
Mapa dos executivos que lideram a nova engenharia de concessões e PPPs no Paraná
Estado lidera investimentos em infraestrutura no Brasil em 2026, com R$ 703,6 milhões liquidados só no primeiro bimestre e pipeline robusto de parcerias público-privadas
Resumo Executivo
Principais Insights
- O Paraná liderou os investimentos públicos em infraestrutura no Brasil no 1º bimestre de 2026, com R$ 703,6 milhões liquidados.
- O estado empenhou R$ 7,18 bilhões em 2025, maior volume de sua história.
- A meta é universalizar água e esgoto até 2029, quatro anos antes do prazo federal.
- O Programa PAR e o Novo Marco do Saneamento sustentam a segurança jurídica que atrai capital privado.
- A concessão do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá prevê R$ 1,23 bilhão em investimentos.
- O modelo paranaense de PPPs é considerado referência nacional e potencialmente replicável.
O Paraná consolidou-se como o principal polo de investimentos públicos em infraestrutura do Brasil no início de 2026. Segundo dados da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná (Sefa), o estado aplicou R$ 703,6 milhões em investimentos liquidados apenas no primeiro bimestre do ano, superando São Paulo e Rio de Janeiro no ranking nacional. O número coroa um ciclo de aceleração que levou o estado a encerrar 2025 com R$ 7,18 bilhões empenhados, o maior volume de sua história, conforme registros da própria Sefa.
Por trás desses números existe um ecossistema de lideranças que redesenha a lógica de concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e infraestrutura primária no Sul do país. Executivos como Wilson Bley Lipski e Beto Horst ocupam posições centrais nesse tabuleiro, cada qual em frentes complementares que, somadas, revelam a engenharia institucional e empresarial por trás da expansão paranaense.
Quem são os executivos que definem o ritmo da infraestrutura paranaense?
Wilson Bley Lipski tornou-se uma das figuras mais observadas do setor de saneamento e concessões ao assumir, em junho de 2024, a presidência de uma das maiores companhias estaduais de saneamento do país. Com passagem de cinco anos pela direção de um dos principais bancos de fomento regionais, Lipski trouxe ao cargo uma visão orientada para a estruturação financeira de projetos e para o uso intensivo de PPPs como instrumento de universalização.
A meta declarada sob sua gestão é ambiciosa: atingir a universalização dos serviços de água e esgoto no estado até 2029, quatro anos antes do prazo regulatório nacional estabelecido pelo Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020). A antecipação reflete uma estratégia que combina plano de investimentos robusto, com R$ 12 bilhões previstos para o período 2025-2029, segundo a BNamericas, e forte priorização de esgotamento sanitário, que concentra cerca de 65% desses recursos.
O perfil de Lipski é o de um gestor que enxerga concessões e PPPs como alavancas de eficiência, e não apenas como mecanismo de captação de capital privado. Sua liderança imprime ao setor paranaense um ritmo que outros estados ainda buscam alcançar.
Beto Horst, por sua vez, atua na interseção entre infraestrutura primária e desenvolvimento urbano. À frente da Lote 5, empresa que provê infraestrutura essencial de saneamento e sistema viário para o crescimento imobiliário no Sul do Brasil, Horst representa uma camada do ecossistema frequentemente subestimada: a dos operadores que transformam terrenos brutos em áreas urbanizadas e conectadas à rede pública de serviços, conforme reportado pelo GRI Hub News em julho de 2026.
A atuação da Lote 5 evidencia que a cadeia de valor da infraestrutura paranaense vai muito além das grandes concessões rodoviárias ou portuárias. O loteamento urbano com infraestrutura de saneamento e vias é o elo que conecta o investimento público macro à entrega concreta de moradia e qualidade de vida na ponta.
Como o Paraná estruturou um ambiente regulatório favorável a concessões e PPPs?
O avanço do estado em infraestrutura não se explica apenas por vontade política ou disponibilidade orçamentária. Dois marcos regulatórios sustentam a arquitetura institucional dos projetos.
O primeiro é o Novo Marco Legal do Saneamento (Lei nº 14.026/2020), em vigor no plano federal, que estabeleceu metas claras de universalização até 2033 e abriu caminho para a participação privada em escala inédita. No Paraná, o marco acelerou a estruturação de PPPs e concessões que buscam antecipar os prazos nacionais.
O segundo é o Programa Parcerias do Paraná (PAR), arcabouço regulatório estadual que estrutura e viabiliza projetos de concessões e PPPs com garantias de segurança jurídica para investidores privados. O PAR funciona como uma plataforma de originação de deals que padroniza processos, reduz riscos regulatórios e atrai capital institucional para o pipeline estadual.
A combinação desses dois instrumentos criou um ambiente previsível que explica, em grande medida, por que o Paraná lidera os investimentos liquidados no país. O estado demonstra que governança regulatória é tão determinante quanto volume de recursos.
A segurança jurídica proporcionada pelo arcabouço regulatório paranaense é um dos fatores que mais atraem investidores institucionais para o pipeline de concessões do estado.
O pipeline que atrai o capital: portos, saneamento e novos modelos
O portfólio de projetos do Paraná em 2026 vai além do saneamento. Em março de 2026, o Governo Federal assinou contrato de concessão para exploração do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, com investimentos estimados em R$ 1,23 bilhão, conforme divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos. A concessão portuária reforça o papel do estado como hub logístico do agronegócio e do comércio exterior brasileiro.
O setor de saneamento, por sua vez, opera em duas frentes simultâneas. Internamente, o foco recai sobre a universalização acelerada, com investimentos concentrados em esgotamento sanitário. Externamente, há planos de disputar concessões fora do Paraná a partir de 2026, um movimento inédito que sinaliza a maturidade do modelo operacional construído no estado, conforme declarado em entrevista ao Exame Infra Podcast.
Modelos inovadores como a PPP Mais Escolas, que prevê a construção de 40 unidades escolares por meio de parceria público-privada, e o programa de locação de ativos para saneamento (SAINP) ampliam o repertório de instrumentos disponíveis para atrair capital privado. O Paraná está exportando metodologia, além de competir por projetos.
Qual o papel dos líderes regionais na nova geração de deals?
A nova engenharia de concessões e PPPs no Paraná depende de uma rede de executivos que opera em camadas complementares. Wilson Bley Lipski representa a camada institucional e estratégica, com capacidade de mobilizar bilhões em investimentos estruturados e de definir o ritmo de universalização de serviços essenciais. Beto Horst simboliza a camada operacional e empreendedora, onde infraestrutura primária encontra desenvolvimento urbano e geração de valor imobiliário.
Essa complementaridade é o que diferencia o ecossistema paranaense. Enquanto outros estados concentram esforços em grandes concessões federais, o Paraná construiu uma cadeia integrada que vai da regulação estadual ao loteamento urbano, passando por PPPs setoriais e concessões portuárias.
O ecossistema de infraestrutura do Paraná funciona como uma cadeia integrada, onde regulação, concessões e infraestrutura primária se conectam de forma complementar.
Membros do GRI Institute que acompanham o setor de infraestrutura brasileiro reconhecem no Paraná um laboratório de boas práticas. Em encontros promovidos pelo Instituto ao longo de 2025 e 2026, a modelagem paranaense de PPPs figurou entre os temas mais discutidos por líderes do setor, evidenciando o interesse do capital privado pela previsibilidade regulatória do estado.
Perspectivas para o ciclo 2026-2029
O volume de R$ 7,18 bilhões empenhados em 2025 e a liderança nos investimentos liquidados no início de 2026 indicam que o Paraná mantém uma trajetória ascendente. A meta de universalização do saneamento até 2029, quatro anos antes do prazo federal, funcionará como um teste de estresse para o modelo de PPPs do estado.
O avanço sobre concessões em outros estados, a partir de 2026, representará um novo capítulo. Se bem-sucedida, a estratégia validará a tese de que o modelo paranaense é replicável e escalável, transformando o que hoje é uma vantagem competitiva estadual em uma plataforma nacional.
Para investidores e operadores de infraestrutura, o mapa de executivos do Paraná oferece um roteiro claro de onde estão as decisões e como os deals se estruturam. Wilson Bley Lipski e Beto Horst são dois pontos de referência nesse mapa, cada qual representando uma dimensão distinta, mas interdependente, da engenharia de concessões que posiciona o estado na vanguarda da infraestrutura brasileira.
O Paraná não apenas lidera investimentos em infraestrutura no Brasil: exporta um modelo de governança regulatória e execução que se tornou referência para o setor.