
Dealmakers de nova geração redefinem a ponte entre capital global e real estate brasileiro
Executivos como Alan Zelazo, Jorge Goldenstein e Ely Wertheim ocupam posição estratégica na estruturação de operações complexas em um mercado que movimentou R$
Resumo Executivo
Principais Insights
- O mercado imobiliário brasileiro movimentou R$ 264,2 bilhões em 2025, alta de 3,5% sobre 2024, com 426.260 unidades vendidas.
- Dealmakers de nova geração conectam capital institucional internacional ao pipeline imobiliário doméstico, navegando complexidade regulatória e financeira.
- A atualização do teto do SFH para R$ 2,25 milhões e a projeção de R$ 40 bilhões em crédito novo ampliam oportunidades para estruturas de capital sofisticadas.
- A convergência entre real estate e infraestrutura cria uma classe de ativos emergente que atrai fundos de ambos os setores.
- O Minha Casa Minha Vida respondeu por 52% dos lançamentos em 2025.
Um mercado de R$ 264,2 bilhões exige intermediários à altura
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com cifras que consolidam sua posição como um dos maiores do hemisfério sul. Segundo dados da CBIC divulgados via Exame em março de 2026, o setor movimentou R$ 264,2 bilhões no ano, uma alta de 3,5% em relação a 2024. As vendas totalizaram 426.260 unidades, crescimento de 5,4% no período. A robustez desses números, sustentada em parte pelo programa Minha Casa Minha Vida, que respondeu por 52% dos lançamentos e 49% das vendas, cria um ambiente fértil para uma categoria específica de profissional: o dealmaker que consegue conectar capital institucional, frequentemente de origem internacional, ao pipeline doméstico.
Esse papel de articulação não é novo, mas ganhou contornos mais sofisticados. A complexidade regulatória brasileira, combinada com a escala das oportunidades e a necessidade de estruturação financeira avançada, elevou o perfil exigido de quem ocupa essa posição intermediária. Figuras como Alan Zelazo, Jorge Goldenstein, Ely Wertheim e Reinaldo Iapequino representam vertentes distintas desse fenômeno, cada uma atuando em uma camada diferente da cadeia de valor que transforma capital em ativos reais.
Quem são os dealmakers que conectam capital offshore ao pipeline imobiliário brasileiro?
A expressão "dealmaker" designa, no contexto do real estate, o profissional ou executivo cuja atuação principal consiste em originar, estruturar e viabilizar transações que, de outra forma, não se materializariam. Diferentemente do corretor tradicional ou do gestor de ativos puro, o dealmaker opera na interseção entre fontes de capital, oportunidades de investimento e arcabouço regulatório.
Alan Zelazo construiu trajetória reconhecida no setor de energia, com passagem pela Focus Energia e atuação relevante na Genco Energia. Sua presença no ecossistema de infraestrutura e real estate, incluindo participação ativa no GRI Club, sinaliza um perfil cada vez mais comum entre executivos de nova geração: o trânsito fluido entre setores intensivos em capital, como energia e imobiliário, permite identificar sinergias e estruturar operações que incorporam componentes de infraestrutura ao desenvolvimento imobiliário. A convergência entre esses setores é uma das tendências mais observadas nos encontros do GRI Institute, onde líderes de diferentes segmentos compartilham teses de investimento e identificam oportunidades de colaboração.
Jorge Goldenstein, à frente da Jotagê Engenharia, representa outra dimensão do dealmaking: a do incorporador-engenheiro que, por dominar a execução técnica, consegue dialogar com investidores institucionais em linguagem que transcende o pitch comercial. A capacidade de apresentar viabilidade construtiva, prazos realistas e margens detalhadas é um diferencial competitivo relevante em um mercado onde o investidor, especialmente o internacional, exige previsibilidade acima de tudo.
Ely Wertheim ocupa posição institucional singular como presidente-executivo do Secovi-SP, a maior entidade do setor imobiliário da América Latina. Sua influência extrapola a gestão associativa. Wertheim atua como voz técnica do mercado junto ao poder público e ao sistema financeiro, moldando políticas que definem as condições de operação para todo o setor. Em declaração recente à ABECIP, publicada pela Forbes, Wertheim destacou que cortes na taxa Selic, mesmo que de 0,25 ponto percentual, têm impacto relevante ao sinalizar redução do custo financeiro em operações de longo prazo no crédito imobiliário. Essa leitura precisa da política monetária e sua tradução em linguagem de mercado é, em si, uma forma de dealmaking institucional.
Reinaldo Iapequino, por sua vez, ocupa posição estratégica na CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), atuando na interface entre política habitacional pública e execução privada. Em um cenário onde o governo federal persegue a meta de 3 milhões de unidades contratadas no Minha Casa Minha Vida até o final de 2026, segundo dados da CBIC e do Governo Federal, a capacidade de articular parcerias público-privadas e canalizar recursos para projetos habitacionais de escala é uma competência de dealmaker aplicada ao interesse público.
Por que o ciclo atual favorece a atuação de executivos com perfil cross-border?
O cenário macroeconômico e regulatório de 2026 apresenta características que amplificam a relevância desses perfis. A CBIC estima um crescimento de 2,0% no PIB da construção civil para o ano, apoiado pela expectativa de estabilização da Selic e recursos do FGTS. Esse crescimento moderado, combinado com reformas estruturais no crédito, cria um ambiente que premia a sofisticação na estruturação de operações.
A atualização do teto do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, após sete anos sem correção, ampliou significativamente o espectro de imóveis financiáveis para a classe média. Ely Wertheim projeta que o novo modelo de crédito imobiliário da Caixa deve injetar aproximadamente R$ 40 bilhões em dinheiro novo para esse segmento no primeiro ano de teste. Essa liquidez adicional reconfigura a equação de viabilidade de empreendimentos de médio e alto padrão, abrindo espaço para estruturas de capital mais complexas que combinam funding doméstico com equity internacional.
O dealmaker cross-border opera precisamente nessa fronteira. Ele traduz o risco-Brasil para investidores globais em termos que vão além do spread soberano, contextualizando oportunidades específicas dentro de um mercado que, apesar dos desafios macroeconômicos, demonstra resiliência consistente. A capacidade de navegar simultaneamente o arcabouço regulatório brasileiro, incluindo dispositivos como a Lei nº 14.620/2023 que rege o MCMV, e as expectativas de compliance e retorno de fundos internacionais é o que distingue o dealmaker de nova geração do intermediário convencional.
Como a convergência entre infraestrutura e real estate está redesenhando os mandatos de investimento?
Uma das transformações mais significativas no mercado brasileiro é a dissolução progressiva das fronteiras entre real estate tradicional e infraestrutura. Projetos que combinam desenvolvimento imobiliário com geração de energia, logística integrada ou saneamento representam uma classe de ativos emergente que atrai tanto fundos imobiliários quanto veículos de infraestrutura.
A trajetória de Alan Zelazo ilustra essa convergência. Executivos que acumularam expertise em setores de infraestrutura regulada trazem para o real estate uma disciplina de estruturação de projetos, análise de risco regulatório e relacionamento com concedentes públicos que enriquece a sofisticação das operações. Nos encontros promovidos pelo GRI Institute, essa interseção tem sido tema recorrente, com debates que exploram como a integração entre classes de ativos pode gerar retornos ajustados ao risco superiores aos de operações puramente imobiliárias.
O mercado de fundos imobiliários (FIIs) brasileiro, que amadureceu consideravelmente na última década, oferece a infraestrutura de mercado de capitais necessária para viabilizar essas operações híbridas. A combinação de FIIs com estruturas de project finance adaptadas do setor de infraestrutura cria possibilidades que demandam exatamente o perfil de dealmaker capaz de transitar entre mundos distintos.
A próxima fronteira
O mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento de inflexão positiva. Os números de 2025 demonstram solidez, as projeções para 2026 são construtivas e as reformas no crédito habitacional abrem novas avenidas de crescimento. Nesse contexto, a qualidade da intermediação entre capital e oportunidade torna-se fator determinante de competitividade.
Dealmakers de nova geração, sejam eles executivos de perfil empresarial como Alan Zelazo e Jorge Goldenstein, líderes institucionais como Ely Wertheim ou articuladores público-privados como Reinaldo Iapequino, desempenham função estruturante para o setor. Eles reduzem assimetrias de informação, mitigam riscos percebidos e aceleram o fluxo de capital para ativos produtivos.
A capacidade de identificar, cultivar e reter esses perfis é um indicador avançado da maturidade de qualquer mercado imobiliário. O Brasil, com sua escala continental e complexidade regulatória, precisa deles mais do que a maioria. As plataformas de relacionamento e inteligência do GRI Institute existem precisamente para potencializar essas conexões, criando o ambiente de confiança e profundidade analítica que transações de grande porte exigem.
O pipeline é vasto. O capital existe. A diferença entre potencial e realização está, cada vez mais, nas mãos de quem sabe conectar os dois lados da equação.