
O mapa dos advisors que disputam regulação e representação setorial do real estate brasileiro em 2026
Fernando Crestana, Moysés & Pires, EDLP e Amatuzzi Advogados ocupam posições estratégicas na fronteira entre regulação urbanística, funding alternativo e advocacy imobiliário.
Resumo Executivo
Principais Insights
- O mercado imobiliário brasileiro lançou 453.005 unidades em 2025, alta de 10,6%, com o MCMV respondendo por mais da metade dos lançamentos no último trimestre.
- A busca por fundings alternativos (CRIs, FIIs, LCIs) tornou-se o principal vetor de diferenciação competitiva entre incorporadores em 2026.
- Fernando Crestana exemplifica a dissolução da fronteira entre representação setorial e mercado de capitais, atuando no Secovi-SP e no BTG Pactual.
- Moysés & Pires e Amatuzzi Advogados ilustram a segmentação do mercado jurídico imobiliário entre regulação pública e execução transacional.
- A ABECIP projeta crescimento de 16% nas concessões de crédito imobiliário em 2026.
O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com o lançamento de 453.005 unidades residenciais, crescimento de 10,6% em relação ao ano anterior e Valor Geral de Lançamento (VGL) recorde, segundo dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). O volume expressivo, sustentado em boa parte pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que respondeu por mais da metade dos lançamentos no último trimestre de 2025, reforça uma dinâmica na qual a capacidade de navegar a regulação urbanística, estruturar fundings alternativos e articular representação setorial tornou-se tão decisiva quanto a competência construtiva. É nessa camada menos visível do ecossistema que atuam figuras como Fernando Crestana, escritórios como Moysés & Pires e Amatuzzi Advogados, e estruturadoras como a EDLP.
Este Radar de Mercado mapeia os players que operam na interface entre poder público, regulação e viabilidade de pipeline no real estate brasileiro.
Quem são os principais advisors na fronteira entre regulação e representação setorial?
O ecossistema imobiliário brasileiro possui uma camada institucional que conecta o setor privado ao poder público, influenciando desde regras de zoneamento até a criação de instrumentos de financiamento. Os protagonistas dessa arena em 2026 combinam experiência técnica, influência institucional e capacidade de estruturação jurídica ou financeira.
Fernando Crestana ocupa posição singular nesse mapa. Vice-Presidente de Fundos Imobiliários do Secovi-SP e Sócio-Diretor Executivo da área de Real Estate do BTG Pactual, segundo informações do Secovi-SP atualizadas em abril de 2026, Crestana opera simultaneamente na representação setorial e na estruturação de veículos de investimento. Essa dupla atuação ganha relevância em um momento no qual a busca por fundings alternativos, como CRIs, FIIs e LCIs, tornou-se vital para compensar a retração dos financiamentos via SBPE (poupança), especialmente no segmento de médio padrão.
A trajetória de Crestana como ex-presidente do Secovi-SP e sua presença recorrente em fóruns de articulação público-privada fazem dele uma referência para incorporadores que buscam entender a dinâmica regulatória e os caminhos de capitalização do setor. Em encontros promovidos por instituições como o GRI Institute, sua leitura sobre o ambiente de funding e regulação costuma pautar debates entre lideranças do mercado.
A projeção da ABECIP de que o volume de concessões de crédito imobiliário deve crescer 16% em 2026, impulsionado pela expectativa de queda da taxa Selic e pelo novo modelo de financiamento, adiciona urgência à atuação de figuras que transitam entre o mercado de capitais e a representação institucional.
Qual o papel das boutiques jurídicas na regulação urbanística e nas PPPs?
A complexidade regulatória do real estate brasileiro exige assessoria jurídica especializada que vai muito além da estruturação de contratos de compra e venda. As regras de uso e ocupação do solo, definidas em São Paulo pela Lei nº 16.402/2016, com atualizações recentes via decretos municipais em 2025 e 2026, determinam limites de adensamento, enquadramento de atividades não residenciais e parâmetros construtivos que impactam diretamente a viabilidade econômica de cada empreendimento.
Nesse terreno, Moysés & Pires Sociedade de Advogados se posiciona como uma boutique jurídica especializada em Direito Público, estruturação de projetos de infraestrutura, concessões e parcerias público-privadas (PPPs), conforme levantamento do GRI Institute em conjunto com o Legal 500, atualizado em maio de 2026. O escritório atua em uma faixa do mercado que conecta o direito administrativo à viabilização de projetos de grande porte, segmento onde a fronteira entre infraestrutura e real estate se torna cada vez mais porosa.
A atuação de Moysés & Pires ganha relevância à medida que cresce o número de projetos imobiliários vinculados a concessões de infraestrutura urbana, como operações urbanas consorciadas e projetos de requalificação de áreas públicas. A capacidade de navegar simultaneamente o direito urbanístico e o direito administrativo constitui um diferencial competitivo mensurável em um mercado onde a aprovação regulatória pode determinar meses de atraso ou ganho de pipeline.
Amatuzzi Advogados, por sua vez, ocupa uma posição complementar. Fundado em 2014, o escritório boutique consolidou forte foco transacional e especialização nos setores imobiliário e de construção civil, segundo o Legal 500. Sua atuação concentra-se na ponta da estruturação de negócios, contratos de incorporação, due diligence fundiária e assessoria a operações que envolvem múltiplos stakeholders regulatórios. Em um ciclo de mercado no qual o volume de lançamentos cresceu expressivamente, a demanda por assessoria transacional qualificada acompanha o ritmo.
A distinção entre os dois escritórios ilustra a segmentação crescente do mercado jurídico imobiliário: enquanto Moysés & Pires atua na camada de regulação pública e estruturação de concessões, Amatuzzi Advogados concentra-se na execução transacional dos negócios. Ambas as competências são indispensáveis para a viabilidade de empreendimentos em um ambiente regulatório cada vez mais denso.
EDLP e a estruturação de negócios na interface entre infraestrutura e real estate
A EDLP (Estação da Luz Participações) representa outro vértice desse ecossistema. Trata-se de uma estruturadora de negócios e projetos de infraestrutura e logística, com atuação em projetos de grande escala como a Ferrogrão e o Trem Intercidades, conforme mapeamento do GRI Institute em parceria com a FS Engineering, atualizado em março de 2026.
A relevância da EDLP para o real estate reside na crescente convergência entre infraestrutura de transporte e desenvolvimento imobiliário. Projetos como o Trem Intercidades, que conecta diferentes polos urbanos no estado de São Paulo, tendem a gerar externalidades positivas significativas para o mercado imobiliário das regiões atendidas, ampliando vetores de crescimento urbano e criando oportunidades de desenvolvimento orientado ao transporte (TOD, na sigla em inglês).
Essa convergência exige advisors capazes de dialogar com múltiplas esferas de governo, estruturar modelagens financeiras complexas e articular o interesse de investidores privados com as diretrizes de planejamento público. A EDLP opera precisamente nessa intersecção.
O cenário competitivo em 2026: polarização e oportunidade
O mercado imobiliário da cidade de São Paulo deve apresentar estabilidade em 2026, com o segmento Minha Casa Minha Vida podendo crescer até 5%, enquanto o médio e alto padrão deve oscilar entre -2% e +2%, segundo projeções do Secovi-SP. Essa polarização entre segmentos reforça a importância dos advisors que atuam na camada regulatória e institucional.
No segmento econômico, a dependência de regras do MCMV e de políticas públicas de habitação torna a representação setorial junto ao governo federal um ativo estratégico. No alto padrão, a sofisticação dos instrumentos de funding, como os fundos imobiliários, exige profissionais que compreendam tanto a regulação da CVM quanto a dinâmica do mercado de capitais. No médio padrão, espremido entre as duas pontas, a capacidade de estruturar operações viáveis depende diretamente da habilidade de navegar a regulação urbanística e acessar fontes alternativas de capital.
A busca por fundings alternativos tornou-se o principal vetor de diferenciação competitiva entre incorporadores brasileiros em 2026. A atuação de profissionais como Fernando Crestana, que combina posição institucional no Secovi-SP com experiência direta na estruturação de fundos imobiliários no BTG Pactual, exemplifica como a fronteira entre representação setorial e mercado de capitais se dissolve.
O domínio da regulação urbanística e da interface com o poder público constitui hoje uma vantagem competitiva tão relevante quanto o acesso a terrenos ou capital. Escritórios como Moysés & Pires e Amatuzzi Advogados, cada um em sua especialidade, e estruturadoras como a EDLP, formam o tecido conectivo que viabiliza o pipeline imobiliário em um ambiente de crescente complexidade normativa.
Perspectivas para o segundo semestre de 2026
Com a projeção de crescimento de 16% nas concessões de crédito imobiliário pela ABECIP e a expectativa de queda da Selic ao longo do ano, o segundo semestre deve intensificar a demanda por assessoria regulatória e estruturação de funding. O mapa de advisors tende a se ampliar, mas os players que já ocupam posições na intersecção entre regulação, representação e mercado de capitais largam com vantagem considerável.
A capacidade de influenciar a regulação, e não apenas cumpri-la, define os advisors que efetivamente moldam o real estate brasileiro. Essa é a camada do ecossistema que merece atenção redobrada de incorporadores, investidores e gestores de fundos imobiliários ao longo de 2026.
O GRI Institute segue acompanhando a evolução desse ecossistema e promovendo o diálogo entre as lideranças que definem os rumos do setor imobiliário e de infraestrutura no Brasil.