Os atrativos do Brasil
O Brasil dispõe de fundamentos que poucos países conseguem reunir simultaneamente. Cerca de 88% da matriz elétrica provém de fontes renováveis, o custo energético é competitivo em dólar e a conectividade submarina com Europa, África e Estados Unidos oferece redundância e baixa latência. Fortaleza, por exemplo, se consolida como ponto estratégico de amarração de múltiplos cabos submarinos de fibra óptica, enquanto São Paulo abriga a maior capacidade instalada do país e concentra contratos antecipados com Amazon, Google, Microsoft e Meta.O Nordeste, em particular o Ceará, terá aproximadamente um terço dos 8,3 GW de capacidade prevista em 30 projetos na região, com R$ 200 bilhões em investimentos aprovados até 2033. A matriz renovável e o consumo hídrico próximo de zero - medido pelo indicador WUE (Water Usage Effectiveness) - reforçam o posicionamento do país como destino prioritário para investimentos sustentáveis em inteligência artificial, num momento em que as despesas de capital globais destinadas à IA podem alcançar US$ 5,5 trilhões até 2030, segundo projeções do JPMorgan.
Os fundamentos naturais são excepcionais, as barreiras são conhecidas e superáveis, mas a janela de oportunidade não permanecerá aberta indefinidamente, segundo executivos que debateram as oportunidades em data centers no Brasil reunidos em Nova York em evento do GRI Institute.
Impostos retardam a alocação de capital no país
Se os atrativos são evidentes, o principal obstáculo também é conhecido. Impostos que podem chegar a 80% sobre equipamentos de computação fazem com que o custo de implantação de um data center no Brasil seja cerca de 35% superior ao americano, em dólares. Essa assimetria tributária não apenas encarece projetos, como desloca decisões de investimento para jurisdições concorrentes.O Redata foi concebido para suspender a cobrança de tributos federais na importação de máquinas e equipamentos destinados ao setor. Instituído pela Medida Provisória 1.318/2025 em setembro de 2025, o regime não foi votado pelo Congresso dentro do prazo constitucional, e a MP expirou em 25 de fevereiro de 2026. O texto foi reenviado como Projeto de Lei 278/2026, aprovado pela Câmara dos Deputados em 24 de fevereiro, e agora aguarda votação no Senado.
Mas essa demora cobra um preço alto. Chile, Malásia, Índia e Emirados Árabes Unidos já oferecem incentivos fiscais e zonas econômicas especiais para atrair hyperscalers, cujos gastos devem atingir US$ 650 bilhões em 2026 e superar US$ 1,1 trilhão em 2027. Cada mês de indefinição regulatória representa capital que migra para destinos com maior previsibilidade.
Com a aprovação do Redata, estimativas de players do setor apontam que a capacidade local poderia saltar dos atuais 750 MW para 3 GW até 2032, representando cerca de R$ 100 bilhões em CAPEX por ano.
Infraestrutura digital lidera em intenções de investimentos
A percepção do mercado financeiro confirma a relevância estratégica do segmento. Pesquisa conduzida pelo Santander com mais de 200 executivos de empresas, fundos de crédito e instituições financeiras revelou que 23% dos participantes consideram data centers e estruturas associadas como o principal segmento do próximo ciclo de investimentos em infraestrutura no Brasil, à frente de rodovias e saneamento, ambos com 20%.Esse dado é particularmente significativo quando se considera que rodovias e saneamento são setores com décadas de maturidade regulatória e histórico consolidado de concessões no país. A ascensão dos data centers ao topo das prioridades de alocação de capital reflete não apenas a demanda global por infraestrutura digital, mas a confiança dos investidores nos fundamentos brasileiros - desde que as barreiras regulatórias sejam equacionadas.
Nos Estados Unidos, a vacância em data centers está abaixo de 1%, e 92% dos novos projetos já estão pré-locados, conforme revela Jeff Ferry, sócio e head de Infraestrutura Digital da Safanad, em entrevista ao GRI Institute. Os números afastam a tese de bolha no curto prazo, sinalizando que a demanda global por capacidade computacional permanece estruturalmente superior à oferta.
A aprovação do Redata pelo Senado não é apenas uma medida de política tributária, e sim o sinal que o mercado internacional aguarda para confirmar o Brasil como destino prioritário de um ciclo de investimentos que pode ultrapassar R$ 100 bilhões anuais.
A cada trimestre sem definição regulatória, decisões de alocação de capital de longo prazo são direcionadas para países concorrentes. Os fundamentos estão dados.