
O mapa do capital britânico no real estate brasileiro em 2026: Barclays, Brookfield e os deals em formação
Fluxos institucionais do Reino Unido ganham tração no Brasil com atuação de Alex Araujo, André Lucarelli e estruturas jurídicas especializadas em PPPs e concessões
Resumo Executivo
Principais Insights
- A Brookfield Properties administra R$ 24 bilhões em ativos e 1,8 milhão de m² no Brasil, sinalizando a escala do capital anglo-saxônico no país
- Alex Araujo (Barclays) e André Lucarelli (Brookfield/Tegra) são peças-chave na estruturação e execução de deals britânicos
- Multifamily e data centers são os segmentos prioritários para alocação de capital institucional britânico
- O Marco Legal das Garantias (Lei 14.711/2023) reduz a percepção de risco e facilita a entrada de capital estrangeiro
- O ecossistema de deals opera em tripé: estruturação financeira, gestão de ativos e modelagem jurídica especializada
A Brookfield Properties administra hoje aproximadamente 1,8 milhão de metros quadrados de área locável e R$ 24 bilhões em ativos sob gestão no Brasil, segundo dados da SiiLA. A dimensão desse portfólio ilustra a escala com que o capital institucional de matriz anglo-saxônica opera no mercado imobiliário brasileiro, e sinaliza um ciclo de alocação que, em 2026, envolve novos protagonistas, novos instrumentos e novas teses.
O ambiente regulatório mais robusto, a estabilização de valuations em escala global e a convergência entre infraestrutura e real estate criaram as condições para que investidores britânicos e internacionais ampliem suas posições no país. Este radar mapeia os principais vetores desse movimento.
Quem são os executivos que estruturam o capital britânico no Brasil?
Dois nomes concentram atenção no ecossistema de dealmaking imobiliário com origem ou intermediação britânica.
Alex Araujo atua como Head of Banking do Barclays no Brasil, com envolvimento direto na estruturação de negócios nos setores de infraestrutura e real estate, conforme registros do GRI Institute. A presença do Barclays no país não é nova, mas a intensificação de sua atuação em operações que conectam infraestrutura urbana e ativos imobiliários reflete uma tendência mais ampla: bancos de investimento europeus passaram a enxergar o Brasil como plataforma para teses que combinam retorno de capital com exposição a ativos reais de longo prazo.
O papel de Araujo na cadeia de valor é o de estruturador financeiro, a ponte entre o apetite de investidores institucionais sediados em Londres e as oportunidades concretas de alocação em solo brasileiro. Essa função ganha relevância num momento em que o pipeline de concessões, parcerias público-privadas e projetos de infraestrutura urbana exige modelagem financeira sofisticada e acesso a mercados de capitais internacionais.
André Lucarelli, Vice-Presidente Sênior de Investimentos em Real Estate da Brookfield, foi nomeado CEO interino da Tegra Incorporadora em maio de 2026, substituindo Ubirajara Freitas, segundo o Metro Quadrado. A movimentação é significativa. Ao colocar um executivo de perfil financeiro e institucional no comando de uma incorporadora operacional, a Brookfield sinaliza que pretende integrar ainda mais a lógica de alocação de capital global à execução de projetos residenciais no Brasil.
A Brookfield, com sede em Toronto e forte presença em Londres, representa o arquétipo do investidor institucional que opera simultaneamente em real estate e infraestrutura. A nomeação de Lucarelli à frente da Tegra indica que a gestora busca acelerar a conversão de seu portfólio brasileiro em plataformas de geração de renda recorrente, com ênfase no segmento multifamily.
Qual é a tese de investimento que atrai capital britânico ao real estate brasileiro?
A resposta está na intersecção entre infraestrutura e real estate. O setor de real estate global e no Brasil apresenta estabilização de valuations e retomada de volumes de transação em 2026, com forte alocação de capital em segmentos de crescimento como multifamily e infraestrutura, incluindo data centers, conforme análise da PwC no relatório Emerging Trends in Real Estate: Global 2026, corroborada por dados da Apollo Institutional.
Para investidores britânicos, o Brasil oferece uma combinação rara: escala demográfica, déficit habitacional estrutural, urbanização acelerada e um pipeline robusto de concessões e PPPs que criam oportunidades de entrada em ativos de longo prazo com fluxos de caixa previsíveis.
O segmento de multifamily concentra parte expressiva dessa tese. A Brookfield Properties vem expandindo fortemente sua atuação nesse vertical, conforme indicam os dados da SiiLA para o período 2024-2026. O modelo de renda residencial, consolidado em mercados como Reino Unido e Estados Unidos, encontra no Brasil um terreno fértil: alta demanda por locação em centros urbanos, oferta fragmentada e penetração ainda incipiente de operadores institucionais.
A infraestrutura digital é o segundo vetor. Data centers e ativos de conectividade atraem capital institucional pela previsibilidade de receita e pela demanda estrutural gerada pela digitalização da economia. Investidores britânicos, historicamente familiarizados com ativos de infraestrutura regulada, encontram nesse segmento um perfil de risco-retorno compatível com seus mandatos.
O arcabouço jurídico como facilitador de fluxos internacionais
A Lei 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias, representa um avanço regulatório decisivo para a atração de capital estrangeiro ao setor imobiliário brasileiro. A legislação facilita a utilização de garantias de crédito, reduzindo custos e riscos em operações financeiras e imobiliárias. Para investidores britânicos e europeus, acostumados a ambientes regulatórios com elevada previsibilidade jurídica, o Marco Legal das Garantias reduz a percepção de risco soberano associada a operações estruturadas no Brasil.
Nesse contexto, a atuação de bancas jurídicas especializadas ganha relevância estratégica. O escritório Moysés & Pires Sociedade de Advogados opera como boutique jurídica focada em direito público, estruturação de projetos de infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas, segundo o GRI Hub News. Essas competências são precisamente as exigidas para viabilizar operações em que capital britânico e internacional flui para ativos imobiliários conectados a infraestrutura urbana no Brasil.
A modelagem jurídica de PPPs e concessões urbanas exige conhecimento profundo do arcabouço regulatório brasileiro, e a presença de assessorias especializadas no ecossistema de deals facilita a ponte entre investidores estrangeiros e oportunidades locais. A sofisticação jurídica é, nesse sentido, tão determinante quanto a engenharia financeira para o fechamento de transações de grande porte.
O ecossistema de intermediação: como os deals se formam
O fluxo de capital britânico para o real estate brasileiro não opera de forma linear. Ele depende de um ecossistema de intermediação que conecta estruturadores financeiros, gestores de ativos, assessorias jurídicas e plataformas de relacionamento entre decisores.
Alex Araujo, no Barclays, ocupa a posição de estruturação financeira, desenhando instrumentos e viabilizando o acesso de investidores institucionais britânicos ao mercado brasileiro. André Lucarelli, na Brookfield e agora na Tegra, representa a ponta de execução, convertendo capital institucional em ativos operacionais. Bancas como Moysés & Pires fornecem a camada de segurança jurídica que permite a esses fluxos se materializar em contratos e closing de transações.
Esse triângulo, formado por estruturação financeira, gestão de ativos e modelagem jurídica, define o modelo operacional dos deals de capital britânico no Brasil em 2026. Fóruns especializados do setor, como os promovidos pelo GRI Institute, funcionam como pontos de convergência onde esses agentes se encontram, trocam informações e originam transações. A capacidade de conectar líderes de real estate e infraestrutura em ambiente reservado e de alto nível é parte essencial do processo de formação de deals internacionais.
Perspectivas para o segundo semestre de 2026
O cenário para os próximos meses aponta para a continuidade e potencial aceleração dos fluxos de capital institucional para o real estate brasileiro. A estabilização global de valuations, conforme apontado pela PwC e pela Apollo Institutional, cria uma janela favorável para alocação em mercados emergentes com fundamentos sólidos.
O Brasil reúne três condições que sustentam essa trajetória: um arcabouço regulatório em evolução positiva, com o Marco Legal das Garantias já em vigor; uma base de ativos de escala relevante, como demonstram os R$ 24 bilhões sob gestão da Brookfield Properties no país; e um ecossistema de intermediação cada vez mais sofisticado, com bancos de investimento globais, gestoras institucionais e assessorias jurídicas especializadas operando de forma integrada.
A principal incógnita permanece no volume exato de capital britânico que será efetivamente alocado em 2026. Os dados públicos disponíveis ainda não permitem quantificar com precisão esse fluxo. O que os movimentos de executivos como Araujo e Lucarelli indicam, contudo, é que a infraestrutura de decisão já está montada. Os mandatos existem, as teses estão definidas e os instrumentos regulatórios estão disponíveis.
O real estate brasileiro em 2026 se posiciona como destino prioritário para capital institucional de origem britânica e europeia, particularmente nos segmentos que combinam infraestrutura e geração de renda recorrente. Os deals em formação refletem essa convergência.