O mapa da Brookfield no Brasil: R$ 25 bilhões em ativos, aquisição da Tabas e Andre Lucarelli no comando da Tegra

Radar de mercado detalha a composição do portfólio, a aposta em multifamily e os movimentos estratégicos que reposicionam a gestora canadense no real estate brasileiro em 2026.

9 de maio de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

A Brookfield reposiciona sua operação de real estate no Brasil em 2026 com R$ 25 bilhões em ativos sob gestão, a aquisição da proptech Tabas para gerir seu portfólio de multifamily — 33 projetos, 6,2 mil unidades, 93% de ocupação nas operacionais — e a nomeação de Andre Lucarelli como CEO interino da Tegra. Os movimentos indicam uma estratégia de verticalização e controle direto da cadeia de valor, integrando tecnologia, incorporação e alocação de capital. A reestruturação é vista como sinal de confiança institucional estrangeira no mercado imobiliário brasileiro.

Principais Insights

  • A Brookfield administra R$ 25 bilhões em ativos de real estate no Brasil, sendo uma das maiores alocadoras de capital institucional estrangeiro no setor.
  • O portfólio de multifamily soma 33 projetos, 6,2 mil unidades em oito cidades, com 2,7 mil já operacionais e taxa de ocupação de 93%.
  • A aquisição da proptech Tabas visa integrar tecnologia proprietária à gestão do portfólio residencial, com foco em escala e eficiência.
  • Andre Lucarelli assumiu como CEO interino da Tegra, alinhando estratégia de investimento e incorporação.
  • A verticalização da cadeia de valor sinaliza comprometimento de longo prazo com o mercado brasileiro.

A Brookfield administra R$ 25 bilhões em ativos sob gestão (AUM) no setor de real estate no Brasil, segundo a Revista Buildings. O volume posiciona a gestora canadense como uma das maiores alocadoras de capital institucional estrangeiro no mercado imobiliário do país. Dois movimentos recentes, a aquisição da proptech Tabas e a nomeação de Andre Lucarelli como CEO interino da Tegra, revelam uma reestruturação que vai além da escala financeira e atinge a governança operacional dos ativos.

O dado de R$ 25 bilhões representa o peso de uma estratégia de longo prazo. A Brookfield opera no Brasil há décadas, mas a concentração de decisões em 2026 indica uma nova fase de consolidação. O GRI Institute acompanha de perto os desdobramentos dessa alocação, tema central para investidores institucionais que participam de fóruns como o GRI Brazil Investment Summit 2026, agendado para ocorrer entre 12 e 14 de maio de 2026, em Nova York, conforme informações do próprio GRI Institute.

Qual é a composição do portfólio de multifamily da Brookfield no Brasil?

O segmento de multifamily, ou residencial para renda, concentra uma parcela significativa da estratégia da Brookfield no país. O portfólio compreende 33 projetos distribuídos por oito cidades, totalizando 6,2 mil unidades residenciais, de acordo com dados publicados pela Revista Buildings em março de 2026.

Dessas unidades, aproximadamente 2,7 mil já estão em operação e apresentam uma taxa média de ocupação estabilizada de 93%, segundo a mesma fonte. O patamar de ocupação é considerado elevado para um segmento ainda em fase de maturação no Brasil, onde o modelo de build-to-rent institucional permanece relativamente incipiente se comparado a mercados como Estados Unidos e Canadá.

A distribuição geográfica por oito cidades sugere diversificação de risco regional, embora os dados disponíveis não detalhem quais municípios compõem o portfólio. Ainda assim, a escala de 33 projetos e 6,2 mil unidades configura a maior plataforma de multifamily institucional do país.

A taxa de ocupação de 93% nas unidades operacionais sinaliza validação da demanda por locação residencial de longo prazo em centros urbanos brasileiros, um indicador relevante para outros investidores que avaliam exposição ao segmento.

Qual o papel da aquisição da Tabas na estratégia da Brookfield?

A Brookfield adquiriu a proptech Tabas, que passa a atuar como empresa independente para administrar todo o portfólio de multifamily da gestora no Brasil, conforme reportado pela Revista Buildings. A operação foi anunciada em março de 2026 e representa uma mudança estrutural na gestão dos ativos residenciais.

A Tabas construiu tecnologia proprietária para gestão de imóveis residenciais, com foco em eficiência operacional e experiência do inquilino. Ao incorporar essa capacidade ao portfólio de 6,2 mil unidades, a Brookfield busca ganho de escala e padronização de processos, dois fatores críticos para a rentabilidade no modelo de renda residencial.

A aquisição visa acelerar o crescimento no setor de real estate no Brasil, incorporando tecnologia proprietária para ganho de escala e eficiência operacional no segmento multifamily, segundo comunicado da própria Brookfield publicado pela Revista Buildings.

A decisão de manter a Tabas como entidade independente, e não absorvê-la dentro da estrutura corporativa, indica uma lógica de preservação da agilidade operacional. A proptech atua na ponta da gestão condominial, locação e relacionamento com locatários, funções que exigem velocidade de resposta incompatível com estruturas corporativas tradicionais de asset management.

Para o mercado imobiliário brasileiro, a transação consolida uma tendência: gestoras globais de grande porte adquirem plataformas tecnológicas locais para verticalizar a cadeia de valor dos seus portfólios, em vez de depender de terceiros para a operação dos ativos.

Andre Lucarelli assume o comando interino da Tegra

Andre Lucarelli, Vice-Presidente Sênior de Investimentos em Real Estate da Brookfield, assumiu como CEO interino da Tegra, incorporadora controlada pela gestora canadense, no início de maio de 2026. A informação foi reportada pelo Metro Quadrado em 5 de maio de 2026. Lucarelli substitui Ubirajara Freitas na posição.

A nomeação de um executivo sênior da área de investimentos para liderar a operação de incorporação revela a intenção de alinhar a estratégia de desenvolvimento imobiliário da Tegra com a tese de alocação de capital da Brookfield. Lucarelli carrega a perspectiva do investidor institucional para dentro da operação de originação e execução de projetos.

A movimentação é significativa porque integra duas funções que frequentemente operam em silos dentro de grandes conglomerados: a alocação de capital, que define onde e quanto investir, e a incorporação, que executa o produto imobiliário. Com Lucarelli no comando interino, a Brookfield elimina camadas de intermediação entre a decisão de investimento e a operação.

Andre Lucarelli é um nome acompanhado de perto por líderes do setor imobiliário e de infraestrutura. O executivo participa regularmente de discussões de alto nível sobre alocação de capital estrangeiro no Brasil, tema que integra a agenda de encontros promovidos pelo GRI Institute.

O contexto institucional: capital estrangeiro no real estate brasileiro

A operação da Brookfield no Brasil acontece dentro de um cenário mais amplo de interesse de grandes alocadores globais pelo mercado imobiliário brasileiro. Fundos soberanos, gestoras de pensão canadenses e plataformas de investimento asiáticas mantêm exposição ao país, atraídos pela escala do mercado, pela urbanização em curso e por valuations considerados atrativos em comparação a economias desenvolvidas.

Os R$ 25 bilhões em AUM da Brookfield no real estate brasileiro representam uma das maiores posições de capital institucional estrangeiro no setor. A gestora compete por oportunidades com outros grandes alocadores que também buscam ativos de qualidade em logística, escritórios, residencial e segmentos alternativos.

O segmento de multifamily, em particular, vem ganhando tração como classe de ativo institucional. A ocupação de 93% reportada pela Brookfield nas unidades operacionais reforça a percepção de que o modelo de renda residencial pode gerar fluxos de caixa previsíveis, uma característica valorizada por investidores de longo prazo.

A convergência entre a aquisição da Tabas, a reorganização da liderança na Tegra e a escala do portfólio de multifamily indica que a Brookfield aposta em verticalização e controle direto da cadeia de valor como diferencial competitivo no mercado brasileiro.

Como o GRI Brazil Investment Summit 2026 se conecta a esse cenário?

O GRI Brazil Investment Summit 2026, organizado pelo GRI Institute, ocorre entre 12 e 14 de maio de 2026, em Nova York. O evento reúne líderes globais do setor imobiliário e de infraestrutura para discutir oportunidades de investimento no Brasil.

A agenda do encontro contempla temas diretamente relacionados às movimentações da Brookfield, como alocação de capital institucional estrangeiro, estratégias de multifamily e o papel de plataformas tecnológicas na gestão de portfólios imobiliários. O fórum funciona como ponto de convergência entre dealmakers globais e operadores locais, permitindo a troca de inteligência de mercado em um ambiente reservado.

Para investidores que acompanham a tese da Brookfield, o evento oferece acesso direto a executivos que definem a alocação de bilhões de dólares em real estate na América Latina. O GRI Institute consolida sua posição como plataforma de referência para esse nível de discussão.

Perspectivas para o segundo semestre de 2026

A Brookfield entra no segundo semestre de 2026 com três vetores de crescimento articulados: a plataforma de multifamily em expansão, a tecnologia da Tabas integrada à gestão dos ativos residenciais e a incorporadora Tegra sob nova liderança.

O desafio imediato para Andre Lucarelli na Tegra será traduzir a disciplina de alocação de capital em execução operacional eficiente, mantendo a rentabilidade dos projetos de incorporação em um ambiente macroeconômico que ainda exige cautela.

A taxa de ocupação de 93% nas unidades de multifamily já operacionais valida a demanda, mas a entrega das unidades restantes, das 6,2 mil totais, determinará se a escala planejada se converte em retorno consistente para os investidores da gestora.

O mercado acompanha com atenção. Os movimentos da Brookfield funcionam como termômetro da confiança do capital institucional estrangeiro no real estate brasileiro. Quando uma gestora com R$ 25 bilhões alocados reestrutura governança e adquire tecnologia para operar melhor, o sinal para o mercado é de comprometimento de longo prazo.

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