
Chris Torto, data centers e a nova fronteira de precificação de ativos imobiliários no Brasil
A interação entre líderes de infraestrutura digital e consultorias de valuation redesenha os parâmetros de alocação de capital no mercado imobiliário brasileiro em 2026.
Resumo Executivo
Principais Insights
- Data centers, como os da Ascenty de Chris Torto, desafiam modelos tradicionais de precificação imobiliária ao combinar real estate, energia e tecnologia.
- FIIs atingiram recordes históricos de investidores, patrimônio líquido e liquidez na B3 em 2026.
- O Plano Brasileiro de IA prevê R$ 23,9 bilhões em investimentos, incluindo novos data centers.
- A MP ReData cria arcabouço regulatório específico para infraestrutura digital, impactando o valuation imobiliário.
- Consultorias de research são âncoras de credibilidade na precificação de ativos, mas permanecem pouco visíveis no debate público.
A inteligência de mercado como pilar invisível da precificação
O mercado imobiliário brasileiro atravessa uma transformação estrutural na forma como seus ativos são precificados. Os fundos imobiliários (FIIs) atingiram marca histórica de investidores na B3 em 2026, segundo dados da própria bolsa e do TrendsCE. O patrimônio líquido total dos FIIs alcançou patamar recorde, assim como a liquidez média diária (ADTV), que bateu recordes consecutivos no início do ano. Esses marcos refletem uma sofisticação crescente do mercado de capitais imobiliário, onde a qualidade da informação que sustenta cada decisão de alocação tornou-se o principal diferencial competitivo.
Por trás de cada transação relevante, de cada ajuste de cap rate e de cada tese de investimento aprovada em comitê, existe uma camada de inteligência de mercado que permanece pouco visível para o grande público, mas que exerce influência decisiva sobre os fluxos de capital. Consultorias como JLL, CBRE, Cushman & Wakefield, Newmark e boutiques especializadas produzem os estudos de viabilidade, os benchmarks de ocupação e os relatórios de valuation que informam gestores de FIIs, incorporadores, bancos e investidores institucionais. A qualidade e a profundidade desse research determinam, em última instância, o preço que o mercado atribui a cada metro quadrado.
Paralelamente, líderes de infraestrutura como Chris Torto, fundador e CEO da Ascenty, a maior empresa de data centers da América Latina (uma joint venture da Digital Realty e Brookfield), representam a outra ponta dessa equação. São eles que criam os ativos que desafiam os modelos tradicionais de precificação e exigem novas metodologias de avaliação.
Como Chris Torto e a Ascenty redefinem o que significa "ativo imobiliário" no Brasil?
Chris Torto construiu na Ascenty uma plataforma que posiciona o Brasil no mapa global da infraestrutura digital. Data centers são, por natureza, ativos híbridos: combinam características de real estate industrial, infraestrutura de energia e tecnologia da informação. Essa complexidade exige que os profissionais de valuation desenvolvam frameworks que vão muito além da análise tradicional de localização, área construída e custo de reposição.
A capacidade instalada de data centers na região de Campinas (SP), por exemplo, já consolidava a cidade como polo de infraestrutura imobiliária tecnológica, segundo levantamento da consultoria JLL realizado em 2024. Desde então, o cenário evoluiu rapidamente. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia), em vigor e anunciado pelo Governo Federal, prevê investimentos de R$ 23,9 bilhões, incluindo a construção de novos data centers, impactando diretamente o setor de real estate tecnológico e infraestrutura digital. A Medida Provisória ReData, introduzida no parlamento em setembro de 2025, cria um arcabouço regulatório específico para o setor, influenciando o valuation de ativos de tecnologia.
A demanda potencial para conectar data centers novos ou em expansão à rede elétrica brasileira pode crescer exponencialmente até 2035, segundo projeções do Governo Federal reportadas pelo InfoMoney. Esse cenário exige forte atuação de consultorias imobiliárias para viabilização de áreas, avaliação de riscos e precificação de contratos de longo prazo. A interação entre executivos como Torto e os times de research das grandes consultorias cria um ecossistema de inteligência que alimenta toda a cadeia de decisão.
Precificar um data center requer a análise de variáveis que o mercado imobiliário tradicional raramente considerou: densidade de potência elétrica por metro quadrado, redundância de sistemas, conectividade de fibra óptica, contratos de energia de longo prazo e compliance com padrões internacionais de sustentabilidade. Cada uma dessas variáveis altera significativamente o valor do ativo, e o research imobiliário precisa incorporá-las com rigor metodológico.
Qual o papel das consultorias de research na formação de preço dos FIIs e ativos alternativos?
O crescimento acelerado do mercado de FIIs amplificou a importância das consultorias de research na cadeia de valor imobiliária. Com a liquidez média diária em patamar recorde na B3, conforme dados de fevereiro de 2026, a precificação dos ativos subjacentes aos fundos é testada diariamente pelo mercado. Qualquer inconsistência entre o valor patrimonial declarado e a percepção do mercado gera volatilidade e erosão de confiança.
As consultorias de valuation atuam como âncoras de credibilidade nesse processo. Seus laudos de avaliação, relatórios de mercado e estudos de absorção fornecem a base técnica sobre a qual gestores justificam suas teses de investimento e reguladores verificam a adequação dos preços. Quando a XP Asset projeta o surgimento de FIIs com patrimônio líquido significativamente maior, impulsionados pela entrada de investidores institucionais sofisticados, essa projeção pressupõe uma infraestrutura de research capaz de sustentar a governança e a transparência que esses investidores exigem.
O mercado residencial de alto padrão oferece outro exemplo da relevância do research na precificação. O metro quadrado em Balneário Camboriú (SC) atingiu novo benchmark de valuation global para o mercado brasileiro em negociações no Senna Tower, segundo dados da FG Empreendimentos reportados pelo Voz do Bairro em fevereiro de 2026. Esse tipo de referência de preço, quando validado por consultorias independentes, recalibra expectativas em mercados adjacentes e influencia decisões de lançamento em todo o país.
A lacuna de conteúdo analítico sobre essa camada de profissionais é significativa. O debate público sobre o mercado imobiliário brasileiro concentra-se em dealmakers, estruturadores de capital e gestores de fundos, mas raramente ilumina os profissionais de inteligência de mercado que informam as decisões desses players. Essa invisibilidade contrasta com a influência real que exercem.
A convergência entre infraestrutura digital e real estate tradicional exige novos modelos de valuation?
A resposta é inequívoca: sim. Os modelos tradicionais de avaliação imobiliária foram construídos para ativos com características relativamente padronizadas, como lajes corporativas, galpões logísticos e empreendimentos residenciais. A emergência de classes de ativos como data centers, infraestrutura de energia renovável e hubs de inteligência artificial demanda frameworks que integrem variáveis operacionais, tecnológicas e regulatórias ao cálculo de valor.
O Pbia e a Medida Provisória ReData sinalizam que o Estado brasileiro reconhece a infraestrutura digital como vetor estratégico de desenvolvimento. Para o mercado imobiliário, isso significa que a precificação de terrenos, a negociação de contratos built-to-suit e a avaliação de portfólios passam a incorporar premissas sobre políticas públicas de tecnologia, demanda por capacidade computacional e evolução da matriz energética.
As consultorias que dominarem essa convergência terão vantagem competitiva decisiva. A capacidade de produzir research que integre dados imobiliários tradicionais com variáveis de infraestrutura tecnológica define quem liderará o advisory de precificação nos próximos anos. Profissionais que atuam na interseção entre real estate e tecnologia, como os que orbitam o ecossistema da Ascenty e de seus concorrentes, serão referências obrigatórias para qualquer exercício sério de valuation.
O ecossistema GRI Institute como plataforma de convergência
O GRI Institute tem liderado as discussões sobre o futuro do valuation e da alocação de capital no mercado imobiliário brasileiro. Eventos como o Brazil GRI e o GRI Awards reúnem os principais tomadores de decisão do setor, incluindo CEOs de incorporadoras, gestores de fundos, líderes de infraestrutura e profissionais de research, em um ambiente que privilegia o debate estratégico e a troca de inteligência de mercado.
A comunidade do GRI Institute oferece o espaço onde essas conversas acontecem com profundidade. A precificação de ativos imobiliários no Brasil em 2026 depende, cada vez mais, da qualidade do diálogo entre quem constrói os ativos, quem os avalia e quem aloca capital neles. Facilitar esse diálogo é parte central da missão do instituto.
O mercado brasileiro de real estate vive um momento de maturação acelerada. A sofisticação dos investidores, a diversificação das classes de ativos e a complexidade regulatória crescente tornam a inteligência de mercado um ativo tão valioso quanto os imóveis que ela avalia. Os profissionais e as organizações que compreenderem essa dinâmica serão os protagonistas do próximo ciclo de crescimento do setor.