O mapa do capital nordestino de nova geração: quem são os dealmakers que redesenham o pipeline imobiliário

Salvador lidera valorização nacional com 16,25%, Nordeste lança 76 mil unidades em 12 meses e operadores como Nader Fares, Jorge Goldenstein e Rodrigo Arruy rep

23 de março de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O Nordeste se consolidou em 2025 como a fronteira mais dinâmica do mercado imobiliário brasileiro, com 76.593 unidades lançadas em 12 meses e valorização de dois dígitos em quatro capitais. O mercado nacional bateu recorde de R$ 264,2 bilhões em VGV. Uma nova geração de dealmakers com raízes nordestinas — como Nader Fares (logística e capital transfronteiriço), Jorge Goldenstein (incorporação local na Bahia) e Rodrigo Arruy (crédito estruturado via fintech) — redesenha o fluxo de capital na região, beneficiada por avanços regulatórios que modernizam FIIs e facilitam a transição de patrimônio familiar para veículos institucionais.

Principais Insights

  • Salvador liderou a valorização imobiliária nacional em 2025, com alta de 16,25%, e quatro das cinco capitais que mais valorizaram são nordestinas.
  • O Nordeste lançou 76.593 unidades residenciais em 12 meses, com salto de 27,4% no 4º trimestre de 2025.
  • Dealmakers como Nader Fares, Jorge Goldenstein e Rodrigo Arruy reposicionam capital familiar nordestino em veículos institucionais e sofisticados.
  • Mudanças regulatórias (Lei nº 15.270/2025 e Consulta Pública CVM SDM 06/2025) favorecem a modernização dos FIIs e a entrada de capital familiar.
  • O Brasil bateu recorde de 453.005 unidades lançadas e R$ 264,2 bilhões em VGV em 2025.

O Nordeste brasileiro consolidou em 2025 a posição de fronteira mais dinâmica do mercado imobiliário nacional. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a região registrou 22.514 novos lançamentos residenciais no quarto trimestre de 2025, um salto de 27,4% em relação ao trimestre anterior, acumulando 76.593 novas unidades em 12 meses. Por trás desses números, uma nova geração de operadores de capital com raízes nordestinas começa a ocupar posições estratégicas na estruturação de deals, na gestão de ativos e no financiamento da cadeia construtiva.

O movimento não é acidental. Quatro das cinco capitais brasileiras que mais valorizaram em 2025 estão no Nordeste: Salvador liderou o ranking nacional com alta de 16,25%, seguida por João Pessoa (15,15%), São Luís (13,91%) e Fortaleza (12,61%), conforme o Índice FipeZAP. A convergência entre valorização acelerada, volume de lançamentos e liquidez crescente atrai perfis de capital que, até poucos anos atrás, concentravam operações no eixo Rio-São Paulo.

Quem são os novos dealmakers com raízes nordestinas?

O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com um recorde histórico de 453.005 unidades residenciais lançadas, alta de 10,6% sobre o ano anterior, e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões, segundo a CBIC. Dentro desse universo, operadores com origens e conexões no Nordeste têm desempenhado papéis cada vez mais relevantes, seja na originação de ativos, na estruturação de crédito ou na ponte entre capital familiar e veículos institucionais.

Nader Fares é Managing Partner e CEO da LP Bens, empresa que detém o Cajamar Centro Logístico (CCL) em São Paulo, o maior ativo logístico do Brasil com 500.900 metros quadrados, de acordo com a SiiLA. Sua trajetória ilustra um perfil cada vez mais frequente entre os dealmakers de nova geração: operadores que combinam gestão direta de ativos de grande porte com conexões de capital transfronteiriço. A projeção do IMARC Group indica que o mercado imobiliário do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo) deve crescer para USD 260,3 bilhões até 2034, o que amplia as oportunidades de ponte de capital para operadores com trânsito na diáspora, como Fares. Sua presença em fóruns setoriais promovidos pelo GRI Institute reforça a leitura de que o capital de famílias com raízes árabes e nordestinas busca cada vez mais sofisticação na alocação em real estate no Brasil.

A capacidade de operar ativos logísticos de escala nacional, como o CCL, e simultaneamente manter redes de relacionamento com investidores do Oriente Médio posiciona esse perfil de gestor como um elo entre mercados que historicamente operavam de forma segmentada.

Jorge Goldenstein, por sua vez, atua como Diretor Proprietário da Jotagê Engenharia Comércio e Incorporações, empresa com mais de 40 anos de atuação no mercado de construção e desenvolvimento imobiliário na Bahia, conforme registros do GRI Institute. Goldenstein representa uma categoria distinta dentro dessa nova geração: o operador local com profundo conhecimento do terreno regulatório e das dinâmicas de demanda regionais, que agora integra circuitos de capital mais amplos. A longevidade da Jotagê no mercado baiano, em uma praça onde Salvador registrou a maior valorização imobiliária do país, confere ao grupo uma posição privilegiada para capturar o ciclo de expansão em curso.

O pipeline nordestino de 2026 se beneficia diretamente de operadores enraizados que conhecem as particularidades de licenciamento, demanda e funding local. A experiência de décadas em mercados como Salvador e Recife gera vantagem competitiva estrutural para quem já domina as relações com prefeituras, cartórios e bancos regionais.

Rodrigo Arruy adiciona outra camada ao ecossistema. Fundador da Nova Milano Investimentos e chairman da Even, Arruy cofundou a fintech Working Capital, que iniciou operações fornecendo crédito estruturado para a cadeia de construção civil com uma carteira de cerca de R$ 600 milhões, segundo o Finsiders Brasil. Sua atuação conecta o mundo da incorporação de grande porte ao universo das fintechs de crédito, criando canais alternativos de financiamento para desenvolvedores que operam fora do alcance pleno dos grandes bancos. Esse modelo tem relevância direta para o Nordeste, onde incorporadores de médio porte frequentemente enfrentam restrições de acesso a crédito corporativo em condições competitivas.

Como o ambiente regulatório favorece a nova geração de capital?

Dois movimentos regulatórios recentes criam condições favoráveis para a sofisticação dos veículos de investimento imobiliário no Brasil. A Lei nº 15.270/2025, sancionada em 26 de novembro de 2025, institui mudanças no imposto de renda que incluem disposições sobre a tributação de rendimentos distribuídos por Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e Fiagros com no mínimo 100 cotistas negociados em bolsa. A clareza tributária é um pré-requisito para que gestores de patrimônio familiar migrem de estruturas proprietárias para veículos regulados com governança institucional.

Paralelamente, a Consulta Pública CVM SDM 06/2025, iniciada em 30 de outubro de 2025, propõe alterações no Anexo Normativo III da Resolução CVM 175 para modernizar as regras dos FIIs, incluindo a permissão de subordinação entre subclasses para "FIIs de papel" voltados ao varejo. Essa possibilidade abre espaço para estruturas de capital mais flexíveis, onde diferentes perfis de risco podem coexistir dentro de um mesmo fundo, facilitando a entrada de capital familiar em tranches seniores com proteção adicional.

A combinação entre modernização regulatória e demanda por alocação em ativos reais cria um ambiente propício para que operadores como Fares, Goldenstein e Arruy estruturem veículos cada vez mais sofisticados, conectando capital de famílias nordestinas a oportunidades tanto na região quanto em mercados nacionais e internacionais.

O Nordeste como fronteira de pipeline: o que os números revelam

A densidade dos dados de 2025 confirma que o Nordeste deixou de ser um mercado periférico na estratégia dos grandes alocadores. O volume de 76.593 novas unidades lançadas em 12 meses, segundo a CBIC, coloca a região em um patamar de escala que justifica a presença de operadores especializados em estruturação de capital. A valorização de dois dígitos em quatro capitais nordestinas, conforme o Índice FipeZAP, sinaliza um ciclo de repricing que ainda não se esgotou.

O Nordeste concentra hoje uma rara combinação de valorização acelerada, volume crescente de lançamentos e uma base emergente de dealmakers locais com acesso a capital institucional. Essa tríade redefine o perfil de risco-retorno da região para investidores de longo prazo.

Para os membros do GRI Institute que acompanham o pipeline nordestino, a leitura é clara: o capital que redesenha a região em 2026 não vem apenas dos fundos do Sudeste que "descobrem" o Nordeste. Vem também de operadores com raízes locais e conexões globais, que entendem as nuances do mercado e estruturam deals com vantagem informacional. Antonio Brennand, cujo nome circula com frequência nos circuitos de capital familiar do Recife, completa o quadro de uma geração que transita entre o patrimonial e o institucional, embora detalhes públicos sobre seus veículos e teses específicas permaneçam limitados.

A reconfiguração do deal flow regional

O recorde nacional de R$ 264,2 bilhões em VGV registrado em 2025, conforme a CBIC, representa o pano de fundo macroeconômico que sustenta a ambição desses operadores. A participação do Nordeste nesse volume tende a crescer à medida que a infraestrutura de capital da região se institucionaliza.

A nova geração de dealmakers nordestinos opera em múltiplas frentes: logística de grande porte, incorporação residencial, crédito estruturado e pontes de capital internacional. Cada perfil contribui para uma camada específica do ecossistema, e a convergência dessas competências cria um pipeline regional com profundidade inédita.

Os debates promovidos pelo GRI Institute ao longo de 2025 e 2026 têm refletido essa transformação, com a presença crescente de operadores nordestinos em mesas de discussão sobre funding alternativo, logística e desenvolvimento urbano. O mapeamento desses players, suas teses e seus veículos será determinante para quem busca antecipar o fluxo de capital no mercado imobiliário brasileiro nos próximos anos.

Você precisa fazer login para baixar este conteúdo.