FreepikCompetitividade e capacidade energética são os principais desafios para data centers no Brasil
Especialistas do setor e representantes do governo discutem soluções para expansão da infraestrutura de transmissão de energia e políticas de incentivo fiscal
13 de fevereiro de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:Isabella Toledo
Principais Insights
- O segmento de data centers no Brasil está em transformação devido à crescente demanda por cloud computing, mas enfrenta desafios em competitividade e expansão da infraestrutura energética.
- O Redata oferece benefícios fiscais para data centers, visando aumentar a competitividade do Brasil no mercado global, reduzindo custos e atraindo investimentos.
- O planejamento energético no Brasil enfrenta desafios devido ao tempo de execução de projetos de transmissão de energia, mas a PNAST busca otimizar a conexão com a rede elétrica, priorizando grandes consumidores.
- A adoção de modelos fast-track na construção de data centers pode acelerar a implementação de projetos, reduzindo prazos e atraindo mais investimentos para o setor de tecnologia e inovação.
O setor de data centers brasileiro se encontra em um momento de transformação, impulsionado por uma demanda crescente por processamento de dados e soluções em cloud computing.
A interação com o setor energético, as questões regulatórias e a expansão da infraestrutura de transmissão de energia são fatores críticos para garantir que o setor esteja preparado para atender às novas necessidades do mercado.
Durante uma roundtable promovida pelo GRI Institute, especialistas do setor e representantes do governo se reuniram para discutir os desafios enfrentados pelo Brasil, além das oportunidades criadas por iniciativas como o Redata e a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST).
Enquanto mercados como os Estados Unidos consolidam infraestrutura de dados com custos operacionais mais baixos e ambientes regulatórios estáveis, o Brasil ainda enfrenta custos elevados para instalação e operação de data centers, o que reduz a atratividade de investimentos.
Essa realidade faz com que uma parte significativa dos dados gerados no país seja processada no exterior, com impactos não apenas econômicos, mas também em termos de segurança e soberania digital.
Nesse contexto, o Redata - sigla para Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center - surge como um instrumento estratégico para transformar esse cenário e posicionar o Brasil de maneira mais competitiva no mapa global da economia digital.
Trata‑se de um regime fiscal especial que concede benefícios tributários significativos para empresas que constroem, ampliam ou operam data centers no Brasil, incluindo a suspensão de tributos federais como PIS/Pasep, Cofins, IPI e, em determinados casos, imposto de importação para equipamentos sem similar produzido no Brasil.
Esses tributos podem ser convertidos em alíquota zero conforme o cumprimento das obrigações legais.
A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) iniciou estudos de expansão em regiões chave, como o Sudeste e o Nordeste, que enfrentam alta demanda por conexão à rede elétrica.
O planejamento inclui a construção de novas linhas de transmissão e subestações, porém, o tempo necessário para que um projeto de transmissão seja planejado e executado pode levar até sete anos, o que dificulta a implementação de novas soluções.
Além disso, o processo de licitação e a exigência de garantias financeiras dos interessados em conectar suas instalações à rede tornam ainda mais complexa a aceleração desse processo.
Em resposta, a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) foi criada para otimizar o processo de conexão dos grandes consumidores de energia, como os data centers, à rede elétrica brasileira.
A PNAST substitui o antigo sistema de “fila de conexão” - em que os pedidos eram avaliados estritamente por ordem de chegada - por um modelo baseado em “temporadas de acesso”, janelas periódicas em que todos os pedidos de novos acessos ou ampliações são registrados e analisados de forma conjunta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Esse modelo, denominado competição por capacidade de transmissão, evita a ocupação ineficiente de pontos escassos da rede e alinha o acesso à infraestrutura com o planejamento de longo prazo.
A Política também introduz a possibilidade de contratação de capacidade futura, permitindo que data centers se preparem para o crescimento sem a incerteza de atrasos ou mudanças imprevistas na infraestrutura elétrica.
Uma estratégia que pode impulsionar esse desenvolvimento é a adoção de modelos fast‑track na construção de data centers - práticas que comprimem o cronograma de implantação ao coordenar atividades de engenharia, suprimentos e construção em paralelo, permitindo entregas parciais e operações iniciais mesmo antes da conclusão total das obras.
Essa abordagem exige planejamento rigoroso, definição antecipada de layout, aquisições estratégicas e integração das principais fases do projeto para reduzir prazos sem comprometer qualidade e segurança.
A aplicação desses modelos, já utilizados em mercados como os Estados Unidos para acelerar as aprovações e a construção, pode ser uma solução viável no Brasil para diminuir barreiras de tempo e atrair investimentos, estimulando inovação e fortalecendo a infraestrutura digital nacional.
Esses insights foram compartilhados durante a GRI Roundtable "Previsibilidade Energética: O maior desafio para o futuro dos Data Centers?", realizada em parceria com a Vertiv, que contou com a moderação de Luciano Fialho (Scala Data Centers) e a participação de Guilherme Zanetti Rosa (Ministério de Minas e Energia), Sandoval Feitosa Neto (ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica) e Thiago Prado (EPE).
A interação com o setor energético, as questões regulatórias e a expansão da infraestrutura de transmissão de energia são fatores críticos para garantir que o setor esteja preparado para atender às novas necessidades do mercado.
Durante uma roundtable promovida pelo GRI Institute, especialistas do setor e representantes do governo se reuniram para discutir os desafios enfrentados pelo Brasil, além das oportunidades criadas por iniciativas como o Redata e a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST).
Redata pode ser solução para aumentar competitividade
Um dos maiores entraves à expansão do setor de data centers no Brasil tem sido a baixa competitividade internacional.Enquanto mercados como os Estados Unidos consolidam infraestrutura de dados com custos operacionais mais baixos e ambientes regulatórios estáveis, o Brasil ainda enfrenta custos elevados para instalação e operação de data centers, o que reduz a atratividade de investimentos.
Essa realidade faz com que uma parte significativa dos dados gerados no país seja processada no exterior, com impactos não apenas econômicos, mas também em termos de segurança e soberania digital.
Nesse contexto, o Redata - sigla para Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center - surge como um instrumento estratégico para transformar esse cenário e posicionar o Brasil de maneira mais competitiva no mapa global da economia digital.
Trata‑se de um regime fiscal especial que concede benefícios tributários significativos para empresas que constroem, ampliam ou operam data centers no Brasil, incluindo a suspensão de tributos federais como PIS/Pasep, Cofins, IPI e, em determinados casos, imposto de importação para equipamentos sem similar produzido no Brasil.
Esses tributos podem ser convertidos em alíquota zero conforme o cumprimento das obrigações legais.
Planejamento de expansão da infraestrutura energética
Com o aumento da demanda por energia, especialmente no setor de data centers, o planejamento energético no Brasil tem se antecipado para garantir a expansão da infraestrutura necessária.A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) iniciou estudos de expansão em regiões chave, como o Sudeste e o Nordeste, que enfrentam alta demanda por conexão à rede elétrica.
O planejamento inclui a construção de novas linhas de transmissão e subestações, porém, o tempo necessário para que um projeto de transmissão seja planejado e executado pode levar até sete anos, o que dificulta a implementação de novas soluções.
Além disso, o processo de licitação e a exigência de garantias financeiras dos interessados em conectar suas instalações à rede tornam ainda mais complexa a aceleração desse processo.
Em resposta, a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) foi criada para otimizar o processo de conexão dos grandes consumidores de energia, como os data centers, à rede elétrica brasileira.
A PNAST substitui o antigo sistema de “fila de conexão” - em que os pedidos eram avaliados estritamente por ordem de chegada - por um modelo baseado em “temporadas de acesso”, janelas periódicas em que todos os pedidos de novos acessos ou ampliações são registrados e analisados de forma conjunta pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Esse modelo, denominado competição por capacidade de transmissão, evita a ocupação ineficiente de pontos escassos da rede e alinha o acesso à infraestrutura com o planejamento de longo prazo.
A Política também introduz a possibilidade de contratação de capacidade futura, permitindo que data centers se preparem para o crescimento sem a incerteza de atrasos ou mudanças imprevistas na infraestrutura elétrica.
Fast-track é oportunidade para o futuro
O Brasil possui um grande potencial de crescimento no mercado de data centers, especialmente se continuar aprimorando suas políticas de acesso à energia e medidas que aumentem a competitividade do setor.Uma estratégia que pode impulsionar esse desenvolvimento é a adoção de modelos fast‑track na construção de data centers - práticas que comprimem o cronograma de implantação ao coordenar atividades de engenharia, suprimentos e construção em paralelo, permitindo entregas parciais e operações iniciais mesmo antes da conclusão total das obras.
Essa abordagem exige planejamento rigoroso, definição antecipada de layout, aquisições estratégicas e integração das principais fases do projeto para reduzir prazos sem comprometer qualidade e segurança.
A aplicação desses modelos, já utilizados em mercados como os Estados Unidos para acelerar as aprovações e a construção, pode ser uma solução viável no Brasil para diminuir barreiras de tempo e atrair investimentos, estimulando inovação e fortalecendo a infraestrutura digital nacional.
Esses insights foram compartilhados durante a GRI Roundtable "Previsibilidade Energética: O maior desafio para o futuro dos Data Centers?", realizada em parceria com a Vertiv, que contou com a moderação de Luciano Fialho (Scala Data Centers) e a participação de Guilherme Zanetti Rosa (Ministério de Minas e Energia), Sandoval Feitosa Neto (ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica) e Thiago Prado (EPE).