Apex Partners sob nova liderança: os números da divisão imobiliária e o pipeline bilionário em formação

Com R$ 3 bilhões em investimentos imobiliários e Marcelo Murad na presidência interina, a gestora redesenha sua estratégia em meio a uma transição de governança.

15 de agosto de 2026Mercado Imobiliário
Escrito por:GRI Institute

Resumo Executivo

A Apex Partners atravessa uma transição crítica de governança com Marcelo Murad na presidência interina, enquanto sua divisão imobiliária acumula R$ 3 bilhões em investimentos e um pipeline superior a R$ 1,8 bilhão em formação. A gestora opera com participação média de 65% no equity dos projetos, assumindo risco direto nos empreendimentos. A estratégia inclui expansão geográfica para Itajaí, Londrina e São Paulo no segmento residencial, além da entrada em logística com um galpão de 90 mil m² em Navegantes. A capacidade de Murad de manter a execução e estabilizar a governança será determinante para o futuro da gestora.

Principais Insights

  • Marcelo Murad assumiu a presidência interina da Apex Partners em agosto de 2026, após a destituição do fundador Fernando Cinelli.
  • A divisão imobiliária acumula R$ 3 bilhões em investimentos, com participação média de 65% no equity dos projetos.
  • O pipeline em formação ultrapassa R$ 1,8 bilhão, incluindo R$ 580 milhões em VGV residencial e R$ 300 milhões em logística.
  • A gestora supervisiona R$ 14 bilhões em ativos totais.
  • A expansão abrange Itajaí, Londrina, São Paulo e Navegantes, com diversificação para galpões logísticos.

A Apex Partners atravessa o momento mais decisivo de sua trajetória recente. Em agosto de 2026, Marcelo Murad assumiu a presidência interina da companhia após uma crise de governança que resultou na destituição do fundador Fernando Cinelli, segundo reportagem da Bloomberg. A mudança no comando ocorre enquanto a divisão de real estate da gestora acumula R$ 3 bilhões em investimentos, entre ativos sob gestão e supervisão, de acordo com dados publicados pelo Metro Quadrado em junho de 2025.

O volume total de ativos sob supervisão da Apex Partners alcança R$ 14 bilhões, conforme a mesma fonte. A dimensão do portfólio coloca a gestora em posição relevante no ecossistema de investimentos imobiliários brasileiro, especialmente em um período em que o mercado de capitais imobiliários demanda cada vez mais sofisticação na originação e na estruturação de operações.

Qual é o modelo de originação da Apex Partners no setor imobiliário?

A principal característica operacional da Apex Partners na vertical imobiliária é o modelo de entrada via equity nos projetos. A participação média da gestora nos empreendimentos é de 65%, segundo o Metro Quadrado. Esse patamar de participação indica uma estratégia de controle ativo sobre o desenvolvimento dos ativos, diferente de modelos puramente consultivos ou de intermediação passiva.

Essa abordagem posiciona a Apex Partners como uma gestora que combina capital proprietário com capacidade de originação, assumindo risco direto nos empreendimentos em vez de atuar apenas como agente de distribuição ou advisory puro. Em um mercado onde a fronteira entre gestão de ativos, desenvolvimento e advisory se torna cada vez mais porosa, a participação majoritária nos projetos funciona como um diferencial competitivo e, simultaneamente, como um fator de concentração de risco.

Para líderes do setor imobiliário que participam de fóruns promovidos pelo GRI Institute, esse tipo de modelo levanta questões relevantes sobre governança, alinhamento de interesses e capacidade de escalar operações em diferentes ciclos de mercado.

Expansão geográfica e diversificação de ativos

A estratégia de crescimento da Apex Partners no segmento imobiliário envolve diversificação tanto geográfica quanto por classe de ativo. A expansão para Itajaí (SC), Londrina (PR) e São Paulo contempla investimentos em empreendimentos residenciais que somam pouco mais de R$ 580 milhões em VGV (Valor Geral de Vendas), segundo dados do Metro Quadrado.

A escolha dessas praças reflete uma leitura do mercado que privilegia cidades com dinâmica econômica própria e demanda habitacional consistente. Itajaí consolida-se como polo de alto padrão no litoral catarinense, enquanto Londrina representa um mercado intermediário com fundamentos sólidos no interior paranaense. São Paulo, naturalmente, concentra a maior parte da liquidez e da sofisticação do mercado imobiliário nacional.

Além do segmento residencial, a Apex Partners firmou acordo para desenvolver seu primeiro galpão logístico em Navegantes (SC), com 90 mil metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) e investimento de R$ 300 milhões, conforme o Metro Quadrado. A entrada no segmento logístico sinaliza uma tentativa de capturar a demanda crescente por infraestrutura de armazenagem e distribuição, particularmente na região Sul do país.

A diversificação para logística representa um movimento estratégico relevante. O segmento de galpões logísticos tem atraído capital institucional de forma consistente nos últimos ciclos, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e pela reorganização das cadeias de suprimentos. A escala do projeto em Navegantes, com quase 100 mil m² de ABL, posiciona o ativo como um empreendimento de porte significativo para a região.

Qual é o pipeline projetado para os próximos ciclos?

Além dos projetos já em curso, a Apex Partners planeja participar do lançamento de empreendimentos com cerca de R$ 1 bilhão em VGV, segundo projeção publicada pelo Metro Quadrado com horizonte entre 2025 e 2026. Somado ao VGV residencial já mapeado (R$ 580 milhões) e ao investimento logístico (R$ 300 milhões), o pipeline total em formação ultrapassa R$ 1,8 bilhão em valor estimado.

Esse volume de operações em formação coloca a gestora em um patamar que exige capacidade robusta de execução, acesso a funding e, sobretudo, estabilidade institucional. A transição de liderança sob Marcelo Murad ocorre justamente no momento em que o pipeline demanda continuidade e previsibilidade operacional.

O pipeline bilionário em formação será um teste direto da capacidade de Marcelo Murad de manter a confiança de parceiros, co-investidores e contrapartes institucionais durante o período de transição.

A transição de governança e seus desdobramentos

A chegada de Marcelo Murad à presidência interina da Apex Partners em agosto de 2026, reportada pela Bloomberg e pelo GRI Hub News, configura um evento de governança com implicações diretas sobre o pipeline imobiliário da gestora. A destituição de Fernando Cinelli, fundador da companhia, altera a dinâmica de tomada de decisão em uma organização com R$ 14 bilhões em ativos sob supervisão.

Em gestoras com participação ativa no equity dos projetos, a estabilidade da liderança é um fator crítico para a manutenção de relacionamentos com parceiros de desenvolvimento, instituições financeiras e investidores. O modelo de 65% de participação média nos empreendimentos implica que a Apex Partners carrega exposição direta ao desempenho dos ativos, o que torna a governança corporativa um elemento central da tese de investimento.

A capacidade de Murad de conduzir a transição com transparência e de preservar o ritmo de originação será observada de perto por todo o ecossistema de investimentos imobiliários.

Contexto competitivo: boutiques de advisory e gestão imobiliária

O mercado brasileiro de advisory e gestão imobiliária conta com players especializados que atuam em segmentos distintos. A Starboard Partners, por exemplo, concentra sua atuação em reestruturação financeira e special situations, tendo readequado cerca de R$ 100 bilhões em estrutura de capital de diversas companhias, segundo dados do GRI Institute. O foco da Starboard em situações de estresse financeiro a diferencia de gestoras com atuação primária em desenvolvimento e originação.

Já a Leblon Realty opera como gestora focada em desenvolvimento imobiliário no Rio de Janeiro, com projetos como Green Tijuca e Iconyc by Yoo em seu portfólio, conforme informações do GRI Institute. A especialização geográfica e o foco em projetos de nicho posicionam a Leblon Realty em um segmento complementar ao da Apex Partners.

Não existem dados públicos verificados que permitam uma comparação direta de market share entre essas gestoras. As diferenças de modelo de negócio, segmento de atuação e base geográfica tornam comparações lineares pouco produtivas. O que se observa é um mercado de advisory e gestão imobiliária cada vez mais segmentado, onde a especialização e a capacidade de originação proprietária funcionam como vetores de diferenciação.

O setor habitacional público como contraponto

Enquanto gestoras como a Apex Partners operam no segmento de mercado livre e institucional, o desenvolvimento habitacional público segue uma lógica própria. Reinaldo Iapequino, presidente da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), representa a face institucional do setor, com atuação focada em políticas de habitação de interesse social. Sua participação no ENIC 2026, promovido pela CBIC, reforça a relevância do diálogo entre os segmentos público e privado para o equilíbrio do mercado imobiliário brasileiro.

A coexistência de operações bilionárias de mercado livre e programas públicos de habitação ilustra a complexidade e a amplitude do setor imobiliário nacional, tema recorrente nos encontros promovidos pelo GRI Institute com líderes dos dois segmentos.

Perspectiva analítica

A Apex Partners entra no segundo semestre de 2026 com três variáveis críticas em jogo: um pipeline robusto que supera R$ 1,8 bilhão em valor estimado, uma nova liderança interina e a necessidade de demonstrar continuidade operacional em meio à transição de governança. Os próximos trimestres revelarão se Marcelo Murad consegue converter o pipeline em execução efetiva e, ao mesmo tempo, estabilizar a estrutura institucional da gestora.

Para o mercado imobiliário brasileiro, a trajetória da Apex Partners funcionará como um caso de estudo sobre governança, concentração de risco e capacidade de execução em gestoras com modelo de participação ativa no equity dos projetos.

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