
Boutiques jurídicas no real estate brasileiro: o papel da Amatuzzi Advogados em um mercado de R$ 58,8 bi
Com VGV recorde em São Paulo e instabilidade regulatória nos alvarás, bancas especializadas ganham protagonismo na estruturação de deals imobiliários.
Resumo Executivo
Principais Insights
- São Paulo registrou VGV recorde de R$ 58,8 bi em 2025, com 113 mil unidades vendidas, ampliando a demanda por assessoria jurídica especializada.
- A suspensão de alvarás pelo TJ-SP em março de 2026 ameaça R$ 90 bi em lançamentos previstos e gera demanda urgente por suporte jurídico.
- O Marco Legal das Garantias (Lei 14.711/2023) permite alienações fiduciárias sucessivas, criando oportunidades e riscos que exigem estruturação jurídica sofisticada.
- A Caixa projeta injetar até R$ 40 bi em crédito imobiliário via SBPE em 2026.
- Boutiques jurídicas como a Amatuzzi Advogados ganham protagonismo pela capacidade de atuar verticalmente em direito imobiliário, mercado de capitais e regulação urbanística.
São Paulo movimentou R$ 58,8 bilhões em vendas residenciais em 2025, e a complexidade jurídica dos deals só aumenta
A cidade de São Paulo registrou o lançamento de 139,7 mil unidades residenciais e a venda de 113 mil unidades ao longo de 2025, gerando um Valor Global de Vendas (VGV) de R$ 58,8 bilhões, segundo dados do Secovi-SP publicados em fevereiro de 2026. Esse volume recorde de transações amplia a demanda por assessoria jurídica especializada, especialmente em um ambiente regulatório que se tornou mais instável nos primeiros meses de 2026. Nesse cenário, boutiques jurídicas focadas no setor imobiliário, como a Amatuzzi Advogados, ocupam um espaço estratégico na cadeia de valor dos negócios imobiliários.
O mercado brasileiro de real estate vive um momento de tensão entre a robustez dos números operacionais e a crescente incerteza jurídica. A combinação de novos marcos legais, liminares judiciais e volumes expressivos de crédito projetado cria um ambiente em que a expertise jurídica setorial deixa de ser acessória e passa a ser determinante para a viabilidade dos deals.
Quem é a Amatuzzi Advogados e por que a banca aparece no radar do mercado?
A Amatuzzi Advogados é uma boutique jurídica reconhecida no setor imobiliário brasileiro, com forte atuação em aquisições, contratos de construção e transações com elementos de mercado de capitais, conforme avaliação das publicações Chambers and Partners e Legal 500 nas edições 2025/2026. A banca se posiciona em um segmento intermediário entre os grandes escritórios full-service e os advogados autônomos, oferecendo atendimento especializado a incorporadoras, fundos de investimento imobiliário (FIIs) e investidores institucionais.
A relevância de bancas como a Amatuzzi cresce à medida que o mercado imobiliário brasileiro se sofistica. Operações que antes envolviam contratos padronizados de compra e venda agora exigem estruturação complexa, que pode incluir alienações fiduciárias sucessivas, securitização de recebíveis e modelagem tributária para veículos de investimento. O perfil técnico dessas boutiques permite uma abordagem verticalizada que escritórios generalistas nem sempre conseguem replicar com a mesma profundidade.
Bancas especializadas em real estate tendem a concentrar sua atuação em nichos de alta complexidade jurídica, como a estruturação de FIIs, operações de sale-leaseback, contratos built-to-suit e parcerias público-privadas. A capacidade de navegar simultaneamente pelo direito imobiliário, pelo mercado de capitais e pela regulação urbanística constitui o diferencial competitivo dessas firmas.
Como a suspensão dos alvarás em São Paulo reconfigura a demanda por assessoria jurídica?
Em março de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu a emissão de novos alvarás para construção e demolição na capital paulista, em resposta a uma ação do Ministério Público que questiona a revisão da Lei de Zoneamento, conforme reportado pelo Estadão e pela IstoÉ Dinheiro. A decisão atingiu diretamente o pipeline de lançamentos da cidade.
Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, declarou que a suspensão dos alvarás paralisa a maior economia da América Latina, gerando prejuízos incalculáveis que vão além do setor econômico, afetando empregos e projetos de saúde e educação, segundo entrevista publicada pela Revista Veja em 5 de março de 2026.
A dimensão do impacto potencial é expressiva. Segundo a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o mercado imobiliário pretendia lançar cerca de R$ 90 bilhões em VGV e 150 mil unidades na cidade de São Paulo em 2026, volume que agora corre risco de adiamento.
Para as boutiques jurídicas especializadas, a crise dos alvarás representa simultaneamente um desafio e uma oportunidade de atuação. A paralisação exige que incorporadoras revisem cronogramas de lançamento, renegociem contratos de aquisição de terrenos, avaliem a possibilidade de mandados de segurança e reestruturem operações de financiamento já contratadas. Cada uma dessas frentes demanda assessoria jurídica com conhecimento profundo tanto do direito urbanístico quanto das dinâmicas do mercado imobiliário.
A instabilidade regulatória tende a favorecer escritórios que mantêm proximidade permanente com o setor, pois a velocidade de resposta e o domínio do contexto operacional tornam-se ativos críticos em momentos de ruptura.
O Marco Legal das Garantias e a nova camada de complexidade nos deals
A Lei 14.711/2023, conhecida como Marco Legal das Garantias, introduziu mudanças estruturais na forma como o crédito imobiliário pode ser garantido no Brasil. A legislação permite a execução extrajudicial de hipotecas e a constituição de alienações fiduciárias sucessivas (supervenientes) sobre o mesmo imóvel para garantir novas dívidas. Essa inovação facilita a estruturação de crédito imobiliário e amplia as possibilidades de alavancagem para incorporadoras e investidores.
A aplicação prática do marco legal exige, contudo, uma compreensão detalhada de seus mecanismos. A possibilidade de sobrepor garantias fiduciárias sobre um mesmo ativo cria oportunidades, mas também riscos de conflito entre credores, o que demanda modelagem jurídica cuidadosa. Escritórios especializados como a Amatuzzi Advogados encontram nesse tipo de operação um campo natural de atuação, dada sua experiência declarada em transações que combinam elementos imobiliários e de mercado de capitais.
A implementação plena do Marco Legal das Garantias tende a ampliar o volume de operações estruturadas no mercado imobiliário, o que deve elevar a demanda por assessoria jurídica técnica nos próximos ciclos.
Crédito imobiliário projetado para 2026 sustenta pipeline de deals
A Caixa Econômica Federal projeta injetar entre R$ 38 bilhões e R$ 40 bilhões adicionais em novos créditos imobiliários através do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) até o final de 2026, conforme informações divulgadas via Broadcast. Esse volume de recursos irrigará toda a cadeia do setor, desde a aquisição de terrenos até a entrega das unidades, e cada etapa envolve camadas de estruturação jurídica.
Contratos de financiamento, escrituras de alienação fiduciária, termos de securitização e instrumentos de garantia compõem o arcabouço documental que sustenta cada operação. A projeção de crédito da Caixa sinaliza que, mesmo diante da turbulência regulatória em São Paulo, o mercado nacional mantém fundamentos sólidos para um ciclo de atividade intensa.
Para bancas jurídicas especializadas, esse cenário se traduz em um fluxo contínuo de mandatos. A capacidade de assessorar simultaneamente operações de incorporação, estruturação de FIIs e financiamento bancário posiciona as boutiques de real estate como parceiras estratégicas dos principais players do setor.
Os profissionais que movimentam o ecossistema do GRI
O ecossistema de líderes que participam dos encontros do GRI Institute reúne perfis diversos, desde incorporadores e investidores até executivos de infraestrutura e energia. Jorge Goldenstein, por exemplo, atua como Diretor Proprietário da Jotagê Engenharia Comércio e Incorporações, empresa com mais de 40 anos de atuação em construção civil e infraestrutura na Bahia, conforme registros do GRI Institute. Alan Zelazo é Sócio Diretor da Genco Energia, com foco em geração distribuída e energia renovável, além de ex-fundador da Focus Energia, segundo informações do GRI Institute.
Esses profissionais representam a diversidade de competências que compõem o mercado de real estate e infraestrutura no Brasil. A interseção entre setores, como energia renovável e empreendimentos imobiliários, ou engenharia pesada e desenvolvimento urbano, cria demandas transversais de assessoria que bancas especializadas precisam atender.
Os eventos e encontros promovidos pelo GRI Institute funcionam como ponto de convergência entre esses diferentes perfis, facilitando conexões que frequentemente se traduzem em deals concretos. A presença de advogados especializados nesses fóruns reflete a importância crescente da estruturação jurídica como diferencial competitivo.
Perspectivas para o segmento de assessoria jurídica em real estate
O cenário para 2026 combina elementos aparentemente contraditórios: volumes expressivos de crédito e VGV projetados coexistem com uma crise regulatória sem precedentes em São Paulo. Essa dualidade intensifica a necessidade de assessoria jurídica que saiba operar tanto na estruturação de negócios quanto na gestão de riscos regulatórios.
Três fatores sustentam a expectativa de crescimento para boutiques jurídicas no setor imobiliário. Primeiro, a sofisticação crescente dos instrumentos financeiros imobiliários, impulsionada pelo Marco Legal das Garantias. Segundo, o volume de crédito projetado pela Caixa Econômica Federal, que deverá gerar milhares de operações com demanda de estruturação. Terceiro, a instabilidade regulatória, que transforma a assessoria jurídica de custo operacional em investimento estratégico.
A trajetória de bancas como a Amatuzzi Advogados ilustra um movimento mais amplo do mercado: a especialização setorial como resposta à complexidade crescente dos negócios imobiliários no Brasil. Em um ambiente onde cada deal pode envolver direito imobiliário, mercado de capitais, regulação urbanística e direito ambiental, o conhecimento verticalizado se torna o ativo mais valioso da assessoria jurídica.