BTG Pactual redesenha a tese industrial e logística com galpões last mile e data centers no centro da alocação até 2028

A convergência entre infraestrutura pesada e real estate posiciona o maior banco de investimento da América Latina como protagonista na vertical que mais cresce no mercado imobiliário brasileiro.

22 de abril de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

O BTG Pactual estrutura uma tese de investimento que une infraestrutura e real estate industrial-logístico em dois eixos: galpões last mile de alta especificação concentrados próximos a São Paulo e data centers como aposta estrutural para a próxima década. O banco adquiriu um portfólio de R$ 274 milhões e detém participação em operadores logísticos, integrando toda a cadeia de valor. Com a demanda global por capacidade de processamento impulsionada pela inteligência artificial, o Brasil desponta como destino competitivo graças à sua matriz energética renovável. A convergência entre infraestrutura e real estate define o novo paradigma de alocação institucional até 2028.

Principais Insights

  • BTG Pactual adquiriu portfólio logístico last mile de R$ 274 milhões com 69 mil m² de ABL, sendo 76% num raio de 30 km de São Paulo.
  • Demanda energética de data centers nos EUA deve saltar de 31 GW (2024) para 83 GW (2030), redirecionando capital para países como o Brasil.
  • A matriz renovável e a abundância hídrica posicionam o Brasil como polo global competitivo para data centers.
  • A integração entre infraestrutura pesada e real estate tornou-se condição essencial para competir na alocação institucional até 2028.

A arquitetura de investimento que une infraestrutura e real estate logístico

O real estate industrial e logístico brasileiro atravessa um ciclo de maturação acelerada. A combinação entre o avanço do e-commerce, a corrida global por capacidade de processamento de dados e a sofisticação dos veículos de investimento imobiliário transformou galpões, centros de distribuição e data centers em ativos de altíssima demanda institucional. No centro dessa reconfiguração, o BTG Pactual constrói uma tese de alocação que conecta sua tradição em infraestrutura pesada à lógica de valor do real estate, criando uma arquitetura de investimento singular no mercado latino-americano.

A estratégia do banco se apoia em dois pilares convergentes. O primeiro é o domínio da cadeia logística de última milha, onde a proximidade dos grandes centros de consumo define o prêmio de localização. O segundo é a aposta estrutural em data centers, segmento no qual o Brasil reúne vantagens competitivas globais ainda subutilizadas. Essa dupla frente de alocação não opera de forma isolada: ela se alimenta de uma expertise institucional acumulada ao longo de quase duas décadas em investimentos de infraestrutura, abrangendo portos, rodovias e energia.

Daniel Epstein, que atua como Associate Partner no BTG Pactual Infra e acumula 17 anos de experiência na indústria de investimentos, supervisionando alocações em setores de infraestrutura, portos, rodovias e energia, segundo informações do GRI Institute, representa a ponte entre essas duas dimensões. Sua trajetória ilustra um movimento mais amplo do mercado: a dissolução das fronteiras tradicionais entre infraestrutura e real estate, com a criação de portfólios híbridos que capturam valor em ambas as pontas da cadeia.

Por que o BTG Pactual concentra capital em galpões last mile num raio de 30 km de São Paulo?

A resposta está na geografia da velocidade. O e-commerce brasileiro consolidou a expectativa de entregas cada vez mais rápidas, e a capacidade de cumprir esse compromisso depende diretamente da proximidade entre o estoque e o consumidor final. Galpões localizados em raios curtos das grandes capitais deixaram de ser apenas ativos imobiliários: tornaram-se infraestrutura crítica para as operações de gigantes do varejo digital.

Em setembro de 2025, o BTG Pactual concretizou a aquisição de um portfólio logístico AAA focado em last mile, composto por cinco ativos que somam aproximadamente 69 mil metros quadrados de ABL, pelo valor de R$ 274 milhões, conforme reportado pela Revista Buildings. O dado mais revelador da transação é a concentração geográfica: 76% dos ativos estão localizados em um raio de 30 km de São Paulo.

Essa movimentação revela uma tese clara. O banco não busca escala dispersa, mas densidade estratégica. A lógica de alocação privilegia ativos triple-A com localização premium, capazes de atrair inquilinos de primeiro nível e sustentar contratos de longa duração com reajustes reais. Em um mercado onde a vacância de galpões de alta especificação técnica segue em patamares comprimidos nas principais praças do país, a disputa por localização se intensifica, e o capital institucional que se posiciona primeiro captura os maiores prêmios.

A verticalização da cadeia logística também merece atenção. A Contrail Logística, empresa de transporte multimodal e operações intermodais, tem como acionistas a EDLP (Estação da Luz Participações), a MRS Logística e o fundo de infraestrutura do BTG Pactual, segundo informações da Tecnologística. Essa participação ilustra como o banco opera além do tijolo: ao investir simultaneamente na operação logística e nos ativos físicos que a sustentam, o BTG Pactual constrói uma cadeia integrada de valor que reduz riscos e amplia as fontes de retorno.

Para o ecossistema de investidores institucionais, a mensagem é direta: a alocação em logística last mile deixou de ser uma aposta temática e se consolidou como uma classe de ativos com fundamentos próprios, métricas de performance consistentes e demanda estrutural de longo prazo.

Qual o papel dos data centers na nova fronteira de alocação do real estate brasileiro?

Se os galpões last mile representam a tese de curto e médio prazo, os data centers configuram a aposta estrutural para a próxima década. O crescimento exponencial da inteligência artificial redefine as necessidades globais de infraestrutura de processamento, e o Brasil surge como um dos destinos mais competitivos para absorver essa demanda.

Segundo projeções do BTG Pactual Equity Research, a demanda de energia por data centers nos Estados Unidos crescerá de 31 GW em 2024 para 83 GW em 2030, passando de 4% para 11,7% da geração total do país. Esse salto coloca pressão sobre mercados já saturados e direciona o capital para geografias com disponibilidade energética e hídrica, posicionando o Brasil e o Chile como potenciais polos globais para novas instalações.

A vantagem brasileira é concreta. A matriz energética predominantemente renovável, a abundância de recursos hídricos para resfriamento e os custos relativos de energia criam uma proposta de valor difícil de replicar em mercados desenvolvidos. Para investidores de real estate, data centers representam ativos de infraestrutura crítica com contratos longos, inquilinos de alta qualidade creditícia e barreiras elevadas de entrada.

Ainda segundo análise do BTG Pactual, publicada em parceria com a M&A Community, a inferência de inteligência artificial ultrapassará o treinamento de modelos a partir de 2027, passando a responder por quase metade das cargas de trabalho globais de data centers até 2030. Essa transição muda a lógica de localização e escala dos ativos: enquanto o treinamento de modelos se concentra em poucos hyperscale centers, a inferência demanda infraestrutura distribuída, mais próxima dos usuários finais, o que favorece mercados emergentes com capacidade energética disponível.

O entrave regulatório, contudo, permanece relevante. A MP 1.307, que limita incentivos fiscais às Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) e impõe condições sobre o uso de energia, foi criticada em relatórios do BTG Pactual por não aproveitar a sobra energética existente no país e dificultar a atração de investimentos estrangeiros em data centers. A remoção dessas barreiras regulatórias pode determinar a velocidade com que o Brasil captura sua parcela da demanda global.

A convergência entre data centers e real estate industrial cria uma nova categoria de ativos que exige expertise tanto em infraestrutura quanto em mercado imobiliário, exatamente o perfil de competência que o BTG Pactual busca consolidar.

A dissolução de fronteiras entre infraestrutura e real estate como tese de alocação

O movimento do BTG Pactual no segmento industrial e logístico revela uma tendência mais ampla do mercado brasileiro: a convergência definitiva entre infraestrutura e real estate como classes de ativos complementares. Galpões logísticos dependem de rodovias, portos e ferrovias para gerar valor. Data centers dependem de redes de energia e telecomunicações. A capacidade de atuar simultaneamente nas duas dimensões confere ao investidor institucional uma vantagem competitiva estrutural.

Essa tese ganha corpo no ecossistema do GRI Institute, que em sua 12ª edição do evento GRI Industrial & Logística, em abril de 2026 em São Paulo, consolida o principal ponto de encontro do setor. A edição anterior reuniu mais de 180 participantes de alto nível, segundo dados do GRI Institute Brasil, evidenciando a maturidade e a relevância da vertical para a comunidade de líderes do real estate e infraestrutura.

O ciclo de alocação até 2028 será definido pela capacidade dos investidores institucionais de integrar análise de infraestrutura, localização estratégica e tendências tecnológicas em uma única tese de portfólio. O BTG Pactual, ao combinar participações em operadores logísticos com aquisições de galpões premium e uma visão estruturada sobre data centers, desenha o modelo de referência para essa integração.

Para os líderes do setor, três convicções emergem com clareza. Primeira: a logística de última milha consolidou-se como infraestrutura crítica, e a concentração geográfica em raios curtos das capitais seguirá pressionando preços e comprimindo vacância. Segunda: data centers representam a maior oportunidade de alocação de capital em real estate industrial da próxima década, e o Brasil possui vantagens competitivas reais para capturar parte significativa da demanda global. Terceira: a integração entre expertise de infraestrutura e gestão de ativos imobiliários deixou de ser diferencial e passou a ser condição para competir na fronteira da alocação institucional.

O mapa do real estate industrial e logístico brasileiro está sendo redesenhado. As decisões de alocação tomadas agora determinarão quais instituições ocuparão posições dominantes no ciclo que se estende até o final da década.

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