
O mapa dos executivos que lideram a nova engenharia de concessões de infraestrutura no Paraná
Com recorde histórico de investimentos e concessões inéditas, o estado consolida um ecossistema de dealmakers que redefine o pipeline nacional de projetos
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Paraná liderou o ranking nacional com R$ 703,6 milhões em investimentos públicos liquidados no primeiro bimestre de 2026.
- A concessão inédita do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá pode criar precedentes para outros portos do país.
- A parceria entre Wilson Bley Lipski e a espanhola Acciona exemplifica a articulação de capital internacional no saneamento brasileiro.
- O projeto Eurogarden, em Maringá, demonstra a capacidade do setor privado paranaense de executar infraestrutura urbana de padrão internacional.
- O ciclo de expansão se sustenta em três vetores: concessões federais, marco regulatório do saneamento e capital privado organizado.
O Paraná registrou R$ 703,6 milhões em investimentos públicos liquidados apenas no primeiro bimestre de 2026, liderando o ranking nacional e consolidando um ciclo de expansão que atravessa modais de transporte, saneamento e infraestrutura urbana. O dado, que reflete o recorde histórico de investimentos públicos empenhados já registrado em 2025, segundo a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná, posiciona o estado como o principal laboratório brasileiro para a nova engenharia de concessões e parcerias público-privadas.
Para os líderes do setor que acompanham o mercado pelo GRI Institute, o fenômeno paranaense oferece lições concretas sobre estruturação de projetos, articulação de capital e governança regulatória. O estado reúne executivos, empresários e operadores que, em diferentes frentes, moldam o pipeline de infraestrutura com alcance nacional.
Quais fatores explicam o boom de infraestrutura no Paraná?
Três vetores convergem para explicar a aceleração dos investimentos no estado. O primeiro é a agenda federal de transportes. Em março de 2026, o Governo Federal anunciou um pacote de investimentos para infraestrutura de transportes no Paraná que inclui a concessão inédita do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, segundo o Portal Gov.br e o Ministério dos Transportes. A operação representa um marco para a logística portuária nacional, abrindo espaço para novos modelos de concessão em ativos que até então permaneciam sob gestão direta.
O segundo vetor é o ambiente regulatório criado pela Lei nº 14.026/2020, o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece metas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033. A legislação impulsionou uma corrida por investimentos e parcerias em todo o país, e o Paraná se tornou protagonista nessa agenda.
O terceiro fator é a capacidade de articulação do capital privado local. Empresários paranaenses têm estruturado projetos de infraestrutura urbana de grande escala, atraindo atenção de investidores institucionais e demonstrando que o interior do estado concentra oportunidades tão relevantes quanto as capitais.
Esse tripé, formado por concessões federais, marco regulatório e capital privado organizado, diferencia o Paraná de outros estados que ainda dependem majoritariamente de transferências da União para viabilizar seus projetos de infraestrutura.
Quem são os executivos que definem o ecossistema paranaense de concessões?
O mapeamento dos dealmakers que operam no Paraná revela perfis complementares, cada um atuando em uma camada distinta do ciclo de projetos.
Wilson Bley Lipski ocupa uma posição estratégica nesse ecossistema. Sua trajetória inclui a articulação de parcerias de alcance internacional para disputar concessões públicas de saneamento em todo o Brasil, incluindo um Memorando de Entendimento firmado em 2025 com a multinacional espanhola Acciona, conforme divulgado pelo Governo do Estado do Paraná. A parceria com a Acciona sinaliza uma estratégia de expansão nacional ancorada em consórcios com operadores globais, modelo que tende a se replicar em outros estados à medida que o prazo de universalização de 2033 se aproxima.
A projeção de investimentos bilionários para antecipar as metas de universalização do saneamento no estado, com horizonte até 2028, reforça a escala dos compromissos financeiros em jogo. Executivos com capacidade de estruturar esses veículos de investimento, combinando capital doméstico e expertise internacional, tornam-se peças centrais na cadeia de valor da infraestrutura brasileira.
Jefferson Nogaroli representa outra dimensão do ecossistema: a força do capital privado no interior do estado. O empresário lidera o projeto Eurogarden em Maringá, um bairro planejado de 1,4 milhão de metros quadrados com infraestrutura sustentável e certificação LEED Platinum, conforme reportado pela Folha de S.Paulo. O empreendimento já recebeu aportes milionários e projeta necessitar de investimentos adicionais substanciais para a conclusão de toda a sua infraestrutura e superquadras, segundo a mesma fonte.
O Eurogarden ilustra um modelo em que a infraestrutura urbana de alta complexidade é concebida e financiada integralmente pelo setor privado, com padrões internacionais de sustentabilidade. Para o mercado de concessões e PPPs, projetos dessa natureza funcionam como benchmark de governança e execução, demonstrando a maturidade do ecossistema empresarial paranaense.
A Conata Engenharia e o mercado de construção pesada
No segmento de construção pesada e infraestrutura, a Conata Engenharia atua na execução de obras públicas e projetos habitacionais. A empresa participa de joint ventures, como a "Mais Lar", e executa empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida, conforme registros da Câmara Municipal de Ponte Nova e veículos de mídia local. Sua presença no mercado de obras públicas evidencia o papel das construtoras de médio porte na cadeia de execução dos grandes projetos de infraestrutura que o Paraná e outros estados demandam.
A capacidade de execução dessas empresas é um elo frequentemente subestimado na análise de concessões. Sem construtoras aptas a entregar cronogramas complexos, os modelos de concessão perdem viabilidade operacional. A articulação entre estruturadores de projetos, financiadores e executores define, em última instância, a velocidade de implantação dos ativos.
O Porto de Paranaguá como catalisador de novas concessões
A concessão inédita do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, anunciada pelo Governo Federal em março de 2026, merece atenção especial. Paranaguá é o principal corredor de exportação de grãos do Sul do Brasil, e a modelagem dessa concessão pode estabelecer precedentes para outros portos nacionais.
O pacote federal de investimentos em transportes para o Paraná abrange múltiplos modais e reforça a tese de que o estado funciona como plataforma de teste para novos formatos de concessão. Líderes do setor que participam de fóruns do GRI Institute têm debatido intensamente os desafios de estruturação dessas operações, especialmente no que diz respeito à alocação de riscos e à definição de indicadores de desempenho para concessionários.
A complexidade logística de Paranaguá, que combina acesso rodoviário, ferroviário e aquaviário, exige modelos de concessão integrados, capazes de coordenar investimentos em diferentes camadas de infraestrutura. Esse é um desafio de engenharia financeira que demanda exatamente o perfil de executivos que o Paraná tem formado.
Perspectivas para o ciclo 2026-2028
O pipeline paranaense de infraestrutura apresenta três características que o distinguem no cenário nacional. Primeiro, a diversificação de modais: o estado avança simultaneamente em saneamento, logística portuária, rodovias e infraestrutura urbana. Segundo, a presença de executivos com capacidade de articulação internacional, como demonstra a parceria com a Acciona. Terceiro, a existência de projetos privados de grande escala no interior, como o Eurogarden, que ampliam a fronteira de investimentos para além das capitais.
O recorde de investimentos públicos empenhados em 2025 e o ritmo acelerado de liquidação em 2026 sugerem que o ciclo atual tem sustentação fiscal e política. Para investidores e operadores de infraestrutura, o Paraná oferece um ambiente de negócios com densidade institucional, pipeline diversificado e executivos posicionados em pontos-chave da cadeia de estruturação.
O GRI Institute continuará mapeando os movimentos desse ecossistema, conectando os principais tomadores de decisão do setor em seus encontros e publicações dedicados à infraestrutura brasileira.
A engenharia de concessões no Brasil se constrói, cada vez mais, a partir de redes regionais de liderança executiva. O Paraná demonstra que a combinação de capital público, privado e internacional, coordenada por profissionais com visão de longo prazo, é o modelo que melhor responde à escala dos desafios de infraestrutura do país.